Work Text:
Aquilo só podia ser obra do cão para ver Kenma Kozume cair, não era possível tamanho azar para alguém tão de bem com a vida.
Não bastava o cansaço de ser CEO e fazer streams brutalmente longas, óbvio que ele tinha que lidar dividir um quarto- ou, pior, uma cama com seu ex-namorado.
Kenma sabia que ele teria que fingir normalidade com Kuroo, ao que o resto das pessoas da viagem ("a melhor formação da Nekoma", segundo Taketora) não faziam ideia de que os exemplos de amizade duradoura não só estavam sem conversar há quase sete anos, mas também passaram por um término conturbado.
Parado na frente da cama de casal, Kenma largou sua mala ali em cima enquanto colocava as mãos no quadril, respirando fundo e fazendo o possível para não enlouquecer completamente.
Sentia que havia caído num golpe online, sendo prometido descanso, piscina aquecida e uma pausa da correria e recebendo caos em troca.
Kozume murmurou um xingamento baixo e saiu do quarto rapidamente, pensando em uma maneira não incriminatória de assassinar Yamamoto Taketora.
— Tora. — chamou ao chegar na sala, Taketora virando para olhar para si. — O quarto-
— Ah, ah, ah! — Taketora levantou a mão e negou com a cabeça, Fukunaga riu baixo com isso. — Os quartos já estão 100% resolvidos, Kenma. Não adianta chorar.
— Mas-
— A gente ainda deixou você ficar na cama de casal! O Kuroo vai estar lá, mas vocês mesmos já disseram que diviram camas antigamente. — Yaku disse e Taketora apontou para o mesmo, assentindo exageradamente.
Kenma bufou. — Vai adiantar eu reclamar?
— Não! — Yaku e Taketora disseram em uníssono. Fukunaga sussurou um "não" em seguida e deu um sorrisinho.
— Certo.
Lev, Inuoka e Shibayama estavam na cozinha quando Kenma entrou. As risadas que os três trocavam pararam imediatamente.
— Pensei que fosse o Yaku. — Lev disse, colocando a mão no coração e suspirando aliviado.
— Não falem das pessoas quando elas estão na sala ao lado. — Kenma disse, abrindo a geladeira e pegando uma garrafa pequena de 51 sabor maracujá. — Principalmente quando for o Yaku.
Inuoka assentiu. — Sim, senhor!
Kenma revirou os olhos com um sorrisinho enquanto abria a garrafa, bagunçando o cabelo de Inuoka antes de voltar para a sala.
Kenma sentou ao lado de Fukunaga no sofá, dando um gole na bebida e prestando atenção na conversa dos que estavam presentes.
As horas passaram e Kenma nem lembrava do porque estava tão bravo mais cedo. Teshiro, Kai e a namorada de Yamamoto – Natsumi – chegaram respectivamente, sendo recebidos com gritaria e bebidas sendo empurradas em suas mãos.
A televisão estava ligada no Spotify de Lev e tocava algum pop que Kenma não reconheceu, as luzes amareladas estavam ligadas ao que a escuridão da noite inundava o céu.
Kozume estava leve, feliz de estar com os amigos e um pouquinho bêbado – tudo o que ele queria estar nos próximos cinco dias.
Entretanto, quando ele entrou na sala, era como se a música tivesse parado e todos se calado. Lev, quem atendeu a porta, estava com o braço enlaçado com o de Tetsurou, exclamando animado que o capitão finalmente havia chegado.
Kuroo cumprimentou todos com apertos de mãos seguidos de abraços, seu sorriso iluminando a sala. Fazia tanto tempo que Kenma não o via (stalkear o Instagram em madrugadas com cheiro de licor não conta como ver), mas ele estava muito bem
O cabelo bagunçado estava mais curto e parecia mais domado, seu rosto estava mais maduro e tinham marcas de expressão começando a aparecer. O terno que ele usava abraçava bem seus músculos, que pareciam estar relativamente maiores- não, Kenma, pensamento ruim! Eliminar, eliminar!!!
— Já peço desculpas pelas minhas roupas, não tive tempo de me trocar depois do serviço. — Tetsurou disse, gesticulando para sua vestimenta formal.
— Nah, tudo bem! Tá bonitão! — Taketora disse, apertando o ombro de Tetsurou com um sorriso grande.
— Obrigado! — Kuroo estava rodeado pelo time, mas ainda assim seus olhos acharam os de Kenma, que ainda estava sentado no sofá e observando em silêncio.
O contato deve ter durado menos de cinco segundos e Kenma pode jurar ver desespero nos olhos de Tetsurou antes do último citado voltar a conversar e rir de algo que Yaku havia falado.
Mesmo com essa interação chata, Kenma conseguiu aproveitar o resto da noite tentando ignorar ao máximo que estava chegando a hora de ir deitar.
Mas, como sempre, sua sorte não colaborou consigo.
— Eu e meu amorzinho já vamos dormir, mas vocês podem continuar a festa! Só não esqueçam que amanhã tem mais. — Taketora disse e deu boa noite.
— Bom, já vou indo também. — Kai levantou do sofá e aos poucos a sala foi esvaziando.
Em algum momento, sobrou apenas Kuroo e Kenma.
A televisão estava baixa e o clima denso.
— Kenma- — Kuroo iniciou, mas Kenma o interrompeu levantando.
— Boa noite.
E saiu andando para o quarto. A cama que eles compartilharão infelizmente não havia se dividido em duas quando Kenma entrou no cômodo.
Demorou menos de um minuto para Kuroo entrar também e fechar a porta atrás de si.
— A gente pode-
— Eu vou dormir na sala.
— Você não precisa fazer isso. — Kuroo se aproximou e Kenma se afastou, abrindo a própria mala e pegando uma calça de moletom.
— Ok.
Kenma saiu do quarto e seguiu para o banheiro. Ao fechar a porta, soltou um longo suspiro. Talvez voltar para casa toda noite não fosse uma má ideia.
Se trocou rápido e quando saiu, Kuroo estava encostado na parede e com a ponta do polegar na boca, mordendo a unha ali, sua mente parecia distante.
Kenma passou rápido pelo mais alto, andando até o quarto.
A cama estava arrumada para dormir. Ridículo, Kuroo era ridículo. Agindo como se fosse normal eles dividirem uma cama depois de terminarem- depois de Kuroo terminar com ele.
