Chapter Text
Um Ano e Nove Meses Antes do Incidente de Shibuya, em Tóquio...
2016
Monte Gozaisho, Nagoya
A mansão principal do Clã Zenin continuava a mesma: grande demais, silenciosa demais, sufocante demais.
Os corredores de madeira polida rangiam sob os passos de Maki e Mai, cada uma carregando uma mochila pendurada nos ombros. As duas haviam acabado de chegar de algum lugar fora da montanha — dava para sentir isso no jeito como os membros do clã as encaravam, como se a simples ideia delas respirarem o mesmo ar fosse ofensiva.
Alguns desviavam o olhar com desprezo. Outros nem se davam ao trabalho.
- Olha só… - Murmurou Mai, ajustando o peso da mochila, tentando ignorar os olhares dos outros que estavam mais distantes. - Parece que o zoológico todo resolveu sair das jaulas hoje.
Maki não respondeu. Apenas seguiu andando, os óculos refletindo as lanternas do corredor.
Foi então que uma presença familiar — e irritante — surgiu à frente delas.
Era uma jovem mulher, provavelmente uns 4 ou 5 anos mais velha do que as gêmeas. Ela tinha longos cabelos presos em um rabo de cavalo no lado esquerdo, era adornada com brincos de esferas de jade, usava um kimono com um haori branco e preto no estilo meio-a-meio por cima, tendo luvas sem dedos com brasões do Clã Zenin em suas mãos com unhas pintadas de preto.
Kaina Zenin vinha pelo lado oposto, ainda com poeira de viagem nos seus chinelos. O haori meio-a-meio dela estava jogado de forma displicente sobre os ombros, manchado de lama seca e sangue roxo de maldição.
O cheiro de floresta e sangue amaldiçoado denunciava: missão longa. Hokkaido, provavelmente.
Ela ergueu uma sobrancelha ao vê-las.
- Uau, não esperava ver vocês duas hoje. - Disse a feiticeira, com um meio sorriso torto que mostrava bem a sua falsidade. - O lixo costuma ser levado sempre pela manhã.
Mai parou imediatamente.
Virou o rosto devagar, o sorriso falso já pronto.
- Que pena, querida. - Ela respondeu com um sorriso cínico. - Porque, infelizmente, a sarjeta fica bem na entrada do seu quarto e tenho que passar por aqui todo dia.
O silêncio caiu pesado.
Por um instante, deu para ouvir o estalo de madeira se contraindo com o frio da montanha.
- Como é que é? - A feiticeira questionou com ódio em suas palavras.
- E eu gaguejei? - A gêmea mais nova rebateu, dando mais uma patada no ego daquela que é obrigada a chamar de prima.
As veias no rosto de Kaina saltaram de forma visível, a expressão endurecendo enquanto os dedos se fechavam lentamente.
- Repete de novo, sua vadia sem-noção. - Rosnou ela, irritada com Mai.
A resposta não veio em palavras.
Maki simplesmente levantou a mão e mostrou o dedo do meio, sem sequer olhar diretamente para a prima.
- Vamos, Mai. Se deixar a cachorrinha aí latindo pro dono, ela só vai atrair mais vira-latas.
As duas passaram por Kaina, deixando para trás apenas o som abafado de uma respiração irritada e o ranger dos dentes contidos. Nenhuma maldição foi invocada — não ali, não na mansão principal. Ainda havia regras. Hipocrisia tinha limites… pelo menos oficialmente.
Elas seguiram pelo corredor lateral até saírem para o exterior, o ar frio da montanha batendo no rosto. O jardim noroeste se estendia à frente delas: árvores altas, pedras cobertas de musgo e um silêncio quase absoluto. Era o ponto mais isolado de toda a propriedade. O único lugar onde ninguém se dava ao trabalho de vigiar.
Maki se sentou primeiro, apoiando as costas contra uma pedra grande. Mai largou as mochilas no chão com força.
- Que porra... Eu não suporto aquela mulher. - A gêmea mais nova disse, já abrindo o zíper de uma das mochilas. - Um dia desses eu ainda mato aquela manipuladora de plantas.
- Não que vá valer a pena. - Respondeu Maki, calma. - Afinal de contas, matar uma vadia como ela só trás problema.
Mai soltou uma risada curta, de lado, enquanto puxava duas latinhas de refrigerante.
- Verdade.
Elas dividiram o “tesouro” sem cerimônia. Biscoitos, doces embalados às pressas, salgadinhos barulhentos. Da outra mochila, o prêmio maior: junk food gordurosa, quente o suficiente para perfumar o jardim inteiro. Dois hambúrgueres duplos com batatas fritas e nuggets de frango.
- Poxa, isso é que é comida de verdade. - Comentou Mai, dando uma mordida enorme no lanche. - O grande Clã Zenin não sobrevive sem tofu e grama.
