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Solitude

Summary:

AVISO: TO REESCREVENDO ESSA FIC, leia sabendo q ta ruim e que ta parada

 

Muitas mortes e desaparecimentos estão acontecendo na vila e nas cidades mais próximas, as suspeitas são os vampiros, que parecem crescer em números com o passar do tempo. Pomba investiga para tentar dar um ponto final nessa história, porém a cada descoberta, ele sente um impasse do que seria o certo a se fazer. Um vampiro pode mudar a sua concepção sobre essas criaturas?

Notes:

Opa, eu não escrevo a muito tempo, então talvez minha escrita esteja um pouco enferrujada, por favor tentar compreender o autor aqui :)
Caso haja algum erro ortográfico, me perdoem, as vezes um escapa hehehe
Enfim, boa leitura, se puder escrever um comentário me dizendo o que achou, ficarei feliz <3

Chapter 1: A luz da lua

Notes:

Opa, eu não escrevo a muito tempo, então talvez minha escrita esteja um pouco enferrujada, por favor tentar compreender o autor aqui :)
Caso haja algum erro ortográfico, me perdoem, as vezes um escapa hehehe
Enfim, boa leitura, se puder escrever um comentário me dizendo o que achou, ficarei feliz <3

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

Mais uma madrugada acordado, a luz da lua sendo a única iluminando a estrada deserta e silenciosa que caminhava. Uma brisa fraca balançava seus cabelos ruivos, fazendo-o bufar e passar suas mãos por eles, numa tentativa falha de arrumá-los. O jovem garoto não parecia com medo de andar sozinho à noite, estranhamente sua feição era natural, como se sempre fizesse aquilo. As únicas coisas possíveis de se ouvir naquele lugar eram os sons das folhas das árvores se mexendo e o pisar de seus sapatos no chão de terra, porém isso não durou por muito tempo.

Ao longe era possível se ouvir uma carruagem se aproximando e uma luz bem fraca na distância. O garoto olha para cima observando a lua, poderia ser umas três horas da manhã, ele não sabia ao certo, já havia algum tempo que não sabia ao certo a quantas horas caminhava, sua mente estava uma bagunça a semanas, talvez meses? Anos? Nem ele sabe ao certo.

A solidão te faz perder todos seus sentidos, nada fazia sentido para ele, nem mesmo as coisas mais humanas… Isso ele já não sabia mais o que era.

O rapaz continua a caminhar, o barulho se aproximando cada vez mais, a luz ficando mais forte. Seu corpo se direciona para mais perto do meio da estrada, seu olhar não sai da grande bola de luz no céu, que começa a se fechar com nuvens levemente escuras, aparentemente iria chover a pouco tempo.

Não que isso importasse, ele já não ligava mais para nada.

O vento bate em seu corpo mais uma vez, suas roupas balançando. Era quase impossível ver o garoto andando na rua, estava escuro demais, a luz da lua desaparecia aos poucos, mas o que daria para se notar era apenas o sobretudo vermelho escuro que usava, quase igual ao tom de sangue. Se fosse possível parar e observá-lo por um tempo, notaria os detalhes em preto na sua roupa, simulando chamas. Sua roupa por baixo da grande camada do manto que usava, era difícil de reparar, mas pequenos brilhos de joias de aço chamavam atenção.

Sua respiração era lenta.

O que era preciso ser feito para se sentir vivo novamente? Para o tédio de viver passar?

Tantas perguntas, poucas respostas.

Os trotes dos cavalos estavam mais perto, agora era possível ouvir risadas vindo da carruagem. Desviando seu olhar da lua para finalmente olhar para onde estava caminhando, mas era tarde demais.

Mesmo com gritos do cocheiro, não daria tempo de se salvar, era o que alguém normal pensaria .
Os cavalos se assustaram fazendo o homem perder o controle, virando e batendo em uma árvore, com o balanço brusco a lateral da carruagem bate com força contra o jovem solitário que voa com o impacto, caindo no chão. Sua cabeça está girando e a vista embaçada, uma dor aguda no peito lhe atravessa por conta do impacto, fazendo o garoto resmungar e fechar os olhos por um momento.

Seria assim que descansaria? Uma morte idiota, que injustiça.

Vozes e passos se aproximam dele, parecem… Desesperados? Ele não sabe dizer bem, há um zumbido chato em seus ouvidos, o fazendo não conseguir entender nada, a única coisa que consegue ter certeza é que foi possível notar o som de saltos, talvez uma dama estava na carruagem. Batimentos cardíacos ensurdecem o garoto, rápidos demais, vivo demais.