Kenma pegou o dois dos quatro travesseiros na cama e fez uma barreira entre eles, logo depois deitando do lado esquerdo da cama - a lembrança de uma noite que Kuroo deitou em seu lado da cama passou na sua mente, começando com uma guerrinha e terminando com-
— Eu posso dormir na sala, se você preferir. Não vou deixar você dormir lá. — Kuroo disse, fechando a porta atrás dele.
— Eles vão achar estranho se qualquer um de nós dormir na sala. — Kenma sentou na cama. — Mais desconfortável do que isso, — gesticulou com o indicador entre ele e Tetsurou — vai ser responder perguntas e ter que explicar coisas.
— Falando em explicar, eu te devo desculpas. — se aproximou do pé da cama.
— Depois de sete anos? — Kenma riu sem humor. — Nem perde seu tempo.
— Eu não queria te machucar, Kenma.
— Então decidiu terminar por ligação? Acho bom você rever seus conceitos.
— Eu tive meus motivos.
— Então por que você não explicou na hora? Por que não teve a coragem de falar na minha cara que enjoou de mim?
— Quê? Kenma, não-
— Tanto faz, Kuroo. Seus motivos e meus sentimentos não importam mais. Fazem sete anos, porra. — disse a última frase num suspiro, voltando o contato visual com Tetsurou, a expressão dele tendo um leve pingo de raiva agora.
— Não põe esses sete anos em cima de mim, Kozume. — Kuroo iniciou, medindo Kenma com o olhar. — Foi você quem começou a me evitar depois do término, eu tentei manter contato.
— Nossa, sinto muito se eu não querer falar com o cara que fodeu com meu primeiro ano na faculdade te afetou tanto. Foi difícil pra você? — o tom ácido de Kenma queimava sua própria garganta.
— Porra, você age como se eu não- como se eu não tivesse-
— O quê, Kuroo? Como se você não tivesse o quê?
— Você tá falando como se fosse unilateral. Eu fiz de tudo por você.
— E eu não?! — a voz de Kenma aumentou um pouco. Com isso, ele suspirou tentando se acalmar. — Tem como você me deixar dormir? Eu não quero que você estrague esses próximos dias, preciso desse descanso. — Kozume prendeu o cabelo num coque antes de deitar de costas para o lado de Tetsurou.
— Para de fugir, Kenma.
— Vai. Dormir. Kuroo. — Kenma disse entredentes, pressionando o rosto no travesseiro.
Kuroo ficou em silêncio por alguns segundos.
Antes que Kenma pudesse se reclamar, a luz foi apagada e o outro lado da cama afundou, indicando que Kuroo havia deitado também.
— Boa noite. — o mais velho disse baixo.
Kenma não respondeu, então Kuroo soltou um suspiro. O único motivo para eles realmente dormirem naquela noite foi a mistura do cansaço com o álcool.
𖦹
No dia seguinte, Kenma acordou atordoado pela luz do sol, praguejando por não ter fechado a cortina antes de deitar. Piscou lentamente, aos poucos acordando de fato e percebendo estar com o braço e a perna em cima do corpo de Kuroo.
Sua respiração parou por um segundo, se afastando devagar para não acordar o mais velho e guardar essa cena humilhante apenas para si mesmo.
Por sorte, Kuroo continuou dormindo. Soltou um resmungo descontente antes de ajeitar o cobertor em cima de si e virar de costar para Kenma.
Kozume soltou o ar que havia prendido, vendo as costas de Kuroo se mexerem de acordo com sua respiração calma.
O moreno mais novo estalou fraco a língua no céu da boca, levantando da cama.
Taketora, Inuoka e Kai já estavam acordados, conversando na cozinha. Era a distração que Kenma precisava para esquecer dos minutos anteriores.
Aos poucos a cozinha encheu o bastante para Kai se oferecer ir na cidade fazer as compras para o resto dos dias. Kuroo entrou na cozinha bem a tempo de ouvir isso, logo se voluntariando para ir junto com o amigo. Yaku revirou os olhos antes de se oferecer para ajudar também.
Lev reclamou alto sobre os terceiranistas estarem se juntando para reclamar dos mais novos e foi recebido por risadas e provocações.
O dia passou rápido e foi o mais tranquilo o possível quando Lev e Inuoka estão presentes.
Estavam todos na área da piscina interna. Kenma estava com as pernas dentro da água e jogando em seu Nintendo Switch, Shibayama e Natsumi estavam sentados nas espreguiçadeiras e o resto dos garotos estavam dentro da água, brincando de "quem fica mais tempo embaixo da água". Kenma riu todas as vezes que Yaku bateu em Lev quando o mais alto tentava enganar os outros.
— Kenma, vai entrar? — Taketora disse alto, enquanto os outros decidiam outra brincadeira.
Kenma fez que não. — Não quero me molhar.
— Mas a água tá quentinha! Tive o trabalho de achar uma casa com piscina aquecida. — Yamamoto cruzou os braços e fez bico. — Capitão, você é o único que convence ele a fazer as coisas! Ajuda aqui!
Kuroo soltou um "ah" antes de olhar para Kenma, que encarou de volta por alguns segundos antes de voltar a olhar para o aparelho em mãos. Kuroo olhou para Taketora, com um sorriso ladino.
— Desde quando gato tem boa relação com água, Tora? — cruzou os braços. — Culpo o Shohei por esse estresse pós traumático. — adicionou e fez os outros rirem, Kenma escondeu o sorrisinho atrás do Switch.
Taketora tentou convencer Kenma de novo, mas desistiu quando Kuroo o chamou para brincar. Kenma suspirou e, enfim, se sentiu bem o suficiente para observar os amigos brincando. Não percebeu Fukunaga nadando sorrateiramente para perto de si.
— Kenma. — Shohei chamou e Kozume quase deixou o eletrônico cair na água com o susto. Fukunaga riu antes de colocar metade do corpo para fora da água, cruzando os braços na beira da piscina. — O que aconteceu?
— Você me assustou! — disse, defensivo e virando para colocar o aparelho numa distância segura da água.
Shohei riu de novo, mas sua expressão ficou séria antes dele deitar a cabeça nos braços. — Sério, o que aconteceu?