- Eles que se engasguem com isso. - Disse Maki, mordendo o próprio lanche. - Aquele bando de velho achando que viver de planta só dá sangue.
A cada duas semanas, elas se isolavam para longe do clã e poderem passar um tempo juntas. Elas odiavam tudo no clã, incluindo a comida. O clã era vegetariano, mas as gêmeas odiavam comer só verduras e legumes. Sempre que elas iam comer lanches desses restaurantes de fast food, algo sempre atraia no gosto dos pães com carne processada que era tão saborosa a cada mordida.
Por alguns minutos, só se ouviu o som das embalagens e o vento entre as árvores.
Foi Mai quem percebeu primeiro.
Maki estava quieta demais.
- Você tá estranha. - Disse a gêmea mais nova, estreitando os olhos enquanto comia um pacote de doces de gelatina. - Aconteceu alguma coisa?
Maki demorou a responder.
- Eu vou pra Tóquio.
Mai congelou ao ouvir isso e parou de mastigar, parando até mesmo de respirar direito.
- O quê?
- Vou me transferir pra Tóquio. - Maki disse, de uma forma tão simples que dava até pra ver o tamanho do receio vindo dela. - Estou indo para a Escola Jujutsu.
A latinha de Coca-Cola escorregou da mão de Mai e caiu na grama.
- Você tá ficando maluca?! - Ela explodiu, já irritada com a sua gêmea mais velha. - Você não consegue usar energia amaldiçoada, Maki! Não pode usar nenhuma! E isso sem contar com o nosso pai!
Maki finalmente olhou para ela.
- E é justamente por isso.
- Eles odeiam a gente. - Continuou Mai, com a voz dela tremendo entre raiva e medo. - O pai despreza a gente. Você acha mesmo que vão deixar isso acontecer?
- Não preciso que deixem. Afinal, eles não mandam em mim e nunca vão mandar.
O silêncio voltou, dessa vez ainda mais pesado do que antes.
Mai cerrou os punhos, se deixando ficar enraivecida com a ideia maluca vinda de sua irmã.
- Então você vai me deixar aqui...
Não era uma pergunta vindo da gêmea primogênita. Era uma afirmação.
Maki respirou fundo para falar com calma e assim, disse a outra de cabelos curtos.
- Eu vou sair desse lugar. - A gêmea de óculos disse em um tom decidido. - E eu vou me tornar uma feiticeira Jujutsu. Com ou sem a decisão eles.
Mai riu por um momento bem curto, mas havia algo quebrado naquele som.
- Você é tão egoísta que nem mesmo tem o trabalho de ver o quão perigoso isso é.
Mai virou de costas, mas não conseguiu dar dois passos sem ouvir a voz de Maki atrás dela.
- Mai, eu já me decidi.
- Claro que decidiu. - A atiradora respondeu, sem se virar para trás. - Você sempre decide tudo sozinha sem nem pensar nas consequências.
Maki de fato, não era uma pessoa conhecida por ter auto-controle. Era realmente um milagre só por estar ali falando com sua irmã sem elevar sua voz pra ela ao tocar em um assunto tão sério.
- Há algumas semanas atrás, eu me encontrei com o Satoru Gojo.
Isso fez Mai girar no mesmo instante.
- …O quê?
- Ele veio tratar de assuntos sobre o clã com o Naobito. - Continuou a guerreira Kukuru, explicando mais sobre o motivo dela ter se encontrado com o feiticeiro mais poderoso do mundo. - Ele disse que daqui a menos de dois anos, vai colocar o Megumi no Colégio Jujutsu.
Mai estalou a língua. A sua irmã realmente estava falando como se não quisesse continuar ali, ela estava mesmo decidida a continuar com essa ideia besta de abandonar o seu clã.
- Apesar daquele bobão vendado ser um completo idiota, ele também é muito esperto e tem muita influência entre a comunidade Jujutsu. - Maki falou, enquanto olhava fixamente para os olhos de sua irmã que estavam começando a ficar vermelhos. Seja então por raiva ou por tristeza. - E até mesmo entre os superiores e entre os Zenin, por ser tutor do Megumi e da Tsumiki. Então eu pedi pra ele me fazer uma recomendação.
Ela fez uma pausa curta, como se estivesse se preparando para o impacto.
- Eu pedi pra ele me colocar no colégio… a partir da próxima semana.
- Você por acaso tá se ouvindo o que tá dizendo?! - Mai explodiu de raiva para a sua gêmea mais velha. - Você não tem energia amaldiçoada, Maki! Nenhuma! Porra, vê se ouve a voz da razão. Eles vão te jogar numa missão suicida e você vai morrer na primeira semana!
- Não vão.
- Vão sim! - A voz de Mai falhou, ficando mais aguda. - E sabe o que é pior? Você acha que isso o que você tá fazendo é coragem, mas é só suicídio.
