Actions

Work Header

California sober

Summary:

Junmyeon para todos os efeitos era um homem pragmático, metódico até, mas não um homem impulsivo. Ele controla sua vida com a mesma mão que controla seus acionistas e as crises midiáticas que a imprensa de seu sócio enfrenta.

Acontece, que Junmyeon é além de tudo um amante intenso. Se apaixona tão fácil que é ridículo, e como tudo o que sobe rápido despenca mais rápido ainda, ele aprendeu a fechar essa parte da vida dele e tomar dos amores lascivos como uma dose. Controlada e medida, como os sóbrios da Califórnia fazem.

Isso tem seu benefício, claro. Estabilidade financeira e o controle de como, quando e onde. Mas essa é a graça desse tipo de coisa, o amor nunca aparece quando planejado, e nem em um milhão de anos Junmyeon teria planejado se apaixonar perdidamente por Oh Sehun.

Mas que graça isso teria?

Notes:

Este fic é um presente de aniversario - atrasado - pra Tori @teteaul, que me deu o plot. Parabéns bestie, espero que você goste de ler tanto quanto eu gostei de escrever.

Boa leitura, xx honey

Work Text:

A recaída

 

Como toda noite de sexta-feira, Junmyeon se encontrava indo até a boate mais afastada do centro, ele estava sozinho mas não fazia disso um segredo. Quem importava pra ele sabia quem Junmyeon era. Era quem ele não se importava que Junmyeon gostava de deixar de fora dos detalhes mais profundos de sua sexualidade e também dele mesmo.

 

Acontece que Junmyeon não mente quando perguntam por que ele, um homem quase tão bem sucedido e em plena idade de construir uma família, continua solteiro.

 

Com um sorriso beirando a ironia, mas contido em sua maneira, Junmyeon sempre responde.

 

“Porque eu sou queer pra caralho.” O palavrão não lhe é usual, mas mais do que aprecia a coesão, Junmyeon adora uma boa narrativa.

 

A boate tá lotada, ele mal consegue passar até o bar pra beber o que tiver em alta no dia, sempre evitando os whiskys e as bebidas horríveis que ele é forçado a beber nas reuniões no trabalho. Não, aqui ele experimenta, no sentido mais profundo da palavra. Desde bebidas destiladas até os drinks coloridos.

 

“Parece que tá mais lotado que o normal.” Junmyeon diz mas mal se ouve falar pela música alta e os gritos incessantes.

 

“Estamos tendo uma festa particular.” Respondeu Yohan.

 

“Oh, sério? Não me impediram de entrar.” Junmyeon franze as sobrancelhas para o barman que pelas tantas vindas, é quase mais que um conhecido.

 

“Sim, é, o pessoal não quis fechar a casa toda pra isso.” Ele diz com um sorriso passando uma bebida a Junmyeon.

 

Com um coquetel que ele não conseguiu o se importar o suficiente para perguntar a Yohan o que está ingerindo, ele sai pra pista. Junmyeon não dança, é óbvio, mas é a agitação que o atrai. 

 

Quando a música muda para uma que ele vagamente conhece, ele se vê virando um gole excessivamente grande da sua bebida, desce queimando mas o calor que sobe é muito bom. Tem gosto de bala de cereja e álcool. O faz se estremecer de leve.

 

As pessoas ao redor dele gritam em comemoração e assim ele vê pela primeira vez, um círculo um pouco mal feito, com um cara sentado numa cadeira, e outro dançando sobre ele.

 

Cara de sorte.

 

 Era impossível notar qualquer característica do cara que Junmyeon presume ser um striper, ou só um dançarino contratado. Ele é grande, suas costas tem ombros largos e uma cintura fina, e se não fosse só isso, ele dança e se esfrega - no cara que só pode ser um aniversariante ou algo parecido, com sorte não é um noivo em sua despedida de solteiro - contente pra caralho. Como se aquilo fosse o ponto alto de sua vida.

 

Cara de sorte de fato.

 

“ Vai Hunnie, acaba com ele!” Um cara alto ao lado de Junmyeon grita, com as mãos ao redor da boca na tentativa de se fazer ser ouvido. 

 

“Este é o aniversariante?” Junmyeon pergunta curioso o suficiente. O outro homem se vira pra ele.

 

“Ah, sim!” Ele ri, colocando dois dedos na boca e inflando as bochechas soltando um apito alto para comemorar que o dançarino saiu de cima do outro cara, o aniversariante pelo que Junmyeon ouviu. “Aqui!” Abanando com a mão o homem ao lado dele chama o dançarino que vem até onde estão parados, ele tem uma aparência selvagem, indomável. O pouco de suas bochechas que aparecem por trás da máscara de gato preto que ele usa parecem vermelhas. Ele dá grandes lufadas ar sorrindo e enquanto se abana. 

 

“Quem é o próximo, Yeol?” O dançarino pergunta, mal dá pra ouvir a voz dele, é difícil dizer qual cor são seus cabelos e olhos graças às luzes coloridas piscando sobre eles.

 

“Humm… “ O cara ao lado de Junmyeon usa sua altura pra olhar ao redor sem esforço, quando ele olha na direção de Junmyeon algo brilha em seus olhos enormes. “Este aqui!” 

 

“O que?” Junmyeon se ouve dizendo mas teme que somente ele se ouviu. 

 

O da dançarino olha pra ele, os olhos afiados escapando pelos buracos adornados daquela máscara. Foi um segundo, só um maldito segundo, mas Junmyeon se viu sem ar, sem raciocínio algum. A única coisa em sua mente era aqueles olhos olhando pra ele. 

 

Foi como sair de uma câmera lenta de forma violenta, o mundo voltando a se mexer rápido demais.

 

Ele foi puxado, seu coquetel foi pego por alguém, em um segundo depois ele estava sentado em uma cadeira no meio daquele círculo, todos gritando, era o suficiente para ficar entorpecido, se não fosse por ele.  

 

“Huuum, olá” o dançarino diz passando uma perna longamente elegante sobre Junmyeon até se sentar sobre ele. 

 

“Acho que você pegou o cara errado.” Junmyeon ri, mas o riso morre quando o dançarino simplesmente move seus quadris tortuosamente. 

 

“Não, acho que peguei exatamente o cara certo.” Ele sorri um sorriso canalha, suas pupilas estão dilatadas em seus olhos afiados escapando pelos buracos adornados da máscara de felino. E como Junmyeon não poderia se controlar mais, suas mãos vão direto para a bunda que se esfrega nele ao ritmo da música. O ritmo sensual e frenético, exatamente como md ou êxtase. 

 

O dançarino joga a cabeça para trás rolando seus quadris, Junmyeon se sente hipnotizado, ele quer causar mais dessas reações. Quer ser ele a causar todas essas reações. Todas elas, quer dar uma noite para os dois se lembrarem. Seus dedos apertam a carne farta e macia. É possível ver quando um arrepio sobe pelas costas largas do homem em seus colo, a maneira como ele falhou uma respiração e provavelmente geme, mas o barulho alto impossibilitou Junmyeon de se deleitar com o som.

 

Quando ele olha Junmyeon nos olhos de novo, seu olhar antes já tão cheio de intensidade, beira o animalesco. É como eletricidade pura correndo suas veias. Como heroína ou pior. Corre por tudo seu corpo até deixá-lo tonto. Ele sabe que o outro também pode sentir isso. 

 

Uma dose, Junmyeon repete, só uma dose, uma dose pequena e controlada.

 

O dançarino se aproxima do ouvido de Junmyeon, mordendo seu lóbulo enquanto sussurra, baixo e rouco.

 

“Prrrrrrrrr.” Um ronronado como um gato. Junmyeon vai enlouquecer, ele vai, vai derreter ali mesmo. 

 

Uma dose, uma dose. Junmyeon repete como um viciado. Só uma, porra.

 

O dançarino tem lábios macios e quentes, a boca é pequena mas certeira, combina com ele, deve combinar com o resto do rosto abaixo daquela máscara. Junmyeon se agarra a isso, ele não quer saber o rosto por trás dela ou o nome, porque está dose facilmente viraria uma overdose. Era palpável a possessividade se concretizando, ele precisa de tão pouco para concretiza-la. 

 

Dava pra sentir pela maneira como o corpo dele sofria com espasmos e arrepios que explodiam como faíscas prontas para um encendido. Ainda dava tempo de controlar o caos e mitigar os danos. Talvez uma pequena catástrofe, ponderada e contida, estabelecida.

 

A boca do dançarino junto com seus quadris estavam dando cada vez mais um show que beirava o voyeurismo. Mas Junmyeon estava ocupado prestando atenção no homem no seu colo para ouvir os gritos da plateia ou se era demais ou não.

 

E era demais, era demais pra cacete. Mas sendo a aberração que era, Junmyeon gosta disso, e diz a si mesmo que poderia colocar isso na superfície, e esconder sua verdadeira euforia pelo mascarado a sua frente abaixo da tensão em ser observado por tantos olhos.

 

Segurando o dançarino pelo queixo o impedindo de continuar a trilha tortuosa em seu pescoço até sua clavícula - em que momento ele tinha aberto os primeiros botões da sua camisa? - aqueles olhos travessos eram nada além de famintos.  

 

Foi como telepatia, e foi assustador. Ninguém que você está desejando como um maldito adicto deveria poder ler sua mente desse jeito. Junmyeon sabia que isso ia destrui-lo, que continuar ia destrui-lo, que o que aqueles olhos estavam dizendo silenciosamente aos dele só ia instiga-lo a mais doses. Era possível sentir aquela ansiedade enjoada antes do pico o atingir e Junmyeon tinha um único segundo pra negar, ele podia negar e correr na direção oposta. 

 

Mas o dançarino levantou e estendeu a mão aberta para Junmyeon pegá-la e sorriu um sorriso bonito como o diabo. Junmyeon podia negar, ele queria negar. Com lufadas de ar, a camisa casual aberta até o terceiro botão deixando seu peito que agora exibia as marcas causadas por aquele bem a frente dele, cabelos escuros desgrenhados do penteado para trás deixando os fios sobre seus olhos, Junmyeon podia dizer que era uma visão e tanto pela maneira como o dançarino o devorava com os olhos famintos.

 

Quando a mão de Junmyeon foi de encontro com o outro, houve uma comoção, todos os espectadores gritaram como se fossem as finais. Quase fazendo Junmyeon esquecer que eles estavam lá pra começar.

 

O dançarino o puxa para atravessar pela multidão que aos poucos voltam a curtir como se nada tivesse acontecido, a mão de Junmyeon queima onde a palma do outro o toca, ele aperta os dedos envolta daquele mão. Ofegante como uma crise de asma, pulmões fazendo o dobro do trabalho mas o ar nunca de fato chegando aos seus sistema respiratório.

 

A ansiedade pareceu ser esvaziada dele como um estouro, de uma vez só. Junmyeon vê uma porta ser aberta enquanto ele é jogado para dentro do banheiro. Rapidamente toda aquela sensação estática antes da picada da agulha foi substituída pela necessidade, pela urgência.

 

O homem à sua frente com um floreio fechou a porta atrás dele, olhos afiados em Junmyeon como o felino em sua máscara. Ele se aproxima um pé à frente do outro, quadris determinados e tudo. Porra.  Ele é cuidado mas mortal. É o zelo antes do ataque.

 

Agora que eles estão frente a frente, agora fica claro a diferença de altura, Junmyeon se infla com o orgulho de ser ele - um homem relativamente baixo - a reduzir o outro em nada só com a ponta dos seus dedos.

 

Talvez mais.

 

Com certeza muito mais.

 

“Gosta do que vê?” Ele pergunta e pela primeira vez Junmyeon ouve de fato sua voz. Ele diz num tom divertido, mas a noite cobrou seu preço, o da dançarino está rouco. Talvez só o cigarro ou a gritaria, talvez as bebidas ou o frio da noite e a pouca roupa. Talvez ele estive de joelhos a frente a outro homem de sorte e deu ao infeliz um pedaço do céu.

 

Junmyeon não deveria estar com ciúmes de suposições do homem que ele vai ficar uma vez e desaparecer. Mas aqui estava ele fazendo muitas coisas que não deveria fazer. 

 

“Gostaria mais se tivesse menos pra esconder.” Junmyeon devolve no mesmo tom, se afastando da parede onde foi encurralado porque não é do feitio dele ser encurralado, Junmyeon prefere encurralar. No melhor sentido da palavra. “Por que você não começa tirando essa máscara para mim?” 

 

Agora é o mais alto preso contra a porta da cabine do banheiro com Junmyeon perto o suficiente pra sentir as notas de pimenta de rosa, bergamota e gerânio do Sauvage que o outro usa. Combina com ele, esta sofisticação magnética e imponência cativante. 

 

“Quer ver meu rosto ?” Ele provoca, sílabas sendo arrastadas para exibir sua língua rosa contra os dentes brancos, tentador e exigente aparentemente. Junmyeon pode ter ganhado na loteria se o que ele tem entre as pernas for grande pra caralho.

 

“Hum, você sabe que sim.” Junmyeon sorri porque ele também sabe ser encantador. Olhando o maior de forma intimidadora mesmo que de baixo. Sua língua passando pela parte interna da bochecha. Mais um tique nervoso do que qualquer outra coisa.

