Chapter Text
A porta do estúdio parecia um monólito intransponível para o pobre ômega, a plaqueta de identificação que antes trazia conforto virou um presságio da derrocada do seu melhor amigo.
O loiro levantou a mão hesitante para efetuar uma batida na madeira encerada, seu punho movia-se na velocidade de uma lesma.
No momento que sua mão estava a meros centímetros de distância da superfície amadeirada, ele baixou seu braço estendido.
Soltando um suspiro penoso, Felix colocou a máscara e os óculos resignado e seguiu para o elevador.
O som das portas do elevador abrindo ecoou pelo corredor, mas não se viu o ômega entrando.
A única imagem pertinente era a porta em guarda igual um sentinela.
As cores foram escoando do ambiente, um efeito granulado foi tomando conta. Eventualmente, acabou restando somente o fundo preto e branco.
A plaqueta que adornava a porta derreteu e formou uma linda maçaneta estilizada como uma pétala de rosas.
Sons de carros passando e buzinando podiam ser ouvidos e as sombras passageiras de pedestres andando eram vistas de relance.
Uma banda tocando seu número era ouvida por detrás da porta, o piano tocado animadamente acompanhado de um baixo acústico e trompetes.
Aos poucos, a porta foi se abrindo, revelando o ambiente que escondia por trás da sua superfície.
Um clube espaçoso dominava o centro da tela, a porta já tinha sido esquecida.
Mesas redondas espalhadas, patronos bebendo e fumando conversando entre si. Garçons indo e voltando com suas taças cheias de champanhe borbulhante.
Dançarinas vestindo seus corsets e meias calças fazendo suas danças elaboradas em um misto arriscado de sensualidade e formalidade.
Um grande bar abastecia as bandejas dos garçons e servia alguns clientes que sentavam no seu balcão extenso.
Um quadro perfeito da vida noturna à moda antiga.
E era nesse ambiente em que Hyunjin havia entrado na sua procura por um rapaz loiro.
Por mais que ele esteja vestindo terno igual aos outros patronos, algo na sua fisionomia denunciava que ele não era frequentador assíduo do estabelecimento.
Seu olhar de surpresa e nojo eram visíveis a olho nu.
O mais alto queria conseguir as informações sobre o moço que tinha atraído sua atenção o mais rápido possível e sair daquele lugar decadente.
Andando igual uma abelha zonza, Hyunjin finalmente chegou no bar.
Uma coleção de bebidas alcoólicas estavam enfileiradas semelhantes à produtos enlatados em uma linha de produção.
Suas marcas o encaravam, implorando silenciosamente que ele tomasse um gole delas. O alfa engolia seco e limpava o suor que descia na testa, mas se manteve resoluto no seu objetivo principal.
Um barman limpava vigorosamente um copo de vidro, no seu crachá estava escrito Know. Pelo seu jeito de dar ordens, Hyunjin deduziu que comandava o bar.
Limpando a garganta, o mais alto levantou a mão para chamar sua atenção e foi prontamente ignorado.
Sentindo - se um pouco envergonhado, ele assobiou, mas o seu assovio morreu no meio do caminho pelo olhar cortante do barman.
Know parou de limpar o copo e cuspiu dentro do recipiente para depois limpá-lo com o pano novamente, uma ação feita sem quebrar o contato visual.
~ Como posso ajudá-lo nessa terrivelmente empolgante noite, senhor ? ~ O barman perguntou com sua expressão fechada e tom monótono.
Hyunjin soltou um riso estrangulado pelo seu nervosismo, o mais alto estava tendo segundas opiniões sobre ter vindo.
~ Temos vinho, uísque, vodka, champanhe e cerveja para os menos aventurados. Fazemos drinks dos mais pedidos até os mais inusitados e também...Venha mais perto. ~ O barman sussurrou a última parte e tensiona com a mão para que o mais alto se aproximasse.
Desconfiado e ainda nervoso, Hyunjin escorou no balcão e se curvou para poder ouvir o que o homem queria lhe dizer.
~ Servimos até bebidas não alcoólicas. ~ Know comentou se afastando e lançando uma piscadela para um Hyunjin confuso.