Que inveja, ele pensa.

– Ai meu Deus, e agora? Ele tá morto? - Uma voz fina diz, talvez a dama? Ele não quer abrir os olhos agora para tentar descobrir. Ele respirava tão lentamente que aparentava realmente estar morto. Os cavalos a distância estavam inquietos, tentando ao máximo fugir das amarras que os seguravam, com medo de algo - COMO NÃO VIU ELE? EU NÃO TE PAGO PARA ATROPELAR CRIANÇAS! O que vamos fazer? NÃO POSSO SER PRESA!! - A dama grita irritada e assustada.

– E-Eu não tive culpa senhora, ele estava no meio da estrada, está de noite, foi impossível ver ele! - Agora era uma voz mais grave, um pouco rouca, o ruivo conseguia imaginar um senhor de uns 50 anos. Um som abafado de um travão na distância é escutado por todos ali.

Mais passos surgem, um pouco pesados que os outros e logo uma voz forte atropela seus ouvidos.

– Querida, os cavalos estão bem, vamos apenas voltar - Era possível ouvir uma pequena irritação nesta voz - Não adianta brigar com o cocheiro, já aconteceu, não tem o que mudar, precisamos voltar o quanto antes, vai começar a chover.

– Mas… E este jovem? Vamos só deixá-lo aqui? Olhe para suas vestes, ele deve ser de alguma família com dinheiro, se descobrirem que atropelamos alguém com um nome importante-

– Você é tão burra! - Alguém se aproxima do garoto no chão, ele sente grandes mãos agarrando seu corpo - Isto são vestes velhas, estão surradas e sujas, ele deve ter encontrado no lixo! E veja só, nem está respirando mais, seu coração não bate, não tem o que fazer, só vamos embora! - O homem quase grita com a mulher, que em silêncio se afasta do corpo - Sr. Horácio, por favor, acalme os cavalos e nos tire daqui.

– S-Sim senhor, vou fazer o possível. - Sua voz trêmula se afasta.

Pequenas gotas começam a cair no rosto do jovem, frias, se misturando com o sangue de seu ferimento na cabeça, a queda brusca no chão o machucou tanto quanto a batida da carruagem. O homem que lhe agarrava, o solta devagar, porém ele sente que mãos começam a passar pelo seu corpo.

– Vamos ver se pelo menos você tinha algo útil e de valor com você - As mãos param no bolso da calça do jovem, pegando o que estava escondido, o homem observa um medalhão de ouro, cravejado com pedras vermelhas, nem ele sabia identificar o que elas eram, mas sentia que com certeza valiam muito - Ladrãozinho… Pelo menos você serviu para algo.

Antes que o homem pudesse se levantar, o ruivo abre os olhos rapidamente e pega com força o pulso que estava segurando o objeto. Se assustando, o adulto se vira e instintivamente solta uma exclamação de surpresa. Ao encarar o garoto, a primeira coisa que nota são seus olhos vermelhos, as pupilas dilatadas, a força que exercia era extremamente sobrenatural, seu pulso ardia, era tão forte que faltava muito pouco para quebrar, nenhum ser humano conseguiria fazer aquilo tão rápido, ainda mais um jovem. Com medo ele solta o medalhão sem pensar duas vezes.

– Não se deve roubar os mortos - A voz do garoto era bem jovial, um pouco rouca, ele não devia ter mais de 20 anos, aparentemente.

Com os olhos arregalados, o homem tenta se libertar do aperto em seu pulso, mas sem sucesso. Seu olhar desceu para a boca do garoto enquanto ele falava, sendo possível notar presas afiadas. Eles estavam mortos, ele sabia disso.
Em um instante, com uma rapidez que nenhum humano conseguiria chegar, o ruivo pula em cima do homem, o prendendo no chão. O homem tenta escapar, mas é em vão, logo em seguida ele grita de dor.
O ruivo havia mordido seu pescoço com tanta força que sangue espirrava para todo lado, o gosto do sangue era péssimo, amargo.

Até quando sentiria esse gosto horrível? Todos seriam iguais?
O homem embaixo dele tentava falar algo, mas era impossível, ele estava quase sem forças.