 

É possível ver o dançarino soltar um suspiro que ele disfarçou e muito bem com uma risada. Junmyeon consegue lê-lo como um livro e pode tocá-lo como um artista. Ele o quer, ele o quer muito, é pior quando é recíproco, é tão pior. 

 

É fácil fugir quando é só você em uma crise de abstinência. Mas quando há dois nessa equação, quando há um viciado com outro é infinitamente difícil parar.

 

Junmyeon devia ter ouvido seus instintos, devia ter se afastado, devia ter deixado aqueles olhos afiados e ido embora, talvez, mas como ele podia. 

 

“Eu mostro meu rosto se me dizer seu nome.” Ele praticamente ronrona e todos os alertas de Junmyeon apitam e piscam em vermelho ao mesmo tempo. Se ele não tinha certeza se isso ia dar merda antes ele tem certeza agora. Está na maneira como o outro o atiça e na maneira como ele devora qualquer coisa que Junmyeon dá a ele.

 

Mas nenhum viciado é conhecido por pensar com coesão, e não a nada mais que Junmyeon queria do que ficar chapado entre aquelas coxas.

 

“Suho.” Ele mente, é rápido, saí dele com naturalidade porque este homem não foi o primeiro a pedir tal coisa e tão pouco foi a primeira vez que ele mentiu.

 

“Suho.” Ele ecoa e sorri, puxando Junmyeon pelo pescoço para mais perto dentro daquela cabine, suas bocas se chocam e é adrenalina pura, coisa boa de verdade, não aquela merda sintética. Junmyeon praticamente rosna quando sente o calor e o sabor daquela língua na sua, as suas mãos vão de encontro a cintura do mais alto, onde ele aperta com força na esperança de que seus dígitos deixem marcas para trás.

 

As mãos do outro vão até o cabelo de Junmyeon, bagunçando completamente o resto do seu penteado para trás. Suas línguas se exploram, algo visceral e brutal, tipo de beijo que deixa seus lábios doloridos e você ainda quer mais. 

 

Como prometido, a máscara se vai e Junmyeon é atingido pela maior descarga de adrenalina que ele já sofreu em sua vida metódica.

 

O homem à sua frente é lindo, impossivelmente lindo. Lindo do tipo que tudo o resto parecer escória. Lindo como a última coisa que você vê quando fecha os olhos antes de um orgasmo alucinante te inundar. 

 

Lindo. 

 

Avassalador.

 

Pelo choque ou pelo desejo, Junmyeon paralisa, estático olhando aquele homem, devorando tudo o que seus olhos podem ver. Maçãs do rosto altas, nariz proeminente, mandíbula afiada. Até as malditas sobrancelhas são perfeitas, arqueadas e grossas. Lindo, oh, tão lindo.

 

Observando sua mudança drástica, o homem ri e segura Junmyeon pelas bochechas, sabiamente o ancorando no presente.

 

“Devo ficar lisonjeado?” Ele pergunta e Junmyeon ofega tentando sair de seu estupor. 

 

“Você…” Junmyeon começa, seu coração bate mais rápido, o que é bom, ele finalmente se sente pronto para se mexer, mas é com urgência graças a adrenalina enchendo seu sistema nervoso. 

 

As mãos de Junmyeon encontram a barra da calça que o outro usa e assim ele puxa até despi-lo. 

 

“Eu preciso saber seu gosto.” Ele diz embora sirenes apitem em sua cabeça em vermelho, é tarde demais para se importar. O outro o olha com  olhos escuros enquanto se vira na cabine e se empina. Ele tem a bunda mais espetacular que Junmyeon já viu. Da próxima vez que o ver ele vai estapeá-la até que este homem fique inconsciente. 

 

Mesmo caindo de joelhos a frente dele, Junmyeon se obriga a pensar com clareza, não haverá uma próxima vez. Com esse pensamento rolando em sua cabeça, o Kim aperta aquela nádega saliente com as duas mãos até afastá-las e colocá-lo na boca. 

 

Logo o gosto daquele homem invade seus sentidos. E Deus, Junmyeon vai perseguir esse gosto em qualquer lugar. 

 

Não, porra! É culpa do alcool, sim, só pode ser. Qualquer coisa que possa culpar que não sua perda de controle. 

 

Quando se levanta apressado, passando a língua pelos lábios tentando diminuir a bagunça de seus lábios, ao mesmo tempo que abre a calça com certa urgência. O outro olha por cima do ombro e é com certa gratificação que Junmyeon o vê arregalar os olhos. 

 

“Porra.” Ele diz com dificuldade sem desviar os olhos do membro pulsante de Junmyeon. 

 

“Pede e é seu.” Junmyeon fala um pouco rouco. As mãos suando. 

 

“Oh, por favor, por favor.” O dançarino usa os quadris para pontuar sua urgência. “Me fode.” 

 

Junmyeon morde os labios com força até sentir o gosto de sangue em sua lingua, porra, ele esta tão chapado disso, desse cara que ele nem sente a picasa da dor. De uma vez só ele invade aquele aperto insuportável. 

 

Ambos se acabam com isso, gemem como se o mundo fosse acabar. Talvez vá.

 

Suas mãos percorrem aquela cintura e sobem pelas costas e Junmyeon observa hipnotizado. Músculos rígidos tencionando conforme ele se move mais rápido e saboreia a sensação de alargá-lo. 

 

Incapaz de controlar seus pensamentos de como esse cara é totalmente seu tipo, alto, tão alto e tão destrutivo com só um olhar. O tipo de cara que se vissem os dois juntos diriam que Junmyeon não daria conta. Isso faz algo com Junmyeon porque ele fecha uma mão na ereção alheia e isso quase o faz engasgar. 

 

Ele também tem um pau enorme. 

 

Porra.

 

“Assim, Oh, merda.” O dançarino ofega  jogando a cabeça para trás, rebolando de forma desajeitada. Com puxões certeiros equivalentes a forma que o fode. Junmyeon o provoca com o polegar na fenda sensivel e sorri ao ver ronronar como a porra de uma pornstar.

 

Aquela cabine parece muito menor para eles agora, mas não importa, não quando o cara joga a cabeça para trás e olha Junmyeon nos olhos. Olhos escuros e pupilas tão dilatadas, seria possível? Será que ele também…

 

“Não para, oh, eu vou gozar.” Ele anuncia e Junmyeon sorri como um lunático, seus movimentos se intensificaram mas não muito. Assim, quando aquele corpo bonito treme e o aperta, é quase o suficiente para Junmyeon perder o controle, mas não ainda. 

 

Pressionando o maior na parede, Junmyeon o fode sem piedade, movimentos bruscos e certeiros, que fazem gritar, é lindo. Gemidos sem sentido enquanto seu corpo é rasgado ao meio pela hipersensibilidade. 

 

O dançarino o aperta mais e isso é o suficiente para jogá-lo da borda. Assim, ele sai rapidamente para gozar sobre aquela nádega bonita. Não importando sua vontade de enchê-lo. Ver a bagunça que ele fez também o traz certa satisfação. 

 

“Porra.” O dançarino sorri mesmo estando visivelmente acabado. “Você é incrivel, porra.”

 

Se virando ele segura Junmyeon pelo pescoço e o beija, é bom, Deus, é bom, como tudo nele é. Mais uma vez aquele alarme vermelho toca e agora sem a euforia pré orgasmo para o fazer ignorar, tudo o que ele tem é sua paranoia. 

 

“Vem, vamos voltar.” O homem sorri e segura na mão de Junmyeon que se afasta.

 

“Eu… eu já tenho que ir.” Ele mente.

 

“Sério?” Ele pergunta e ergue uma sobrancelha.

 

“Sim, sinto muito.” Junmyeon se veste de forma apresada.

“Tudo bem. Você pode vir pro meu apartamento se quiser.” Ele pede e Deus, Junmyeon quer isso, porra. Mas não seria prudente, é possível notar só pela maneira como sua boca saliva olhando para ele. 

 

“Na verdade, eu não posso.” Ele mente e sai pior que da primeira vez. 

 

“Sei.” O outro só olha Junmyeon. “Posso ter seu número?” Ele pergunta e isso faz Junmyeon parar e o olhar de volta.

 

“Sei que você só quer mas, porra, eu precisa pedir.” Ha algo em seus olhos que deixa Junmyeon fraco, pronto para se jogar nisso de cabeça e que se foda mas não. Deus, ele não pode.

 

“Me desculpe.” Junmyeon diz numa súplica. 

 

“Não peça desculpas.” Ele sorri e se aproxima, segurando Junmyeon pelo pescoço novamente, o beijando, dessa vez é diferente, é urgente de um jeito triste. “Tchau, Suho.” 

 

Ele diz contra os lábios de Junmyeon antes de eles se afastarem. Quando Junmyeon sai da cabine e caminha para fora da boate, até mesmo quando ele pede um carro para casa, ele ainda pode sentir a pressão daqueles lábios nos seus. 

 

Ele teme que sentira por um tempo. 

 

                                                                     …

 

A abstinência

 

Junmyeon mal dormiu quando chegou em casa. Pouco importou desde que era sexta-feira, na verdade, pela hora, já era considerado sábado. O que era bom. Ele teria o final de semana para descansar.

 

Exceto que não era uma ressaca que assolava Junmyeon. Não era boca seca, enxaqueca ou estômago embrulhado. Era diferente, e ele conhecia muito bem. Mãos trêmulas, pele suada e quente. Não, não é uma ressaca o que Junmyeon tem, mas abstinência.

 

Aquele homem vai assombrar Junmyeon para sempre, vai arruinar qualquer outra pessoa que um dia Junmyeon viria a encontrar. Por ele o quer. O quer tão desesperadamente. 

 

Como sabia que era isso o que ia acontecer, Junmyeon calculou precisamente seus passos. Primeiro ele saiu sem dar seu número ou qualquer rede social. O nome falso não levará o outro homem até ele. O que é bom, sim.

 

Sim.

 

Mesmo que não se sinta bem, Junmyeon sabe que foi o certo. Consequentemente ele não sabe o nome daquele dançarino, não sabe seu telefone ou qualquer coisa sobre ele. É como deveria ser.

 

Respirando aliviado, grato por ter sido racional Junmyeon tenta relaxar, sua obsessão vai arder, oh, como vai, mas assim como começou vai terminar. Longe dos olhos longe da mente.

 

E é isso o que Junmyeon precisa. Ele precisa de espaço. O maior espaço que conseguir entre ele e o dançarino bonito. Mesmo que quisesse Junmyeon não tem nada sobre ele…

 

Junmyeon se sente na cama num pulo. Ofegante e desesperado como só malucos são. Não é verdade, ele sabe uma coisa sobre aquele homem. 

 

Se levantando indo até a mesa de cabeceira e apanhado o celular com urgência, ele digita no navegador o nome daquela boate. Aquele homem trabalha lá, não trabalha? 

 

Sentindo o coração bater desesperadamente com adrenalina, Junmyeon vasculha, e vasculha. Ele encontra as redes sociais da equipe da boate, mas não a do homem que ele procura.

 

Nenhuma foto mostra um homem com olhos de felino e sobrancelhas arqueadas. 

 

Depois, Junmyeon começou a procurar entre os seguidores das contas dos funcionários. Mas nada. 

 

Isso deixou sua boca com um gosto amargo. Mesmo que ele continuasse a dizer a si mesmo que foi pra melhor. 

 

O final de semana foi terrível. Horrível.

 

A segunda-feira não seria melhor, mas Junmyeon ainda não sabia disso.

 

Quando se levantou às 5h30 daquele dia, ele fez o possível para não transparecer. Cobriu suas olheiras e penetrou o cabelo para trás. Se serviu uma xícara de café preto e quando foi colocar açúcar ele dispensou. Fez tudo o máximo possível para se mascarar. Para esconder como ele já estava em abstinência.

 

Até os chicletes de nicotina ele tentou. Então quando entrou no carro e dirigiu até o prédio comercial ele estava realmente bem. Suas mãos já não tremiam tanto e ele se culpava por não ter comido.

 

E que se dane os omeletes e avocado. Ele queria algo substancial, um exagero provavelmente. Mas Junmyeon nunca foi bom em ser coerente. 

 

Estacionando e subindo pelo elevador ele conseguiu colocar uma expressão passível no rosto. Preparando a resposta ‘tranquilo e monótono’ na ponta da língua para quando perguntarem de seu final de semana. Talvez a resposta sai com mais naturalidade. 

 

Se você considera se masturbar cinco vezes no chuveiro tranquilo e monótono.

 

Junmyeon acha deprimente.

 

Como esperado, é a primeira pergunta que a recepcionista o faz quando as portas do elevador se abrem.

 

“Senhor Kim, bom dia. Como foi o final de semana?” Jun Ho pergunta sorrindo, distraída com uma pilha de papéis.

 

“Tranquilo.” Imagens de costas contra parede de uma cabine qualquer de um banheiro invadem a mente de Junmyeon, regadas aos sons que eu aquele homem fez. “ Nada demais, monótono.” Ele mente sorrindo, se sentindo sujo.

 

“Ah, que bom. Deu para descansar então? “ A mulher larga a pilha de papéis e olha Junmyeon diretamente nos olhos. 

 

“Oh, sim.” Sentindo as palmas das mãos começarem a suar Junmyeon força outro sorriso pronto pra desaparecer em sua sala quando é interrompido.

