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Você está bem empolgada esta noite. Finalmente, depois de muita espera, você seria capaz de assistir ao vivo uma luta com seu ídolo, Porfírio. Você coloca suas roupas favoritas, se arruma como prefere e vai com amigos até a arena.
A multidão lotava todos os assentos disponíveis e cantos em volta do ringue, um sentimento estranho de empolgação contagiando um a um até chegar em você. Seus dedos seguram o tecido das roupas, apertando, a ansiedade tomando conta. Você procura por ele e não o vê.
"Será que eu consigo dar uma espiada? Não vou fazer nada demais, não deve dar muito problema.."
Determinada, você se levanta e sai do seu lugar com cautela. A última coisa que gostaria é que seus amigos causassem alguma comoção com sua saída. Na verdade, era melhor que não vissem você sair; dava uma certa sensação de aventura que, por mais ilógica que fosse, existia.
Fazendo todo o caminho pelas arquibancadas até o corredor mais baixo, você vê um longo corredor ligado à parte de trás do ringue. A dedução mais provável é a de que os lutadores venham dali, então você se põe a caminhar enquanto olha as portas dos dois lados. Seu coração perde o ritmo ao ver um dos nomes: PORFÍRIO DANGOND.
Tímida e ciente de que poderia se encrencar, você bate. A voz grave e, surpreendentemente, fluida que te responde é breve.
— Estou quase pronto, pode entrar.
"Ai meu Deus, é ele mesmo! Eu..vou mesmo fazer isso!? Não é quebrar umas trinta leis diferentes, ou é?! Ai, o que eu tô fazendo?!"
Mas a vontade de conhecer alguém tão importante, mesmo que por segundos, faz com que sua mão alcance a maçaneta e você abra a porta.
Ele é exatamente como você sempre vê na televisão, porém melhor. Alto, tão alto quanto o batente daquela porta, e com músculos tão grandes e fortes que faziam você questionar o quão bom deveria ser receber um abraço dele. Seu corpo congela, atento ao que ele vai fazer.
Porfírio te vê do espelho na mesa dele e se vira devagar, uma sobrancelha levemente erguida em sinal de dúvida.
— Perdão mas..quem é você?
— E-eu — você entra no camarim dele e se lembra de fechar a porta, tudo isso sem desviar os olhos de Porfírio. É como se ele pudesse desaparecer caso o fizesse — Eu sei que isso é muito errado e que eu não deveria estar aqui.
— Não mesmo, senhorita — Porfírio responde, um tom leve repreendedor nas palavras.
— Eu só queria poder..conhecer você pessoalmente. Assisti às lutas com minha família desde que me entendo por gente e você é meu ídolo! Eu..só queria uma chance de ter esse momento na memória.
Porfírio te observa por um tempo em silêncio, depois dá um sorriso.
— Eu concordo que é imprudente vir até aqui, mas já que teve essa coragem, eu vou recompensar você.
Você abre a boca e segura uma respiração, sem acreditar. Seu grande sonho, enfim, realizado! Era tudo o que você poderia querer, cada parte de seu corpo vibra de empolgação. Nunca um sorriso seu fora tão largo.
— Muito obrigada!
Os olhos de Porfírio encaram os seus e, de maneira sutil, mudam para um lado mais sensível.
— Então você vai querer tirar uma foto ou um autógrafo? — ele questiona, de repente se divertindo com aquilo.
Você pega seu celular.
— A foto já está bom. Nossa eu nem acredito, muito obrigada mesmo senhor Dangond, eu nunca achei que—
A caminho, você tropeça nos próprios pés e seu corpo pende para frente. Mais que depressa, Porfírio te segura, o ar divertido sendo substituído por preocupação e cuidado genuínos.
— Você está bem? — os braços dele seguram seus antebraços e você se vê muito próxima do peito do boxeador. Sua mente fica turbulenta.
— Me desculpa mesmo senhor Dangond, é o nervosismo, eu não sou assim sempre, eu juro!
— Está tudo bem — ele te ajuda a se levantar, os olhos trêmulos por um motivo que você não entende. Ele engole em seco — Tem certeza de que não machucou nada?
— Foi só uma queda boba, vou ficar bem, agradeço a preocupação.
— Ótimo.
O silêncio que se segue é ainda mais constrangedor, fazendo com que você queira mergulhar em um buraco no chão e morrer, mas estar ali era muito marcante para se apegar a esse tipo de coisa. Os dois posam para a foto e você, depois de conferir o resultado, guarda o aparelho.
— Ficou ótima, obrigada! Agora eu vou deixar o senhor—
— Pode me chamar de Porfírio.
Você se engasga com as palavras. Aquilo estava certo? Quantos fãs tinham uma permissão como aquela diante do campeão de galo de briga?
— Está..falando sério?
— Sim, estou — ele sorri um pouco mais, e seu coração mal cabe no peito. Sempre achou o sorriso dele belo, mas aquele era simplesmente único. Era só seu.
— Porfírio! — a voz do agente do lutador te faz saltar no lugar, e pela primeira vez ele ganha uma expressão preocupada e séria. Assim que se voltou para a porta do camarim, ele fala:
— Já vou! — e para você: — Você tem que ir, mocinha. Agradeço que tenha vindo, mas não pode ficar aqui.
Ele tinha razão e, mesmo assim, doía para você deixá-lo naquele momento. Achava que nunca mais conheceria alguém que mexia com seu coração do jeito que Porfírio o fazia.
— Espere até que eu saia e, só então, saia em segurança, ok?
Sem opções, você se esconde atrás do armário de roupas dele e espera até que Porfírio tenha saído. Somente quando os sons no corredor diminuem, é que você se arrisca a entreabrir a porta. Apressada, sai correndo para conseguir assistir a luta por completo.
Nunca, em sua vida, você se sentiu tão feliz.
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