O barman continuou limpando o copo e dando ordens para outros funcionários enquanto o mais alto o olhava como se estivesse vendo um alienígena na sua frente.
O estupor de Hyunjin cessou quando um dos patronos trombou com ele perguntando em um tom baixo sobre quartos.
Know apenas meneou a cabeça para o lado e o cliente sumiu.
Hyunjin escorou novamente no balcão para falar com o barman.
~ Eu...Eu preciso de uma informação. ~ O mais alto comunicou olhando para os lados para ver se outra pessoa ouviu seu pedido.
Know estava de costas quando Hyunjin falou, mas logo virou sua atenção para o mais alto com um sorriso de lado.
~ Pode dizer, chefia. ~ O barman falou enchendo uma taça de champanhe e empurrando a bebida para Hyunjin.
O mais alto olhou para o líquido borbulhante sem reação e as palavras ficaram presas na sua garganta ressequida.
Com um movimento, Hyunjin empurrou a bebida de volta para o funcionário. Mas Know empurrou a taça novamente para Hyunjin.
~ É por conta da casa, chefia. ~ O homem disse educadamente, mas o mais alto sentia que havia sarcasmo e malícia escondido atrás daquela expressão neutra.
~ E-eu gostaria de saber sobre uma pessoa. ~ Hyunjin revelou e o barman arregalou os olhos momentaneamente, porém logo se recompôs.
Foi a vez de Know se escorar no balcão com um braço relaxado sobre a superfície polida e a outra mão posta na sua cintura.
~ É um rapaz loiro, os cabelos estavam ondulados no final, el-ele tinha sardas e... ~ Hyunjin descreveu o seu alvo precisamente em meio a sua língua travando e sua boca ressecando.
Know assobiou e deu uma risada. Agora seu corpo todo estava concentrado na figura de Hyunjin.
~ Você , meu amigo, viu a galinha dos ovos de ouro daqui. Pixie é um dos nossos...produtos mais populares, se você não passou por ele, então não experienciou Karma em sua totalidade. ~ O barman falou mostrando uma pequena excitação no seu modo de falar e nos seus gestos.
~ Karma ? ~ Hyunjin arqueou uma sobrancelha ao ouvir o nome do clube.
Know revirou os olhos e balançou seus braços de modo exaltado.
~ Finalmente alguém entendeu. O dono desse lugar eu vou te contar, J.Y alguma coisa...Eu tinha apostado no nome Galáxia, é um nome legal e moderno. Nosso slogan seria : Venha para a Galáxia e tenha uma experiência fora desse mundo. Mas não, ele quis Karma porque se interessou por budismo do nada. Quer saber como ficou o slogan ? ~ Know perguntou e pelo seu olhar, ele não aceitaria "não" como resposta.
Hyunjin apenas assentiu.
~ Venha para Karma e conheça seus pecados. Eu tenho quase certeza que não é assim que karma funciona. ~ O barman respondeu.
Por alguns minutos, os dois ficaram em silêncio até que Know reanimou e apontou para um salão.
~ É ali onde Pixie vai estar, entretendo alguns clientes nossos. ~ O barman falou e Hyunjin levantou da cadeira animado.
O mais alto se curvou em agradecimento e quase foi correndo para o salão, mas foi impedido por Know que o segurou pelo braço.
~ Calma lá, chefia. Ainda não falamos sobre o preço. ~ Know disse puxando Hyunjin para perto de si.
~ Q-quanto é ? ~ Hyunjin gaguejou procurando com mãos desajeitadas sua carteira nos bolsos da sua calça e paletó.
O barman suspirou pensativo.
~ Pixie é reservado para nossa clientela abastada, compreende ?...Só que eu gostei de você, então farei um desconto camarada. Quanto tem na carteira ? ~ Know perguntou ficando na ponta do pé para ver o interior da carteira do mais alto.
Hyunjin ficou contando as cédulas que continuam na carteira. ~ E-eu acabei de ser contratado como assistente de um j....EI. ~
Know pegou a carteira do mais alto e retirou uma quantia considerável de cédulas antes de devolver a carteira que já era leve, ainda mais leve.