 

“Ah, senhor Kim, o senhor Oh te aguarda na sala dele. “ Jun Ho o alerta e Junmyeon quase deseja poder desmaiar. Sim, ele se lembra vagamente de Seon explicando que seu filho logo completaria vinte e um anos e como tal ingressaria na empresa. 

 

Isso afetando Junmyeon diretamente para ser seu tutor enquanto ensina o ofício ao garoto. Ele com certeza não tá pronto pra isso hoje. Em qualquer outro dia ele aceitaria sem pestanejar, mas hoje, Junmyeon acharia mais agradável arrancar uma de suas orbes oculares.

 

Ele agradece Jun Ho por lembrá-lo e se direciona a sala de Seon. Ele não bate, já que ele e o Oh não tem uma relação de formalidades a muito tempo, ao que ele é grato. 

 

Oh Seon foi seu chefe quando Junmyeon entrou nesta empresa tantos anos atrás depois de se formar na faculdade, rapidamente cresceu aos olhos do homem que viu potencial em Junmyeon. Hoje como seu sócio, ele são bons amigos.

 

“Oh, você chegou.” Seon diz se levantando da cadeira de couro marrom atrás de sua mesa, ele parece agitado.

 

“Sim, me atrasei? O trânsito tava um caos, não sei porque ainda insisto em dirigir.” Ele sabe, ele sabe muito bem. Foram anos andando de trem e transporte público até finalmente conseguir seu carro, Junmyeon ficaria cinco horas no trânsito se isso significasse estar dentro do próprio carro.

 

“Não, não. Eu confesso que estou um pouco fora de mim.” O homem sorri e Junmyeon arqueia as sobrancelhas sorrindo de volta. “Como você sabe, meu filho Sehun acabou de completar vinte e um e eu quero que ele comece a participar do negócio de família.

 

“Sim, de fato.” Ambos se sentam. Seon em sua cadeira imponente atrás da mesa e Junmyeon a sua frente.

 

“Você entende essa empresa melhor do que ninguém, não existe outra pessoa que eu confiaria estar duas coisas.” Não era pra Junmyeon se sentir pressionado mas ele se sente. “Sehun é… um pouco imprudente.” 

 

Ele quer dizer desinteressado. Sim, que filho de puta rico se interessa por como os negócios da família funcionam.

 

“Tenho certeza que você, com sua origem humilde, vai conseguir fazê-lo entender.” Junmyeon força um sorriso a Seon, um sorriso dolorido. Humilde, não há humildade na origem de Junmyeon, não há humildade em como ele se rastejou para o topo. “O garoto só precisa de uma inspiração, eu tenho certeza.” 

 

Junmyeon afirma, ainda com o sorriso duro em seu rosto. 

 

Há um barulho e a porta se abre, Junmyeon não tem tempo de se virar.

 

“Você está atrasado.” Seon diz, irritado mesmo que seja um tom que Junmyeon sabe ser fingido. 

 

“Eu sei, me desculpe pai.” Tem algo naquela voz que faz Junmyeon se virar imediatamente, sem esperar ser apresentado. 

 

Atrás dele, oh , o objeto de toda sua adoração obsessiva. Ali, parado na porta. É possível ver o momento em que a percepção atinge aquele rosto impecável, fazendo-o sorrir ainda tão bonito quanto um diabo.

 

“Ok, ok. Mais cuidado da próxima vez.”. Seon diz se levantando. “Sehun, este é…” 

 

“Suho.” Sehun, Sehun , o interrompe e tudo o que Junmyeon consegue fazer é mostrar os dentes num rosnado mudo, o sorriso de Sehun só parece aumentar.

 

“Perdão, vocês já se conhecem?” Seon pergunta com clara confusão ao que os dois respondem ao mesmo tempo.

 

“Sim.” Diz Sehun.

 

“Não.” Diz Junmyeon. 

 

A expressão de Seon era ainda mais confusa. Junmyeon se levanta, seus olhos fuzilando - ou talvez mais - o outro a sua frente sorrindo como o felino que é.

 

“Receio que ele tenha me confundido, tenho um rosto muito comum.” É a primeira coisa que vem na cabeça dele e parece fazer todo o sentido já que Seon afirma e caminha em direção ao filho. 

 

“Bem. Então, agora que já fomos apresentados, podemos pular toda a parte chata de iniciamento. “ Seon caminha até sua mesa novamente, se sentando e deixando os outros dois à sua frente, mas infelizmente longe de sua total linha de visão. Embaixo da mesa, Sehun, o demônio que é, coloca sua mão sobre a coxa de Junmyeon, arrastando seus dedos pela parte interna da coxa, indo em direção ao local que ao mesmo tempo ele o quer que toque e não. “Sehun está a poucos meses de se formar, e como seu aniversário de vinte e um foi neste final de semana, isso o oficializa na empresa.”

 

Seu primeiro instinto é ficar rígido e fechar a cara ainda mais, tentando com tudo o que tem não transparecer sua irritação e céus, seu desejo óbvio. O segundo é agarrar o pulso de Sehun o impedindo de continuar. 

 

“Certo.” Junmyeon diz mais duro do que pretendia. 

 

“Fale para ele Sehunnie, conte como você foi o destaque da turma.” Seon diz orgulhoso, embora Junmyeon queira perguntar se o pai ser tão rico não ajudou tal feito do garoto. 

 

“Ah sim, eu aprendo muito rápido.” Sehun diz, seus olhos afiados parecem despir Junmyeon só com uma olhada. “Principalmente com o professor certo.” Sua mão se força novamente contra o aperto da de Junmyeon, mas a briga silenciosa dura pouco, desde que ele só queria pontuar sua provocação. 

 

Sua voz carrega uma sugestão óbvia, talvez não tão óbvia assim, já que o homem mais velho parece não notá-la. 

 

“Imagino.” É tudo o que deixa os lábios rígidos de Junmyeon num sorriso congelado e forçado. Seu desconforto parece divertir Sehun desde que ele sorri tão satisfeito, um mísero vislumbre daquele cara fantasiado que acabou com Junmyeon no banheiro de uma boate. 

 

“Certo. Então, comece com o básico. O introduza aos funcionamentos, os gráficos e o fluxo de clientes.” Seon diz distraidamente mexendo em uma pilha de papeis. Em baixo da mesa, Sehun e Junmyeon continuam naquela batalha silenciosa e um tanto ridícula. O outro o aperta de forma obscena quando seu pai cita a palavra ‘introduza’. É o suficiente para Junmyeon se levantar num pulo. Deixando os dois homens olhando para ele, um deles um tanto confuso e o outro com falsa inocência. 

 

“Sim senhor.” Ele diz rapidamente, num fôlego só. “Se me der licença, senhor.” Junmyeon não sabe como Seon não achou nada fora do usual. Nunca Junmyeon o chamou de senhor, e nunca duas vezes na mesma frase. 

 

O homem afirma voltando sua atenção à papelada, o que fez Junmyeon se virar para sair correndo, quando sua mão mal toca a maçaneta, Seon fala novamente. 

 

“Leve Sehunnie com você.” 

 

Se virando devagar até encontrar o homem em questão já olhando para ele como o felino que é. Tudo o que Junmyeon consegue dizer é um xingamento baixinho, abrindo a porta para que ele e Sehun pudessem sair do escritório de Seon juntos. 

 

Ele caminha em silêncio até a porta de seu próprio escritório. Sehun por algum motivo também segue em silêncio. 

 

Basta a porta de madeira polida se abrir e ambos entrarem e a mesma se fechar para Sehun agarrar Junmyeon que atordoado ou por falta de controle se deixa ser beijado. 

 

É ainda mais urgente e intenso que aqueles trocados no banheiro naquela sexta feira. Embora os lábios de Sehun não tenham gosto da cerveja como naquela noite, ainda é familiar aquela boca, aquela língua. 

 

Só uma dose, Junmyeon diz a si mesmo sentindo as mãos grandes deslizando por seus ombros até pressioná-lo contra a porta do escritório com um baque não muito suave. Isso o aterriza no momento, no momento em que ele é um subordinado no trabalho se agarrando com o filho do seu sócio e não em uma de suas noites de diversão se pegando com o cara mais gostoso que ele conseguir achar.

 

Assim ele afasta Sehun com as duas mãos contra seu peitoral rígido e tão quente. Era possível sentir a pulsação acelerada daquele coração através do tecido e dos músculos, mas Junmyeon ignora isso. 

 

Sehun cambaleia para trás, olhos escuros e lábios vermelhos inchados e molhados, puta que pariu, Junmyeon poderia devorá-lo. 

 

“Estive pensando em você o final de semana inteiro.” Sehun diz, sua voz sai rouca graças a tensão em sua garganta. Junmyeon sente as próprias mãos começarem a suar. Ele morde a língua para não se deixar confessar que, Deus, ele também. “Prrrrrrrrrrrrrr” Ele faz aquele ronronado que atormentou Junmyeon o final de semana todo. 

 

“Escute, não sei o que você acha que está fazendo, mas o que aconteceu naquela noite foi só isso, só uma coisa de uma noite.” Junmyeon diz sério, embora sinta sua testa um pouco mais quente do que alguns instantes antes.

 

Sehun revira os olhos e Junmyeon gostaria de estapeá-lo naquela bunda gostosa que ele tem, o pensamento o deixou com a testa e o pescoço úmidos, oh não. Já estava começando. 

 

“Como você pode ser filho de Seon? Deus, como eu não percebi, eu sou tão idiota.” Junmyeon esbraveja mais para si mesmo. 

 

“Hum, você tem que conhecer minha mãe.” Sehun sorri ganhando um olhar feio de Junmyeon.  “Não precisa ser tão sério sobre isso, Suho.” Sehun se aproxima devagar e tudo o que ocorre a Junmyeon é recuar para trás ficando encurralado contra a parede que minutos antes Sehun o prendeu, pensar nisso também não o ajudou em nada.

 

“Não me chame assim.” Ele rosna porque ainda tem um pingo de dignidade.

 

Sehun sorri como se tudo isso fosse divertido, ou até mesmo cativante. 

 

“Ah, eu posso te chamar como você quiser.” Ele se aproxima e Junmyeon pode sentir uma ansiedade que precede a antecipação da picada. Um viciado com o deslumbre da sua droga favorita tão perto. 

 

“Chega.” Ele praticamente cospe e caralho, ele não se reconhece. Finalmente isso parece alertar o homem que se afasta um tanto ofendido. 

 

“Bom, você vai aprender que eu sou mais difícil de esquecer do que de resistir..” Ele diz com desdém embora Junmyeon possa dizer que é fingido. E quando sai, ele olha uma vez por cima do ombro, só para contemplar Junmyeon em sua miséria. 

 

Mesmo quando o outro sai, já é tarde demais. É possível sentir os sintomas da abstinência o tomando pouco a pouco. Ele fodeu tudo. Começa devagar, como sempre começa. É como termina que assusta Junmyeon. 

 

Ele encara suas mãos trêmulas, o suor já frio sobre sua pele ligeiramente aquecida. Seu corpo inteiro desejando aquele toque, formigando onde Sehun o tocou. É loucura. Junmyeon precisa se afastar daquele homem, mitigar os danos e correr na direção oposta. 

 

Com esse pensamento em mente ele caminha até sua mesa e começa seu trabalho, o melhor que sua mente dispersa o permite. Os formulários são fáceis de responder, mesmo com ele no modo automático. 

 

Parando com os dedos ainda espalmados na teclas do teclado, ele lembra como foi tocar Sehun e isso quebra sua postura. Assim ele precisa sentar direito na cadeira e um suspiro deixa seus lábios. Garganta fechada e a sensação de sufocar. Então ele abre o primeiro botão da camisa e desafrouxa a gravata. 

 

Em apenas um dia, Sehun já começou a arruinar sua imagem no trabalho, o sentimento não é bom. A cadeira parece desconfortável, a camisa parece grudar em suas costas e a sala parece muito mais quente que o normal. 

 

Ainda com a garganta seca ele pega a xícara na mesa, só para perceber que ela está vazia. Suspirando mais uma vez ele se levanta, e sai da sala, caminha pelo corredor de portas e enormes paredes de vidro que dão diretamente para o centro de Seul. O bebedouro fica em uma área aberta, dando visão as janelas, os escritórios fechados e a sala de reuniões com paredes de vidro. A sala geralmente fica vazia, mas hoje não é um dia usual. Lá, está Sehun, é claro, com um dos estagiários incompetentes que esta empresa tem aos montes. Mas também não é isso que chama a atenção de Junmyeon. 

 

É a proximidade com que estão sentados, rindo, cochichando e Deus, Junmyeon não deveria estar com ciúmes, mas está, ele não devia atravessar o corredor e ir até lá mas ele vai. 

 

Quando chega próximo o suficiente para ser notado, os dois param e os olhares que Junmyeon recebe são um tanto distintos. O do estagiário - Minho - é puramente apavorado, é bom ele estar mesmo. Enquanto o de Sehun, ah, o de Sehun é tão intenso como todas as outras vezes que seus olhos ousaram se encontrar. 

 

É quase o suficiente para pedi-lo para não olhá-lo assim. 

 

Parando a frente da enorme mesa de madeira com as mãos para trás.