Ela avançou um passo.
- Seria melhor se a gente ficasse aqui. Juntas.
O silêncio caiu como uma lâmina.
Maki fechou os olhos.
Levou a mão até o rosto e, devagar, tirou os óculos. Os olhos, livres das lentes, estavam cansados demais para alguém da idade dela.
- Eu não vou ficar, Mai. - A gêmea mais velha disse em um tom baixo. - Não aqui.
- ENTÃO POR QUE?! - Mai gritou. - POR QUE NÃO FICA AQUI COMIGO?!
Maki abriu os olhos.
- Porquê eu não vou passar o resto da minha vida num lugar onde todo mundo me odeia só por eu existir, e onde eu nunca vou poder melhorar nem se eu tentar. E você também não precisa ficar aqui.
Ela deu um passo à frente, ficando um pouco mais perto de Mai, com a sua voz ganhando peso.
- O nosso pai mal olha pra gente e age como se fôssemos duas estranhas ocupando espaço. A nossa mãe é mansa demais e tem medo de desobedecer qualquer homem. O babaca do Naoya nos trata como um objeto com um par de peitos, aquela biscate da Kaina acha que tem o direito de nos humilhar como se fossemos servas. E o resto dos Hei só observa de longe como se a gente fosse barata.
Mai mordeu o lábio, querendo não admitir a verdade somente para querer ficar encolhida, figuradamente falando.
- Eu sei que o Ranta pode até ser bondoso e gentil, mas ele é inocente demais pra perceber o que fazem com quem nasce “errado” aqui dentro. - Ela piscou o seu olhar, lembrando do jovem Hei que era bem devoto as doutrinas do clã. - E mesmo assim, ele respeita as regras desse clã de merda. Entendeu, Mai? Ninguém vai ajudar a gente. Somos só nós duas.
A gêmea atiradora apertou os seus punhos, demonstrando sua irritação.
- E o que você acha que vai fazer, hein? - Mai finalmente perguntou, com uma voz bem amarga. - Pretende ir lá fora e salvar pessoas só pra tentar se matar sozinha?
- Não. - Maki respondeu em um tom firme. - Mas eu posso mudar isso.
Mai riu, descrente com os desejos ambiciosos da irmã.
- Como?
Maki encarou o símbolo do clã esculpido numa pedra próxima.
- Se eu conseguir me tornar uma feiticeira de Nível 1, vou poder ser livre para entrar na disputa pela liderança do Clã Zenin quando o Naobito morrer. E aí sim, eu posso quebrar tudo isso.
O vento soprou mais forte, fazendo algumas pétalas de cerejeiras voarem ao redor das duas irmãs.
- Você tá sonhando acordada, sua idiota. - Mai disse em um tom odioso com Maki. - Eles nunca vão aceitar alguém como você. E além disso, o Megumi é o único que tem o Encantamento Hereditário das Dez Sombras. Sem a presença dele por aqui, aquele merda do Naoya é quem vai acabar herdando a liderança do clã e você sabe disso.
- Então eu vou forçar eles a isso.
Mai desviou o olhar, com os olhos ardendo prestes a cair em lágrimas.
- Você vai me deixar sozinha aqui com eles…
Maki deu um passo e segurou a mão da sua irmã.
- Eu não tô te abandonando, Mai.
- Tá sim. - Mai puxou o braço de volta. - Você tá escolhendo ir embora.
As duas se encararam por longos segundos.
- Eu tô escolhendo viver uma vida melhor longe dessa merda toda. - Maki disse, por fim querendo convencer a sua irmã para poder acompanhar ela. - Vem comigo. Por favor.
Ela não podia falar mais nada. Antes o ódio em seu coração era somente pelo clã e pelo sangue que ela herdou, mas agora também estava vindo pela a sua alma gêmea que estava indo embora. Mas Mai não queria lutar, ela não conseguia ser forte como a sua gêmea mais velha era.
Maki não conseguiria convencer a Mai pra ir embora de lá. Tinha que ser a escolha dela em ir junto.
A guerreira Kukuru deixou sua irmã, largando até mesmo a sua mochila para trás enquanto Mai se derrubava em lágrimas que não iriam cessar mesmo se ela quisesse.
Mal sabia ela que Maki também estava chorando, pois no momento, ela acabou de perder a amizade e o laço da única pessoa que mais importava para ela.
No dia seguinte, o salão principal da mansão Zenin estava sufocado pelo cheiro de álcool velho, madeira encerada e incenso queimado sem cuidado. As portas de papel estavam abertas, mas o ar continuava pesado, como se o próprio lugar rejeitasse qualquer coisa que não fosse arrogância.
Os Hei ocupavam o salão.
