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Dracula's Daughter

Summary:

No infinito de possibilidades que moldam o multiverso, existe um certo roteiro que dá origem ao Invencível. A maioria dos bons se perde no meio do caminho, a maioria dos sobreviventes se torna mal. Esse daqui tem que lidar com os problemas da terra antes de olhar para Viltrum.

ou

A filha do Drácula resolve estudar em um colégio normal de Chicago e isso provavelmente salva essa versão do Mark(pelo menos até o Megamente chegar).

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Chapter 1: Meninas Malvadas

Chapter Text

A vida no ensino médio não parecia muito com os filmes. 

Antes de entrar nessa escola, e com a aprovação de seus pais, ela guardou alguns tempo para assistir filmes sobre o drama adolescente. Algumas séries também.

Como ela estava tendo esse tipo de treinamento, o comum seria ir para o Ensino Médio Norte Americano.

Seus pais não gostaram muito disso, seu pai em principal votou fortemente para um internato em Londres. Mesmo em sua condição…diferente, ele tinha contatos humanos, e poderia colocá-la no mesmo lugar que a realeza estudava. 

Sua mãe foi um pouco mais compreensiva, afinal, toda a questão de ela ir para um colégio humano era ter uma experiência normal, e um internato para nobres ingleses não era exatamente normal. Mesmo assim, ela ainda queria que a filha fosse para o Brasil. Estudar em alguma escola de seu estado natal seria bom para ela, e por algum tempo Maria cogitou isso. 

As histórias de sua mãe sempre pintavam o Ceará como um pequeno pedaço do paraíso na terra. Desde as praias paradisíacas até o mais isolado canto do Sertão. Dançar no pé de serra em forros locais. 

Parecia bom, mas infelizmente irreal. Sua mãe foi excomungada há muito tempo e pisar em qualquer lugar perto de casa seria muito arriscado. Não seria impossível a grande ordem saber dela e a caçar até os confins da terra.

Sendo assim, América era a escolha.

Era bom também pois ela não imaginava se apegar muito. Os filmes nunca pintavam um bom quadro, e talvez fosse melhor ela não se afeiçoar ao país ou as pessoas que ela eventualmente deixaria para trás.

Por que ela deixaria. 

Toda essa experiência era só isso: uma experiência. Boa ou ruim, ela precisava disso. Precisava ser o mais humana possível.

Seus pais eram seres irreais que abandonaram a humanidade há muito tempo, mas para alcançar esse estado de puro egoísmo, eles primeiro precisaram ser humanos.

Mas infelizmente, monstros não criam pessoas, e ela não tinha o suficiente para ser uma criatura também.

Para isso, ela precisava se elevar ao estado de indivíduo, e aí sim, se corromper como eles fizeram.

Mas o que é um indivíduo? Ela não sabe.

Talvez a resposta esteja nesses corredores lotados e humanos jovens e desesperados.

Era bastante interessante de observar.

Quando assistia aos filmes ela nunca conseguia enxergar os monstros que exalavam das pessoas. Era bastante impossível para a tecnologia gravar o distorcido da humanidade.

Aquele medo que exalava de todos, o nervosismo, a auto aversão, a vontade de simplesmente desistir…era bastante impressionante de se visualizar pela primeira vez.

Com seus pais ela nunca precisou lidar com isso. Eram só os três desde que se lembra, nos salões infinitos e imortais da morada de seu pai. Aquele túmulo glorificado que morreu e renasceu com ele, era o único lugar que ela viu durante sua juventude.

Seus pais também não como essas pessoas comuns. Ela duvida que seu pai tenha sentido medo em séculos, ou sua mãe em vários anos. Eles eram egoístas demais para isso.

Abandonaram tudo que eram e poderiam ser em busca do que queriam ser. Eles tomaram e tomaram de todos até só sobrar para eles e então se uniram nessa união profana de casamento.

Seu pai era o mais literal, quanto sangue foi derramado em sua busca? Ora, ele se ergueu do cadáver de milhões para a sua própria santidade. Mas sua mãe não era o oposto de seu pai, mas não era melhor em sentido nenhum.