– F-Fu… Ja - Ele diz em um sussurro, tentando avisar a dama da carruagem, fazendo o jovem soltar uma risada abafada enquanto sugava o sangue do homem. Era uma bagunça, sangue para todo lado, o homem perdia a cor lentamente, o garoto mordia tão fundo que quase estava arrancando um pedaço de seu pescoço, nem ele conseguia beber tudo o que saía do corpo de sua vítima.

Estou fazendo um desperdício, ele pensa.

Um grito fino de horror surge da carruagem, fazendo o garoto parar o que estava fazendo e olhar para frente. A mulher estava bem vestida, talvez eles estavam em um baile? Não importa agora, eles não vão sobreviver para poder contar a história.

Ele larga o homem que estava quase desacordado com a perda repentina de muito sangue e lentamente se aproxima da mulher, congelada na frente da porta da carruagem. Uma visão de um demônio, era o que ela pensava. A boca estava quase totalmente vermelha e dominada pelo sangue. Em um segundo a criatura pula na mulher, pegando em seu pescoço e afundando suas presas, fazendo a mulher gritar, o som ecoando pela estrada. O líquido vermelho escorria pela sua boca, sujando suas vestes e da dama, que ficava cada vez mais fraca em seus braços. O gosto deste era mais adocicado, porém ainda não o deixava feliz. Finalmente a mulher cai sem vida no chão, ele nunca havia matado alguém tão rápido ou era a fome que não o deixava perceber o tempo que passou sugando o sangue dela.

Ele se afasta sorrindo, sentindo alguém o observar. O cocheiro estava paralisado de medo, os cavalos fazendo barulho e agitados com toda aquela comoção e gritos, além da presença assustadora na criatura. Passando a mão suja de sangue em suas vestes, ele se aproxima do mais velho, que não conseguia se afastar por medo. Ele coloca a mão em um bolso interno do casaco, retirando algumas moedas de ouro e as coloca na mão do mais velho, seu toque era frio, a chuva também não ajudava.

– Isso é pelos seus serviços, saia daqui antes que eu me arrependa - O ruivo encara os olhos do cocheiro, que chora aterrorizado e quando solta a sua mão, ele sai correndo o mais rápido que conseguia, o que comparado com o garoto, não era nada. Seria um erro deixar alguém para contar sobre sua aparição? Ou será que apenas pensariam que era um velho louco? Ele não sabia mais como os humanos agiam, tanto tempo sozinho… Agora era tarde, deixar um velho viver mais um pouco seria seu ato de humanidade.

Ele chega perto dos cavalos, que tentavam ao máximo se soltar da carruagem. Ele pega uma pequena adaga que tinha no bolso de seu sobretudo e com um movimento rápido ele corta as amarras que os prendia, fazendo-os sair correndo pela estrada… Juntos. Até mesmo eles tinham alguém. O ruivo volta para onde o primeiro homem estava, sua respiração estava descompensada, suas forças estavam indo embora, ele não tinha mais tempo, ele não iria sobreviver. O garoto pega o medalhão que estava caído no chão e o limpa com sua roupa ensanguentada, o guardando de volta em seu bolso. Ele se vira para o homem, o olhando de cima.

– Você não presta, não irei fazer o favor de te matar agora, morra lentamente, sentindo toda a dor que causei… Ninguém o salvará - O garoto pisa no pulso do homem, que mesmo sem forças para gritar, ele solta quase um suspiro de dor - Para você aprender a nunca roubar os mortos! - Ele exclama com raiva apertando o pulso com mais força, era possível ouvir os ossos rachando. A chuva estava ficando mais forte, a poça de sangue ia se dissipando com a água, espalhando pela estrada.

Um barulho final de fratura é ouvido e o rapaz sorri, um sorriso largo, bizarro e assustador. Seus olhos vermelhos quase brilham de prazer, ver alguém sofrendo assim era tão saboroso para ele, mas até quando ele vai se deliciar com isso? Quanto ele aguenta até cansar disso? Tudo era igual, suas vítimas, mesmo que não lembre da aparência de basicamente nenhuma, sempre tinham este gosto intragável, o rapaz nunca havia tido nenhuma experiência boa com a ação de saciar sua sede e esta era mais uma noite comum para ele. Ele se afasta do corpo, que ainda respirava com vida, ele iria sofrer até morrer e isso deixava o jovem satisfeito.