 

“Então, eu devo presumir que o relatório que você devia ter me mandado ontem já está pronto, senhor Choi?” É possível ver o momento em que o rapaz perde a cor de seu rosto. Junmyeon se orgulha um pouco disso. 

 

“Ahm… não senhor.” Choi começa só para Sehun o interromper. 

 

“É provavelmente culpa minha.” Ele começa, olhando para Minho antes de se virar para Junmyeon. “Ele precisou me ensinar desde que, meu professor designado estava ocupado.” 

 

Junmyeon limpa a garganta desviando os olhos do homem à sua frente. 

 

“Acontece que nem todos têm tempo livre para…” Junmyeon começa mas Sehun o interrompe. 

 

“Para inspecionar o trabalho dos outros, imagino.” 

 

Isso arranca os olhos do Kim de volta para ele, Sehun tem uma expressão prepotente no rosto. Aquele provocador, Junmyeon devia…

 

“Este tipo de comportamento não o levará a lugar algum nesta empresa.” Junmyeon diz invés de mencionar o que suas mãos deviam fazer com aquela bunda. 

 

“Hum, não imagino que meu comportamento importe muito desde que meu pai é o dono.” Sehun diz de forma inocente, se é que tal provocação pode ser interpretada assim, mas seus olhos despejam o veneno que seus lábios mascaram mal.

 

Junmyeon suspira de forma exagerada, umedecendo os lábios em um gesto nervoso inconsciente. Ao lado, Minho olha de um para o outro, sua preocupação estampada em sua cara. 



Encarar aquele rosto bonito com irritação exagerada não é o suficiente. Sehun parece apreciar isso, parece se deleitar com a atenção de Junmyeon. 

 

Antes que perca o controle ou pior, o Kim se vira para o subordinado, forçando um sorriso que ele sabe que é mais atormentador que tranquilizador. 

 

“Sugiro que volte para sua sala e termine aquele relatório antes do final do seu expediente, pelo seu próprio bem.” O estagiário afirma um ‘Sim senhor.’ enquanto recolhe suas coisas e sai mais que feliz em deixar aquela discussão em potencial para trás. 

 

Sehun a sua frente sorri como o felino mascarado que Junmyeon conheceu. Cruzando as pernas de forma desleixada mas nada ocasional. Ele sabe, oh, e sabe bem o que está fazendo com Junmyeon. 

 

“E eu, Suho? O que devo fazer pelo meu próprio bem?” Ele provoca, é claro que provoca. Junmyeon devia… 

 

“O que eu disse sobre dizer este nome aqui?” Junmyeon rosna, olhando ao redor das paredes de vidros, observando se alguém está passando e pode os ver ali. 

 

“Qual o problema? Tem medo de invocar os fantasmas do que você faz no seu tempo livre como qualquer um?” Sehun se senta direito, usando as pernas para guiar a cadeira um pouco para frente, assim deixando Junmyeon entre suas coxas. “Ou é o receio de que alguém que você partiu o coração te reconheça?”

 

Junmyeon não consegue desviar o olhar daquelas pernas, o calor irradia e é quase possível sentir o consumindo, quase.

 

Com um passo para trás, obrigando seu cérebro a pensar com clareza, Junmyeon se afasta. 

 

“Não fale do que você não sabe.” Ele cospe. 

 

“Eu consigo te ler como uma maldita revista, Suho.” Sehun se levanta e tudo o que Junmyeon faz é olhar para ele como um predador. “ Você pensa que eu sou só um garoto rico e mimado mas eu sou muito mais do que isso, você é muito mais do que isso.” 

 

Sehun caminha até o prender contra uma das paredes de vidro. Seria tão fácil só se deixar ir, tomar dele como sua bebida favorita, dose após dose até se encher dele, até se esvaziar de tudo o que Junmyeon se prende e se encher de Sehun. 

 

Seria tão fácil ficar obcecado por ele até nunca conseguir o suficiente. Era só esticar a mão, era só pegar. Ofegante e sentindo os tremores típicos junto aos arrepios, Junmyeon se afasta. Se ele estivesse mais lúcido poderia jurar que o rosto de Sehun é tomado por desapontamento. 

 

“Eu sei que para você deve ser só mais um jogo, mas para mim é minha vida inteira.” Junmyeon diz com dificuldade, a boca insuportavelmente seca de novo, Sehun parecendo ser a única água que satisfaria esta sede. 

 

“Tudo bem, eu sou um menino muito paciente.” Sehun diz, o olhando de cima a baixo antes de se retirar, parecendo que levou todo o ar da sala com ele, obrigando Junmyeon a abrir mais um botão da camisa social e se abanar, sentindo suas costas encharcadas de suor. 

 

É preciso mais de um minuto para ele poder dizer que está recuperado. Quando saí da sala de reuniões é para ir direto ao escritório, pegar a carteira e chamar o elevador. 

 

Só há um jeito de fazer isso, na primeira tentativa de apertar o botão do térreo, as mãos trêmulas de Junmyeon erram o botão e ele xinga baixinho. Quando finalmente consegue, o elevador se fecha, só para se abrir no andar de baixo e se encher de outros funcionários. 

 

O espaço limitado fica insuportavelmente apertado. Junmyeon aperta os olhos, sentindo um enjoo se aproximando. As pessoas conversam alheias ao sofrimento interno de Junmyeon. Alguns que o conhecem puxam assunto, ao que ele tenta sorrir sem mostrar os dentes e responder de forma amigável, mas seu cabelo grudando na testa o diz que ele é um péssimo ator. 

 

“Você está bem?” Pergunta o cara do market - Jongdae, se Junmyeon ainda consegue raciocinar - com um olhar questionador no rosto.

 

“Ah, sim, acho que peguei um resfriado.” Ele mente, mas como poderia falar a verdade? 

 

“Hum, sinto muito, é este clima. Acontece o mesmo comigo com essas mudanças de temperatura. Eu costumo usar um remédio muito bom, posso te indicar, Você conhece aquela farmácia no quarteirão?” Jongdae não cala a boca, em um momento Junmyeon só parou de ouvir e responder e o cara nem percebeu. O elevador estava mais quente e o solavancos de parar e andar estavam transformando o enjoo em ânsia. 

 

Respirar fundo só piorava tudo, fazia Junmyeon ficar consciente de como ele estava com calor, com um arrepio o atingindo no meio do estômago. Até a junção dos perfumes e colônias estavam dando uma enxauqeca. Mais um segundo disso e ele certamente iria perder a cabeça. 

 

Quando o elevador se abre,  Junmyeon se joga para fora, sem nem mesmo pedir licença. Ganhando alguns olhares feio que ele não consegue ligar o suficiente agora. 

 

Acontece que ele realmente vai até a farmácia que Jongdae menciona, uma pena que o antídoto para o que ele tem não se venda. Invés disso ele pega uma caixa de adesivos de nicotina. Abrindo assim que a máquina apita o aprovado. 

 

Ele costumava usar na faculdade, principalmente quando começou a namorar. Depois virou uma ação um tanto corriqueira. Ajudava  com os sintomas de forma mais rápida. Desde que ele não tem tempo para se hidratar ou se exercitar. Se fosse final de semana ele certamente poderia tomar alguns comprimidos para dormir e acordar quando tudo isso passasse

 

Colando o adesivo no braço, abaixando a manga e guardando a caixa no bolso do sobretudo marrom. Seria perfeito se o efeito fosse imediato, mas como não é, Junmyeon perde mais um minuto caminhando de volta só para respirar o máximo que consegue. 

 

Alguns chamam isso de doença,  predisposição genética. Junmyeon só chama de contratempo insuportável. 

 

Não é sempre que acontece, geralmente ele controla para não acontecer. Quando pode se sentir ficando obcecado por alguém é mais fácil se afastar. O que os olhos não veem, é o que ele sempre diz. 

 

A última vez foi ruim - todas foram, ninguém gosta de saber que tem um adicto em amor obcecado por eles - aconteceu por uma cara que trabalhava na cafeteria da faculdade. Começou com Junmyeon indo de todo dia para de hora em hora na cafeteria para o perseguir pelo campus. 

 

Como qualquer vício, Junmyeon gosta disso mesmo sabendo como é prejudicial. Dessa vez ele não pode fugir, não pode recomeçar. Ele batalhou muito para chegar onde chegou. Moldou sua vida para ser seu trabalho e assim negligenciou todo o resto dos aspectos dela. 

 

Achou que se deixasse seu foco em sua carreira, não aconteceria de novo, achou que se esporadicamente se permitisse encontrar alguém casualmente ficaria tudo sobre controle.

 

Mas Sehun aconteceu, e como Junmyeon deixou isso acontecer? 

 

Como ele poderia não deixar acontecer? 

 

Se fosse em outro momento, se fossem em outras circunstâncias, talvez. 

 

Fechando os olhos com força, sentindo os fantasmas dos beijos molhados de Sehun em sua pele, seus corpos entrelaçados enquanto eles se devoravam. 

 

“Ele vai ser meu fim.” Junmyeon fala para si mesmo suspirando, decidindo que é hora de voltar.

 

O caminho de volta é mais suportável do que o da ida. Junmyeon se sente como um vislumbre dele mesmo. Comprimenta as pessoas, puxa assunto e é simpático. Quando saí do elevador ele corre até a própria sala, evitando sequer pensar em encontrar os donos de um certo par de olhos intensos. 

 

Assim, um pouco renovado, Junmyeon consegue ser um pouco mais produtivo do que pela manhã. Engatando até final do seu expediente conferindo os clientes e estipulando  valores e campanhas. Quando dá 18h ele mal pode acreditar em como o dia passou rápido.  Reunindo suas coisas e planejando sair tão rápido como voltou, evitando esbarrar em Sehun. 

 

Ao abrir a porta, é a primeira coisa que acontece. 

 

“Senhor Kim, eu estava te esperando, eu gostaria de agradecer pelo seu treinamento. Você é realmente um professor excepcional.” Junmyeon pisca atordoado, Sehun deposita uma mão em seu ombro e  joga a cabeça sutilmente na direção da porta aberta onde Seon os observa.

 

Pode se falar muito de Oh Sehun, mas ele é um bom ator maldito. 

 

“Não há motivo para isso, você é um… um aprendiz excepcional.”  Ele se atrapalha mas consegue dizer, Sehun sorri com a sugestão e se aproxima um pouco demais. 

 

insuportavelmente perto. Tão perto que Junmyeon consegue sentir o perfume que ele usa e se embriagar nele. 

 

“Espero que amanhã seja tam bom quanto hoje. Suho.” Sehun sussurrou o nome e seu sorri provocador adorna seus lábios bonitos. 

 

“Eu juro por Deus.” Junmyeon sussurra um aviso, fechando os olhos com força.

 

Sehun se afasta mordendo os lábios de um jeito que devia ser criminoso. 

 

Assim que Sehun some de vida Seon toma o lado de Junmyeon, alheio a toda a confusão que o filho causou. 

 

“Estou impressionado, Junmyeon.”

 

“Não há motivo para isso.” Junmyeon repete e por Deus, é verdade. Como Sehun aprendeu e entregou algo que presta, ele não sabe. Choi Minho não é tão capaz assim para tais elogios. 

 

“Espero que o garoto não tenha te causado problemas.” Seon comenta fazendo Junmyeon querer gargalhar. 

 

“Não.” Ele mente e Seon afirma se afastando também. 

 

“Te vejo amanhã, descansa, tu parece acabado.” 

 

Isso também faz Junmyeon querer gargalhar. 

 

                                                                  … 

 

A noite seguiu tão insuportável como o dia. Junmyeon vai dormir depois de um copo e meio de whisky, já que o remédio para dormir não era aconselhável. Era melhor uma ressaca do que perder o horário amanhã. 

 

Ele se deitou já esperando um sono turbulento, suor e fadiga pela manhã. Bom, ele ganhou isso, mas não esperava sonhar e não imaginava que se sonhasse sonharia com Sehun.

 

Sehun e suas coxas, Sehun e seu olhar intenso e afiado, Sehun e seus sons suaves e lascivos, Sehun e seu gosto. Sehun de todos os jeitos que Junmyeon o quer, em todos os lugares que o poder ter.

 

Contra a porta em um banheiro qualquer, contra a mesa de seu escritório, na sala de conferências com as cortinas abertas, no elevador, no carro a caminho de casa, em sua cama a noite inteira e parte da manhã. 

 

Quando acordou, Junmyeon se sentia completamente molhado de suor, não mais em lugares específicos, ele estava coberto por uma fina camada de suor. Se fosse só isso ele ainda podia se agarrar a sua dignidade mas ele acordou duro, duro como uma maldita pedra. Tão duro que a mera camada de tecido da boxer que ele usou para dormir já criava um atrito sensível que o faz se contorcer. 

 

Ele não pode se livrar disso, somente uma coisa - alguém - iria vir a sua mente, e por Deus, pensar é tão ruim quanto fazer. Invés de lidar com a dolorosa ereção, ele vai pro banho, do tipo gelado que dura mais de quinze minutos. Quando saí, Junmyeon se sente esgotado, mentalmente e fisicamente. 

 

Poderia ligar para Seon e falar que não poderia ir hoje, o próprio homem viu como JUnmyeon estava acabado, até o maldito cara do marketing notou. Mas ele só conseguiria um ou dois dias de licença. E depois? Sehun ainda estaria lá e ele ainda teria que lidar com isso. Então Junmyeon decide formular um plano. 