— Eu não sei do que você tá falando.
— Você e o Kuroo. Algo aconteceu.
Kenma sentiu seu coração bater mais rápido em nervosismo, desviando o olhar e pressionando a boca em uma linha.
— Ah.
— É. Ah. — Shohei riu. — A gente pode dar uma desculpa e ir pra outro lugar, se você preferir.
Kenma deu de ombros e olhou para o grupo de amigos, depois voltando para Shohei.
— Cozinha? — Kenma perguntou e Fukunaga assentiu, descruzando os braços e se forçando para cima.
Kenma levantou também e pegou duas toalhas secas, entregando uma para Fukunaga e secando a própria perna. Secos o suficiente para não enxarcar a casa, Fukunaga cobriu os ombros com a toalha e seguiu Kozume até a cozinha.
O moreno de cabelos longos sentou numa banqueta da ilha e o amigo tomou a liberdade de sentar ao seu lado.
Alguns segundos de silêncio antes de Kenma puxar e soltar o ar de forma audível.
— Eu e o Kuroo começamos a namorar no meu primeiro ano da Nekoma. A gente decidiu não contar pra ninguém porque não era da conta de ninguém. E a gente tava muito, muito bem. Ao ponto de fazer planos de morar juntos, sabe?
Fukunaga assentiu e continuou um silêncio enquanto encarando Kenma, o incentivando a continuar a falar.
— No final do primeiro ano dele na faculdade, ele começou a agir muito estranho. Eu pensei que ele tinha me traído mas ele nunca faria isso. Hoje em dia eu nem sei mais. — riu sem humor. — Enfim, depois de umas duas horas dele me deixar no dormitório da faculdade, ele me ligou e disse que queria terminar.
— Nossa. Sinto muito, Kenma.
Kenma deu de ombros.
— A gente não trocou mais nenhuma palavra desde aquele dia. Eu sei que é infantil eu ainda remoer mas o Kuro foi tudo pra mim por anos, sabe? Mesmo antes do namoro, eu e ele éramos carne e unha.
— Não acho infantil. — Shohei fez que não com a cabeça. — Deve ter sido um baque terrível perder um pilar tão enraizado na sua vida.
— A gente discutiu ontem. Ele quer falar sobre isso e eu só quero descansar.
— As vezes conversar com ele pode te deixar mais tranquilo, Kenma. Você fica muito tenso quando ele tá perto.
— Tem como me julgar? — Kenma murmurou, esticando os braços na ilha e olhando para Shohei. — Eu tenho medo de falar sobre isso e descobrir que eu não fui pra ele metade do que ele foi pra mim.
— Eu duvido muito. Ele tem um carinho muito grande por você, dá pra ver isso nos olhos dele. Mas não justifica os atos dele.
— Obrigado, Shohei. — Kenma sorriu. — Você, o Shouyo e minha psicóloga são os únicos que sabem disso então, por favor, não fala pra ninguém.
Shohei levou a mão direita para o meio do peito e levantou a esquerda com o dedo indicador e o dedo médio esticados. — Juro.
𖦹
Kenma acordou abraçado com Tetsurou de novo mas quem dera essa fosse sua maior preocupação naquele dia.
Inuoka e Taketora conseguiram convencer os outros de irem numa balada. A maioria não quis ir, mas depois de alguns shots, muita insistência e promessas, todos cederam.
Kenma não tinha planejado sair da casa, mas conseguiu se arrumar com o que havia levado. Uma calça cargo preta e uma regata justa da mesma cor, simples mas arrumadinho o suficiente para sair de casa. Ele não pretendia ficar muito tempo de qualquer forma.
Na balada, boa parte do grupo estava dançando na pista e outros conseguiram alguma companhia para se atracar pelo resto da noite. Fukunaga estava sentado ao lado de Kenma na mesma escolhida pelo grupo, criando histórias imaginárias para as pessoas que estavam na pista.
Kenma ria das histórias que Shohei inventava, mesmo que olhando para o celular. Fukunaga soltou um "oh" baixo depois de alguns segundos em silêncio, atiçando a curiosidade de Kozume em segundos.
O moreno de cabelos longos se arrependeu ao levantar o olhar, vendo Tetsurou beijando um homem aleatório na pista.
Ele não era idiota, sabia que Kuroo era um homem atraente e com fogo o suficiente para derrubar uma floresta, então ele obviamente ficaria com outras pessoas, mas saber e ver eram coisas imensamente diferentes.
— Sinto muito, Kenma. — Shohei disse.
— Tanto faz. — respondeu. — Eu não ligo.
E essas três palavras fizeram ele virar o resto da bebida de Fukunaga e pedir uma dose com um teor alcoólico maior do que ele geralmente se permitia beber.
Em certo ponto, quando Taketora e Natsumi voltaram para a mesa, o moreno de cabelos curtos arrastou Kenma para dançar.
Ficaram dançando juntos por um tempo até um homem se aproximar de Kenma e Fukunaga se afastar para que ele pudesse aproveitar o momento.
O homem segurou sua cintura e se movimentou com Kenma, o pressionando perto. Duas músicas depois, eles já estavam trocando um beijo fervoroso até demais para um lugar público. Kenma se afastou para permitir que o homem beijasse seu pescoço, inclinando a cabeça para o lado.
Como uma piada do destino, seus olhos pararam em Kuroo sentado na mesa do grupo, mastigando a borda do copo de plástico que tinha um líquido provavelmente alcoólico.
Kenma sorriu, decidindo fazer um showzinho. Fechou os olhos, logo levando a mão para a nuca do homem a sua frente e puxando fraco para que eles voltassem a se beijar. Durante o beijo, abriu os olhos e os direcionou para Kuroo, que ainda encarava a cena.
O moreno não sabia o que havia o motivado a fazer isso, mas sabia que a reação de Tetsurou foi boa demais para ele parar. Seus olhos transbordavam ciúmes e desejo. Kenma sentiu orgulho de si mesmo por ainda ter esse efeito em Tetsurou.
Kenma levou as mãos do homem a sua frente para a própria bunda, o fazendo os pressionarem juntos. Olhou para Kuroo de novo e o copo já havia sido largado na mesa, os braços de Kuroo cruzados na sua frente e a perna balançando.
