Chapter Text
Pomba não era alguém tão bem resolvido com a vida. Ele tinha acabado de completar 20 anos, mas ainda se sentia um adolescente bobo descobrindo o mundo. Seus relacionamentos sempre foram confusos ou sem sentido.
Eles nunca começavam bem.
E nunca terminavam bem.
Cresceu aprendendo que certas pessoas entram em sua vida e saem, nem todo mundo fica com você até o final. Era triste, mas era a realidade que vivia. Nem todo mundo nasce para ficar, e doía demais ter que conviver com isso.
Pomba era muito intenso, mas se escondia por ser tímido. Mesmo se escondendo dos seus sentimentos, quando se apaixonava, ele se entregava demais, e odiava isso. Sentia-se desesperado, emocionado e ridículo.
Ele apenas queria se esconder dentro de uma caixa e se prender para sempre.
Mas...
Sabia que, depois de um tempo, as coisas melhorariam e tudo daria certo, como sempre aconteceu.
Não era algo novo para ele.
Ele apenas queria encontrar alguém que o entendesse e o amasse como ele merecia. Talvez algum dia alguém o amaria intensamente e para sempre.
...
Pomba estava dissociando.
— De novo isso... Que droga! — resmungou o moreno baixinho e consigo mesmo enquanto levantava da cama.
Já eram três horas da manhã e ele não conseguia dormir de maneira alguma. Não sabia exatamente o motivo, podia ser muitas coisas. Para relaxar a cabeça, ele tentou desenhar para ver se cansava a mente, e pareceu funcionar. No entanto, ficou tanto tempo pensando sobre sua vida que mal percebeu as horas passando. Quando se deu conta, eram três horas da manhã.
Ele precisava urgentemente dormir.
. . .
O cacheado abriu os olhos com certa dificuldade por causa da luz que iluminava seu rosto levemente. Ele não se lembrava de ter deixado a cortina aberta. Levantou-se da cama, meio sonolento, e espreguiçou-se enquanto caminhava até o banheiro.
O moreno ficou um bom tempo no banheiro fazendo sua higiene básica, tomou um banho morno e se ajeitou para o trabalho. Usava roupas quentes, como uma blusa meio larga de manga comprida e com gola alta de tom claro de marrom, e uma calça cargo cinza-escura que havia ganhado de Kemi no Natal. Possuía também alguns acessórios dourados, como pulseiras e anéis.
Agradecia mentalmente por ter conseguido acordar cedo; caso contrário, teria se atrasado para se arrumar e pegar o ônibus.
Ele arrumou sua bolsa, colocando o que seria necessário levar, e decidiu levar seu fone de ouvido para ouvir algumas de suas músicas favoritas enquanto ia ao trabalho.
O moreno olhou o horário e viu que já estava perto. Saiu de seu apartamento, desceu de elevador até o hall de entrada e foi em direção ao ponto de ônibus. Estava bastante nublado àquela hora; algumas gotas caíam do céu.
Eram resquícios da chuva forte que havia caído na noite anterior.
Chegou ao seu destino e aguardou o transporte chegar. Havia algumas pessoas sentadas nos bancos, provavelmente esperando o ônibus ou apenas sentadas à toa.
Viu um grande veículo se aproximando e já sabia o que era. Se aproximou levemente da estrada e viu o ônibus estacionar com a porta praticamente na sua frente. Que sorte! Não precisaria esperar várias pessoas entrarem na sua frente e demorar um bom tempo para subir.
Pomba entrou, sentou-se um pouco mais para trás, colocou o fone de ouvido e ouviu uma música recomendada por Coruja. Observava as pessoas entrando até que o ônibus começou a se movimentar. Estava bem vazio hoje, provavelmente por ser sexta-feira, várias pessoas faltavam à escola ou iam em outros horários para o trabalho. Estava chegando ao seu destino, parando na frente de uma igreja. Aquele era o ponto mais próximo da cafeteria.
Não que ele estivesse reclamando, afinal a igreja não era tão longe da cafeteria, era bem perto, na verdade.
O cacheado desceu do veículo, pegando seu guarda-chuva.
A chuva estava piorando, e isso não era nada bom; ele esperava que pelo menos diminuísse à tarde.
Pomba foi andando pela calçada e, quando percebeu, já estava na frente do local marcado. Entrou devagar, abaixando e fechando cuidadosamente o guarda-chuva. Viu seus irmãos, Coruja e Papagaio, arrumando as mesas. Quando o avistaram, deram um sorriso meigo.