 

Um que faça sentido. 

 

Um que ele consiga cumprir. 

 

A primeira coisa que lhe vem à cabeça é ignorar Sehun, acabar com o que quer que esteja acontecendo entre eles. E depois, espera essa obsessão passar. 

 

Sim, é um plano de merda, mas é o que ele tem e bom, ele vai com isso. 

 

Junmyeon se arruma como normalmente faz. Terno, camisa, gravata, sapato de couro e um sobretudo. O cabelo penteado para trás mesmo que ontem ele tivesse caído sobre a testa por causa do suor. 

 

Antes de sair, ele coloca um novo adesivo de nicotina no antebraço, e assim ele termina de se arrumar. Pegar o trânsito não é terapêutico, na verdade nunca é, mas ele se agarra a mecanicidade. O acelerar, o desacelerar. Se faz presente ali e naquele momento o maximo que o volante o permite. 

 

Estacionar e pegar o elevador é menos automático que dirigir.  Pensamentos ansiosos o toma, e ele se pega começando a suar, porra, e o dia mal começou. 

 

O elevador está agradavelmente vazio, só ele é uma garota da contabilidade. Jisoo, se ele se recorda bem. Ele está apertando o botão de fechar quando alguém o alerta para segurar, por instinto o faz, só para ser saudado com notas de pimenta e bergamota do Sauvage de Sehun. 

 

“Obrigado.” Sehun sorri se virando e ficando ao lado de Junmyeon, isso deixa Jisoo a frente deles e de costas. Parece o pior dos cenários. 

 

Junmyeon olha para cima e aperta os olhos, tentando não respirar, mas é inútil, Sehun se aproxima, é quase o suficiente para Junmyeon desistir ali mesmo. 

 

“Sonhei com você a noite toda.” Sehun confessa num sussurro. 

 

Oh Deus.

 

“Agora não.” Junmyeon sussurra e disfarça limpando a garganta. As mãos do outro se fecham em sua cintura e Junmyeon se vê olhando feio para Sehun, como um aviso mas parece mais uma promessa. 

 

“Diga que não sonhou comigo também.” Sehun fala mais perto do pescoço de Junmyeon, ele é tão alto, isso afeta Junmyeon mais do que ele gosta de admitir. ‘“Diga que eu não estou te assombrando como você me assombra.”

 

Ele sussurra e beija suavemente o pescoço já quente de Junmyeon. As mãos fechadas com força na alça da maleta que ele segura, até os nós dos dedos ficarem branco. Não lhe traz alívio, o único alívio que suas mãos teriam seria estapear a bunda e coxas de Sehun até o entorpecer. 

 

Não há tempo para responder - mesmo que houvesse, não há o que Junmyeon pudesse responder - pois a porta do elevador se abre, e o Kim é grato e infeliz na mesma medida. Ele sai do elevador correndo deixando para trás o tormento em pessoa, e só pára quando está sozinho em seu escritório. 

 

“Porra!” Ele grita encarando sua mão trêmula, só para jogar a pasta no chão. Não é o suficiente para aliviar sua frustração, assim ele praticamente arranca o sobretudo já se sentindo super aquecido, arregaçando as mangas e colocando outro adesivo de nicotina ao lado do primeiro. 

 

Maldito Sehun. 

 

Quando termina, ele joga a cabeça para trás, até bater na parede e fecha os olhos. Não há alívio, não tão rápido como um cigarro, mas ele parou de fumar a anos. A ideia de voltar parece convidativa. Derrotado, Junmyeon vai até a sua mesa, ligando o computador, só para encontrar em sua agenda uma nova nota ‘reunião às nove’.

 

Junmyeon suspira e desaba na cadeira. Vai ser um dia longo.

 

Em seu estado atual ele mal conseguiu fingir produtividade. Invés disso, ele começou e recomeçou um documento vezes o suficiente para ele perder a conta de quantas vezes fez isso. 

 

A fadiga trouxe também uma dor nas articulações que o fazia ter que se mexer a cada quinze minutos. Deus, é um pesadelo. 

 

Quando falta pouco para as nove ele toma coragem para sair da sua sala. Embora ele possa não responder por si mesmo se Sehun o provocar novamente. Ele caminha como um fugitivo até o bebedouro. Enchendo um copo com água e bebendo lascivamente. Alguns dos funcionários já estão entrando na sala de reuniões, Junmyeon preferia cair morto agora mesmo. 

 

Sem opção ele caminha e se senta no lugar ao lado de Seon, todos estão conversando e interagindo, isso dá a ele um minuto para tentar se recompor. 

 

“Deus, Junmyeon. Você está ainda pior do que ontem.” É Seon, com isso todos param de conversar  e se voltam para ele, perfeito. 

 

“Sinto que peguei um resfriado.” Com nome e sobrenome e coxas malignas. 

 

“Me avise se precisar de uma folga, sim?” Seon diz, com um aperto simpático no ombro de Junmyeon, ao que ele afirma e sorri sem mostrar os dentes. 

 

Quando o homem está pronto para começar a reunião a porta se abre, e é claro, Sehun entra.

 

“Desculpa a demora.” Sehun diz, o que ganha uma bronca de Seon que Junmyeon não ouve porque atrás de Sehun, também atrasado está Choi Minho. 

 

Automaticamente Junmyeon se senta reto com uma cara fechada. Sehun se senta exatamente ao seu lado. O Kim tenta, céus, como tenta, mas algo nisso é mais forte que ele. 

 

“Está se atrasando com o estagiário agora?” Junmyeon pergunta baixo, num tom grave com os olhos focados a sua frente onde Seon começa a apresentação. 

 

“Não sabia que você se importava, Suho.” Sehun devolve e por tudo o que é sagrado a vontade de Junmyeon é agarrá-lo agora mesmo a frente de todos, ele até gostaria da plateia. 

 

“Você não presta.” É tudo o que Junmyeon consegue dizer entre dentes. 

 

“Oh, você não imagina o quanto.” Sehun devolve sorrindo e com isso sua mão agarra o joelho de Junmyeon que se sobressalta pela primeira vez encarando o Oh. Seu olhar é cruel, é uma advertência, é um aviso mas Sehun parece gostar disso, pois move a mão mais para cima. 

 

O que obriga Junmyeon a agarrar a sua mão na tentativa de o imobilizar. 

 

Isso parece ser exatamente o que o Oh queria, ele sorri como o gato que pegou o creme. A batalha silenciosa sobre a mesa parece um dejavu esquisito. E tão necessitado de Sehun como está, esse mísero toque o deixa chapado. É só um toque, ele merece.

 

Sehun se inclina em um momento, deixando o ombro colado com o de Junmyeon, seus dedos ainda entrelaçados em uma queda de braço diferente. Junmyeon é fraco, tão fraco, seja sua mão trêmula, seja seu juízo ou qualquer que seja o culpado, ele deixa Sehun o tocar. 

 

É um aperto na coxa, só isso, ele diz a si mesmo. Só isso. 

 

Os dedos grandes de Sehun são quentes e sua palma firme. Ele segura apenas o suficiente para doer antes de devagar se mover.

 

Junmyeon ajeita as costas na cadeira apavorado consigo mesmo e tão, tão chapado. Ele suspira e reza que pareça casual. É tão rápido, mas parece que se passou minutos inteiros. 

 

“Junmyeon, pode seguir.” Seon diz se sentando, fazendo o Kim se encolher na cadeira, com a boca aberta e as palmas das mãos suadas. Isso não para Sehun.

 

“O-o que?” Junmyeon agarra a mão de Sehun para o impedir de continuar. Umedecendo os lábios num movimento nervoso. 

 

“A apresentação, pode continuar.” Seon fala. Sim, claro que ia ser isso. 

 

Suspirando, se sentindo ao mesmo tempo invencível e incrivelmente fraco, Junmyeon se levanta, não sem antes olhar severamente para Sehun que sorri de forma atrevida. 

 

A apresentação em si, Junmyeon não não se lembra mas faz seu trabalho. Ele é pode não ser um bom ator, mas é um bom orador e cativa onde seu comportamento fora do usual peca. 

 

Quando Se dá a reunião por encerrada, Junmyeon espera a sala de conferências esvaziar com a desculpa de  estar juntando suas coisas, Sehun aparentemente o imita, pois fica só os dois na sala. 

 

Se falar nada, Junmyeon ergue os olhos até o outro, lhe lançando o olhar mais severo que ele consegue. Pois é isso que ele está. Puto até os nervos. O que mais o irrita, o motivo talvez pelo qual ele não se entrega para esta paixão imprudente, é que Sehun não é como ele. 

 

Tudo o que Junmyeon tem ele conseguiu, ele conquistou. Já Sehun, com sua atitude prepotente e irresponsável parece não reconhecer os esforços dos outros. 

 

Ele é só um garoto que nunca ouviu um não.

 

E por mais que o doa, Junmyeon será o primeiro então. 

 

Sehun parece observar o semblante de Junmyeon pois ele não se aproxima ou tenta falar alguma coisa. Oh, Junmyeon conhece essa cara. Bom, dois podem jogar esse jogo. 

 

Junmyeon passa reto por Sehun, o olhando com os olhos escuros e as sobrancelhas franzidas. Indo para seu escritório sem olhar para trás pois sabe, sabe que Sehun o segue. 

 

Ele entra e deixa a porta aberta enquanto joga a pasta sobre sua mesa, passando as mãos pelo rosto, frustrado de tantas maneiras. Sehun entra logo em seguida, fechando a porta e se aproximando com cautela.

 

“Que porra você pensa que esta fazendo?” Junmyeon pergunta sem tirar as mãos do rosto,

 

“Eu não consigo manter minhas mãos pra mim.” Sehun fala, seu tom é diferente do tom mimado de sempre, agora parece desesperado, urgente.  Junmyeon o olha por entre os dedos só para ver Sehun sorrir e revirar os olhos. “Ta, eu consigo mas, por que eu iria?” 

 

Junmyeon quer desesperadamente agarrá-lo, tomá-lo e deixar essa coisa entre eles queimar, e queimar e que queime até o chão. 

 

“Se não parar com esse comportamento desprezível eu terei que alertar seu pai.” Junmyeon ameaça.

 

“Oh, faça isso.” Sehun diz com seus olhos insuportavelmente lindos escurecendo conforme suas pupilas dilatam. “Diga a ele quão irracional e promiscuamente eu me comportei.” 

 

Ele se aproxima, deixando Junmyeon encurralado mais uma vez. 

 

“Conte como eu sou insaciável quando se trata de você.” Sehun sussurra e é como a picada da agulha em sua pele, heroína o enchendo de dopamina. “Diga a ele como você me deseja desesperadamente.” 

 

Junmyeon é obrigado a fechar os olhos, Sehun se aproxima o suficiente para o tocar, para segurar suas bochechas e tocar seus lábios de forma superficial. 

 

“Conte a ele o que fizemos no banheiro.” Sehun sussurra deslizando os lábios contra os de Junmyeon, se aproximando para beijá-lo. Ele tenta negar, tenta se esquivar mas não o suficiente. 

 

Sehun está tão perto, Sehun está tão quente. 

 

Com um rosnado, Junmyeon agarra as mãos de Sehun as prendendo atrás das costas do mais alto. Ele encara aquele rosto bonito ofegante, ponderando, desejando. Quando ele se perde e o beija desesperadamente, Sehun geme em seus lábios e oh. 

 

Não é como qualquer beijo que eles deram naquela noite, é urgente do tipo que parece que o mundo pode acabar se separarem agora. Dentes mordendo os lábios numa tentativa frustrada de se conter. Línguas se enroscando e capturando o gosto uma da outra como se fosse o suficiente. 

 

Quando se separam ofegantes, Sehun sorri um pouco atordoado. 

 

“Finalmente.” Ele diz ainda sem ar. Se aproximando para outro beijo mas agora Junmyeon é dolorosamente ciente de sua falta de controle. 

 

“Não.” Ele diz, soltando Sehun e se afastando. Deixando o mais alto com uma expressão quase dolorosa para trás. 

 

“Por que não?” Ele pergunta impaciente. 

 

“Quer mesmo que eu te cite todos os motivos pelo qual isso, isso pode acabar mal?” Junmyeon também se exalta. 

 

“Me diga, por favor. Me diga, porque a única que eu vejo é você sendo um covarde.” Isso atinge Junmyeon em um lugar que quase o deixa sem respirar. 

 

“Covarde? Quando tudo o que eu vejo sou eu lhe permitindo vir e arruinar tudo o que eu construí.” Junmyeon ainda se sente atacado. 

 

“Como pode você ainda não ver o que isso significa?” Sehun eleva a voz.

 

“Silêncio!” Junmyeon o alerta. 

 

“Ah sim, por que ninguém pode desconfiar que Kim Junmyeon tem uma vida fora destes malditos escritórios.” Sehun cospe.

 

“É claro que é assim que você pensa.” Junmyeon se vira, desfazendo a gravata que usa. 

 

“O que isso quer dizer?” Sehun pergunta irritado, e seja pela irritabilidade ou pela dor de cabeça, Junmyeon se permite explodir.