Homens espalhados em cadeiras, alguns largados demais para alguém que se dizia nobre. Garrafas de saquê iam e vinham, copos se chocavam, um grande banquete vegetariano que estava sendo servido pelas cozinheiras do clã, que eram continuamente humilhadas. Era um lugar extremamente vil que trazia risadas altas ecoando sem pudor algum.
E bem ali, Naobito Zenin estava lá no centro de tudo.
Afundado na cadeira, de pernas abertas e com uma garrafa de saquê apoiada no braço como se fosse uma extensão do próprio corpo. Ele ria alto enquanto ouvia alguém contar uma história exagerada de missão.
- Eu disse que aquela maldição não duraria cinco segundos. - Zombou ele, rindo do comentário. - Mandar um feiticeiro de nível alto pra lidar com coisa medíocre é um desperdício de tempo e dinheiro.
- Hahaha! - Um dos outros velhos respondeu. - Os superiores andam moles demais ultimamente.
O riso cessou de forma abrupta quando o som firme de passos atravessou o salão.
Maki entrou ali de forma calma e relaxada no salão, pisando ali naquele local hostil e deixando todos aqueles conservadores malditos babando enquanto olhavam para a gêmea.
O silêncio naquele local não foi nem um pouco respeitoso — foi agressivo.
Alguns membros a encararam com desprezo, outros trocaram olhares como se assistissem a um espetáculo inconveniente. Antes que ela abrisse a boca, uma voz irritada e bem familiar cortou o ar hostil, trazendo veneno em seu tom.
- O que você pensa que está fazendo aqui?!
Maki virou o rosto lentamente para se virar para o homem de meia idade com olhos totalmente escuros, assim como os seus globos oculares enegrecidos. Era como se aquele homem fosse cego.
E em certas palavras, ele estava cego. Cego de ódio pela menina rebelde que estava naquele lugar.
Ogi Zenin estava de pé, com os seus braços cruzados e o maxilar travado de raiva. O rabo de cavalo alto bem preso só reforçava o quanto ele parecia sempre à beira de explodir.
O pai dela, que ela odiava com todas as forças desse mundo.
- Este salão é reservado apenas para Hei e feiticeiros do clã, Maki. - Ogi repreendeu, cuspindo no kimono de sua filha. - Não para uma inútil sem energia amaldiçoada.
Ela olhou para a saliva que foi cuspida em sua roupa, e em seguida e manteve o seu olhar para o homem que ela carinhosamente chama de doador de esperma.
- Ainda mais numa reunião dos Hei. - Completou o feiticeiro espadachim, dando um passo à frente. - Saia daqui. Agora. Ou será punida novamente.
Maki não recuou. A vontade dela de quebrar aquele pescoço era bem tentadora, mas tinham vários feiticeiros ali, incluindo os Hei. Naoya, Jinichi, Ranta, Chojuro, Nobuaki, Kaina e incluindo também o próprio Ogi seriam bem difíceis de se lidar. Eles eram feiticeiros de Semi-Nível 1 para cima.
Provavelmente se a Mai tivesse uma reserva de energia amaldiçoada maior, com a sua técnica amaldiçoada que era única e poderosa, ela com certeza seria uma feiticeira de Nível Especial. Talvez ela poderia acabar com todos eles, se não fosse tão fraca.
- Vai se fuder, seu velho de merda. - Maki respondeu, olhando direto para o homem de olhos completamente escuros sem elevar a sua voz. - Você não manda em mim.
Um burburinho percorreu o salão.
- O quê?! Ogi se enfureceu, prestes a dar um tapa no rosto dela. - Sua merdinha insolente! É por isso que você nunca--
Ela bloqueou o tapa facilmente, segurando a mão de seu pai com sua força sobre-humana. Nesse momento, seis guardas Kukuru surgiram, apontando as katanas para o rosto dela.
- Nunca o quê? - Ela rebateu, encarando-o fixamente com um olhar sério. - Nunca vou ser como você?
Alguns olhavam incrédulos com a garota respondendo o seu pai de maneira orgulhosa e completamente rebelde. Apesar de Maki não ter dom nenhum para habilidades com energia amaldiçoada, a força sobre-humana dela não era algo que podia ser subestimado.
Ela pode estar bem longe do nível de força do falecido Toji Fushiguro, mas ainda assim a gêmea era bem habilidosa até mesmo para os Kukuru.
Vendo que isso só traria mais conflitos, Maki soltou a mão de seu pai sem quebrar ela, mas garantiu fazer ela doer ao ponto dele grunhir de dor. Era tentador ela pelo menos fazer ele agonizar mais um pouco, mas não vai dar ao luxo em prolongar isso.
Encostado em uma das colunas, Naoya bateu palmas de maneira devagar e irônica, com um sorriso torto no rosto.
- Uau… - O falso loiro comentou, enquanto ria comendo uma maçã. - Essa menina não aprende mesmo, né?
Ao lado dele, Kaina observava tudo com atenção calculada, os olhos afiados demais.
