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Você encara o aluno novo da sua classe comendo sozinho no refeitório. Damian parecia profundamente irritado, as feições endurecidas e os gestos tensos, enquanto metade da escola o observava. Mais cedo, quando foi anunciado diante de toda a classe que ele viria para aquela turma, muitas informações impressionantes começaram a rodar a escola. Ele se autoproclamava "filho de Satã", aquele detentor de grandes poderes, mas você não acha que isso seja motivo suficiente para criar um preconceito sem averiguar antes. Por isso, você decide se juntar a ele.
— Não se aproxime — Damian anuncia, dramático, quando você coloca sua bandeja na mesa à frente dele — Ou a ira de Satã cairá sobre você!
— Só vim comer com você. Acho injusto que todo mundo esteja sendo tão cruel, você não tem culpa de ser filho do Diabo.
Damian te olha entediado.
— Tolos, todos eles! Não percebem o quão perigoso eu posso ser. Se arrependerão de despertarem a ira do filho de Satanás!
Você acha que ele fica bem enérgico quando está falando do pai e decide puxar papo. Afinal, ficar sentada ali comendo não seria exatamente empolgante, não é?
— Então, do que você gosta, Damian?
— De ver o sofrimento dos outros, é claro! A cor preta me faz completo e as trevas me abraçam!
— Então preto é o seu favorito? Assim, acho que combina com você. E o que mais?
Ele suspira fundo, parecendo um tanto irritado, mas não manda você embora, o que soa como uma vitória para você.
— Gosto de observar as pessoas. Vê-las vivendo suas vidinhas pequenas e patéticas me deixa intrigado.
— Você devia ter uma câmera fotográfica então. Tiraria muitas fotos nesses momentos de "observação" aí.
Damian ergue uma sobrancelha, surpreso.
— Uma câmera? Eu nunca..pensei nisso antes.
— Pode virar um passatempo! O que você faz quando tá entediado?
— Eu ouço música e amaldiçoo o filho de Deus.
A forma como Damian diz cada palavra parece, para você, uma maneira de tentar te intimidar. De forma inesperada, você sorri e continua:
— Saquei, não é tão religioso né? Muita gente não é, eu não vou julgar.
— Por que não me teme, mortal? Eu sou o filho do Pai da mentira, aquele que traz perdição aos homens!
— Você é bem mais legal que o pessoal daqui, simples assim. Queria ser sua amiga.
Damian torna a te olhar de forma descrente e não diz mais nada até acabar de comer. Quando, enfim, ele havia limpado seu prato, Damian olha para seu rosto com feições bem menos tensas e carregadas de rancor.
— As pessoas não tentam me conhecer normalmente, sabem que não devem se aproximar por minha relação com meu pai. Não sei porque você não parece ter qualquer senso de autopreservação, mas não posso dizer que..isso me irrita.
Você sorri e se junta a ele para saírem do refeitório. Mesmo os comentários imbecis de Cartman se tornaram mais toleráveis naquele dia, com você tendo descoberto que nem todo mundo da escola de South Park era um completo idiota. Você tinha Damian.
Bom, e o Butters, é claro.
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