Chapter Text
Os mortos não mordem. A não ser, é claro, que você seja o idiota alimentando eles.
Olhando para trás, a primeira indicação de que hoje vai ser uma dor de cabeça é o fato de ele não acordar gritando- quase como se o universo desse uma olhada no seu futuro próximo e decidisse lhe dar uma folga preventiva.
Ainda não há nenhum sol a ser visto através das cortinas. Os lençóis grudam na sua pele toda vez que ele para de se mover, se agarrando ao suor formando uma poça na sua lombar, a curva do seu ombro, a parte de dentro das suas coxas e atrás dos seus joelhos.
No pesadelo, houveram rios de sangue. Tinham se grudado na pele dele também. O gosto de cobre é uma camada grossa que ele raspa da língua com os dentes da frente, e Kit ainda não decidiu se este tipo de pesadelo é melhor do que o outro.
Pelo menos não tinha tido ninguém que ele conhecia. Não enquanto ele não olhasse demais para os corpos.
Podia ser pior, Kit diz a si mesmo. Tem sido muito pior .
Não surpreendentemente, isso não é um conforto.
É uma longa manhã. Mesmo depois que ele se acalma- Tem um bocado de encarar o teto, discutindo se tomar um banho para se livrar da camada grudenta de suor vale a pena o esforço, chutando os lençóis pra fora- todos são pilares bem praticados da sua rotina.
Como é que fica tão quente na Inglaterra? Objetivamente, ele sabe que não fica, mas. Ainda assim. Um desses dias ele vai tacar o foda-se e tentar dormir no chão.
Quando ele sente uma pequena figura pulando na cama, ele pelo menos já roubou uma soneca sem sonhos.
“Oof.”
Ar é acotovelado para fora dos seus pulmões. Mina se inclina no peito dele, generosamente lhe permitindo colocar um braço ao redor de sua cintura com o ar de alguém que acha que coisas como “gravidade” e “equilíbrio” estão abaixo dela, e que Kit’s preocupação com ela não é nada além de um incômodo. O joelho dela se afunda na parte macia de seu estômago. Kit ama essa menina.
“Kit!!” Mina guincha. “Hora do café!!”
“Hora de ter fé?”
Ela morde o seu ombro com força. A mandibulazinha de bebê dela é surpreendentemente forte.
Kit realmente deveria parar de encorajar ela quando ela faz isso, mas em sua defesa, é realmente engraçado quando ela morde Jem no meio de um sermão. Não é nem como se ela rompesse a pele de qualquer jeito, o tio de jardim da infância dela está totalmente exagerando.
“Ai, ai, ai,” ele diz em um monótono. Mina grunhe:
“Hora de acordar!"
“Não, não, eu tenho quase certeza que ainda é hora de dormir. Por que nós não tiramos uma sonequinha, mm?”
Mina arreganha os dentes, janelinha da frente e tudo, o que é comunicação bem eficiente. Toma essa, tio Jones.
“Okay, okay. Deus. Sua monstrinha.” Rolar pra fora da cama com ela em seus braços vai bem o bastante que ele consegue cair de pé com ela ainda no seu colo. Ninguém vê ele hesitar enquanto sua visão clareia, então é okay. “Bora tomar café, então.”
Não demora demais para os rumores lhe alcançarem. Quem quer que tenha dito que morto não fala claramente nunca passou um bom tempo com um.
Bem, não só morto, é claro. A Dona Smith ficaria seriamente ofendida pela implicação. Mas ela está, de fato, morta- é por aí que Kit recebe a maioria das notícias hoje em dia. Não é como se os vivos não hesitassem em lhe contar coisas, e, bem- velhos hábitos são difíceis de quebrar, e a confiança dele só pode ser colocada em tantos lugares ao mesmo tempo.
Os mortos estão em todo lugar, e eles falam. Às vezes é como se fosse tudo o que eles fazem.
O que não é um pensamento gentil, talvez. Mas Kit passa a maioria dos seus sábados arrancando ervas daninhas da terra por uma dama fantasma que só faz um barulhinho de reprovação quando ele reclama sobre o suor, o calor, a sujeira, e então ele não está se sentindo particularmente gentil neste instante.
Kit faz o seu melhor, ele realmente faz, mas, às vezes, ele tem essa vontade violenta de arrancar tudo e tacar fogo na coisa toda. Não é como se Jem e Tessa se importassem com o que ele faz com os recessos interiores do castelo de qualquer forma, e os passos de bebê da Mina não são permitidos além das portas trancadas.
Ainda assim, é como ele acaba ouvindo sobre isso. Talvez não seja um esforço totalmente inútil, então.
“Então, deixa eu ver se entendi direito”, Kit diz devagar.
Dona Smith, que parece um pouco com uma tia mais velha de quem se diz ter sido uma grande beleza em sua juventude, assente em encorajamento.
