Work Text:
Você vê ele se destruindo cada vez mais e tenta impedir, mas ele não quer escutar...
— Harry, me escuta!
Enquanto vocês atravessam a sala da casa dele, Harry na dianteira, você tenta alcançá-lo antes que ele faça alguma besteira.
— Harry! — você chama mais uma vez — Tenta entender, eu quero o seu bem!
— Vai embora S/N! Vai embora!
Ele joga um vaso caro de porcelana no chão e uma empregada dá um grito. Você sinaliza pra que ela saia e passa pelos cacos com cuidado.
— Harry, você não pode continuar usando essas drogas! Vai acabar se matando!
— Que seja então! — Ele se vira e você consegue ver as veias saltadas no pescoço e testa dele, no tremor quando ele te olha e em como Harry parece qualquer um, menos o rapaz que você aprendeu a gostar.
Harry é um Osborn, o que significa que sempre se esperou tudo dele. Você é você, mesmo com pressões na sua vida, alguém que nunca chegou nem perto de sentir o que ele sente na pele desse garoto.
O pai de Harry é alguém indiferente com relação à saúde mental do próprio filho. Isso muita gente sabe, especialmente aqueles funcionários mais próximos da família de alguma forma.
A fama de Harry foi crescendo dia após dia, ele sempre envolvido em algum escândalo por causa das oscilações de humor, surtos e reações explosivas a qualquer um que sabote seus planos.
Ou questione eles.
— Harry, escuta, essa medicação que você fica tomando..eu tenho certeza de que não é bom pra você, eu nem acho que seja remédio mesmo!
— Ah sério!? — Harry se vira na sua direção, a metros de distância, e se senta em uma mesa alta com porta-retratos e outros itens na outra ponta.
— Sério! — seus passos à frente são poucos e cuidadosos, como quem anda por cima de cacos de vidro — Você tem ido à terapia? Eu—
— Você não é meu pai, S/N — as palavras saem em meio à saliva, lembrando muito veneno.
Aquele tipo de comportamento vindo dele não era incomum, embora os ataques fossem mais frequentes com outras pessoas. Você sabia o quão doloroso era para Harry, como os traumas e abandonos o afetavam, e sente seu coração se partir.
Sem que pudesse evitar, você olha com pena para ele, que range os dentes em resposta.
— Sabe que eu detesto quando me olha assim! Como se eu fosse um animal de rua precisando de um biscoito! Eu sou brilhante e vou fazer com que todo mundo se lembre disso um dia!
— Eu só não quero que você se machuque! — você protesta, aturdido e sem muita ideia de como agir diante daquela situação.
— O que eu uso ou deixo de usar é problema meu, entendeu!? Só meu!
Você dá um passo em frente e ele faz o mesmo. Os dois agora podem esticar os braços e chegarem bem perto de se tocarem; você adoraria poder tocar Harry, ainda que sinta a repulsa vinda dele seja perturbadora.
— Se você quer mesmo me ajudar, se se importa tanto assim comigo, por que não me faz um favor e me deixa EM PAZ!
— NÃO!
Você consegue segurar o pulso dele e teme que
Harry dê um tapa na sua mão; ao invés disso, ele apenas te olha com intensidade.
— Harry, a gente já se conhece há tanto tempo..eu não quero que você sofra assim, o que estiver passando, me fala.
O estalo de irritação que sai da boca dele te deixa com mais raiva.
— Eu gosto de você, por favor, me escuta!
— Você gosta de mim?! Mesmo!? Eu não preciso te ninguém me amando, S/N, eu não quero isso.
— Você entendeu o que eu quis dizer — seu tom de aveluda um pouco. Harry finalmente se livra do seu toque, os passos firmes na direção do quarto.
— Se me seguir, você vai aprender a me odiar. Faça o que quiser.
Você não precisa de um minuto para decidir segui-lo.
Uma espécie de alívio estranho se espalha por seu peito quando Harry se senta na cama, os olhos profundos e fixos no seu rosto com tantas emoções que você desiste de tentar decodificar alguma delas.
— Logo meu pai vai voltar. Você devia ir — comenta Harry, consideravelmente mais calmo.
— Sei me cuidar, Harry. Eu quero te fazer um pouco de companhia.
— Eu tenho cara de quem precisa de companhia?
Um olhar severo seu obriga Harry a desviar os olhos para a parede atrás de você. A televisão é ligada e, mesmo sem olhar, você sabe que são as notícias da semana.
— Você promete que vai tentar se cuidar, pelo menos? Eu não quero ter que virar um peso morto mas eu posso ser se você não se portar como um adulto, Harry.
— Ah claro — o sorriso de delinquente surge — você sempre cuida de mim, não é mesmo? Eu sou tão sortudo por ter você aqui.
Ignorando-o, você olha na direção da televisão. Cada vez mais parecia que Harry ganhava uma obsessão bizarra por poder e um desejo doentio em se quebrar a cada dia que passava.
Você somente consegue assistir, entristecido por aquilo estar acontecendo com um amigo.
Amigo.
— Você quer que eu vá embora, Harry?
A pergunta faz a sobrancelha dele se erguer e um silêncio constrangedor criar tensão palpável entre ambos. A resposta veio como uma onda que desnorteia e derruba, mas lava a dor das lamentações:
— Quero. E não quero.
Você espera. Ele bufa, bagunça o próprio cabelo e assente.
— Fica aí e faz como quiser, eu não vou expulsar você. Se o velho voltar e te ver aqui, vai insistir pra que não volte sozinho pra sua casa. E aí você vai dormir aqui.
— E você não quer isso?
— Eu não sei o que eu quero, porra! — Ele afunda no colchão e encara o teto — Eu só.. odeio como as coisas tão agora.
Vocês não fizeram nada de especial naquele dia. O senhor Osborn retornou para casa mais tarde e, precisamente como seu filho previra, insistiu para que você permanecesse com eles até de manhã.
Harry não pareceu completamente feliz com a decisão, mas teve o bom senso de manter grande parte da frustração escondida.
Ou ao menos foi o que pareceu. Você não se importa.
Ele ficaria bem e vocês teriam mais um pouco de tempo. Isso já bastava.
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