Hyunjin olhou desolado para as duas notas sobreviventes.
~ C-como eu vou voltar para casa ? ~ O mais alto perguntou quase choramingando.
~ Relaxa, chefia. Quando você estiver com o nosso amado Pixie, se sentirá em casa. ~ O barman disse contando o dinheiro e entregando uma ficha para Hyunjin.
Triste por ter sua economia cortada por mais da metade, Hyunjin seguiu para o salão.
Cada vez que se aproximava a música se tornava mais agitada e inúmeras vozes cantavam em coro.
"Ele gastava com pôneis
Ele gastava com as meninas
Comprava para sua mãe rosas"
Na entrada do salão, Hyunjin foi parado por um homem de altura mediana, forte e cabelos curtos tingidos de loiro. Uma tatuagem era visível no seu pescoço, dizia Chris.
~ Não pode entrar sem a ficha, senhor. ~ O homem falou barrando a entrada.
Hyunjin deu sua ficha para o segurança que a pegou bruscamente, examinou o conteúdo e liberou a passagem.
O mais alto entrou e o salão era mais modesto que a primeira parte do clube.
Parecia uma sala de visitas chique.
O rapaz loiro que chamou sua atenção estava junto com um grupo de músicos rodeados por um grupo de patronos que assistiam o número anestesiados.
"Tenha uma ótima noite, senhor."
A fala do segurança foi esquecida quando os olhos de Hyunjin grudaram na beldade cantando.
"E quando sua esposa pergunta :
O que conseguiu para mim ?
Ele a esbofeteia.
Tal doce, doce ele era."
Hyunjin andou hipnotizado tal qual um marinheiro é manipulado pelo canto da sereia.
Ele ficou do lado de um homem baixinho, mas igualmente musculoso como o segurança que acompanhava o número bebericando seu uísque.
"E suas lágrimas fluíram como vinho."
Os músicos cantaram posteriormente.
"Sim, suas lágrimas fluíram como vinho."
~ Ele é incrível, não é ? ~ O homem baixinho perguntou para Hyunjin.
O mais alto se assustou e olhou para o homem.
~ As performances musicais são as melhores, você fica se perguntando como uma voz tão rica e rouca consegue pertencer a um rostinho angelical e franzino. ~ O homem comentou e Hyunjin filtrou parcialmente as palavras ditas por estar distraído com o mencionado cantor à poucos metros de distância.
"Ela é realmente um tomate triste."
Os músicos o acompanharam com :
"Ela é Valentina golpeada."
Como impelido, Pixie fez contato visual com os olhos brilhantes e apaixonados de Hyunjin.
Contudo, o loiro não ficou enternecido.
No momento em que seus olhares se cruzaram, Pixie desviou sua atenção e começou a andar devagarinho no meio dos dois violoncelistas.
O loiro cantou os seguintes versos :
"Sabia que sua mãe tinha dito a ela
Que seu homem era um bendito sem coração."
Pixie fugiu para a surpresa dos patronos e dos músicos.
Hyunjin ficou paralisado por um minuto, mas depois correu atrás do loiro deixando para trás burburinhos da clientela abismada e os músicos reiniciando a música.
Ele correu na direção de uma porta que ficava bem nos fundos do salão. De repente, a porta se abriu e saiu um rapaz vestindo roupas similares às de Pixie.
Hyunjin quase atropelou o moço se não tivesse parado de imediato.
O rapaz tinha feições que lembravam um esquilo e o mesmo olhava para o mais alto com desconfiança.
"Quem é você ?"
Porém, Hyunjin não ouviu e abriu a porta, totalmente alheio aos protestos do rapaz.
Entrou no camarim dos dançarinos e dançarinas do clube, alguns retocavam a maquiagem, outros trocavam de roupas.
Todos ali pareciam desconsiderar sua presença, estavam focados em se preparar para sua próxima performance.
Hyunjin andava entre os garotos e garotas da noite do clube Karma, até ver Pixie o olhando na última cadeira de maquiagem, perto de outra porta.
O mais alto acelerou os passos.
Chegando perto, ele pôde notar que o loiro parecia estar o aguardando.