Foi questão de segundos para Tetsurou levantar e sair do campo de visão de Kenma.
O mais novo procurou Kuroo e suspirou desapontado. Deu mais um beijo no homem antes de desgrudar dele e andar até a mesa.
Taketora estendeu um copo para ele e Kenma bebeu cuidadosamente, logo depois fazendo uma careta.
— O que é isso?
— Água, campeão. Acho que você tá bêbado demais.
— Tá bom, pai. — Kenma disse, revirando os olhos.
— Ali! A moça bonita que deu em cima de mim! — Lev exclamou, apontando de forma nada discreta para uma mulher de cabelo crespo e vestimenta y2k. — Cade o Kuroo?
— Acho que ele tá no banheiro ainda. — Natsumi disse, dando um gole na garrafa de cerveja em sua mão.
— Eu busco ele. — Kenma disse. — Onde é o banheiro?
Depois de receber instruções detalhadas, ele sucedeu em achar o banheiro.
Tetsurou realmente estava lá dentro, apoiado na parede e escrevendo alguma coisa no celular. Escrevendo ou tentando quebrar a tela com os dedos, algo entre esses dois.
O mais alto levantou o olhar do aparelho quando Kenma parou na sua frente, guardando o celular em seguida.
— O Lev- — Kenma foi interrompido por Kuroo o puxando pelo cós da calça e colando seus corpos.
— Qual é a sua, hm? — Kuroo disse, aproximando os rostos. Kenma olhava para sua boca mais do que para seus olhos. — Beijando aquele cara e olhando pra mim, me acordando de madrugada pra reclamar do muro de travesseiros que você mesmo coloca. O que você quer, Kozume?
— Você. — Kenma sussurrou, apertando os seios de Kuroo antes de deslizar as mãos para seus ombros e apertando de novo, o puxando para mais perto. — Eu quero você.
E levantou o queixo para colar os lábios num beijo bagunçado e que transmitia todo o caos que os corações de ambos tiveram que guardar durante esses sete anos. As línguas escapavam para fora das bocas e os barulhos molhados por cima da música abafada do lado de fora enchiam o banheiro.
Tetsurou apertou sua cintura, bunda e a parte de trás de suas coxas, dando um impulso para Kenma pular e abraçar sua cintura com as pernas. Kenma suprimiu um gemido vergonhoso com a facilidade de Kuroo manipular seu corpo.
O mais alto pressionou Kenma contra a parede e voltou a beijá-lo com mais lubricidade do que antes. Quebrou o ósculo para beijar o maxilar de Kenma, o fazendo suspirar de forma patética.
— Você- — um gemidinho — tava beijando outro cara também. — ok, Kuroo precisava parar de beijar ele assim se ele quisesse ir à algum lugar com essa conversa. Kenma puxou o cabelo da nuca de Tetsurou, descolando a boca do mais velho de si.
— Eu queria sua atenção. — murmurou, tentando voltar a beijar Kozume, recebendo um puxão o mantendo no lugar. — Kenma... — choramingou.
— Vão suspeitar nossa demora, Kuro. — soltou o aperto no cabelo do outro, fazendo um cafuné ali. Kuroo o ajeitou em seu colo.
— Que seja.
— Me deixa descer. — pediu a contragosto.
— Mais um beijo.
— Você tá bêbado.
— Kenma, por favor. — lamureou, aproximando as bocas mas ainda deixando a escolha para Kenma.
Kozume sorriu ladino, colocando a língua para fora e lambendo a boca de Tetsurou vagarosamente, não conseguindo segurar um gemido quando o último partiu os lábios para deixar o músculo entrar, o chupando de leve.
A língua de Kuroo entrou em contato com a sua imediatamente, o beijando de uma forma mais lenta. Uma das mãos do mais velho subiu para seu pescoço, apertando parcialmente antes de subir para seu maxilar, aprofundando ainda mais o beijo.
Kenma deslizou lentamente de seu colo, sem quebrar o ósculo. Duas frases de três palavras inundaram os pensamentos de Kozume, o fazendo se separar abruptamente de Tetsurou. Um pop molhado fez Kuroo abrir os olhos atordoado.
— Precisamos voltar. — Kenma disse, saindo de entre Kuroo e a parede.
Tetsurou o seguiu ainda meio perdido.
Quando chegaram na mesa, o grupo comemorou em brincadeira.
— Pensávamos que vocês tinham se perdido! — Inuoka disse.
— Kuro estava passando mal. — Kenma deu de ombros e olhou para Fukunaga, que já o encarava com a sobrancelha arqueada.
— É. — Tetsurou concordou.
— Acho que por hoje deu, então? — Kai disse e todos concordaram.
Voltaram para a casa e, depois de uma rodada de copos d'água e debulharem dois saco de batatinhas, seguiram para seus respectivos quartos.
Kenma fechou a porta e olhou para as costas largas e desnudas de um Tetsurou distraído com o celular. O mais novo desligou a luz antes de caminhar até a cama enquanto tirava a calça, a jogando em algum lugar perto da sua mala.
Kuroo olhou para trás por alguns segundos e voltou para o telefone, digitando mais algumas coisas antes de apagar a tela e colocá-lo na cômoda.
Eles deitaram e se arrumaram na cama silenciosamente. O muro de travesseiros ainda estava entre eles, mesmo que ambos soubessem que eles seriam ignorados ao decorrer da madrugada.
— Kenma, eu acho-
— Agora não.
— A gente vai precisar falar sobre isso.
— Agora não, por favor.
Kuroo iniciou um "mas", porém parou no meio da palavra, substituindo por um — Boa noite, Ken.
— Boa noite, Kuro.
𖦹
Kenma acordou deitado no peito de Kuroo pelo quarto dia seguido. A diferença é que, dessa vez, ele recebia um cafuné cuidadoso em suas raízes.
Numa batalha interna entre sair correndo, aproveitar o momento e brigar, Kenma decidiu fazer o primeiro e o último.
— Que porra você tá fazendo? — reclamou, sentando na cama.
— Bom dia? — Kuroo tentou, guardando o celular.
— Não vem com intimidade pra cima de mim, somos amigos na frente deles e só.
— Kenma, você- você não lembra de ontem?
Lembro. Eu nunca mais quero esquecer. Eu te quero a todo segundo e sinto tanto sua falta. Volta pra mim.