A chuva o deixava cada vez mais molhado, o sangue de suas roupas não saíam com facilidade, mas deixavam um rastro enquanto ele andava, mais uma noite concluída. Seus cabelos ruivos estavam grudados no rosto, ele lambia os lábios, sentindo pela última vez aquele sangue horrível, pelo menos por um tempo, ele não precisaria matar, só até a fome o dominar. A luz da lua estava fraca, graças às nuvens de chuva, mas ela sempre o acompanhava, ela era a única a fazer isso.

 

Sete horas da manhã

 

A luz do sol bateu na janela, as cortinas falharam ao tentar neutralizar a claridade de fora. Um brilho forte faz com que ele acorde.
Abrindo os olhos lentamente, o garoto resmunga e vira para o outro lado, tampando o rosto com a coberta que usava e antes mesmo que tentasse voltar a dormir por pelo menos uns 15 minutos, batidas na sua porta ecoam pelo pequeno quarto.

– Pomba, levanta, senão você vai se atrasar. - Uma voz feminina exclama abafada do outro lado da porta. - O café já está na mesa, você tem no máximo 15 minutos, anda logo. - Passos se afastam da porta, fazendo o jovem suspirar.

Lentamente ele se senta na cama e observa suas mãos, sua pele negra brilhava com a luz da janela. Ele passa as mãos no rosto, um gesto para tentar acordar. Seus pés descalços logo tocam o chão e devagar o jovem vai até a frente do espelho para observar seu estado, noite passada havia ficado acordado até tarde, investigando os desaparecimentos e assassinatos que vem assombrando sua vila e as cidades mais próximas, era perceptível olheiras fundas. Seu cabelo curto estava bagunçado, uma mecha loira de nascença era notável, os cachos mal formados e amassados. Usava uma camisola bege e uma calça por baixo, se fazia frio nessa época do ano.
Pomba se vira para a porta, a abrindo para ir ao banheiro, fazer suas higienes matinais, a porta de madeira range baixo, provável que com este som saberiam que ele estava acordado.

Mais um dia começa, ele pensa. Será que ele conseguirá resolver pelo menos um pouco do mistério que assombra sua vila? Ou será apenas mais um dia frustrante?

Ao adentrar o banheiro Pomba nota um balde de madeira com uma água quente, o vapor subindo pelo recinto, um banho rápido seria perfeito para revigorar suas energias. Fechando a porta, ele retira suas roupas lentamente, mesmo que estivesse com um tempo curto, se apressar só o deixaria ansioso.

Seu olhar vai para o espelho, observando a parte de cima do seu corpo. Algumas pintas exploravam seu torso, pequenas manchas também, mas o que mais incomodava era… Ele desvia o olhar, não importava, não podia mudar aquilo. O banho foi tranquilo, a água quente fazia seus músculos relaxarem, seu corpo não era muito atlético, não fazia muito exercício, apenas o necessário para seu trabalho. Suas pernas eram um pouco grossas, enquanto passava o sabão por elas, notava mais arranhões de suas aventuras passadas, daqui a algumas semanas iriam sumir, igual os outros. Se passaram alguns minutos, ele sabia que não poderia demorar, Lena não tinha muita paciência para atrasos.
Após esta higienização, ele escova os dentes e pega sua roupa atrás da porta do banheiro. Antes de se trocar, ele observa as bandagens deixadas dentro de um bolso de seu sobretudo cinza, pegando-as e enrolando em seu corpo, tentando ao máximo não apertar muito e poder respirar sem problemas. Logo ele veste sua camisa bege listrada e um colete marrom de um tecido similar a couro, uma calça cinza se acomoda em seu corpo.
Pegando seu sobretudo, ele sai do banheiro finalmente e desce as escadas da casa onde morava. Foi possível escutar vozes vindo da cozinha, uma mais grave e uma mais fina.

– Eu só estou preocupada com ele, já tem dias que não dorme direito… Acho que ele merece uma pausa, para conseguir saber direito o que quer fazer, tenho medo dele estar se esgotando apenas por ser algo que eu trabalho - A voz de Lena era um pouco baixa, Pomba para no meio da escada para poder ouvir um pouco - Ser um caçador requer muito sacrifício, quero que ele faça por escolha e não por pressão sabe…

– Lena, ele já tem 20 anos, ele consegue decidir o que fazer ou não fazer. - A voz de Eloy se manifesta, uma voz grossa - Precisa depositar mais confiança nele, se alguma hora ele decidir que não é para ele-

– Esse é meu medo Eloy! E se não der tempo? É um trabalho perigoso, exaustivo, eu demorei um pouco para me acostumar… Eu só quero o bem para ele, não posso perder outro filho… - Sua voz engasga segurando o choro. - Eu não suportaria…

Eloy se aproxima de sua amada, a abraçando com força, tentando ao máximo passar um sentimento de segurança a ela, enquanto lágrimas escorrem pelo rosto da mulher. Pomba respira fundo com um ar de tristeza. Lena havia perdido sua filha a alguns anos para os vampiros, ela era apenas uma criança, que foi sequestrada e morta por aquelas criaturas horríveis, a mulher obteve sua vingança, mas o gosto amargo do luto nunca saiu de seu corpo, algo que ela irá carregar para o resto de sua vida.

