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Damn Crow!

Summary:

Você escuta uma música suave vinda da sala de jantar na casa de Sylus e segue pelo corredor, seus passos sonoros ecoando por conta do piso de madeira..

Work Text:

Você escuta uma música suave vinda da sala de jantar na casa de Sylus e segue pelo corredor, seus passos sonoros ecoando por conta do piso de madeira. Usando roupas muito elegantes e um tanto apreensiva, você alcança a porta e suspira profundamente; estava mesmo fazendo aquilo e agora não havia mais volta.

Assim que abre a porta, você o percebe de costas para você, a mão direita estendida enquanto acariciava Mephisto de maneira constante. O corvo foca seus olhos quase que imediatamente em você e a voz de Sylus te faz dar um leve pulo de susto.

— Que bom que seu senso de pontualidade melhorou desde a última vez..sente-se.

A mesa de jantar atrás dele estava posta e completa, o que causa uma sensação muito intensa de fome em você. Você tenta disfarçar seu claro desconforto e se senta na ponta, reparando em cada talher e prataria ali presente. Sua ansiedade berrava por respostas que apenas o homem na sala podia te entregar, mas você sabia que precisava ganhar a confiança dele antes; a tensão no ar se solidifica ainda mais.

Sylus, parecendo se cansar de Mephisto, deixa a ave em seu espaço pessoal e toma a outra ponta da mesa. Por mais que se servisse, ele não começou a comer antes de analisar seu corpo, de cima a baixo, deixando ainda mais complicado para você relaxar em tais condições. Mesmo assim, você se força a respirar fundo e manter a cabeça no lugar.

— Não está com fome? Achei que todas aquelas horas explorando a base tivessem te deixado com fome.

Sylus não parece preocupado, assemelhando-se muito mais a alguém que cumpre ordens e não esconde seu descontentamento com isso. Você prova um pouco da refeição e fala:

— Eu queria saber se você pode me contar agora sobre o porque está tão interessado em mim, Sylus. Eu sei que não é só sobre o núcleo e quero saber o que é.

Dele veio apenas um silêncio seco, o que te frustra muito. Você sabe que ele te esconde muito, que pode até mesmo te ajudar a chegar nos segredos em torno dos eventos com sua família, mas não sabe como fazê-lo soltar informações úteis. Sylus é um homem implacável e você está a mercê de sua misericórdia e generosidade.

Ele te fita, seus brilhantes olhos vermelhos contrastando com o terno preto impecável que vestia e as paredes escuras atrás dele.

— Está desistindo de buscar a verdade por conta própria? Achei que fosse completamente capaz de descobrir tudo sozinha.

— Eu não faço milagres! Eu exijo uma explicação, Sylus!

— Hum..

Sem pressa, Sylus deixou seus talheres deslizarem dos dedos para o prato e se recostou na cadeira, a faca de uso pessoal deixando o interior de seu terno e indo para sua mão, girando preguiçosamente como se já tivesse feito aquilo inúmeras vezes.

— Se me provar que pode se tornar mais forte e cuidar de si, para que eu não tenha que me preocupar com futilidades, contarei o que quer saber.

Aarg! Como ele é irritante!

— Seria mais fácil pra nós dois se-

— O jeito mais fácil não é o mais eficiente. Você precisa se lembrar, precisa descobrir as coisas por si própria. Se for esperar muito de você, então eu acho que a verdade não deve ser sua de toda forma.

Suas palavras deixam você desanimada. Mesmo que não se gostassem muito (e a atitude dele contribuísse muito para isso), ele tinha razão, de certa forma. Ir mais a fundo nos mistérios que te cercam custaria mais esforço, dedicação e foco que nunca. Sylus tinha voltado a comer quando você decide falar novamente:

— Eu quero entender tudo o que tá acontecendo. Eu vou ficar mais forte, só preciso de um rumo pra investigar..

Sylus te olha mais uma vez, o rosto sério parecendo suavizar-se de leve.

— Não vou te deixar desamparada, mas não vou deixar que fique acomodada demais. O que está por vir interfere tanto na sua vida quanto na minha.

Você finalmente começa a tocar na comida e comer se sentindo um pouco menos tensa. Talvez, só talvez, estar com Sylus não terminaria sendo tão ruim. Afinal ainda haviam muitos segredos para serem descobertos e coisas sobre a Zona N109 que parecem se acumular cada vez mais à medida que você cava mais fundo. Linkon parece muito distante em suas memórias e tudo o que você consegue pensar é em como os meninos estão.

Depois do jantar, vocês dois vão juntos até a porta do quarto dele, Sylus sempre com a postura imponente e reta usual enquanto os dedos ficavam enfiados em seus bolsos. No portal, ele se vira para você e se apoia na porta de madeira com um sorriso enigmático no rosto.

— Você precisa comer mais de quiser permanecer viva aqui embaixo.

— Eu sei me cuidar. Não suma do nada, eu detesto ficar sozinha sem conhecer ninguém aqui além de você e dos meninos..

— Por mais que possa ter passado pela sua cabeça que eu sou sua babá, eu nunca me ofereci para esse papel. Fique dentro do radar de Mephisto e você deverá ficar bem.

Você bufa e olha com raiva pra ele.

— É tão fácil lembrar o porquê de eu não gostar de você, Sylus.

Ele se limita a recuar pra dentro do quarto, fechando a porta enquanto fala:

— Boa noite.

E você volta para seu quarto.

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