- Deixa ela. - Disse a morena, com um meio sorriso em seu rosto. - É interessante ver até onde alguém sem dom nenhum tenta ir. O que me deixa surpresa é o velho do Ogi não ter decapitado ela ainda.
Maki passou por Ogi como se ele fosse invisível pra ela e parou diante de Naobito, já irritada com aquele velho cachaceiro com o bigode pontudo que olhava pra esverdeada como se fosse um objeto para rir.
- E então... O que você quer comigo, pirralha? - Ele perguntou, sem sequer se dar ao trabalho de se sentar direito. - Veio implorar pra se juntar a confraternização? Ou então resolveu perder a razão pra apanhar?
- Não. - Respondeu ela, firme em sua decisão. - Eu vim só te avisar.
Naobito arqueou a sobrancelha, levando a garrafa à boca e beber mais do conteúdo alcoólico.
- Avisar o quê?
- Eu vou embora da mansão. - Disse Maki, devota em sua vontade de rebeldia. - Vou estudar no Colégio Jujutsu.
O silêncio caiu como uma lâmina naquele lugar.
Então Naobito gargalhou, em seguida quase todos os outros ali, com excessão do jovem Ranta que olhava incrédulo para a filha de Ogi com uma enorme surpresa.
- Hahaha! - O líder do clã bateu a mão na perna, quase derrubando a bebida. - Vocês ouviram isso?!
- Isso é sério? - Naoya riu, enquanto zombava da especialista em armas amaldiçoadas. - Uma aberração querendo virar feiticeira?
- Você não sobreviverá nem à primeira sua missão, sua pirralha. - Comentou Ogi, com o desprezo total a sua gêmea primogênita. - Vai morrer e manchar ainda mais o nome do clã.
Kaina inclinou a sua cabeça, enquanto se aproximava de Maki e apoiava o seu cotovelo no ombro da gêmea.
- Por favor, senhor Ogi. Talvez o senhor não precise ser tão duro com a sua filha. - A feiticeira pediu para o mais velho, falando sorridente e num falso tom de deboche que Maki já conhecia muito bem vindo dela.
A esverdeada olhou bem para aquela hera venenosa que era obrigada a chamar de prima, vendo o quão falsa era com ela. Ela tinha sorte de poder ser uma Feiticeira de Nível 1, mesmo sendo mulher naquele clã. Ela saiba que a nem sempre a Kaina foi assim, só mudou mesmo em algum momento durante a infância dela e sua irmã.
Elas já foram amigas, porém agora já não eram mais. Ela virou igual ao Naoya, e com certeza desejava se agarrar nele quando ele virar líder do clã pois mesmo não sendo filha dos líderes do clã, aquele desgraçado de piercings era a melhor maneira de conseguir mais poder naquele lugar maldito.
- Quero dizer, se você durar um mês ou mais, com certeza isso já vai ser bem impressionante. - Disse a morena com o rabo de cavalo lateral, demonstrando estar calma demais. - Mas acho que é bem provável que morrerá bem antes disso.
Isso fez a maioria dos outros Zenin rirem desse comentário, com a excessão de Maki, Ogi e Ranta que mantinham certa seriedade em meio daquele local tão pesado e hostil.
- Você vai ter sorte se não perder os dois braços logo de cara! - Continuou Naobito, limpando lágrimas de riso. - Sem energia amaldiçoada, você não tem nenhum talento e é totalmente sem nenhum valor!
Maki permaneceu imóvel.
- Eu só estou avisando, e o meu recado já foi dado. - Disse ela, com a sua voz fria, atravessando o salão. - Não estou pedindo permissão.
Naobito a encarou com interesse, o sorriso torto.
- Ah é? Que ousadia a sua em decidir o seu jeito de se matar, Maki. E claro, quero que saiba que se você fizer essa escolha, a Mai também vai ter que fazer o mesmo.
Ela parou ao ouvir o nome de Mai sendo citado pelo líder do clã.
- Ela não tem nada a ver com a minha decisão. Deixa ela em paz.
- Se está mesmo querendo ficar mais forte, não posso simplesmente deixar a irmã numa posição tão vantajosa e deixar a outra para trás. - Naobito olhou para Ogi, que fazia uma expressão irritada para sua filha e vendo que ele não estava gostando de nada daquela conversa. - Mas como você quis escolher sair dessa casa, o destino da Mai só depende do seu pai.
Ogi olhou para a mão machucada dele, vendo que ela estava ficando sim fisicamente mais forte. Desde que ela fez 10 anos de idade, já começou a revidar sempre que ele batia nela para corrigir o comportamento rebelde da pirralha. Nesses seis anos que se passaram, ela ficou mais forte.
- Já que você deseja ser uma feiticeira contra a minha vontade, faça como quiser. Mas a Mai também será uma feiticeira, quer você goste ou não. - A voz de Ogi foi decisiva, deixando bem claro o destino da Mai com essa decisão de deixar o Clã Zenin.