O semblante de Pixie aparentava receio pela presença do moreno, mas uma faísca de interesse se acendia nas suas pupilas.
Faltando alguns milímetros de distância cobrindo os dois, a porta onde Hyunjin havia entrado foi escancarada e o segurança acompanhado pelo dançarino que lembrava um esquilo berrando aos quatro ventos sobre o invasor.
Aproveitando a distração, Pixie correu até a porta e saiu.
Hyunjin viu tudo indeciso se seguia o loiro ou tentava conversar com o segurança durão.
O homem forte se aproximou e cruzou os braços.
"Vou pedir para o senhor se retirar."
Lá fora, a lua cheia brilhava no céu escuro.
As lojas estavam fechando, famílias saíam dos cinemas e restaurantes. Alguns carros passavam nas ruas.
Havia poucos pedestres nas ruas, uma parte estava descansando nas suas casas e outras visitando os bares noturnos que a grande capital oferecia.
O clube Karma com o seu letreiro brilhante no centro, em meio à outros bares, esperando sua próxima vítima a conhecer seus pecados.
A porta do clube abriu e o segurança segurando o coitado de Hyunjin pela gola da camisa o expulsou.
O mais alto ficou deitado no chão se recuperando da humilhação e dos tabefes que havia levado do homem forte.
Levantando com dificuldade, ele começou a andar mancando pela calçada solitária.
Tinha perdido mais da metade da sua grana, não conseguiu ficar perto do loiro desejado e ainda apanhou.
Talvez ele devesse aprender mais a controlar seus impulsos.
Estava tão absorto em reclamar da sua dor que ele não reparou no loiro o esperando na esquina.
Pixie assobiou chamando a atenção de Hyunjin. O mais alto sorriu bobo vendo o loiro.
Pixie acenou com a mão debochado e voltou a correr, o sorriso de Hyunjin se desfez.
O mais alto tentou correr, mas sua perna estava muito machucada da coça que havia levado.
Sem muita alternativa, ele correu mancando até o loiro que se afastava mais rápido.
Coincidentemente, um táxi passava pelo local. Vendo o automóvel, Hyunjin se alegrou e levantou os braços tentando chamar a atenção do motorista.
O carro parou no lado de Hyunjin e o mesmo entrou.
O motorista era um homem jovem, aparentemente alto, seu rosto o lembrava de um filhote de golden retriever.
~ Para onde, senhor ? ~ O jovem perguntou.
Hyunjin apontou para uma figura distante.
~ Siga ele. ~ O mais alto respondeu.
O motor do táxi aqueceu e roncou vivamente.
O automóvel seguia a figura mantendo uma velocidade mediana, nem muito veloz nem lenta como a tartaruga.
Pixie corria e Hyunjin estava em seu encalço.
Até que o loiro dobrou em um beco e o táxi parou.
~ Desculpe, senhor. Só posso até aqui. ~ O jovem motorista falou.
Determinado em alcançar Pixie, Hyunjin pulou para fora do carro e entrou no beco.
Era um beco sem saída, um muro tampava o final.
Somente animais de rua e lixo das residências perto habitavam aquele lugar.
O som da porta abrindo chamou sua atenção.
Um rapaz bem jovem, saindo da sua adolescência, vestindo um uniforme branco com um chapeuzinho empurrava as latas de lixo para fora.
Hyunjin foi até o rapaz.
~ Com licença, você viu um rapaz loiro usando uma camiseta e shorts ? ~ Hyunjin perguntou e o jovem assentiu negativamente.
O mais alto foi perdendo as esperanças.
Uma gota do céu caiu no seu paletó o manchando.
Depois da gota cair, uma chuva torrencial digna de ser comparado com um dilúvio caiu.
O jovem funcionário puxou Hyunjin para dentro do restaurante.
Vendo a intensidade da chuva e preocupado com o loiro, o mais alto perguntou :
~ Tem alguma porta que leva para o outro lado ? ~
~ Tem uma que leva para a garagem. ~ O jovem chamado Yang respondeu.
~ Me leve até lá. ~ O mais velho pediu e os dois foram até a porta da garagem que era a entrada do fast food.