 

“Que você não passa de um garoto rico e mimado.” O rosto do outro se fecha, parece que Junmyeon o atingiu onde doi. 

 

“É isso que acha que eu sou?” Sehun pergunta com a voz embargada. 

 

“É isso que eu sei que você é.” Junmyeon o olha, vê como o rosto de Sehun se fecha em uma fachada indecifrável, costas retas e ombros para trás. 

 

“Quando você virar homem, você me procura.” Sehun diz sem emoção, embora Junmyeon saiba como machucou o Oh. Ele mal tem tempo de responder, pois é deixado sozinho em seu escritório. 

 

Junmyeon praticamente despenca na cadeira, atordoado e exausto. Ele ainda tem o gosto de Sehun na boca, ainda tem o calor dele pelo próprio corpo. Ainda tem o que ele disse fresco na memória. 

 

Impotente, ele leva dois dedos para tocar os próprios lábios, como se pudesse tocar os lábios de Sehun. Fechando os olhos. 

 

Ah, merda. 

 

O resto do dia no trabalho é insuportável, a discussão não deixa sua mente, o beijo não deixa sua mente. Sehun não deixa sua mente. Se ontem ele mal foi produtivo, hoje ele nem tentou. Seu peito batia de forma descompassada, piorando a fadiga.

 

Os tremores também voltaram, ótimo, perfeito. Perto das três da tarde, Junmyeon decide que ele teve o suficiente e vai para casa. Dirigir nesse estado não é o ideal mas, é o que ele tem no momento. Comparado a noite passada ele mal conseguia pregar os olhos, agora é difícil mantê-los abertos. 

 

Estacionando, Junmyeon sobe direto para ir para a cama. Dessa vez ele dorme sem sonhos ou o suor. Inconsequentemente ele acorda exausto, como se não tivesse dormido de fato. 

 

Dessa vez se arrumar para o trabalho leva mais tempo, é mesmo assim Junmyeon vai. Desistindo de dirigir e chamando um carro. O motorista puxa assunto, ao que as dores de cabeça de Junmyeon não o permitem responder adequadamente. 

 

Quando chega e passa pela recepção, é só para a secretaria - que agora ele não consegue se lembrar o nome - perguntar se ele está bem. Ao que ele responde que não, curto e grosso. Junmyeon sabe que está mais pálido que o normal e que tem olheiras fundas e roxas abaixo dos olhos cansados. 

 

Saindo do elevador e se arrastando até sua sala, Junmyeon o vê. É rápido, troca de olhares, ao qual Sehun não desvia, invés disso ele sustenta os olhos de Junmyeon. Tão decidido e corajoso como é. 

 

Junmyeon se tranca em seu escritório e não sai até perto do horário do almoço, mesmo estando sem fome, ele se obriga a comer. Quando fecha a porta do seu escritório é para ver Sehun entrando no escritório do estagiário Choi. Oh.

 

O sangue ferve e por Deus é como se Junmyeon só visse em vermelho. Suas pernas caminham antes de seu raciocínio, e quando percebe, já está abrindo a porta. 

 

Os dois estão sentados próximos e ao verem Junmyeon ambos param de rir. 

 

“O que?” Sehun pergunta irritado. 

 

“Que porra você ta fazendo?” Sehun pergunta entre dentes, ganhando um suspirar e um revirar de olhos, que só o enchem de mais raiva. “Meu escritório. Agora.” Ele diz já saindo do escritorio alheio. 

 

“E se eu não for?” Sehun cruza os braços sobre o peitoral. “Sabe, é que eu sou um garoto rico e mimado, então…” Junmyeon não o deixa terminar, ele entra na sala e puxa Sehun pelo braço, com um rosnado raspando sua garganta. 

 

É só quando entram que Junmyeon o salta. Sehun abre a boca para continuar seus protestos mas para quando o Kim bate a porta para fechá-la. Olhos escuros sombrios sobre o maior.

 

“Que porra, você estava fazendo?” Junmyeon pergunta se aproximando. 

 

“Sabe, você não é o único homem no mundo.” Sehun responde cruzando os braços de novo. Isso enfurece ainda mais Junmyeon.

 

“Então é isso? o estagiário?” Junmyeon se aproxima, é só um posso. 

 

“Sim, qual o problema? Não sou tão superficial como você.” Sehun responde como se não se importasse mas Junmyeon o vê mexendo os ombros para respirar com mais dificuldade. 

 

“Ah?” Junmyeon pergunta rindo de forma debochada. “Mas você não sente nada por ele.” Mais um passo, só mais um e ele tocará em Sehun. “Bem, nada do que você sente por mim, e você sente tanto por mim, não é?” 

 

Sehun engole seco, virando os olhos para não encará Junmyeon nos olhos, mas não importa, Junmyeon viu o suficiente. 

 

“Finja o quanto quiser, Sehun, você é meu e sabe disso.” Finalmente ele está tão perto de Sehun para o tocar, e Junmyeon o toca, o segurando pelo queixo enquanto se inclina para beijar aquela mandíbula afiada. 

 

“Suas mudanças de humor estão acabando comigo.” Sehun suspira envolvendo os dedos nos cabelos desgrenhados de Junmyeon, como se o prendesse ali. 

 

“Você está acabando comigo.” Ele diz entre os beijos em direção a clavícula sensível onde morde. Sehun se contorce em seus braços, oh, é como metilenodioximetanfetamina diretamente em seu sistema nervoso, corroendo tudo deixando apenas serotonina, dopamina e norepinefrina. 

 

Suas mãos encontram caminho por aquela cintura até a bunda e coxas. Mesmo através da calça social Junmyeon consegue sentir os músculos rígidos. Envolvendo a mão em uma dela, e a puxando até o joelho de Sehun ficar na altura da cintura de Junmyeon. 

 

Isso o faz suas ereções se tocarem e puta que pariu. Sehun ofega exigente, curto como a porra de uma pornstar, é o suficiente para qualquer um perder a cabeça. 

 

Sua mão livre deslizando da bunda farta que apertava para a coxa, até estar perto do zíper daquela calça insuficientemente justa. 

 

Tão perto até alguém bater na porta. Isso o faz se afastar de Sehun como se tivesse se queimado. Ele tem certeza que está desgrenhado em mais de um  sentido. Mas se ajustando o máximo que consegue, ele abre a porta. É algumas das inúmeras pessoas do RH. Junmyeon mal a ouve quando conversam, Ele afirma um tanto desfocado e quando ela se afasta, o Junmyeon que volta para o seu escritório não é o mesmo que agarrou Sehun momentos antes.  

 

Ele tem vergonha até de olhar o outro nos olhos depois deste flagrante perda de controle.

 

“Eu…” Junmyeon começa, mas Sehun o interrompe. 

 

“Você me quer?” Ele pergunta direto. 

 

“Deus.” Junmyeon fecha os olhos e respira fundo. “Sim.” Confessa frustrado. 

 

“Você me quer, eu quero você, eu não entendo porque complicar as coisas.” Sehun não fala irritado ou de forma soberba, é mais cru. 

 

“Eu não posso perder esse emprego. Não posso. É tudo o que eu tenho.” Ele confessa. “É você é a maldita maçã dos olhos do seu pai, meu sócio.” Junmyeon olha Sehun nos olhos quando diz e nega com a cabeça. “Não tem como acabar bem.” 

 

Sehun fica em silêncio enquanto ele se aproxima. 

 

“Não sou só um garoto rico e mimado, Junmyeon. Eu sou muito mais que isso.” Ele para na frente do Kim. “E se tem uma coisa que eu odeio é não poder ter o que eu quero.” Sehun diz sério mas determinado, de um jeito que deixa o mais baixo fraco e impotente. 

 

Sem falar mais nada, ele pega a gravata de Junmyeon, desfaz o nó da mesma e a retira. Sempre o olhando nos olhos. Impotente e completamente rendido a ele, Junmyeon o deixa. 

 

“Do jeito difícil então.” Sehun diz, se aproximando mais uma vez, beijando Junmyeon castamente nos lábios antes de lhe acariciar a bochecha e se afastar, o deixando sozinho. 

 

Junmyeon joga a cabeça para trás suspirando audivelmente. Exausto como se tivesse acabado de fazer um acordo com o diabo. 

 

A overdose. 

 

Chegando em casa com uma garrafa de vinho a mais do que o aceitável, Junmyeon decide beber e ir direto para a cama. 

 

Abrindo a garrafa e servindo uma taça até o topo e a bebendo de uma só vez. A sensação é boa, desce queimando mas deixa um rastro suave, embora não seja o suficiente. 

 

Nada é até ele ter Sehun. 

 

O assusta esse pensamento, o fazendo encher mais uma taça. Não se, mas quando. Quando ele tiver Sehun.

 

Ele ri pra taça antes de virar mais uma vez todo o conteúdo escarlate. Estando prestes a encher a terceira taça, seu telefone toca. Assim, ele atravessa a sala até onde largou a pasta e o sobretudo. Ele não reconhece o número mas não é incomum que alguns funcionários o liguem então ele atende. 

 

“Alo?” Ele é saudado com uma respiração ofegante que o destroi, instantaneamente. “Sehun.” 

 

“Quer saber o que eu estou vestindo?” Sehun pergunta ofegante, Junmyeon aperta os olhos com força, se obrigando a ser racional. 

 

“Como você conseguiu esse número?” É tudo o que ele consegue dizer. 

 

“Não estou usando nada além da sua gravata.” Sehun continua como se Junmyeon o tivesse respondido. 

 

“Porra.” Ele suspira audivelmente. A boca ficando insuportavelmente seca de repente. 

 

“Quantas vezes você se masturbou pensando em mim?” Sehun pergunta com a voz mais rouca. 

 

“Eu não…” Junmyeon engole seco antes de continuar. “Eu não posso, não pensando em você. Isso, isso pioraria muito as coisas.” Sehun ofega um gemido tão necessitado que faz o inferno parecer frio. 

 

“Eu tenho feito isso o tempo todo.” Mais um gemido sufocante. “Olha o que você fez comigo, Junmyeon.” 

 

“Não… não diga isso, não fale meu nome tão…” Junmyeon tenta ser racional, mas ele é só um homem afinal. 

 

“Não.” Sehun ri é parece tão maroto que suas mãos coçam para estapea-lo. “ Junmyeon! Oh, Junmyeon!” 

 

“Porra!” Junmyeon aperta o celular no ouvido, serrando os dentes até sentir a gengiva doer. “Eu juro por Deus, eu vou…” 

 

“Sim, Sim, me diga o que vai fazer comigo.” No fundo é possível perceber aquele som molhado característico e imagens inundam sua mente. Sehun deitado na cama com a gravata de Junmyeon envolta do pescoço e presa ao punho, onde ele a puxa enquanto a outra mão ele usa para se tocar de forma rápida e imprudente. Quase desesperada. 

 

“Devagar.” Junmyeon responde inconscientemente, ganhando um gemido de protesto. 

 

 “Eu tinha me esquecido como você é provocador, Suho.” Sehun fala sem fôlego, rouco e lascivo. 

 

“Já disse para não falar esse nome.” 

 

“O que eu faço agora?” Sehun o ignora. 

 

“Não, não estamos fazendo isso.” Junmyeon ofega porque ele quer, ele quer tanto. 

 

“Tudo bem, eu te digo o que estou fazendo então.” Sehun o provoca.

 

“Não, eu…” Junmyeon começa pateticamente.

 

“Meu corpo sente tanto a sua falta.” O Oh surrurra. “Ainda tenho os hematomas que você fez em minha pele.” 

 

“Deus.” Junmyeon suspira sentindo a mão deslizar sem seu consentimento até entrar em sua calça. Tantos dias de negligência cobram seu preço, Junmyeon está duro como pedra. 

 

“Diga que não consegue parar de pensar em mim.” Sehun pede rouco e determinado. 

 

“Você é tudo no que eu penso.” Junmyeon confessa e culpa o álcool em seu sistema nervoso

 

“Por favor.” Sehun choraminga, porra, Junmyeon não tem  juizo para lidar com isso.  Sua mão encontra o caminho de forma natural, quase instintiva. Movimentos precisos e necessitados, dedos molhados do próprio semem, em meio a sala, com a calça aberta e presa pelas coxas de cair no chão. Garrafas de vinho sobre a mesa da cozinha e Sehun no telefone. 

 

É deplorável, é doméstico e é instigante para caralho. 

 

Gemendo, Junmyeon joga a cabeça para trás, só para ouvir Sehun se engasgar em um gemido. 

 

“O que você está fazendo, Suho?” Mesmo entre dentes, Junmyeon geme impotente ao ouvir seu nome de rua. O codinome de outro homem, um que poderia ter Sehun simplesmente. “Conta para mim.” 

 

“Nã-ão.” Junmyeon sente suor escorrer pelo pescoço enquanto seus músculos tencionam. 

 

“Não precisa me contar, eu sei.” Sehun diz naquele tom atrevido que deixa Junmyeon entorpecido. 

 

Os ofegos do Oh ficam mais curtos e desesperados, ele está perto. Junmyeon sabe. Ele deve estar arqueando aquelas costas grandes e bonitas, tremendo as pernas como se fosse demais todo o prazer que percorre seu corpo. 

