Actions

Work Header

Um Sniper De Guarda Costas

Summary:

Praticamente uma reescrita do primeiro encontro deles no anime (porque eu amei assistir) com o leitor como a garota.

Notes:

Claro, tem algumas mudanças aqui e ali. Acontece, ok? Foi mais pra ele ficar aura farming que tudo...

Work Text:

O caminhar lento, despreocupado do homem era a única coisa a produzir som em todo o prédio.

O edifício parecia, assim como todos os outros, vazio, e essa atmosfera de calmaria e solidão causava sentimentos conflitantes nele. Por um lado, gostava de poder aproveitar a própria companhia em silêncio; por outro, necessitava de alvos para acertar.

O sniper mascarado atravessou o longo caminho do telhado até chegar a uma grade de ferro baixa que circundava as beiradas da construção. Seus sapatos e terno preto impecáveis, bem como o chapéu que escondia parte dos cabelos espetados negros, davam-lhe um ar de elegância e importância. No rosto, usava uma máscara branca com apenas dois buracos grandes no lugar dos olhos e um sorriso capaz de esconder sua boca nas sombras.

O vento desapareceu, como que incomodado por sua presença.

Parada na ponta extrema do edifício e escorada contra a grade, uma moça olha o horizonte. Seus longos cabelos azuis e com tons rosados são a primeira coisa a chamar a atenção do mascarado, sendo as vestes da moça a segunda.

Ela permanece ali, quieta, perdida em pensamentos que a levam para tão longe dali ao ponto de fazer o mascarado questionar que tipo de pessoa era aquela que ignorava o perigo eminente. Sem tempo a perder, o assassino de máscara segura seu rifle e aponta na direção dela.

Não devo matá-la como parte do protocolo, mas nem vou precisar; ela já está tão perto da beirada que isso nem vai ter graça alguma.

A jovem se vira ao sentir-se observada e seus olhos se arregalam, como era esperado pelo homem. Ele já tinha visto muito daquilo, decorado o roteiro: ela imploraria por sua vida, tentaria convencê-lo com barganhas e promessas vazias e, quando entendesse que tudo aquilo seria em vão, pularia.

Um sorriso leve se forma nos lábios do sujeito.

— O senhor está bem? — a voz absurdamente doce e gentil dela chega aos ouvidos dele como uma melódica canção.

O mascarado se sente, repentinamente, perdido.

Ela não está falando sério, não é? Como pode estar tão calma com uma arma sendo apontada para ela!?

— Eu sou Shinzaki Kuon, prazer em te conhecer!

Ainda mais atordoado, o homem olha fixamente na direção do rosto da menina. Shinzaki tinha lindos olhos verdes, tão expressivos e cheios de vida que balançavam o senso do que era possível para ele. Decidido a sanar suas dúvidas antes de fazer mais uma vítima, o mascarado falou:

— Você sabe como isso termina, mulher.

Shinzaki nem mesmo tremeu diante da visão do rifle a mirar seu corpo, seu interesse exclusivo no homem a sua frente. Ela dá alguns passos para frente e o sniper, incerto de como deveria prosseguir, recua na mesma proporção.

Não é tão ruim, afinal, posso acertar qualquer parte que quiser daqui. Mas essa garota é estranha..ela não demonstra ter medo e até mesmo falou o próprio nome..Shinzaki..é um belo nome.

— Você deveria estar agindo de outra forma ao ver alguém ameaçar sua vida, mulher.

— Por que me chama assim? — pelo tom em sua voz, o mascarado entendeu que o uso do apelido a deixa frustrada.

Por algum motivo, um novo sorriso surge detrás da máscara do sniper, um sorriso de puro divertimento. Ele não sente isso a muito tempo.

— Do que, por acaso, eu deveria te chamar? — perguntou, mudando a mira para uma das coxas da jovem.

Ela fez sua primeira menção de se mover e lança a ele um olhar de súplica.

— Por favor, deixe-me ficar com você! Eu preciso de alguém comigo, eu não me sinto bem ficando sozinha por aí!

O mascarado ajeita a postura, abaixa um pouco o rifle e demora menos de um minuto para passar a alça que o prendia no ombro. Era impossível sentir qualquer senso de perigo vindo daquela garota e, de toda forma, ele poderia subjugá-la se quisesse.

Após soltar um suspiro longo, sniper pega seu maço de cigarros, esmaga um entre os dedos longos e o acende.

— Você não é como as outras pessoas que encontrei, mulher.

— Me chame pelo meu nome, por favor.

— Não, obrigado — falta de gentileza carregava as palavras dele — Vou te chamar como eu preferir. Agora, por que você não teve medo de mim? Por acaso é tonta demais para sentir terror por sua vida?

Shinzaki tem uma mudança de feições e ganha expressões mais entristecidas que causam um efeito quase que imediato no sniper mascarado. Ele, que perseguiu, caçou e matou dezenas de pessoas ao longo do tempo, nunca havia sentido tanta curiosidade e até mesmo atração por um dos humanos na dimensão que vivia.

Mas era óbvio para ele nesse momento o que realmente acontecia.

Era tudo um truque. Um dos muitos daquele lugar, uma forma de puní-lo ainda mais pelo simples fato de ainda estar vivo mesmo jogando no time vencedor. Alguém como ele era apenas um peão em um tabuleiro complexo cercado por coisas que iam muito além de sua compreensão.

Mas, naquele instante, o desejo de entender movia-o adiante.

— Você deveria arrumar alguém para ficar com você, garota. Outros humanos.

Shinzaki se aproxima mais e sorri de leve.

— Posso ficar com você, senhor mascarado?

Aquele sorriso. Para o sniper, é curioso que nada nele desperte o mínimo sentimento de medo ou repulsa nela como nos demais. De certa forma, ele já não sente que ficaria feliz caso ela se afastasse.

— Só até você encontrar alguém melhor.

Como se alguém fosse melhor que eu, sei.
Shinzaki acena com a cabeça em concordância e ambos seguem na direção das escadas para o andar de baixo.

Sniper anda ao lado dela, os braços atrás da cabeça relaxados e despreocupados conforme o som dos passos de ambos preenchem o corredor.

Essa garota..sinto que ela não vai durar muito se agir e pensar do jeito que pensa, mas também não parece que ela é totalmente incapaz de se manter nesse mundo. Embora aqui seja um lugar cruel e a possibilidade de fazer aliados seja baixa, é o melhor cenário para que ela fique bem. E eu..bom, vou deixar que siga seu caminho e vou procurar outra pessoa como sempre fiz.

Embora..eu esteja bastante curioso do porquê ela é do jeito que é, e de como consegue ser tão linda assim.

— Está tudo bem, senhor mascarado? — Shinzaki questiona, a cabeça levemente pendente para o lado.

Com um suspiro baixo, sniper responde:

— Está tudo bem sim, claro. Vamos, a ponte até o outro prédio é por aqui.

-