Maki não queria envolver a sua irmã nisso, mas agora já era tarde demais para voltar atrás. A oportunidade única dela estava bem na sua frente, e ela não podia desperdiçar.
- Que assim seja então. Já perdi muito do meu tempo aqui gastando saliva com vocês. Passar bem, seus merdas.
A gêmea primogênita se virou para sair e parou no meio do caminho. Do lado de fora do salão, escondida atrás de uma das paredes de madeira, Mai estava ali. A especialista em armas amaldiçoadas percebeu que a sua gêmea mais nova estava escondida no jardim.
Ela tinha vindo atrás da irmã sem ser notada. Ela fechou os olhos em um certo arrependimento, mas agora se viu a Maki com um olhar inabalável. Prendeu a respiração quando ouviu a voz da Maki ecoar novamente.
- E da próxima vez que eu voltar para este salão…
Mai apertou os punhos.
- …eu vou ser a líder do Clã Zenin.
Por um segundo, o mundo pareceu parar. E então o riso explodiu novamente por todo o salão.
- Hahaha! - Naobito quase caiu da cadeira. - Isso só vai acontecer se eu morrer, pirralha! E acredite se quiser, eu ainda vou estar aqui esperando pra ver isso acontecer!
O feiticeiro loiro de piercings ria enquanto olhava para de tamanha descrença para a fracassada do clã, vendo o quão metida e ousada estava sendo ao tentar se colocar como líder do clã.
- Líder? - Naoya riu alto, incrédulo com o papo sem-noção de sua prima. - Com esse corpo inútil? Só o que ele serve é pra mostrar beleza e satisfazer os outros. Você não passa de um rostinho bonito, Maki. Mulher como você só serve pra dar e receber.
- Patético. Você não para de trazer vergonha para o meu nome. - Murmurou Ogi, em seu ódio pela primogênita.
Kaina apenas sorriu, com os olhos cinzentos dela brilhando enquanto refletia nas palavras tão desafiadoras de Maki.
- Que ousadia a sua, prima… - Disse a feiticeira, enquanto olhava para a esverdeada saindo. - Isso chega a ser quase admirável. Vou estar no seu funeral pra cuspir em seu túmulo quando morrer.
Do lado de fora, Mai sentiu o peito apertar. Ela sabia.
Sabia que a Maki falava sério. A especialista em armas amaldiçoadas saiu do salão sem olhar para trás.
Ignorando o deboche. Ignorando o riso. Ignorando o clã inteiro. Quando passou por Mai, não disse nada.
Mas o olhar das duas se encontrou por um instante. E Mai entendeu que aquilo que sua irmã fez não era uma promessa vazia.
Era um ultimato que ela pretendia realizar.
Por mais que as vezes a Maki fale sem pensar e julgando as coisas de maneira tão superficial(provavelmente culpa do ambiente em que ela foi criada), as suas palavras ainda tinham força e convicção. Ela tinha uma força de vontade tão grande que Mai não possuía. Se auto-deserdar do Clã Zenin por vontade própria não era pra qualquer um. Nem os Kukuru, que são vistos só como meros peões podiam acreditar que a melhor guerreira deles podia ser tão louca em se rebelar dessa forma na presença dos Hei.
A manhã seguinte nasceu fria demais.
A névoa cobria parcialmente os telhados da mansão do Clã Zenin, deixando o lugar ainda mais distante, ainda mais isolado do mundo. O silêncio daquela casa era diferente naquele dia — não era apenas sufocante. Era definitivo.
No quarto simples que dividia com Mai, Maki terminava de organizar sua mochila.
Cada movimento dela era metódico.
As suas bandagens. O uniforme do Colégio Jujutsu já estava dobrado. As ferramentas menores dela cuidadosamente envoltas em tecidos.
A bolsa de armas amaldiçoadas estava aberta sobre o futon, revelando lâminas, adagas e a sua lança. Encostada na parede, havia uma foto dela com a Maki, que era uma selfie que elas tiraram no ano passado dando uma escapada pra uma praia.
Era um momento que ela sentia falta, e provavelmente vai sentir muito longe da única pessoa que ela ama nesse mundo.
O Peso. Equilíbrio. Familiaridade. Aquilo ali era real. Diferente do clã. Diferente das promessas vazias. Ela agora estava conquistando a sua liberdade.
Ela fechou a bolsa com firmeza.
Foi quando ouviu uma batida leve na porta de correr.
- Pode entrar. - Disse a gêmea mais velha, sem se virar.
A porta deslizou com um ruído suave.
O jovem membro dos Hei de vinte e poucos anos que parecia mais cansado do que o normal. As olheiras estavam mais fundas, e o olhar… preocupado. Apesar dele ter um rosto de um adolescente, ele era bem mais sábio do que a maioria das pessoas da sua idade.