 

Acelerando também, Junmyeon pega o celular para ouvir melhor, e beber de tudo com o que ele se deleita. Os sons, as imagens correndo sua mente e seu próprio toque. Os gemidos do Oh ficam abafados, como se ele mordesse a própria mão para conte-los. Em sua mente, é a gravata de Junmyeon que ele colocou na boca. 

 

“Pare.” Junmyeon ordena atordoado e desesperado. “Me deixe ouvir.” 

 

Assim, Sehun descobre sua boca bonita, deixando seus sons invadirem ambos os ambientes onde estão. Oh, é como cocaína, pura e cara. Ele geme exigente, com certos descontentamento como se não fosse o suficiente mesmo estando atingindo seu limite. 

 

Junmyeon se embriaga disso, bebe e bebe até ter mais disso nele que qualquer outra coisa trivial. 

 

Sehun ri, agora só ofegante, sua voz parece mais alta quando ele fala novamente. 

 

“Boa noite, Junmyeon.” E com isso ele encerra a ligação. Xingar não é o suficiente, Junmyeon, morde os lábios enquanto persegue o próprio ápice. E quando ele goza, é pensando em Sehun. E foi intenso pra caralho. 

 

Dormir naquela noite é impossível. Junmyeon fica deitado na cama, olhando o teto com olhos vidrados e escuros. Estava feito. 

 

Junmyeon estava completamente, desesperadamente e irrevogavelmente obcecado por Sehun. 

 

Quando o despertador toca, Junmyeon já está acordado, a euforia não o deixou dormir, ele não precisa disso. Ele tá bem pra caralho como não estava a dias. Os tremores esquecido, o suor substituído por calor  e a fadiga trocada por uma sensação de invencibilidade. 

 

Como heroína metabolizada em morfina, inibindo o ácido gama-aminobutírico de controlar a liberação maciça de dopamina. 

 

Ele se arruma e é rápido e eficiente. Não come porque simplesmente não sente fome alguma. Assim, ele dirige maravilhosamente bem pela primeira vez na semana. 

 

Quando chega, ele cumprimenta todos que vê, sorri e os chama pelo nome. Ele quase tinha se esquecido como essa sensação era boa, boa demais. 

 

Já no seu andar, Junmyeon segue para sua sala, parando só quando o barulho do outro elevador avisa que vai parar naquele andar. Se virando para ver outros funcionarios, e é claro Sehun. 

 

Sua boca fica seca e suas pupilas se dilatam ao vê-lo, ele está usando sua gravata. A gravata que ele usou noite passada enquanto se masturbava no celular com Junmyeon, com a gravata que Junmyeon fantasiou o amordaçar. Sehun sorri para ele e caminha em sua direção com uma expressão tão inocente que não combina com ele. 

 

“Bom dia.” Sehun diz, embora seus olhos também estejam escuros. 

 

“Bom dia.” Junmyeon responde um pouco rígido. 

 

“Teve uma boa noite de sono?” Sehun pergunta e se aproxima o suficiente para sussurrar no ouvido de Junmyeon. “Eu poderia ter te ajudado a terminar mas, você foi muito mau comigo, não acha?” 

 

Junmyeon ri passando a língua pela parte interna da bochecha olhando ao redor, ninguém parece vê-los ali no corredor, ninguém perto o suficiente para ouvi-los. 

 

“Se fosse mais esperto, aprenderia a não me provocar.” Junmyeon devolve, o olhando nos olhos antes de desviar por um segundo e olhar para aqueles lábios bonitos. 

 

“Se você fosse esperto ia parar de me subestimar.” Sehun sorri travesso. 

 

Eles se encaram em silêncio mas dura pouco, Seon aparece ao lado deles, desejando bom dia aos dois. 

 

“Oh, vejo que você está bem melhor Junmyeon.” 

 

“Sim.” Ele troca um rapido olhar com Sehun. “Só um contra tempo.”

 

“Fico feliz que você esteja bem.” Os olhos de Seon vão para o filho. “Que bela gravata Sehunnie.” É a vez de Sehun olhar Junmyeon e sorrir como a criatura mais alheia às próprias transgressões. 

 

“Obrigado, pai.” 

 

“Bom, bom trabalho rapazes.”  Com isso, Seon passa por eles, comprimentando outros funcionários aleatórios que ele encontra. 

 

“Você não presta.” Junmyeon diz.

 

“Sim, é por isso que somos perfeitos um pro outro.” Sehun passa por Junmyeon indo em direção a uma sala, provavelmente a que ele pegou como sua. Ele o observa ir, encantado e exacerbado na mesma medida. Incrédulo de como conseguiu se comportar, se controlar por tanto tempo, quando era aquilo bem perante seus olhos. 

 

Isso o deixa com uma pergunta piscando em vermelho em sua mente. 

 

Se ele esteva evitando Sehun como o diabo foge da cruz, quem o estava ajudando esse tempo todo? 

 

Ele passa a língua pela parte interna da bochecha. O sentimento que o cobre não é bonito. Poderia ser o estagiário. Sehun certamente o provocou com o pobre coitado. Mas, no final, Seon não se impressionaria se fosse esse o caso. O trabalho deles - o de Sehun - foi satisfatório, não foi? 

 

Alguém tem que estar ajudando Sehun e isso, oh, isso o deixa maluco. 

 

Indo diretamente ao seu escritório, Junmyeon faz algo pela primeira vez. Ele abre os documentos de Sehun e os observa. Os dados são impecáveis, do começo ao fim,  impressionante e detalhado. Isso só o deixa mais desconfiado. 

 

Com algumas coisas girando em sua cabeça entorpecidamente lúcida, Junmyeon vai até a sala de Sehun. É curiosamente perto, o que o faz pensar ser de propósito. Sehun mais de uma vez relatou seu desejo por Junmyeon, doce, doce reciprocidade. Poderia ser verdade que pela primeira vez Junmyeon encontrou alguém para compartilhar sem fugir?

 

Segurando o fôlego como se fosse fazer essa sensação perdurar e se intensificar, ele entra. Sehun ergue os olhos do computador, onde digita com certa rapidez, ele sorri ao ver Junmyeon ali. 

 

“Huum, já está querendo mais?” Ele pergunta se afastando do computador e esticando as costas para trás na cadeira. “Achei que você fosse aguentar mais um pouco do que só algumas horas Suho.” 

 

Junmyeon precisa fechar os olhos e se controlar, as palmas das mãos coçam para Deus sabe o que ele faria com aquelas nádegas bonitas. 

 

“Você gosta de provocar.” Junmyeon diz invés de fazer o que pensa.

 

“Como você.” Sehun sorri e parece bonito como o diabo, oh Deus. 

 

Focando em seu motivo ali, e não em debruçar o Oh sobre a mesa e te-lo ali mesmo, embora essa ideia seja bem mais atraente.

 

“Seus relatórios.” Junmyeon começa, com uma respiração funda. 

 

“O que tem de errado com eles?” Sehun pergunta erguendo uma sobrancelha perfeita.

 

“Este é o problema. Não há um erro neles.” Junmyeon responde um pouco sério. 

 

“Eu não entendo.” Sehun pergunta e riu incrédulo. “Deus, você mexe com a minha cabeça, isso é o que você faz de melhor.” 

 

Encarando aquela imensidão nos olhos de Sehun o olhando de volta, Junmyeon ri e passa a língua pela parte interna da bochecha mais uma vez,  seus olhos ficando escuros. Como ele o quer. 

 

“Quem esteve te ajudando?” Junmyeon pergunta e parece uma ordem. 

 

“Ninguém.” Sehun responde de forma marota. 

 

“Não brinca comigo.” Junmyeon avisa, o que só faz Sehun rir mais.

 

“Você é inacreditável.” Ele se levanta e vai até ficar na frente de Junmyeon, alto em toda sua sofisticação. “Eu sabia que você pensava pouco de mim, mas por Deus, não achei que era tão pouco.” 

 

“O que?” O Kim pergunta confuso já que Sehun está tão perto. Seu perfume atinge Junmyeon e seu calor parece atraí-lo como uma chama atrai uma mariposa. Felizmente ele não se importa em se queimar um pouco. 

 

“Você fica tão gostoso com ciúmes quanto é burro.” Sehun diz enquanto se senta em sua mesa, as coxas perigosamente abertas, atraindo o olhar de Junmyeon.

 

“Você… você acabou de me chamar de burro?” Ele pergunta em uma mistura de irritabilidade e incredulidade. Nunca ninguém o havia chamado assim, e caralho era cativante a maneira como Sehun fez isso. 

 

“Sim.” Sehun ri e puxa Junmyeon pelo pescoço. “Lindo homem burro.” Seus lábios estão tão perto dos do Kim que ele nem se importa mais em ser humilhado por um maldito estudante com uma boca tão distrativa. “Eu escrevi aqueles relatórios. Eu. Sozinho.” 

 

Junmyeon pisca algumas vezes.

 

“É tão difícil acreditar que um garoto mimado e rico é tão bom em uma coisa como você, ou melhor?” Agora as mão de Sehun deslizam pelos ombros de Junmyeon para seu peitoral, acariciando cada curva e músculo com suas mãos grandes e macias. Oh Sehun e suas contradições adoráveis. “Embora eu diria que isso não é a melhor coisa que fazemos juntos.” 

 

Ele sorri ao mesmo momento em que Junmyeon segura suas mãos pelos pulsos com cera força. 

 

“Eram gráficos difíceis. Dados que você não sabia.” Ele diz ainda incrédulo.

 

“Eu te disse que era muito mais que um garoto rico e mimado.” Sehun sussurra contra os lábios de Junmyeon e parece certo. Aos poucos, sem precisar usar sua força, apenas se aproveitando da distração do Kim, o Oh puxa seus braços do aperto que o continha. “Eu quero ser seu agora.” 

 

Com um último resquício de sanidade Junmyeon pensa nas consequências de seus descuido, pensa em todos os cenários em que isso daria errado e mesmo assim ele ignora para perseguir os lábios que vinham atormentando seu juízo.

 

“Finalmente.” Sehun diz sorrindo nos lábios alheios, enrolando as mãos nos cabelos de Junmyeon, puxando com força enquanto se afoga em um beijo não urgente e não intenso, parece mais ardente. Não mais aquela exploração inicial e certamente não o desespero que acompanhou os outros beijos. Era só bom, certeiro e bom. 

 

Puxões estratégicos e toques nos lugares certos. Sehun envolvendo suas coxas envolta da cintura de Junmyeon enquanto é possível ouvir alguns dos objetos sobre a mesa caindo no chão com um baque distinto. 

 

Junmyeon nunca se cansaria disso, essa eletricidade entre eles. Esse vício que parece não ter saciedade. Dar outro nome a isso é imprudente e em certa forma exagerado, mas o coração quer o que quer, e ele quer Sehun. 

 

Sua língua sentindo aquele gosto e perseguindo por mais. Sehun, o igualmente insaciável que é, abre os botões da camisa de Junmyeon o fazendo rir enquanto tenta o impedir inutilmente.

 

“Aqui não.” Ele diz, mas Sehun nega.

 

“Aqui sim.” O Oh ofega, puxando mais Junmyeon para perto. 

 

“Você perdeu a cabeça completamente se acha que eu o deixaria fazer tal coisa aqui.”

 

“Você não entende.” Sehun diz contra os lábios de Junmyeon, em beijos curtos. “Eu não aguento mais nem um segundo disso. Eu preciso de você ou vou enlouquecer.”

 

”Não fale assim.” Ele alerta mas não é efetivo, Junmyeon entende o sentimento já que compartilha dele.  “Aqui não. Confie em mim.”

 

“Então onde?” Sehun pergunta frustrado. “Ou melhor quando?” Mesmo puxando Junmyeon para perto, ele se afasta. “Quantas vezes mais eu vou ter que me provar até ser o suficiente?” 

 

Junmyeon franze as sobrancelhas, as mão indo de forma automática para segurar aquelas bochechas entre seus dedos. 

 

“Ao menos tem noção de como foi esta semana para mim?” Pergunta Sehun. “Frustrante, é isso que foi.” 

 

“Frustrante? Deus, você nem sabe a metade disso.” 

 

“É isso. Eu não sei.” Sehun se exalta. “No começo imaginei que você fosse casado, eu não sei, talvez o que aconteceu naquela boate tivesse sido um erro, mas então você continuou vindo até mim só depois me mandar ficar longe. Como se eu fosse conseguir fazer isso.”

 

Junmyeon não consegue falar  sobre isso, não consegue responder, invés disso, continua olhando Sehun. 

 

“Sabe o quanto eu me matei na faculdade para estar à altura da empresa do meu pai, só para ouvir você me acusar de ser nada além de fútil. Como se você soubesse mais do negocio onde eu fui criado.”

 

Não é possível Junmyeon se sentir mais burro, mas ele se sente.

 

“Eu não sabia.” Ele começa desajeitado.

 

“Ah, cê jura? Alguma vez você pensou em me perguntar?” Sehun revira os olhos. “Não, não fala o que você pensou. Deve ter pensado que só ia se divertir com o garoto imprudente só porque, como você e meu pai, eu não escondo o que eu quero.” É a primeira vez que Junmyeon sente que o está vendo, vendo por completo.

 

“Nem por um segundo me passou pela cabeça ter você e depois o deixar ir.” Junmyeon confessa, mas não se importa, não de verdade. Sehun ergue os olhos insuportavelmente bonitos e olha Junmyeon novamente. “Durante toda essa semana eu estive me controlando, te afastando porque, porque eu te queria tanto.”