— Não. — se arrependeu da mentira quando viu o olhar triste de Kuroo.
— Ah.
Um silêncio desconfortavel sentou por alguns segundos e Kenma decidiu que não trariam impactos positivos ficar naquela competição de quem encara mais, então grunhiu antes de levantar, pegando a calça que usava antes da balada e a vestindo, saindo do quarto em seguida.
Não precisa de uma pessoa muito inteligente para perceber que o clima entre Kuroo e Kenma, antes já diferente, agora estava muito mais estranho.
Na mesa de um almoço tarde, Yaku quem comentou sobre quando o assunto da mesa foi para amizade e crescimento.
— Por exemplo, o Tetsurou e o Kenma. No ensino médio eles não se desgrudavam, hoje em dia estão mais comportadinhos. — ele disse.
— O importante é que a amizade prevaleceu apesar da idade. Isso é muito legal. — Kai adicionou, levando um pedaço de carne para o próprio prato.
— As namoradas ou namorados deles não iam gostar muito de como eles eram antes. — Lev disse e deu uma risadinha.
— Falando nisso, como estão de ficantes? — Yaku cutucou Kuroo com o cotovelo.
— Eu-
— Vou tomar um ar. — Kenma levantou e saiu da cozinha antes que Tetsurou pudesse falar algo.
Ouviu seu nome sendo chamado por alguém mas ignorou completamente, abrindo a porta da casa e recebendo um vento gélido no rosto. Sentou no primeiro degrau da escadinha, apoiando os braços nos joelhos e deitando a cabeça ali.
Talvez ainda estivesse bêbado e por isso o mundo estava girando tão rápido e seu ouvido zumbindo. Talvez as coisas seriam mais fáceis se eles não tivessem divido uma cama. Talvez Kenma só queria ter Kuroo de volta, mesmo que por cinco dias.
— Kenma? — alguém chamou e o moreno olhou para trás, vendo Shohei de pé atrás de si. — Como você tá?
Deu de ombros. — Fazendo meu máximo.
— Hmmm.
Shohei sentou, abraçando Kenma de lado. Kozume suspirou e apoiou a cabeça no amigo.
— Quer falar sobre o que aconteceu ontem?
— Não aconteceu nada ontem.
— Kenma, você era o observador da Nekoma mas isso não significa que o resto não seja assim. — Fukunaga disse. — Além disso, vocês voltaram do banheiro com cara de pós-orgasmo.
— Shohei! — Kenma tentou se afastar, mas o outro riu e o segurou com os dois braços. Kenma riu junto. — Não fomos tão longe. Foi só um beijo ou dois.
— Depois de ter me falado que não queria nem conversar, um beijo é algo enorme.
— Pelo menos não precisei ouvir a voz dele. — Kenma sorriu amarelo, deslizando a cabeça para o colo de Fukunaga.
— Tudo bem, então. Mas vocês precisam conversar. — Fukunaga disse e Kenma falou um "tá, tá".
Kenma fechou os olhos momentaneamente, aproveitando o conforto que o amigo trazia. Quando abriu os olhos, estava deitado na cama e abraçado com o travesseiro de Tetsurou. Piscou algumas vezes e sentou na cama, se espreguiçando.
A porta abriu devagar e Kenma olhou para a mesma.
— Ah. Acordou? — Kuroo disse.
— Eu dormi?
— Mhm, no colo do Shohei. Ele ficou desesperado. — riu baixo. — Aliás, todo mundo saiu pra fazer uma caminhada. Disseram que vão voltar com a janta.
— E por que você não foi? — Kenma perguntou.
— Não quis te deixar sozinho. — deu de ombros e se aproximou da cama, sentando perto do mais novo. — Você lembra de ontem, Kenma?
— Não quero conversar, Kuroo. — se jogou na cama de novo.
— Qual- qual é a sua? — a voz de Kuroo saiu embargada. — Você me trata que nem lixo, acorda grudado em mim, me xinga, diz que me quer e me beija e depois me trata mal de novo. Por que você tá fazendo isso?
— Me deixa dormir.
— Não, Kenma. A gente vai conversar. Você me beijou. — Kuroo puxou o lençol de Kenma, que grunhiu.
— Você implorou pra eu te beijar. — Kenma retrucou, puxando o lençol para si.
— Então você lembra. — disse, convencido. Kenma sentou na cama para encarar Tetsurou.
— Não. Eu tava bêbado. — deitou de novo, mas Tetsurou segurou o lençol.
— Para com essas desculpas!
— Para de me encher o saco! — retrucou, sentando na cama e segurando o braço do mais velho. — Por que você decidiu querer se resolver agora?
— Eu tentei te mandar mensagem, Kenma. Eu tentei falar com você. E você sabe disso, caso contrário não teria me bloqueado em tudo depois de uma semana.
— Você não sabe o quão difícil foi pra mim! — falou alto, tentando lutar contra as lágrimas que ardiam seus olhos.
— E você não sabe quão difícil foi pra mim! — respondeu a altura, recebendo um empurrão de Kenma.
— Eu odeio você. — já chorando, Kenma empurrou Kuroo de novo.
— Não fala isso. — e Kuroo começou a chorar também.
Kenma deu um soco no ombro de Kuroo, mesmo sabendo que teria um impacto extra negativo devido a falta de força usada no ato.
— Eu odeio você. — Kenma repetiu e Kuroo virou de frente para ele, segurando seus braços no ar. Kenma tentou soltar mas sabia que era inafetivo.
— Por que você me beijou ontem?
Kenma deu de ombros. — É melhor do que ouvir você tentando consertar as coisas.
— Você não quer consertar? Você, de verdade, prefere que a gente nunca se resolva?
— Não é isso. Eu quero conversar com você, mas não- eu não consigo, Kuro. Eu tenho medo do que você pode falar, tem muita coisa que eu prefiro não ouvir.
— Você sabe que eu nunca sentiria nada de ruim em relação a você. Você é a pessoa mais importante da minha vida, sabe disso.
Kenma piscou algumas vezes, sentindo as lágrimas continuarem escorrendo. Sentia verdade no tom de Tetsurou, mas até onde ele podia confiar?