– Meu amor - Eloy acaricia os cabelos curtos de sua esposa levemente, respirando fundo - Eu nunca deixaria isso acontecer, estamos juntos, vamos cuidar dele juntos, só precisamos depositar mais confiança nele.

– Eu sei… Eu só- Pomba pigarreou alto enquanto desce finalmente toda a escada - Pomba! - Lena limpa o rosto rápido e sorri tentando disfarçar a dor - Bom dia meu querido, conseguiu dormir um pouco?

Dormir é uma palavra muito forte, ele pensa.

Eloy solta devagar Lena, para que ela pudesse ir abraçar Pomba. O calor do corpo da mulher faz o garoto sorrir, enquanto retribuía o abraço. Ela faz um carinho em seu cabelo enquanto espera por uma resposta.

– Eu consegui descansar um pouco, é só eu tomar um café que já vou me sentir 100% - Pomba diz sorrindo levantando a cabeça para encontrar os olhos de Lena. Ela é como uma mãe para ele, após momentos traumáticos em sua vida, Lena foi sua salvação, tanto quanto ele também a salvou.

“Foi em uma noite qualquer, Pomba trabalhava em uma taverna, seu turno já havia acabado. Dentro de seus bolsos levava apenas algumas moedas, era pouco, mas pelo menos conseguia comer. Não tinha uma casa para ir, infelizmente o local que dormia era em uma rua esquecida, conseguia fechar os olhos por apenas algumas horas, pois sempre tinha que ficar atento a perigos, principalmente homens bêbados. Ele olhava de um lado para o outro, precisa ter certeza que ninguém o seguia.

Chegando mais perto de sua “moradia”, o garoto ouve algo a sua distância, fazendo ele virar para trás assustado. Uma criatura alta e esguia se aproximava dele, desde que horas aquilo o seguia? Seu coração começa a bater rápido e ele tenta correr o mais rápido que podia, mas aquela coisa não o deixaria escapar.
Ele sente uma mão grande agarrar seu pescoço e o jogar contra uma parede de um beco que estava próximo.

– Não adianta fugir passarinho, seu sangue é todo meu - Uma voz com um sotaque estranho ecoa pelo beco, o garoto tremia e chorava enquanto a mão apertava seu pescoço - Não se preocupe, serei rápido - A criatura solta uma risada e Pomba fecha os olhos, aceitando o destino cruel de morrer ali mesmo, as lágrimas quentes descem pelo seu rosto, os soluços atravessam sua garganta, pelo menos ele vai ficar com a família dele não é?

– Solta ele, criatura nojenta! - Uma voz exclama no fundo, Pomba abre os olhos com esperança, seria um anjo que veio o salvar? Dar mais uma chance dele sobreviver?

O som de uma bala atravessa seus ouvidos, atingindo a cabeça da criatura bizarra que lhe agarrava. Uma figura feminina se aproxima do garoto que tossia no chão, recuperando seu ar, ainda sem coragem de olhar para o ser que havia lhe atacado.

– Vá para o inferno - A mulher exclama mais uma vez, pegando algo na mão e esfaqueando a criatura que urra de dor, antes de se transformar em uma grande montanha de pó.

O garoto tenta se levantar, mas é em vão. Uma mão se posiciona em seu ombro.

– Você tá bem menino? Por pouco não vira janta em - A mulher tenta fazer uma piada para descontrair rindo um pouco, mas para quando o garoto não esboça uma reação - Eu… Desculpe, vamos começar certo, sou a Lena e você garoto?

Ele se vira lentamente para ela, seu rosto marcado pelas lágrimas, que ainda insistiam em cair, seu pescoço ainda vermelho. Ele abre a boca para falar, mas começa a tossir.

– Ei, tudo bem, vamos… Para sua casa, eu te levo - Pomba nega com a cabeça, Lena se abaixa para ficar da altura do garoto - O que foi? Você não quer ir?

