Work Text:
Já era bem tarde quando Jimmy sentiu que despertava. O dormitório estava completamente silencioso, envolto em trevas que só não tomavam conta de tudo pelas luzes dos postes do lado de fora. Sob o céu estrelado, James Hopkins sentiu cada coisa aos poucos — o tecido das roupas, a textura macia da cama em contraste com a pele…
E uma cabeça, que olhava diretamente para ele.
Jimmy se senta sobressaltado, um soco pronto que nunca chega: o “amigo” avança, tão rápido quanto uma cobra em pleno bote, e sobe na cama, tapando a boca de Jimmy. O garoto tenta empurrar o invasor de seu quarto e logo percebe, pela silhueta bem próxima, a quem estava tentando derrubar.
— Shhh Jimmy, não precisa de tanto barulho assim. Vai acordar todo mundo, seu bobinho.
Jimmy encara Gary nos olhos, a expressão claramente irritada e sonolenta; sabia que Gary era estranho, mas nunca esperou esse tipo de coisa dele. Não que se pudesse esperar coisas normais dele..
— Eu só vim pra mostrar uma coisa que encontrei, um brinquedinho novo meu. O que acha?
Um brilho prateado passa pelos olhos atentos de Jimmy sobre as luzes da noite, a lâmina da faca comprida e intimidadora. Jimmy franze o cenho, os músculos tensos sem saber o que fazer diante daquilo. Como Gary insistia em tapar sua boca e não sair de perto, decidiu apenas assentir em concordância.
— Sabia que me entenderia, Jimmy. Eu sei que devia esperar até o dia amanhecer, mais fiquei muito ansioso, entende? A vontade estava me deixando maluco.
Finalmente ele se afasta, dando espaço para que Jimmy respondesse de imediato:
— Qual é a porra do seu problema, Gary?! Achei que fosse me matar.
— Não se preocupa, cara! Eu não perderia meu tempo andando por aí contigo se quisesse te matar, tolinho. — Gary dá risada da situação, guarda a faca e se levanta. — Bom, já fiz o que queria fazer. Vou me mandar, Jimmy. Te vejo de manhã.
Com a saída de Gary do quarto, Jimmy só consegue pensar em uma coisa: que moleque esquisito do caralho!