— Prova que eu importo pra você. — disse baixo. — Prova que esses anos doeram tanto em ti quanto doeram em mim. Me mostra o quanto você sentiu minha falta.
— K-Kenma, eu não..
— Me beija, Kuro.
Tetsurou ficou em silêncio, dando um aperto leve nos braços de Kenma antes de levá-los para seu pescoço, fazendo Kenma o abraçar ali.
— Eu não te entendo. — Tetsurou sussurou, sua boca quase encostando na de Kenma.
— Me desculpa. — sussurou antes de sentir a boca de Kuroo na sua.
Diferente dos beijos da noite anterior, o ósculo foi lento e ambos pareciam querer aproveitar cada segundo. Demorou um pouco para que a língua de Kenma entrasse na boca de Tetsurou, arrancando um suspiro surpreso do mais velho.
O beijo era intenso e era interrompido para os homens suspirarem e respirarem fundo antes de se beijarem de novo.
Não demorou muito para beijos não serem o suficiente para matar a saudade que sentiam; a saudade que sufocava Kenma.
— Kuro.. — Kenma choramingou, empurrando Tetsurou para que ele sentasse direito na cama, assim permitindo que Kenma subisse em seu colo. — Kuro.
— Me desculpa, Ken. — as mãos do mais velho passaram pelas costas, cintura e pararam nas coxas de Kenma, o segurando para poder arrumar a posição, acarretando uma fricção inesperada, fazendo ambos arfarem. — Por tudo.
— A gente fala depois, hm? Foca no agora. — Kenma ondulou a cintura, depositando alguns beijos e mordidas no pescoço de Tetsurou, já sentindo um crescente desconforto em ainda estar usando suas roupas.
Kuroo murmurou um "mhm" antes de beijar Kenma de novo. O mais novo, antigamente, sempre tomava o controle da situação. Hoje ele só queria que Kuroo fizesse o que quiser com ele.
Com isso em mente, Kenma saiu de cima de Tetsurou e ficou de pé, tirando a calça que estava usando e ficando apenas de boxer e regata. Não dando tempo para sentir vergonha, ele deitou na cama com uma perna de cada lado do corpo de Tetsurou.
— O que você quer que eu faça? — Tetsurou pediu.
— Qualquer coisa. Só toca em mim.
O mais velho tirou a camisa e abaixou para beijar Kenma mais uma vez, dessa vez ondulando a própria cintura para eles terem mais contato. Kenma sentia suas pernas tremerem pela vontade que lhe consumia de dentro pra fora.
Kuroo abaixou os beijos para o pescoço de Kenma, o que fez o último levar as mãos para seus ombros largos e apertar ali.
Por Kenma não ter tirado a regata por si só, Kuroo abaixou na cama para ficar rente à intimidade de homem, sendo recebido pela roupa íntima com uma mancha úmida além de uma ereção pequena formada.
— Você..?
Kenma deu de ombros. — Sete anos usando testosterona.
— Você é tão lindo. — Kuroo suspirou antes de selar a vagina de Kenma por cima do tecido que a cobria.
Kenma abriu mais as pernas e Kuroo sorriu, subindo o rosto para o baixo ventre de Kenma, lambendo e mordendo levemente a área exposta.
— Não provoca, Kuro. — Kenma pediu.
— Não tô provocando. — teve a pachorra de responder.
As mãos grandes do mais velho adentraram a regata de Kenma, apertando a cintura dele.
— Tetsu. Por favor. — Kenma pediu manhoso o suficiente para convencer Kuroo imediatamente.
O moreno de cabelos bagunçados curtos posicionou as pernas de Kenma em seus ombros depois de tirar a cueca do mesmo. Depositou alguns beijos molhados em cima dos lábios e no clitóris de Kenma antes de usar o dedo indicador e médio para separar os lábios e lamber vagarosamente o orifício da vagina do mesmo.
Kozume, em resposta, apertou as coxas na cabeça de Kuroo e separou em seguida, gemendo mais alto do que gostaria. Colocou as costas de uma mão na boca e usou a outra para afagar o cabelo de Tetsurou, puxando os fios vez ou outra.
Depois de um tempo, quando Kuroo já tinha a boca e o queixo lambuzados com os fluídos de Kenma e saliva, se afastou do mais novo apenas o suficiente para conseguir falar.
— Gatinho, abre a boca pra mim? — Tetsurou olhou para Kenma debaixo e o mais novo assentiu, tirando a mão da boca e abrindo a mesma em seguida. — Bom garoto.
Kenma nem teve tempo de reagir antes de dois dedos da mão que Kuroo estava usando para o manter parado na cama pressionar em sua língua.
Kozume fechou a boca ao redor dos dedos, fechando os olhos para chupá-los como se fossem o picolé mais saboroso do universo.
Nem percebeu quando Kuroo parou de chupar a si, apenas para olhar o jeito que estava se dedicando a umedecer os dígitos do mais velho.
Tetsurou ficou mais alguns segundos observando antes de puxar a mão, ouvindo Kenma gemer descontente. Esse sentimento nao durou muito quando um dedo foi colocado dentro de si.
A cintura de Kenma ondulou e soltou um gemido baixo quando Kuroo assoprou a área molhada. Quando o mais novo olhou para Tetsurou, quase gozou só de ver a expressão excitada de Kuroo já olhando de volta para si.
— Tá gostando, gatinho?
— Bota o outro. — mesmo que tivesse pedido, arfou em surpresa quando sentiu o outro dedo entrando em si.
Faziam anos desde a última vez, mas Kuroo ainda sabia exatamente o que fazer com Kenma. Por um segundo Kozume se perguntou se ele via Kenma quando transando com outras pessoas.
O pensamento não teve tempo de madurar ao que Kuroo abocanhou seu clitóris inchado, conseguindo pagar um boquete devido ao crescimento do orgão pelos hormônios.
Kenma gemeu e colocou as duas mãos na cabeça de Tetsurou, abrindo mais as pernas e forçando o mais velho na área.
— K-uro. — gemeu. — Não para.
A vibração do murmúrio de concordância de Kuroo teve reação direta em seu clitóris ao mesmo tempo que Kuroo enfiou mais um dedo dentro de si, o fazendo arquear as costas na cama. Suas pernas já estavam tremendo e sua buceta piscava nos dedos de Tetsurou enquanto escorria pré-gozo, quase como se tentasse trazê-los mais para dentro.