Yang pegou o molho de chaves que tinha no bolso do seu avental e começou a procurar a chave correta.
Hyunjin ficou apenas olhando um dos vidros a chuva cair aos montes na garagem vazia do estabelecimento.
O jovem testava a chave na fechadura.
O mais alto continuou olhando a garagem até que ele finalmente viu uma figura solitária sendo banhada sem piedade pela chuva forte.
Seus olhos se arregalaram e o jovem tinha colocado mais uma chave na fechadura para testar.
Desesperado, ele empurrou o funcionário para o lado e destrancou a porta.
Ele correu para a garagem, quase certo que Pixie correria novamente para longe dele no momento que o visse chegando.
Mas para sua surpresa, o loiro continuou no mesmo lugar independentemente da distância entre eles ser encurtada.
1 m virou logo ali.
Hyunjin tirou seu paletó encharcado e cobriu o corpo de Pixie.
~ Você demorou. ~ O loiro falou.
~ Eles tentaram me manter longe...Eu tentei ficar longe. ~ O mais alto disse e sentiu sua mão ser coberta por algo macio.
~ Mas você veio. ~
~ Eu...Eu não sei se foi uma boa ideia ter vindo. ~
~ Por que ? ~
~ Eu...Eu quero te proteger, ser igual o anel de Saturno para você. Te manter salvo dos asteróides e meteoros, manter - te salvo de mim mesmo. ~
A chuva engrossou.
~ Eu não quero você na minha órbita, Hyunjin. Não quero que seja o meu planeta ou o meu mundo...Quero algo a mais, quero que seja a minha pessoa. ~
Os dois amantes ficaram na chuva enquanto o funcionário via tudo da porta da lanchonete.
A imagem tornou - se mais distante.
Até que ficou refletida nos olhos de Hyunjin que estava sozinho no meio de uma floresta escura.
O fundo preto e branco ficou colorido. O azul escuro, o marrom, todas as cores retornaram.
Não vestia mais terno e sim, uma roupa casual e contemporânea.
Ele parecia estar em uma espécie de acampamento.
Uma fogueira além da luz natural da lua, oferecia visibilidade naquele lugar sombrio.
Hyunjin sentou em uma das toras de madeiras caídas e ficou observando o fogo dançante.
Do outro lado, estava um outro Hyunjin, mas este tinha cabelos vermelhos.
Contudo, os dois não estavam sós.
Tinha uma terceira pessoa.
O fogo continua crepitando.
A camada espessa dos olhos de alguém tomou conta da tela.
Era Ryujin.
Ela olhava seu amigo adormecido pelo coquetel de remédios.
Hyunjin roncava levemente, um tubo saía do seu nariz e uma máscara de oxigênio cobria sua boca.
Os médicos acharam que seria uma boa ideia intuba-lo.
Yeji estava sem forças para negar o pedido e Ryujin não sabia nem por onde começar o seu argumento.
As duas viam o amigo cada vez mais perdido em um mundo que nenhuma delas podia entrar.
Que nenhuma delas poderia saber se ele sairia vivo.
~ Ryu, precisamos fazer alguma coisa. ~ Yeji falou.
Ryujin não respondeu.
~ Temos que falar com alguém. ~ A ômega tentou novamente.
Ryujin se levantou do sofá e ficou andando pelo quarto.
~ Não podemos pagar as contas médicas e caso o Hyunjin saía vivo dessa, ele vai precisar de um tratamento que envolve fisioterapia...Nosso salário mal cabe para pagar um remédio e não temos com quem deixá-lo. ~ Yeji argumentou.
~ Ele VAI sair vivo dessa. ~ Ryujin disse e voltou a se sentar no sofá.
~ Por favor, precisamos contatar alguém. Precisamos de ajuda. ~ A loira falou balançando o braço da companheira chorosa.
~ Quem, Yeji ? Quem ? Eu não tenho o contato dos amigos do Hyunjin e a polícia confiscou o celular dele. ~ A alfa falou pondo sua cabeça nas suas mãos.
Yeji chorou baixinho no seu ombro.