Seu pai nasceu em berço nobre, tudo que ele queria ele teve, e fez de sua luta a luta de seu povo. Sua mãe era bem mais comum na história. Se seu pai nasceu em berço de ouro, ela nasceu na sarjeta. Claro, isso nunca a abalou. Sua mãe queria e queria e nunca aceitaria um mundo que a colocasse para baixo. Por certo eles não tinham muito em comum, na verdade Maria não sabe ao certo o que os uniu, talvez seja justamente essas histórias tão diferentes, ou talvez algo que ela não entende ainda, mas o importante é que eles sempre foram do tipo que tomavam todas as decisões por si e para si.

Egoístas até o amálgama.

Então era óbvio que quando se apaixonaram eles resolveram deixar o mundo queimar na chama das paixões deles.

Eles não se arrependem, é óbvio. Mesmo a melancolia da mãe está mais ligada a não poder usufruir de coisas que gosta do que realmente se sentir culpada por suas decisões.

Maria gostaria de ser mais assim, seus pais também queriam isso. Mas era…difícil ter essa mesma vontade que eles tinham. Ter uma crença tão forte que você não deixa escapar nem por entre os dedos de seu cadáver apodrecido. Querer algo tanto mas tanto que não mede esforços por isso.

Ela era bem mais…apática talvez? Ela não sabe. Ela também não entende.

Assim como não entende esse novo ambiente.

Os filmes fazem parecer tão mais…claro. Era óbvio as relações entre as pessoas, os sinais. Assim que você percebe o perfil geral de cada um é óbvio ver qual será seu papel na história.

Por exemplo, ela era a garota nova e estranha.

De acordo com o que viu, ela deveria ser a personagem principal. Aquela que entra na escola e automaticamente é o centro das atenções, negativas ou positivas. Ela estava preparada para o bullying inicial, a apresentação com um melhor amigo solidario e a eventual subida social depois de algum drama mas…nada aconteceu.

Ela entrou na escola, conversou com a coordenadora, recebeu seu horário e foi…isso. Em todas as aulas ela se apresentou da mesma forma: “Bom dia, eu me chamo Maria Tepes, minha família é da Romênia e  do Brasil e eu me mudei recentemente.”

E em todas as aulas a reação não poderia ser mais ... .decepcionante. A maioria das pessoas comenta sobre seu status de estrangeira, mas isso dura exatos 10 minutos, até o professor ganhar controle da aula, mas depois que o sinal toca ela já é…mais uma. 

Claro, algumas pessoas a convidaram para comer com eles e assim ela não comeu sozinha em nenhum banheiro, mas as conversas não pareciam tão ... .amigáveis. Era só curiosidade, perguntando como é a Romênia ou o Brasil e, além de algumas perguntas estranhas como se ela tinha visto o Vaticano na Romênia, ou como era a África? No geral eram totalmente banais.

Ela francamente não entendia como pessoas assim geravam essas criaturas.

Ela conhecia, é claro, o que eram os monstros humanos, mas nunca precisou os enfrentar pessoalmente. A insegurança era bastante estranha, ainda mais refletida nos olhos brilhantes de Amber Bennett.

Desde o início do dia ela tinha sido quem se apegou a Maria. Com os cabelos dourados e olhos claros ela poderia se integrar em qualquer papel, apesar que provavelmente a abelha rainha seria o mais facilmente alcançável. Apesar disso ela parecia bastante gentil. 

Por isso era bastante estranho ver aquele fantasma distorcido agarrado ao pescoço dela.

Não estava só nela, é claro, ela conseguia enxergar tentáculos obscuros se envolvendo ao pescoço de vários outros alunos, os olhos da criatura, que estavam acoplados em cada tentáculo observavam tudo ao redor, tomando nota dos menores detalhes.

Era só que Amber a confundia. Porque o rosto dela não estava torcido, os olhos dela não se desviavam e ela não gaguejava. Não havia nada em sua linguagem corporal que esboçasse um pingo de insegurança, mas ela ainda conseguia ver o mesmo monstro lá, parado, os olhos seguindo cada nova interação de Amber. Sempre que alguém falava algo diferente para ela, a coisa apertava um pouco seu domínio sobre o pescoço dela e então ele soltava, deixando ela dar sua resposta.

Era bastante impressionante o fato de ela não esboçar nada. 

Por que ela deve estar sentindo.

Pessoas normais não conseguem ver e nem interagir de forma física com essas coisas, mas certamente podemos sentir no fundo de suas essências.