E então, caiu a ficha.
— Kuro. — Kenma segurou o cabelo do mais velho, fazendo ele parar os dedos também e o olhar preocupado. — Quero gozar com você dentro de mim.
Kuroo piscou uma, duas, cinco vezes antes de ajoelhar na cama com seu sorrisinho de sempre e Deus. Como Kenma sentiu saudade desse sorrisinho.
— Mandão como sempre. — Kuroo riu fraco, abaixando a calça junto com sua cueca, suspirando quando seu pênis finalmente saiu do aperto desconfortável das roupas.
— Você gosta. — Kenma sentou na cama para alcançar o corpo de Tetsurou, acariciando sua cintura e os pelos do umbigo até a base do membro enrijecido.
Kuroo assentiu. — Eu amo.
Kenma sentiu lágrimas formando nos cantos de seus olhos. Tetsurou levou a própria mão para a bochecha de Kenma e deu um selinho carinhoso nele.
— Se quiser parar-
— Não quero. — negou com a cabeça e selou a boca de Tetsurou de novo. — Obrigado.
— Mhm.
Depois de se ajeitarem na cama de novo e Kuroo pegar uma camisinha na carteira e colocá-la, ambos respiraram fundo e Kuroo pressionou sua glande no orifício molhado de Kozume. A falta de lubrificante era um problema que nenhum dos dois pareceu se importar muito.
Mesmo assim, Kuroo foi o mais devagar possível quando viu a expressão de dor no rosto de Kenma. Selou a testa do mesmo.
— Você tá bem? — perguntou.
— Grande. — respondeu. — Fazia muito tempo que eu não ficava por baixo.
— Ah! — Kuroo exclamou, parando de adentrar Kenma. — Se você preferir-
— Não, por favor. Eu quero você dentro de mim, eu preciso. — o tom desesperado de Kenma fez Kuroo mexer a quadril devagar.
— Porra, Kenma. — lamureou. — Você é gostoso demais pra minha sanidade.
— Talvez eu queira- — gemeu quando Tetsurou adentrou mais ainda. — te enlouquecer.
— Já conseguiu, gatinho.
Em algum momento, entrou tudo. Tetsurou beijou cada partezinha do rosto e pescoço de Kenma, esperando o mesmo se sentir confortável para se mexer.
Kenma rebolou um pouco e Tetsurou quase imediatamente começou a se movimentar dentro de Kenma. Os barulhos molhados junto com os gemidos baixos dos homens era a sinfonia mais bela que eles já ouviram.
Kuroo segurou uma mão de Kenma e entrelaçou os dedos, beijando sua bochecha.
— Tudo bem? — Kuroo perguntou e Kenma assentiu com um sorriso. Sempre cuidadoso.
— Não se preocupa. — Kenma selou os lábios de Kuroo algumas vezes. — Mas você poderia ir mais rápido, né..?
Kuroo riu fraco e deu mais um selinho em Kenma. — Seu pedido é uma ordem.
𖦹
Kuroo sentou na frente de Kenma com um copo de suco e uma pequena salada de frutas improvisada. Eles já estavam de banho tomado e os lençóis trocados.
Kenma pegou um pedaço de maçã e levou até a boca, suspirando alegre. Suas pernas tinham alguns espamos vez ou outra e Kuroo pedia desculpa todas as vezes.
— Você é o maior nerdola e sabe que isso é normal, Kuro. Não se preocupa.
— Me desculpa mesmo assim, eu deveria ter tomado mais cuidado. — Kenma riu e pegou o garfo, enfiando na melancia e levando para a boca de Tetsurou.
— Você falou a mesma coisa na nossa primeira vez.
— Você lembra? — falou de boca cheia e seus olhos brilharam.
— Você fez questão de ser inesquecível. — Kenma deu de ombros e desviou o olhar. — Você foi muito romântico.
— Eu sou romântico. — se defendeu.
— Não em términos, eu acho. — a voz de Kenma saiu baixa, mas Kuroo ouviu – ele sempre ouvia.
Eles continuaram comendo em silêncio, Tetsurou fazendo questão de Kenma não comer apenas as maçãs. Assim que terminaram de comer, Kuroo colocou uma mão no joelho de Kenma.
— Eu explico tudo amanhã. — disse olhando nos olhos de Kenma. — Tudo bem por você?
Kenma assentiu. — Eu quero dormir.
— Tudo bem. — disse entre risos. — Eu também tô com sono.
— Deita comigo?
— Claro.
Depois de um longo cochilo, Tetsurou foi o primeiro a acordar quando ouviu gritaria na cozinha. Quando não conseguiu sentar na cama, olhou para o lado apenas para ver Kenma praticamente em cima de si e com o cabelo bagunçado. Aquilo o levou de volta para o ensino médio, sem sombras de dúvidas.
Com um carinho e um beijinho no topo da cabeça de Kenma, ele levantou de forma cuidadosa e foi para a fonte do som.
— Olha só quem apareceu! — Inuoka gritou ao notar a presença de Kuroo.
Tetsurou sorriu e colocou o cumbuca e o copo que ele havia usado na pia, começando a lavá-los.
— Você comeu na hora da janta, Kuroo?! — Yaku reclamou.
— Kenma sentiu fome agora a tarde.
— Aposto que você nem ficou em casa. — Lev riu e se aproximou de Kuroo, cutucando uma parte de seu pescoço. Tetsurou reclamou da dor e a ficha caiu quase imediatamente.
— Deve ser de ontem. — ele riu nervoso e colocou a louça para escorrer, colocando a mão no pescoço para esconder a marca. — Eu vou acordar o Kenma.
— Ok~!
𖦹
No dia seguinte Kenma acordou nos braços de Tetsurou de novo, a diferença é que dessa vez foi proposital.
Após fazerem uma força tarefa para faxinar a casa para poder, Kuroo e Kenma anunciaram que iam dar uma volta antes de irem embora, já que não conseguiram sair no dia anterior.
Chegaram numa praça confortável e sentaram num banco perto de uma árvore. Aproveitaram a vista e o silêncio, com medo do desfecho que a conversa levaria.
— Então- — ambos iniciaram ao mesmo tempo e deram risadas tímidas. — Pode falar. — Kenma completou.