– E-Eu não… Eu não tenho casa - Ele diz fraco e com dificuldade.

– Oh… Podemos fazer assim, estou ficando em um alojamento por aqui, vem comigo… Posso te ajudar com seu ferimento.

Pomba encara a mulher novamente, seu rosto era lindo e singelo, ele conseguia sentir que ela não lhe faria mal. Ele balança a cabeça positivamente enquanto ela o ajuda a levantar e caminhar para um lugar que ele não sabia aonde. A partir daquele dia, os dois ficaram inseparáveis.”

Eloy tosse de leve para chamar a atenção dos dois, talvez tivessem ficado se abraçando em silêncio por um tempo indeterminado.

– Vamos tomar café, recebi algumas notícias boas sobre a investigação. - Ele sorri enquanto serve uma xícara de café para Pomba, que se afasta lentamente de Lena para se sentar na mesa. - Você vai ficar feliz com o que recebemos Pomba, tenho certeza! - Ele exclama animado enquanto pega um prato com duas fatias de pão com geleia e coloca na frente do garoto.

– Não era melhor resolvermos isso só no escritório meu bem? - Lena se aproxima de seu marido, depositando um selar em sua bochecha, fazendo o homem corar de leve, o Pomba da uma risada, eles estão juntos a algum tempo e mesmo assim Lena sabe deixar Eloy com vergonha ainda, parecendo dois adolescentes.

– Mas não aguento esperar para contar para ele! - Eloy sorri de canto, Lena ri negando com a cabeça e se vira para pegar mais um pouco de café na sua xícara. - Bom, Pombinha, temos uma novidade no caso da mortes e desaparecimentos que tem aumentado por esses tempos.

– Sério? Ontem fiquei acordado por muito tempo tentando decifrar e encontrar algo novo - Pomba arregalou levemente os olhos sorrindo, ele estava claramente animado para ganhar uma nova pista.

– Bom, hoje houve outro ataque na estrada de madrugada, dois mortos, aparentava ser apenas um acidente de carruagem, mas as duas vítimas não morreram de forma normal, seu sangue foi sugado até a morte - Eloy fecha a cara irritado, uma morte injustiça ele pensava. - Mas dessa vez, aconteceu algo bem diferente-

– Fala logo Eloy, ou eu vou ter uma parada cardíaca! - O garoto diz irritado com demora enquanto come seu pão.

– Nós temos uma testemunha! - O silêncio paira no ar. Uma testemunha? Isso era impossível, nenhum vampiro deixa uma vítima - O cocheiro sobreviveu, ele disse que a criatura que os atacou e simplesmente o deixou ir, não sei se acredito nele, mas não temos nada além disso, ele deve servir para algo.

Pomba fica em silêncio, seus pensamentos vão a mil, será que chegou sua hora de se provar forte o suficiente para Lena não se preocupar mais com ele? Ele não podia deixar essa chance passar, ele tinha que mostrar do que era capaz.
– Posso conversar com ele, sempre fui bom de descobrir as coisas-

– A gente já sabia que iria falar isso - Lena se vira para os dois - Eu… Eu precisarei investigar outras coisas com Eloy então - Ela solta um suspiro - Você terá que fazer isso sozinho… Não era algo que eu queria mas… Eu confio que você vai descobrir o que quer-

Pomba salta da sua cadeira para abraçar Lena, quase derrubando o café da mesma, que resmunga rindo. Ele se aconchega em seus braços. Ele vai conseguir se provar para ela, ele consegue… Ele só precisa acreditar em si.

Ninguém pode o impedir.

– Eu prometo fazer um bom trabalho! Você não vai se arrepender - Pomba pega o último pedaço de pão na mesa e coloca tudo na boca. Ele pega seu sobretudo o vestindo rapidamente.

– Ele deve estar te esperando na delegacia, você só tem uma chance, a polícia raramente deixa a gente fazer nosso trabalho - Eloy diz sorrindo, ele sabia que Pomba traria algo valioso para eles.

Pomba acena para os dois, enquanto pega sua bolsa e sai pela porta.

Esta é a sua chance de se provar forte.
Se provar que não é mais a criança que foi atacada no beco.

Se provar digno de seu trabalho.

Notes:

É isso, uepaaa
Não sei até aonde essa história vai, mas prometo não demorar de postar
Assim... Como teremos Natal, talvez eu enrole um pouco, mas tentarei ao máximo não demorar <3