Ele fechou a porta atrás de si, e olhou direto para a garota vestida com o kimono.
- Então é mesmo verdade, senhorita Maki. - Disse ele em voz baixa.
Maki não respondeu de imediato. Apenas continuou ajustando as alças da mochila, pronta para colocar ela em suas costas.
- Você realmente vai embora, e vai deixar a Mai aqui.
Ela finalmente se virou para encará-lo.
- Sim, eu tô me mandando.
O silêncio entre os dois não era hostil. Era pesado, pois ele não tinha muito contato com ela assim como a Mai. Mas ele era um dos poucos que gostava da presença das duas, diferente da maioria do clã.
Ranta deu alguns passos para dentro do quarto, os olhos passando pela foto que estava pendurada na parede.
- Você sabe que isso não vai ser fácil, né? - Ele disse em um tom calmo e cordial com ela. - O Colégio Jujutsu não é um passeio no parque. Até mesmo pra quem tem talento… morre.
- Eu sei disso, Ranta. - A especialista em armas amaldiçoadas falou, num tom compreensivo enquanto pegava os seus óculos. - Eu suponho que você não queira me deixar ir.
Ranta fechou os olhos por um instante, respirando fundo.
- Senhorita Maki… por favor, peço que reconsidere a sua decisão. Não deixe a sua irmã sozinha, ela não é como você fisicamente e pode acabar morrendo.
Ela arqueou levemente a sobrancelha.
- Você não parece alguém que costuma implorar.
- É, mas eu estou. - O jovem Hei respondeu firme, mas com tristeza em sua voz. - Estou tentando evitar que você jogue a própria vida fora.
Ela soltou um pequeno suspiro pelo nariz.
- Ficar aqui também é jogar a vida fora. Você sabe que essas paredes são pequenas demais comparadas com o mundo lá fora, Ranta.
Ele não teve resposta imediata.
O quarto parecia menor ao seguir com essas palavras de Maki.
- Eu sei que o nosso clã é… - O jovem feiticeiro hesitou um pouco, mas continuou em sua palavra. - Eu sei que é cruel. Sei que o Ogi sempre passou do limite com você e a Mai. Sei bem o quanto o Naoya e a Kaina podem ser insuportáveis com todos, até mesmo comigo. Eu não sou cego.
Maki o observava em silêncio.
- Mas sair assim, cortar laços com os poucos que você teve amizade aqui… você vai ficar sozinha lá fora.
- Eu já estou sozinha aqui dentro há muito tempo, Ranta. Não vou mais ficar onde não sou bem vinda.
A frase não veio carregada de drama ou exagero. Veio de forma simples e verdadeira.
Ranta baixou o olhar. Ele sabia que não podia contradizer aquilo, pois ela estava certa.
- Eu não sou como eles. - Ele disse por fim, enquanto olhava para a esverdeada. - E nem todos aqui pensam igual.
- Eu sei disso.
Ela pegou a sua mochila pesada e a colocou nas costas com facilidade, junto de sua lança, que estava dentro de uma case maior.
- Você foi bom comigo. E com a Mai.
Ranta levantou os olhos esbugalhados novamente, meio envergonhado.
- Eu não fiz nada por vocês, Senhorita Maki.
- Sim, você fez. - Ela respondeu, dando um raro sorriso que ela se dava o luxo de se permitir naquele lugar. - Você não fingiu que a gente não existia.
Aquilo foi mais pesado do que qualquer elogio, e confortou um pouco do pesar no feiticeiro.
O jovem Hei desviou o olhar, desconfortável.
- Eu ainda acho que você está cometendo um erro.
- É, provavelmente. - Maki deu de ombros. - Mas é o meu erro, então eu vou ficar bem.
Ele soltou um riso fraco, quase tristonho. Ranta caminhou até a porta e parou antes de sair.
- É bem provável que nós sejamos obrigados a estar um contra o outro algum dia... - Ele começou, mas hesitou. — Mas se algum dia você precisar de alguma ajuda…
Maki o interrompeu, estendendo a palma de sua mão. Ele era de fato, uma boa pessoa. Mas não podia depender dele para nada mais a partir dali, já que ele era leal aos Hei e as suas tradições ultrapassadas. Se em algum momento ele tivesse que escolher entre as gêmeas e o clã, ele não hesitaria em ficar contra elas.
Esse era o preço da Maki por ter nascido com uma Restrição Celestial e um Voto Vinculativo com sua irmã gêmea.
- Ranta, não volte atrás por minha causa. Eu entendo a sua lealdade e devoção às tradições antigas dos clã, e se eu for obrigada a ter que me voltar contra você algum dia, não vou voltar atrás por você também. Pode ser que eu acabe tendo que te matar algum dia.