“Você ouviu do- Seu Jacobs, da biblioteca, que ouviu da Darla, que ouviu de Jess, que ouviu de um fantasma de um centurião, Oliver alguma coisa, que aparentemente está assombrando uma adaga que eles acabaram de enviar para o Instituto- que tem algo de errado acontecendo na Scholomance?”
Ela faz um barulho concordando, excepcionalmente satisfeita para alguém que às vezes anda através das paredes quando está distraída. “Oliver Konman. A pobre da Darla parece muito chateada com isso, a tadinha. Eu acho que ela se preocupa um pouco demais.”
“Ela mencionou o que está errado?”
“Ah, você sabe”, Dona Smith faz um gesto casual, a manga grande do seu vestido não se mexendo com a brisa súbita. “O mesmo de sempre, esses dias. Eu ouvi que alguns centuriões não estão felizes com a chegada rápida de submundanos no nosso mundo."
“Submundanos são uma parte do seu mundo. Eles sempre foram.”
Ela inclina a sua cabeça de um jeito que significa que ela discorda, mas não está disposta a discutir com ele.. É uma visão surpreendentemente comum hoje em dia. Às vezes Kit tem vontade de cutucar seu estúpido chapeuzinho até ele cair, ainda que ele saiba todas as razões pelas quais isso não aconteceria
“Você não pode negar que a presença deles tem se feito sentir muito mais nos últimos anos”, ela diz, com um tom razoável de professora. Vai se foder, tio Jones. “O Cônsul até se casou com um deles! Algo assim nunca teria acontecido na minha época- ele teria sido completamente ostracizado, o pobrezinho. É incrível o quão rápido as coisas mudam. Pessoas sempre vão resistir a essas coisas.”
Kit olha para ela, secando o suor da sua testa com a sua mão menos enlameada. Não é limpo, mas os grãos do solo na sua pele tem uma sensação melhor do que o suor, pelo menos, e ela parece manter seu julgamento para si mesma, colocando de lado a boca franzida.
“Você é uma dessas pessoas?”
“A sua guardiã sempre tem sido muito bondosa comigo”, Dona Smith diz diplomaticamente. “Pelo menos desde que ela soube que eu estou aqui.”
Isso é provavelmente o melhor que ele vai conseguir. “Mais alguma coisa que você acha que eu deveria saber?”
A brisa aumenta de novo, logo na hora de ela esconder uma expressão tímida atrás do largo, trêmulo colarinho de seu vestido. Seus olhos brilham.
“Ah, você me conhece. Eu não sou o tipo de fofocar. Mas- se eu fosse uma apostadora-” você é, Kit pensa, você só perdeu todas as suas moedas de troca, “ - Eu apostaria que aquela querida garotinha adoraria te contar mais.”
Darla sempre sabe de tudo.
Ela assombra o correio, o que é o lugar mais esquisito onde ele já viu um fantasma tomar residência, movimentado com energia e vida que não se reflete na sua figura espectral. Mas a menina é um dos fantasmas mais legais que ele conhece; ele não está preocupado sobre ter mobília jogada na sua cabeça se ele cutucar um pouco demais.
Ainda assim, Kit não se intromete no seu domínio, aprendeu a não fazer isso há muito tempo, e ao invés disso espera atrás do edifício.
É sempre deserto aqui atrás, o que é uma sorte. De outro modo, alguém definitivamente teria chamado a polícia um milhão de vezes por ele vagabundear. Não importa quantas vezes Kit seja visto discutindo com o professor de jardim de infância local.
Demora alguns minutos para ela lhe sentir. Ou talvez não demorou tempo algum, e ela estivesse simplesmente distraída com alguma outra coisa. Você nunca sabe com Darla. Às vezes a temperatura só cai uns dois graus e é assim que você sabe que tem a atenção dela.
“Kit!” Ela exclama em alegria, mergulhando para encontrá-lo. Kit empurra contra a parede que ele estava se encostando e se endireita. “Não é uma quinta-feira! Garoto bobo, você sabe que eu não tenho nada pra você hoje!”
“Não é sobre cartas perdidas, Darling, mas você sabe que eu estou sempre ao seu serviço.”
Darla dá uma risadinha. O som soa errado vindo de uma figura transparente, mesmo uma com a aparência de uma menina de doze anos. O seu vestido branco não chega perto de ser longo o bastante para esconder os hematomas nos joelhos, canelas arranhadas, pés sujos que nunca tiveram a chance de curar ou serem lavados.
Ele tenta visitar com frequência.
“Então por que o meu Kitty está aqui?” Ela o olha com um sorriso conhecedor demais. “Com certeza você ainda não ouviu?”
“Você me conhece, Darla. Eu sempre ouvi alguma coisa.”
“Mas nunca o bastante,” ela diz, e ele dá de ombros.
“É pra isso que eu tenho você, não é?”
Isso funciona: Darla se ilumina, sua forma quase se tornando sólida por um segundo.