Então mesmo que ele não esteja a sufocando, não de verdade, ela ainda deve sentir o sufocamento, as palavras ficando entaladas na garganta, a sensação de não conseguir respirar… 

Aquele monstro em específico parecia bastante formado. Certamente deveria ser algo banal e comum como medo social? Ele estava enroscado na maioria das pessoas, algumas mais que outras certamente.

Ela não conseguia ver a cabeça, no entanto, só os tentáculos. Parecidos com névoa escura, eles estavam em toda a escola, de certa forma conectados a todos. Eles pareciam mais gasosos e incorpóreos ao se afastarem de alguém e totalmente de carne ao se conectarem com a pele. Alguns deles pareciam se conectar, quando alguns adolescentes conversavam entre si.

Maria estava olhando para uma menina que estava conversando com um cara. Ela era bastante bonita, outra que também não parecia insegura, com os olhos escuros estreitados, a pele morena enrugada e as sobrancelhas franzidas. O tentáculo estava aos poucos se agarrando a ela, dessa vez se dissolvendo em outros tentáculos menores que aos poucos iam amarrando o corpo dela. Ombros, clavícula, peito…eles desciam, conforme os olhos da garota que conversava com ela também descia o olhar.

O garoto, se é que poderia se chamar assim, se projetava sobre ela. Mais alto uns bons 20 centímetros, com o braço repousado ao lado dela, impossibilitando sua saída. Ele era tão dourado quanto Amber, mas onde os olhos dela eram claros os dele estavam escuros de intenções ruins. Ela não precisava de seus poderes para entender o que ele queria. 

“Nossa, o Todd está em cima da Amber.” Por um segundo ela não conseguiu captar bem o que a loira do seu lado falou. “O Todd está chamando a Amber para sair há semanas, o cara simplesmente não sabe escutar um não.”

“Amber?...” Maria questiona.

“Sim. Ah, desculpe.” A loira sorri divertida, mas Maria percebeu o tentáculo se apertar um pouco na garganta dela. “Aquela é Amber Bennett, antes que você pergunte, sim, temos o mesmo nome, mundo pequeno né?” Ela ri, mas até para os ouvidos de Maria aquela risada parecia errada.

“Talvez alguém devesse falar com o Todd.” Maria comenta, mas não se levanta. Ela realmente não tinha vontade de se envolver com isso.

“Relaxa, ele é meio chato mas é inofensivo.”

Talvez ele fosse inofensivo, Maria pensa. Mas a energia dele não parecia boa. Parecia o tipo de coisa que tinha potencial para ser bem ruim no futuro.

“Talvez.”

“Ei Maria!” Um grito a tirou do seu estado contemplativo. Um dos garotos que estava sentado na mesa do refeitório, um moreno de olhos cinzentos, qual era o nome dele mesmo? Jhon? Ela tentou se lembrar “Qual é o seu sobrenome mesmo?”

“Bonfim Tepes.”

“Eu te falei cara. Igual o nome do Drácula!” O garoto, John, focou os olhos no garoto do lado dele, outro que Maria não lembra o nome.

O garoto não parecia impressionado, os olhos castanhos escuros revirando. “Só você mesmo se importar com isso, eu estou pensando em outra coisa. De um a dez, o quão bem você pratica esportes?”

A mesa coletivamente gemeu. 

“Ah não.”

“Vai começar.”

“Sério James, ela mal chegou.”

As vozes se misturaram enquanto o garoto nem parecia incomodado. Ela deveria supor que ele era algum tipo de jogador, com aquela jaqueta característica branca e azul contrastando com sua pele escura. Ele também parecia alto, com ombros largos e traços fortes, que estavam fortemente atenuados com seu sorriso ansioso e olhar animado. Ele parecia uma criança na manhã de natal com um brinquedo novo.

“Nada disso, o time feminino de futebol precisa de uma ajuda urgente.” James fala com firmeza.
“E daí, você nem joga no time feminino.”

“É, mas elas irem mal no campeonato reflete mal na gente. Além disso, como o cara incrível que eu sou, eu quero dar uma mãozinha. Mas e aí Drácula, qual o seu nível?”

Ela controla o estremecimento com o apelido. Seria realmente um problema se alguém errado escutasse isso.

“Depende do tipo de esporte que voce fala.” Ela fala por fim. “Me considero bastante competente em esgrima.”
“Só isso?” Ele desinflama automaticamente. “E futebol?”

