Work Text:
Você o encontrou no quarto dele, lendo um livro de capa marrom e sem título ou qualquer coisa que te desse alguma pista sobre do que se tratava; os olhos azuis passavam friamente por cada linha escrita. Já fazia algum tempo desde que os Mukami's te trouxeram para a mansão deles e, de todos os irmãos, o que você menos conseguia compreender e/ou conviver harmoniosamente era Ruki. Sem parecer notar sua chegada, ele ficou sentado em sua poltrona com os pés apoiados em uma menor a sua frente e com o queixo apoiado na mão esquerda. Mesmo que nervosa, você fala:
— Ruki..o Kou disse pra eu vir aqui tirar minhas dúvidas com você sobre o que vai acontecer comigo.
Lentamente, Ruki ergue os olhos e te encara de forma gélida. Era nítido o quão estressado ele estava naquele dia em particular, muito mais que em qualquer outro que você se lembre, e você recua dois passos, temendo o pior. Após uns poucos minutos em silêncio, finalmente Ruki lhe fornece uma resposta:
— Não é óbvio? Você é nossa bolsa de sangue agora. Vai morar aqui e nos servir de alimento até o fim da sua vida miserável e patética.
Tais palavras afundam seu estômago, mas você se força a encontrar forças dentro de si pra não surtar. Poderia aumentar seu tempo se cooperasse e fosse gentil com eles, e era exatamente o que faria a partir de agora.
— Entendi. Vocês não..vão me matar, não é?..
Ruki fechou o livro e, em poucos segundos, se colocou na sua frente. Agarrando o colarinho da sua blusa, ele te segura perto dele e te lança o olhar mais ácido e ameaçador que você já recebeu em toda a sua vida. Mas..assim que vocês trocam olhares e ele percebe o quão aterrorizada você parece, o quão à mercê dele está..esse comportamento muda um pouco. Ele vê algo no fundo de seus olhos que o faz afrouxar de leve o aperto e apenas dizer:
— Não pense sobre isso, você é gado, deve pensar nas suas obrigações aqui dentro.
—..e-e quais são?
— Nos servir quando quisermos, principalmente eu, ir à escola e arrumar seu quarto. Do resto, a criadagem cuida.
Você nota o quão indiferente e prepotente ele soa quando fala dos servos, ao ponto de te causar mal estar; ainda assim, tem algo nele..algo que você não sabe exatamente o que é, algo escondido..ele parece esconder muito do que realmente é por trás de uma fachada presunçosa, arrogante e esnobe. Você se desvencilha dele e bate o calcanhar na cama atrás de você; doeu, mas você não quer dar um motivo pra ele te dizer coisas ruins ou te chamar de algo.
Ruki olha pra você durante um tempinho.
— Eu quero algo de você agora. Deite-se.
— O-o que!? Por que?!
- Apenas cumpra seu papel, pet.
Receosa, você se senta na cama. Ele, impaciente, te empurra e fica por cima, as mãos prendendo firmemente seus pulsos dos lados da cabeça.
— Fica quieta..eu tenho algo pra ver..
Ele dá uma boa olhada nos seus olhos.
— Não parece tão ruim. Você vai viver, imagino.
— Você se preocupa? Você arrisca, meio que por impulso. Ele desdenha.
— O que é meu não pode ser de má qualidade ou danificado, apenas isso e nada mais. Não crie teorias nem coloque palavras na minha boca porque eu não dou a mínima pra você.
Por mais dolorosas e distantes que essas palavras tenham soado, o olhar dele pra você enquanto falava dizia o contrário: era ávido, intenso, interessado no que via. Sem muita cerimônia, ele sai de cima e vai pra porta do quarto dele.
— Se for ficar aí, não deixe nada fora do lugar e não desarrume nada. Eu voltarei logo.
Aquela experiência foi com certeza intrigante.
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