— Pombinha! Você chegou bem cedo. Corvo ainda não veio; provavelmente faltará hoje, não sabemos exatamente. — disse Coruja, enquanto ajeitava as cadeiras da mesa 17.
— Por quê? Aconteceu alguma coisa com elu ou é apenas trabalho da faculdade? — Pomba disse, meio preocupado. Não era normal elu faltar assim, sem explicar o motivo antes.
— Pelo que elu me disse, provavelmente por causa de um trabalho em grupo para uma feira de moda na faculdade dele. Parece que talvez elu venha tarde ou nem venha, mas provavelmente vai avisar para o Harpia. — Papagaio se meteu na conversa enquanto se aproximava com um pano na mão, provavelmente limpando as mesas.
— Ah, sim, a faculdade está cobrando bastante delu. Espero que elu consiga vir. — disse o cacheado com um sorriso gentil no rosto.
— Vamos parar de papear e pôr a mão na massa, temos que deixar a cafeteria pronta antes dos clientes chegarem. — disse Papagaio, dando tapinhas nos ombros de Coruja e Pomba, que deram risadinhas da atitude do mais velho.
Depois disso, Pomba, Papagaio e Coruja terminaram de arrumar o lugar, deixando tudo limpinho e organizado.
A loira se aproximou da porta e virou a placa de "fechado" para "aberto".
Pomba já conseguia ver a movimentação se aproximando da porta, atrás do balcão. "Meu Deus! Não é à toa que Harpia fala que nas sextas-feiras a cafeteria enche demais."
Já tinha passado um tempo. Pomba e Papagaio atendiam clientes para lá e para cá, enquanto Coruja fazia os pedidos. Estava tudo em ordem, até que o cacheado vê um grupo de cinco pessoas se aproximando da porta. Pareciam roqueiros; o cacheado não sabia descrevê-los, mas eram pessoas bem descoladas.
O grupo se aproximou do balcão. Eram dois loiros ou duas loiras? Pomba não sabia dizer. Um deles tinha uma aparência andrógina. Junto com eles, havia um alto e musculoso de cabelos castanhos médios. Ela o conhecia: era Eloy, o namorado de Kemi. Ao lado dele, havia outro homem alto, um pouco mais baixo que Eloy. Ele tinha o cabelo meio curto, pintado de preto e vermelho. Ao lado dele, havia... uau... um menino ruivo com sardas por todo o rosto e olhos verdes hipnotizantes.
O moreno se sentia atraído por ele. Talvez fosse coisa da cabeça dele, mas, se não fosse, que aquele ruivo fosse dele.
Que?
Pomba, o que você está pensando! Foca no seu trabalho.
— Eeh... O que vocês gostariam de pedir? — o cacheado disse, meio envergonhado.
— Opa, e aí, Pombinha, tá bonitão, hein, meu filho! — Eloy disse, animado. O moreno adorava chamar Pomba de filho; ele e Kemi já estavam acostumados a vê-lo como um filho do casal, e Pomba achava isso muito legal, pois se sentia acolhido.
— E aí, Eloy! — Pomba disse, meio envergonhado, mas feliz, dando um sorriso meigo para ele.
— Então, lindinho, vamos querer cinco cappuccinos e dois bolos de morango para mim e para o meu amigo Franco, um pudim para o Eloy e dois pedaços de bolo de maracujá para esses dois, ou um de baunilha. — A loira com algumas mechas rosas nas pontas disse, enquanto apontava para os pedidos no cardápio.
Pomba anotava tudo enquanto acenava a cabeça. Quando levantou a cabeça, viu o ruivinho o observando com um sorriso bobo no rosto, enquanto sussurrava algumas coisas para Eloy.
O que será que ele estava falando?
— Cacheadinho? — A moça estalou os dedos na frente do outro, tirando-o do transe.
— Ah, desculpe, mais alguma coisa, senhora? — disse ele, meio envergonhado.
— Só isso mesmo. Deu quanto?
— Deu 31,89! — O moreno pegou a maquininha, caso ela quisesse pagar no cartão ou Pix.
— Barato até, na outra estava 67,45 meo, que absurdo, né? — Gostei de você. Meu nome é Cindy. E o seu? — disse a loira, cumprimentando Pomba.
— Muito prazer, Cindy! O meu é Pomba. — disse o cacheado, aceitando o cumprimento da loira.