“Tá brincando, esgrima é maneiro.” John comenta olhando para Maria. “Qual tipo? Tipo aquela das olimpíadas ou algo como simulação medieval? Por eu comecei a fazer-”

“Pera ainda.” James afasta um pouco a cabeça de John. “E futebol?”

“...Nunca joguei antes.”

“Droga…precisamos te levar para o campo, talvez tenha talento.”

“Talvez.”





 

 

 

Depois que o almoço terminou ela pode finalmente seguir para a próxima aula. Ela não estava ansiosa para nada disso, mas infelizmente era necessário.

Como parte do grande projeto de integração do pai -e provavelmente porque duvida que o pai dela tenha feito mais que só apresentado uma grade comum americana e fingido que era isso que ela estava estudando- ela foi colocada em aulas comuns.

Nada de aulas avançadas e isso era…bem chato. Mais útil, ela supõe. Se ela não precisa se preocupar com as notas, pode focar em si mesma. Mesmo assim faz com que o  tempo passado em sala dure uma eternidade, enquanto ela copia algo que viu há anos. 

“Hoje turma, teremos uma aluna nova. Espero que todos a compreendam bem, ainda mais porque ela está entrando no meio do ano. Ajudem caso ela precise de ajuda.”

O professor de história deu espaço para que ela se apresentasse e, como desde o começo do dia, ela usou sua apresentação simples: “ Boa tarde, meu nome é Maria Tepes. A minha família vem da Romênia e do Brasil e eu me mudei recentemente.”

“Turma, deem as boas vindas para a Maria.” O professor fala enquanto a sala murmura vários comprimentos de má vontade. Esse foi o primeiro professor que mudou o roteiro até então. Mas ele também parece estranhamente bem estruturado, sem nenhum monstro à vista, os outros até então pareciam complementamente acabados. Talvez ele seja novo? ela contempla.

“Pode sentar ali Maria, do lado do senhor Grayson.” O professor coloca a mão no ombro dela e aponta para um garoto que tinha traços asiáticos, quase escondido no final da classe. Ele estava vestido como alguma espécie de garoto rico, com uma blusa de tricô por cima de uma camisa social.

Ela acena sem se importar muito e vai em direção a cadeira vazia ao lado do garoto. Enquanto caminhava ela sentia o olhar de vários outros alunos. A maioria se sentia vagamente curiosa, mas um ou dois pareciam achar divertida. 

Era de se esperar.

Apesar de ter cuidadosamente modificado sua aparência para parecer mais humana, ela não escolheu um corpo padrão, preferindo manter sua imagem que seu pai sempre apontou como semelhante à sua mãe-menos sua paleta de cores desbotada- alterando pouco mais que sua cor de pele para não parecer branca como uma folha de papel  sulfite, e seus olhos amarelos de Dhampir.

“Boa tarde.” Ela comprimenta ele enquanto se senta. 

“Oi…” Ele sorri sem jeito. 

“Hoje turma, eu gostaria de falar do projeto de pesquisa e seminário valendo 50% da nota de vocês.”

A maioria da sala gemeu em desespero.

“Ah, isso é música para meus ouvidos.” O professor brincou. “Não sei porque vocês estão tão combativos, afinal, eu lembro que eu deixei vocês votarem e a maioria quis o projeto.”

“Mas Sr. Forbes-” a turma começou a reclamar mais.

“Bem, se estão todos tão contra, e nós vivemos em um país democratico não é, que tal outra votação? Eu tiro o seminário e a pesquisa e vocês fazem uma prova valendo esses 50%.”

“o que?!” Vários gritos de indignação soaram pela sala enquanto o professor Forbes assistia com satisfação sádica. Talvez eu tenha pensado errado e ele não tivesse monstro porque encontrava satisfação em outras coisas, imaginei com apreciação. 

“Escolha de vocês, acho que vamos ficar com o seminário, não é? Que bom.”

A turma continuou reclamando, dessa vez em tom mais baixo. “Vocês se lembram de como vai ser?”

A turma ficou em silêncio até uma garota levantar a mão. “O senhor falou que iríamos fazer um debate?”