Ele ficou em silêncio ao ouvir isso. Ela caminhou até ele e estendeu a sua mão para o Hei.
- Obrigada, Ranta. - Mai disse, sincera para o feiticeiro de olhos esbugalhados. - De verdade mesmo.
Não havia sarcasmo na voz dela, nem frieza.
Mesmo o Hei não podia crer em ter conhecido uma mulher tão estranha como ela. Uma Zenin tão rebelde e corajosa em pisar nas tradições que nem mesmo se importava em seguir atrás dos seus objetivos.
Ele não era filho de um dos líderes do clã, e portanto não podia ser capaz de disputar pela liderança mesmo sendo um feiticeiro de Nível 1. Somente a Maki ou Megumi podiam trazer alguma mudança pra esse clã, e no momento ele tinha o dever de ser leal ao Jinichi, Ogi e Naoya.
O jovem assentiu uma vez, apertando a mão dela em cumprimento. Um último momento de paz que ele tinha com ela.
E então ele saiu. A porta deslizante se fechou com um som baixo. Maki permaneceu parada por alguns segundos e depois respirou fundo.
Já era hora.
Ela olhou a sua mochila presa em suas costas, ajustou a alça da lança que estava dentro de sua case, conferiu o peso mais uma vez e deu uma última olhada no quarto que ela dividia com Mai.
E assim, ela saiu do quarto logo em seguida.
Duas semanas se passaram, e os corredores na residência estavam silenciosos demais.
Ninguém a impediu. Nem mesmo a sua mãe de sangue veio ver ela indo embora. Ela era totalmente contra essa ideia estúpida de sua primogênita, mas Maki não se importava com nada disso. Era a vida dela e ela iria seguir com isso até fim.
Quando atravessou o jardim principal e se aproximou do portão de saída da mansão, viu uma figura parada ali.
Mai.
Encostada na estrutura de madeira, braços cruzados, expressão fechada.
Ela não estava chorando.
Mas os olhos estavam vermelhos. Ela passou a madrugada inteira chorando por causa daquilo.
Maki parou a poucos passos de distância. O vento frio se passou entre as duas.
Por alguns segundos, nenhuma falou nada.
- Você demorou demais. - Mai disse, finalmente, sem olhar diretamente para ela. - Vai perder o trem-bala pra Tóquio.
- É, eu só... Resolvi arrumar o resto das minhas armas amaldiçoadas antes de ir embora.
- Hm.
Silêncio de novo.
Mai descruzou os braços.
- Então você ai mesmo seguir com essa decisão idiota de virar uma Feiticeira Jujutsu?
- Vou sim, Mai.
A resposta veio firme.
Mai respirou fundo.
- Me desculpa. Eu não queria te envolver nisso.
- Não pede desculpa.
Como Maki escolheu por ela mesma, Mai também teria que arcar com as consequências em ter que ser obrigada a virar uma Feiticeira Jujutsu também. Mas só que ela não iria para Tóquio junto com Maki, e sim para Kyoto, a terra milenar do Jujutsu no Japão.
- Você vai ser obrigada a se tornar feiticeira que nem eu e não vai nem brigar comigo?
- Eu já te falei. Não pede desculpa. Você escolheu esse caminho, e uma hora a gente ia acabar tendo que se separar. E além do mais, eu sempre quis conhecer Kyoto mesmo. - A gêmea com poderes focou a sua energia amaldiçoada e criou um objeto amaldiçoado com o seu poder, criando uma presilha feita de prata.
O nariz de Mai estava sangrando devido o uso limitado de materializar somente um objeto amaldiçoado por dia.
Ela colocou a presilha no cabelo de Maki, prendendo uma de suas franjas.
As duas sabiam que aquilo não era garantia de nada. Mas ainda assim, Maki deu um passo à frente. Por um momento, pareceu que iria dizer algo grandioso. Mas não disse nada. Apenas levantou a mão.
Mai hesitou, mas depois segurou a mão forte de Maki e beijou a testa dela, o que fez a usuária da Restrição Celestial sentir o toque carinhoso dos lábios de sua gêmea mais nova tocando a testa dela.
Cheio de coisas que nenhuma das duas conseguia colocar em palavras. Eram memórias e pensamentos que nenhuma delas se permitiriam deixar para trás.
Maki se soltou primeiro. E então se virou para a saída, deixando Mai olhar tristonha para ela indo embora.
Cada passo para longe da mansão era mais leve que o anterior, só que ainda doloroso pois estava deixando a Mai lá. O portão de madeira rangeu quando ela o atravessou.
Mai permaneceu parada ali, observando. Até que a silhueta da irmã desapareceu na névoa da montanha. Só então ela fechou os punhos e assim murmurou para si mesma:
- Quero ser forte também, minha irmã. Quero ser tão forte quanto você.
Porque se ela não vencesse…
Tudo aquilo teria sido em vão.