 

“Eu não quero que se controle.” Sehun sussurra e é a vez de Junmyeon negar.

 

“Não tem noção do que está me pedindo.” 

 

“Eu não me importo.”

 

“Sehun.” Junmyeon o adverte. 

 

“Eu não me importo.” Sehun repete mais duro e determinado. “Eu sei o que eu quero, eu sei o que eu preciso. Soube o que era quando voltei para casa naquela sexta-feira, chorando por imaginar você fodendo outros garotos.”

 

“Deus.” Junmyeon fecha os olhos, como se pudesse saborear este momento, essas palavras. Buscando se acalmar como se ele fosse desmoronar. “Não é…” O Kim engole seco antes de continuar. “Não é fácil pra mim, isso, tudo isso. Eu perco a cabeça, exijo demais como se nunca fosse o suficiente. Eu sou um viciado quando estou apaixonado e eu estou desesperadamente apaixonado por você.” 

 

É possível ver o momento em que as palavras atingem a corrente sanguínea de Sehun. Suas pupilas se dilatam, morde os lábios e segura Junmyeon como se não tivesse ouvido uma palavra de sua confissão. 

 

“Eu não me importo.” Sehun repete imprudentemente.

 

“Sehun.” Mais uma vez Junmyeon o alerta.

 

“Eu não me importo Suho.” Sehun fala mais gentil, em um tom de súplica disfarçada. “Eu quero você do mesmo jeito.” 

 

Sem fôlego, sem crer no que acabou de ouvir, Junmyeon saboreia, se deleita com esse conceito, essa possibilidade. Finalmente, finalmente ele encontrou, finalmente alguém o ama de volta sem medo da intensidade. Finalmente ele pode se afogar, finalmente ele pode usar desse amor sem freio, finalmente ele pode ter uma overdose. 

 

Ele o beija novamente intenso como da primeira vez, mas com gosto de algo mais, com gosto de reciprocidade. Agora suas mãos vão direto para o abdômen do outro, arranhando aquela parede de músculos firmes, só para sentir Sehun suspirar pesadamente em seus lábios. 

 

Junmyeon sorri contra os lábios de Sehun. Adrenalina correndo por sua corrente sanguínea. Rapidamente usar roupas se torna insuportavelmente desconfortável. O Oh parece sentir o mesmo pois suas mãos vão para o cinto de Junmyeon tentando abrir como se o mundo dependesse disso. 

 

A camisa de Sehun é a próxima a ser aberta, Junmyeon precisa olhar para ele, precisa tocá-lo e precisa agora. Eles ainda estão no escritório, então Junmyeon não se importa de ficar no meio do caminho entre se despir e ficar vestido. Camisas abertas, calças abaixadas até as coxas e bocas ofegantes provocando um ao outro. 

 

Virar e debruçar Sehun na mesa parece um sonho, o outro vai de bom grado se empinando como uma vagabunda. É preciso tudo o que Junmyeon tem para respirar fundo e não perder a cabeça, até que ele pensa no por que deveria fazer tal coisa quando pode se perder nestas curvas. 

 

Deus, esse homem merece uma punição por tudo o que fez. Fode-lo enquanto aperta aquele quadril não é o suficiente, não, Junmyeon precisa saboreá-lo, ensiná-lo o que acontece sempre que brincar com fogo. 



Com a boca salivando ele puxa a manga até o antebraço acariciando as nádegas fartas com devoção antes de erguer a mão e desce-lá com um tapa tão forte que ecoa pela sala pequena. 

 

Sehun arqueia as costas com um suspiro pesado, mas Junmyeon não está mais vendo direito. Possuído por isso, esse sentimento. 

 

Ele repete o movimento, tapa após tapa observando a nádega pálida atingir um tom escarlate denunciando seu abuso.  O Oh treme suas coxas de uma forma tão linda, e não cala sua boca nem por um segundo. Mesmo com as palmas das mãos ardendo, Junmyeon não para, ele perde a conta depois que Sehun passou de murmurar para gritar. 

 

“Eu não te mandei calar a boca?” Junmyeon pergunta acariciando a pele vermelha irritada, só para fazer Sehun uivar de dor. 

 

“Porra!” Sehun geme de forma arrastada, denunciando como isso o está afetando.

 

“Que boca suja você tem.” Junmyeon debocha. 

 

“Por que não vem aqui e me deixa mostrar o quao suja ela é enquanto é você que tem que manter a porra da boca fechada?” Sehun diz entre dentes arrastado. 

 

“Hum?” Junmyeon se abaixa beijando aquela pele abusada, está tão quente que quase o deixa tonto. “Isso é jeito de se falar?” Os beijos têm o efeito que ele queria, Sehun se derrete sobre seus lábios é cativante 

 

“Por favor, Suho.” Sehun pede com desespero, Não há nada que Junmyeon pudesse nega-lo ainda mais sendo pedido assim. 

 

“Esse não é a porra do meu nome.” Ele fala duro e rouco. Da última vez Sehun esteve com a versão de Junmyeon que se escondia dentro de si mesmo, mas não dessa vez. Estando pronto para ser ele mesmo da maneira mais crua que conseguir. E  isso começa fodendo o Oh tão bem que o único nome que ousara deixar seus lábios seja  o nome de Junmyeon. 

 

Ele pontua com mais um tapa. A maneira como a onda de prazer percorre Sehun é viciante, Junmyeon poderia ficar horas sem nunca ficar satisfeito. 

 

“Junmyeon por favor!” Sehun ergue as costas novamente, olhos revirados e uma trilha fina de saliva escorrendo de seus lábios. Lindo. 

 

Se Sehun consegue ler Junmyeon como uma revista, Junmyeon consegue tocá-lo como um instrumento. Consegue domá-lo como um animal selvagem. Soa bom para ele. 

 

“Bom garoto.” Junmyeon diz com uma voz mais suave, embora ele esteja afundando em norepinefrina para conseguir ser suave.

 

Sehun estremece sobre seus dedos. Sim, e  também decifrá-lo como uma equação. 

 

Ficando de joelhos, Junmyeon faz a única coisa que parece certa, ele coloca Sehun em sua boca, lambe e beija o anel de músculos trêmulos e enfia a língua só para repetir tudo de novo. O bebe até matar sua polidipsia. O som que o Oh faz é obsceno, é sujo e baixo. Com a mão trêmula ele segura Junmyeon pelos cabelos como se o impedisse de sair. Como se existisse a minima hipotese. 

 

Sua ereção doi mas Junmyeon não se importa, a aperando como se isso fosse aliviar. 

 

“Cacete.” Sehun suspira rebolando de forma desajeitada. “Eu sabia que você sentia falta do meu gosto.”

 

“Você não faz ideia.” Junmyeon se levanta sem fôlego, usando as costas das mãos para limpar a saliva da boca e queixo. Com a outra mão ele o abre segurando uma nádega. Porra, este homem devia ser ilegal. “Você me deixa hipnotizado.” Ele confessa, fazendo Sehun o olhar por cima do ombro e sorrir. 

 

Com a outra mão Junmyeon se insere dentro daquele aperto de músculos. Observando a maneira como ele desaparece dentro de Sehun. Hipnotizante de fato.

 

Quando seus quadris tocam os de Sehun, ele se inclina sobre as costas alheias, assim começando suas estocadas fundas e lentas. Sentindo em sua pele a maneira como seus movimentos afetam o outro. 

 

Com o queixo no ombro de Sehun, seu perfume o atinge mais forte e Deus, isso o faz perder a cabeça e suas estocadas lentas viram bruscas em um segundo. Ao mesmo tempo que um rosnado deixa seus lábios. 

 

É possível perceber o momento em que ele passou a atingir o local certo dentro de Sehun só pela maneira descuidada que ele começou a gemer como uma maldita pornstar. 

 

“Cala a boca.” Junmyeon diz duro segurando o outro pelo pescoço falando diretamente em seu ouvido. A outra mão estapeando de forma desleixada a coxa farta do outro. 

 

“Deixe que todos saibam.” Sehun fala com dificuldade e de forma incoerente. Os movimentos bruscos fazem agora a mesa mexer e se os gritos de Sehun não os entregassem, este barulho certamente o fará. 

 

“Você perdeu completamente a cabeça?” Junmyeon diz num rosnado, puxando sua gravata que Sehun ainda usa e a colocando dentro da boca do outro de forma desajeitada. Ao que Sehun só revira seus olhos deliciosos. “Porra, as coisas que eu vou fazer com você.”

 

Sehun não consegue responder, ao menos não com sua boca. Ele rebola em meio às investidas tensas de Junmyeon, fazendo o Kim morder os lábios para não fazer barulho.

Isso só desejou ter uma cama para poder deixar Sehun montá-lo e destruí-lo. Da próxima vez talvez. 

 

Enrolando os dedos naqueles fios escuros, Junmyeon puxa, e puxa com força, até a cabeça de Sehun pender para trás. O fodendo enquanto consegue vê-lo. Como da ultima vez, ele é um espetáculo à parte. Olhos vidrados, bochechas coradas e gravata na boca. 

 

Só porque pode, Junmyeon usa a mão livre para dar mais um tapa naquela bunda gostosa. Sehun revira seus olhos e move seus quadris em direção a Junmyeon. Ele está perto. 

 

Assim, Junmyeon o deita na mesa, segurando sua cabeça contra a madeira e o fodendo sem piedade. Mesmo com a boca tapada, Sehun grita e se contorce. É lindo. Suas costas brilham de suor. 

 

Sehun tenta falar, mesmo sem em nenhum momento te-lo manietado em momento algum ele ainda não tirou a gravata da boca. 

 

Junmyeon não precisa que ele fale para ouvi-lo, Sehun arqueia as costas e mesmo com a mordaça improvisada ele grita, tremores atingem suas coxas e músculos tensos. Isso e a maneira como ele aperta Junmyeon dizendo que ele está gozando. 

 

É lindo, cativante. Enche Junmyeon de endorfina. Era o momento ideal para o Kim se entregar e o acompanhar, mas antes de ser um adicto, Junmyeon é um sádico incurável. 

 

Tomando uma respiração funda e segurando Sehun pela cintura, Junmyeon o fode mais rápido e brutal que antes. A hipersensibilidade faz seu trabalho, Sehun parece convulsionar e é lindo para caralho. 

 

Sua respiração ofegante sobressai em seus ouvidos, mas vale a pena. O Oh treme e se contorce sobre suas mãos. Todo aquele homem reduzido a uma poça sensível sobre a vontade de seus dedos. Agora isso sim é uma boa coisa para se viciar. 

 

Contra toda sua vontade de continuar essa tortura só mais um pouco - só para ter mais de Sehun assim - Junmyeon atinge seu apice, se derramando dentri dele e é bom para caralho. Cabeça caindo para trás quando um gemido um pouco alto demais escapa dos seus lábios de forma imprudente. 

 

Assim ele desaba sobre a cadeira de Sehun, saindo daquele aperto só para ver a bagunça que fez. É quase suficiente para enlouquece-lo mais uma vez.

 

“Porra.” Sehun  suspira sem fôlego fazendo Junmyeon rir. “Me ajuda a levantar. Acho que não consigo me vestir sozinho, você fodeu com minhas pernas.” 

 

“Vestir você? Huum.” Junmyeon morde os lábios, não gostando da ideia mas sabendo que é para melhor. 

 

Vesti-lo tem o mesmo efeito que despi-lo. Junmyeon decide que qualquer coisa envolvendo Sehun o causará esse sentimento. 

 

“Preciso de um banho.” Diz o Oh parado na frente da porta fechada, conferindo mais uma vez se sua aparência não entrega o que acabou de acontecer. 

 

“Acho que seu pai o deixaria ir embora se você pedir.” Junmyeon diz um pouco despreocupado. 

 

“Isso se ele não sentir seu cheiro em mim.” Sehun fala arrancando os olhos escuros de Junmyeon para ele. “Talvez eu devesse ir direto pra sua casa e te esperar no chuveiro?” 

 

Ele provoca, Junmyeon sabe que é uma provocação mas mesmo assim seu corpo reage como se fosse entrar em combustão ali mesmo. Quando Junmyeon decide que vai agarrá-lo de novo contra aquela porta, Sehun ri e abre a porta. 

 

Mas o que eles encontram faz Sehun parar de rir. Os funcionários daquele andar todos estão olhando para eles. Alguns cochichando. Isso faz Junmyeon suar frio, um tipo de adrenalina atravessando seu abdômen. 

 

Mas não há tempo para ele se perder em ansiedade, Seon do outro lado do corredor abre a porta num estrondo.

 

“Meu escritório! Agora!’ Ele grita fazendo todos pararem de encarar e fingir que estão trabalhando, o que sinceramente é pior. 

 

Sehun suspira como se tudo isso só fosse um contratempo chato e ele não poderia estar mais entediado. 

 

“Hum. Vem, vamos falar com o seu sogro.” Ele diz e Junmyeon só abre a boca mas não fala nada, ele gosta de como soa embora isso ainda precise de alguns ajustes. Deus, ele próprio precisa de alguns ajustes.

 

Não importa agora. Não vai ser perfeito, mas eles vão fazer funcinar.