“Quase isso, senhorita Gilbert.” O professor comentou. “Eu vou distribuir, de forma aleatória, alguns temas para vocês. Temas polêmicos. Todos os eventos que vocês estudaram nos últimos anos, ou deveriam ter estudado. As equipes que tirarem o mesmo tema vão se reunir e cada um vai escolher se vai falar com um viés positivo ou negativo. Não me importa como vocês decidam, mas tem até o final da semana para me avisar. Depois disso vocês fazem um relatório no formato acadêmico que eu mostrei para vocês no começo do ano e a partir desse viés vocês desenvolvem o tema. Não é uma competição, mas vou avaliar quão bem vocês conseguem desenvolver uma apresentação para a turma defendendo ou atacando em comparativo com a outra equipe com o tema igual. Lembrem-se, nada de xingamentos, eu quero uma explicação didática e educada.”

Esse era um tema interessante, ela teve que concordar. Lembrava um pouco de quando leu alguns livros sobre os feitos de seu pai e ele, de forma bem leviana, defendeu sua posição. Seu pai realmente não achava mais que estava certo, mas ele era um bom sofista quando queria. A argumentativa saindo de sua língua de prata enquanto ele tecia o quadro com facilidade e ela quase viu o sentido em suas ações. Quase. Ela não ousaria cometer anacronismo, já que o auge da humanidade de seu pai foi há bons 700 anos, mas mesmo assim achou várias coisas muito bárbaras.

Mas a questão é que boa parte disso era só falar com convicção e com um tom controlado, o resto era simplesmente manipular os fatos a seu favor e casualmente minimizar outros. A maioria das pessoas poderia fazer isso, se o tema debatido não fosse algo universalmente odiado, ou se quem escutasse estivesse mais inclinado a escutar. 

“Se separem em duplas por favor.” 

Os alunos se levantaram rapidamente, alguns levantando suas cadeiras para perto de suas duplas escolhidas. Parece que a maioria já tinha escolhido alguém.

“Professor.” A mesma menina levantou a mão. “E a Maria? Ela vai sobrar.” 

Era verdade. Ao observar melhor a turma, ela não parecia ter mais do que 20 cadeiras espalhadas pela sala.

“Un…é verdade.” O homem pondera enquanto olha para a sala. “Quem foi que faltou hoje?”

“Foi o Matt.” Um garoto na metade da sala comenta. “Mas a gente vai fazer dupla.” 

“Certo, certo…” O homem olhou para as duplas que já estavam prontas, principalmente para o garoto Grayson e o outro garoto do seu lado. “Ei, Grayson, Clockwell, tem algum problema em ficar com a Tepes?”

Os dois trocaram um olhar. O garoto magro, Clockwell, não parecia impressionado ao levantar uma sobrancelha enquanto Grayson só encolhia os ombros. “Sem problemas.”

“Perfeito, Tepes! Com os dois.” O professor fala e tira uma caixa de sapatos com vários papeizinhos dobrados. “Quando estiver todo mundo em dupla, e um trio, por favor venha alguém da equipe aqui para sortear o tema.”

Ela moveu sua cadeira para o lado de Grayson enquanto Clockwell levantava para pegar um tema. 

“Uhn, meu nome é Mark.” Grayson fala suavemente. 

“Maria.” Ela responde simplesmente e observa o garoto parecer cada vez mais desconfortável.

“Então…Brasil né?”

“Sim.”

“Uhn…é muito diferente daqui?”

“Não sei, nunca fui para lá.”

“An, mas você disse-”

“Minha família é de lá. Eu pessoalmente nunca fui.”

“Ah…”

“...Eu costumava morar na Romênia. A casa do meu pai fica no Condado de Arges.”

“Uhn…onde isso fica?”

“O condado? Na região do-”

“A Romênia.”

“...Já ouviu falar da Transilvânia?”

“Tipo a casa do Drácula?”

“...Isso mesmo.”

“Ah, sim! Isso parece legal.”

“É, com certeza.”

“SÓ PODE SER BRINCADEIRA.” Clockwell volta pisando duro com um papel amassado na mão. 

“O que foi?” Mark pergunta.

“Olha!” O moreno joga o papel na mesa e Mark o pega. Maria se inclina para ver melhor, só conseguindo ver “EUA e Venezuela.” 

“Temos que defender os interesses dos Estados Unidos no conflito?” Maria testou enquanto analisava o tema. 

“Não, temos que atacar!”

“Ir contra, não atacar. O professor quer sutileza.” Mark corrige.

“Quem se importa, todo mundo sabe que é para atacar!” 

“É um tema fácil de acusar, qual o problema?”

“Fácil?! Eu achei que ia ser algo mais fácil! Não tem como a gente tirar uma nota boa-”

“Não deveríamos nos reunir para decidir se defendemos ou atacamos?” Maria interrompe.