— Primeiro, eu quero pedir desculpas de novo. — Kuroo desviou o olhar. — Eu não deveria ter terminado por telefone e numa época de mudanças. Eu sei como você fica nessas situações e mesmo assim... — voltou a olhar para Kenma. — Me desculpa.
— Você vai me explicar o motivo ou..?
— Eu fiquei com medo, Kenma. Eu sabia que ia amarelar se estivesse frente a frente com você. Eu nem queria terminar. — Kenma cogitou empurrar Tetsurou do banco, mas se conteve quando o mesmo desviou o olhar de novo. — Deixo claro que não terminei porque parei de gostar de você e nem porque enjoei. Nem sei da onde você tirou isso sendo que se você mandasse eu pular, eu só perguntaria quão alto.
Kuroo suspirou e olhou para Kenma. Kozume fez um carinho no ombro de Kuroo para o encorajar a continuar falando.
— Eu terminei porque senti que estava estragando sua vida. — disse de uma vez. — Eu fui seu primeiro em tudo, Kenma. É como se eu estivesse roubando sua juventude e me senti tão egoísta. Nunca na vida eu terminaria com você por outro motivo além de pensar que você sentiria falta de novas experiências e que me odiaria por eu ter te privado delas.
— Kuro. — Kenma disse quando percebeu que Tetsurou não falaria mais nada. — Você parou pra pensar que, talvez, eu não queria novas experiências porque a única coisa que importava pra mim era você? Nunca nem passou pela minha cabeça que você "roubou minha juventude". Você sempre fez da minha vida melhor. Além do mais, com esse pensamento, eu também teria roubado sua juventude, não?
— Mas você sempre teve mais a sua frente do que eu tive, Ken. Eu só queria que você fosse feliz.
— Bom, eu fiquei incrivelmente depressivo quando a gente terminou. Nenhum outro cara foi igual a você, em nenhum quesito. E não só por causa do passado, mas porque você é você. Eu sempre quis que fosse você, Kuro.
— Me perdoa. — Kuroo piscou e lágrimas começaram a cair. Uma vez chorão, sempre chorão. Kenma se aproximou de Tetsurou e deitou a cabeça no ombro do mesmo. Seus dedos entrelaçaram. — Eu, também, sempre quis que fosse você.
Kenma analisou a situação por alguns segundos. Talvez, só talvez, Tetsurou o quisesse de volta tanto quanto ele queria.
Se não quisesse, paciência. Kenma conviveu com essa ideia sem nunca cogitar outra possibilidade. Mas, se Kuroo quisesse...
— Eu-... — Kenma iniciou, incerto do que dizer sem ficar muito explícito que a única coisa que passava em sua mente era "come back to me, PLEASE" na voz de Lana Del Rey. — A gente ainda pode- ser. Sabe? Um do outro.
Kuroo petrificou. Respirou fundo, limpou as lágrimas e segurou Kenma pelos ombros, o encarando com tanta esperança que Kozume teve que dar uma risadinha.
— É sério? Você tá falando sério? — Kuroo perguntou, balançando fraco Kenma no final das frases.
Kozume assentiu. — É sério.
— Mesmo depois do que eu fiz? Eu ia conseguir te reconquistar mesmo depois disso?
— Pra reconquistar alguém, essa pessoa teria que ter superado primeiro. — ele disse baixo e desviando um olhar.
— KYANMA! — Kuroo choramingou e puxou Kenma para um abraço apertado. Kozume riu de novo. — Eu também nunca superei!
— Kuro, eu não acho que isso é algo de se orgulhar.
— Claro que é! Todos os anos de miséria valeram a pena. Você teve experiências novas e mesmo assim decidiu ficar comigo!
— Ei, ei. Não é porque eu não superei que vou ser fácil assim. — Kenma se afastou um pouco. Torturar Kuroo era seu passatempo favorito, desde criança. — Ainda serão necessários encontros, presentes, jantares, mais sexo-
— Kenma! — Kuroo reprendeu, tampando a boca de Kenma e olhando ao redor. — Você vai me deixar maluquinho.
— Mhm. — Kenma murmurou.
— É muito cedo pra falar que te amo..? — Tetsurou descobriu a boca de Kozume.
— Cedo? A gente se conhece desde os seis anos. Se você parasse de me amar nesse meio tempo aí sim que eu não te aceitaria de volta.
— Eu te amo. Muito. — ignorou a provocação de Kenma.
Kozume o encarou por alguns segundos, analisando seu semblante. Segurou seu rosto com as duas mãos e o trouxe para um selar demorado e amoroso.
— Amar muito achei meio emocionado. Mas tudo bem. — deu de ombros e levantou, andando de volta para casa.
— K-Kenma! — Kuroo disse, levantando e indo atrás do homem. — Você não vai dizer de volta? — perguntou ao chegar do lado de Kozume.
— Depois de falar com a minha psicóloga. Você sabe que eu sinto, mas falar agora não consigo. — fez que não com a cabeça.
— Tudo bem. — Kuroo assentiu. — Posso segurar sua mão?
— Quantos anos a gente têm? — Kenma perguntou em tom de piada, mas deve ter saído um pouco seco ao que Kuroo ficou calado. — Claro que pode, vida.
— Meu Deus. Kenma, eu ainda sou virgem, vá com calma por favor! — Tetsurou entrelaçou os dedos com os de Kenma e puxou o mais novo para si quando ele tentou fugir.
— Já me arrependi. — Kenma tentou se soltar mas Kuroo apenas riu e manteve Kenma perto.
É, foi uma viagem legal. Ele tinha que aceitar os convites de Taketora mais vezes.
𖦹
— Então só tinha uma cama? E esse foi o motivo principal de vocês voltarem? — a psicóloga de Kenma disse.
— Na verdade, — Kenma levantou o dedo indicador. — ainda não voltamos. Mas é, mais ou menos isso.
— E ele não dormiu na sala para não levantar suspeitas?
— Isso. — Kenma assentiu.
— E ele não podia dormir no chão por...? — Kenma ficou em silêncio, piscando algumas vezes. — Quer dizer, você comentou que haviam cobertores e travesseiros extras, Kenma. Já parou para pensar que, desde o início, sua intenção era deitar com o sr. Kuroo?