“Ah, eu tirei no cara ou coroa com o outro time.” Clockwell comenta.

“Então a culpa é sua” Maria fala seca.

“Ei.” Mark interrompeu. “Que tal a gente se reunir para fazer isso?”

Clockwell cruzou os braços. “É melhor a gente começar logo. Vamos precisar.”

“Ótimo, que tal na minha casa?” Mark propôs. “Uhn, no sábado?”

“Que horário?” Maria perguntou.

“Uhn, de manhã?”

Ela cantarola. “Sim, vou estar disponível.”

“Quem fala ‘disponível’?” Clockwell sussurra, nem um pouco discreto.

“Ótimo, o meu endereço-.”

Após passar o endereço e o número de telefone, os três voltaram a se encarar enquanto esperavam o final da aula.







Voltar para casa a pé não foi uma experiência divertida. Era culpa dela, realmente, por nunca ter aprendido a dirigir nada. A mãe dela certa vez ofereceu ensinar a dirigir uma moto, mas ela recusou.

Mãe, eu consigo voar. Ela lembra de falar-não gemer como uma criança birrenta- e deixar o assunto de lado.

O pai dela também não era de muita ajuda, ele mesmo nunca dirigiu porque ele também voava. E sempre que ele queria entrar no mundo humano- o que pelo que ela notou aos longo dos anos era terrivelmente raro, beirando a um evento místico secular- ele usava algum chofer mortal. Ou algo assim. Ela nunca perguntou quem eram os servos que a atendiam ou porque eles estavam ali. Eles nunca estavam na casa em si, mas sempre que saiam de casa parecia que eles simplesmente…surgiam. Eram humanos porque ela reconhecia o cheiro mortal em suas veias, mas ela não sabia de onde saiam.

Não é como se houvesse vilas próximas de onde o pai costumava deixar o castelo.

De qualquer forma, aprender nunca foi uma necessidade, mas talvez fosse bom ela fazer isso.

Sua casa não era muito próxima da escola, uma decisão tomada pelo pai que queria uma casa que pudesse hospedar a família inteira de forma confortável caso eles visitassem, e não uma casa de cercas brancas comuns.

O que a deixou morando um tanto distante de sua nova escola e terrivelmente grande para morar sozinha. Ao menos ela tinha sua telecinese para ajudar os serviços domésticos ou ela teria desistido antes mesmo de se mudar.

Mesmo assim, isso a deixava na posição terrivelmente irritante de voltar a pé, em uma velocidade humana normal, todos os dias pelos próximos meses.

Que vida… Ela pensou cansada enquanto continuava caminhando a passos lentos, seu olhar vagando pelas ruas de um bairro residencial. As casas comuns e as cercas brancas iam se misturando enquanto ela continuava a avançar.

Ao longe no céu algo chama a atenção. Um humano parecia estar voando em um traje colorido azul e amarelo.

A figura desce lentamente até uma casa, não muito diferente das outras, e com um movimento rápido entra dentro da casa pela janela do segundo andar.

Maria o observa por dois segundos antes de continuar andando. Foi por isso que ela resolveu não voar para casa, qualquer um consegue ver você por aí.





Notes:

Sim, eu resolvi começar uma historia nova no pior momento possível. Eu me arrependo? Não muito.
Eu resolvi postar aqui o que estava pegando poeira nos meus arquivos. Eu meio que tenho alguns capítulos escritos mas ainda não fiz a leitura beta. Resolvi postar para me manter animada, depois que eu já tiver tirado isso do meu sistema eu volto para editar(na verdade eu vou tentar revisar logo, mas acho melhor já deixar claro que não tenho um cronograma fixo).
Essa ideia veio depois de assistir vídeos aleatórios no tik tok sobre TVD, Crepúsculo e Castlevania.
Totalmente alto indulgente.
Sim, eu o nome da OC é total uma referencia ao nome, ou só deixei na versão brasileira do nome.
A mãe dela é mais ou menos baseada na Mel de Arcane(em questão de estética e poderes, a personalidade...bem, tem um motivo para ela ser a esposa do Drácula).
Esse Drácula não é baseado em nada especifico, mas eu já vi várias mídias sobre vampiros então ele pode ser um monstro do Frankstein em referencias. Totalmente pai de menina, como todo Drácula deve ser.