A sua sombra ainda nunca pisca sua existência. É assim que você sabe. Mesmo os fantasmas mais sólidos, os que podem optar por deixar o vento lhes afetarem, aqueles que podem mover as coisas ao redor- mesmo eles não tem uma sombra e nenhum reflexo. Kit não entende isso, mas ele não precisa. Ele sabe que é verdade.
“Tem um garoto aqui! Na cidade! Um centurião, de todas as pessoas- Ele é tão irritante, Kit, eu não confio nele, e você também não deveria. Você já ouviu sobre os problemas naquela escola mágica, não foi? Eu acho que ele é um deles.”
Kit não consegue respirar.
É como levar um soco. Eventualmente, você tem que se levantar. Ele endireita a sua espinha, se lembra de que ele saberia se Livvy estivesse aqui- ela pode se esconder do Jace, até, mas não dele. Se Ty estivesse aqui, ela estaria também.
Esse é meio que o problema. Blackthorns vão lhe assombrar para sempre, parece; piada só meio que intencional.
“Qual é o nome dele?” Kit pergunta, ainda assim.
Darla franze o nariz. “Zacharias Cross. Um nome bobo, se você me perguntar. Eu gostei mais daquele garoto legal, aquele… Julian? Ele não era assim.”
Alarmes tocam na cabeça do Kit. Irritante é uma coisa, Darla chama os seus carteiros menos favoritos de irritantes pelo menos uma vez por semana. Isto parece diferent. A sua figura continua piscando para dentro e fora de existência, como se ela estivesse nervosa demais para ficar parada, mesmo entre realidades. Está deixando Kit com dor de cabeça.
“Assim como, Darla? O centurião foi chato com você?”
Ela cruza os braços, impacientemente subindo e descendo na ponta dos pés. Eles não tocam o chão.
“Ele nem sabe que eu estou aqui. O que é estúpido! Ele deveria saber! Eu não sou um espírito pequeno!” Darla parece irritada o bastante que Kit não se deixa mencionar a sua estatura literal- ele vai deixar ela ter essa. “Mas eu não gosto do jeito como ele olha os mundanos.”
“Caçadores de Sombras não tendem a levar eles a sério.”
“Eu sei, mas- eles geralmente só olham pra eles como se fossem os acessórios de fundo. Esse cara olha pra eles como se eles nem estivessem no teatro. Tem algo de errado com ele, Kit, eu só sei. Jessamine diz- ah, ela diz coisas tão terríveis.”
“Ela sempre diz”, Kit fala, ganhando um riso de Darla.
“Verdade. Mas geralmente não desse jeito. Ela não está com medo, mas- eu acho que ela está nervosa com o que o fantasma naquela adaga lhe disse- aquele Oliver.”
“O que foi?”
Darla dá de ombros, com uma casualidade forçada o bastante que ele sabe que ela está incomodada. “Eu não pude falar muito com ele. Aquele Zacharias mal chegou aqui antes de levar ele para o Instituto, e Jess não me fala muito, disse que não é para orelhinhas pequenas, mas, but- eu estou morta. Isso não importa mais, importa?”
Ah, Darla. “Parece frustrante.”
“Tudo que ela me diz é que tem algo de errado acontecendo na Scholomance, que eles estão indo atrás de submundanos e que é por isso que Ollie está morto agora. Ela diz que alguém deveria tomar conta disso. E agora tem esse Zacharias, aqui em cima, e- ah- eu odeio isso, Kit, você pode pelo menos tomar conta dele?”
“Eu não sei se tem alguma coisa que eu possa fazer,” Kit diz.
“Sempre tem. Mesmo que você não goste disso”, ela diz como se fosse óbvio, e, bom.
Talvez seja. Esse não é o ponto todo do que ele está fazendo?
Ele odeia quando as pessoas estão certas. Isso nunca leva a nada bom.
“Eu posso te levar no carro,” Tessa oferece, uma mão gentil no seu ombro. “Ou abrir um Portal.”
Kit pega o ônibus.
Ele sentiu falta disso, honestamente.É objetivamente uma alternativa pior, mas ele não gosta de sentir como se ele dependesse de Jem e Tessa para ir de um canto ao outro- e ele gosta, de verdade, da breve janela de tempo sozinho que o ônibus lhe oferece.
Muito poucos fantasmas assombram ônibus. Pontos de ônibus, okay, mas eles nunca sobem no veículo. É bom o bastante para ele. Ele até consegue tomar a sua ritalina sem um rosto transparente e crítico lhe encarar, o que é uma mudança muito bem-vinda.
Às vezes, tudo que você precisa são cinco ou seis horas vendo o mundo passar sem nenhum espírito ao redor.
Um dia, Kit pensa desejoso, ele vai só pegar um ônibus e ver onde ele o leva, e então pegar outro ônibus de lá. Se ele um dia estiver seguro o bastante que ninguém chamaria a artilharia pesada por causa de uma chamada perdida. É um sonho distante, mas um homem precisa ter ambições.
Quando o ônibus chega em Londres, Kit está de bom humor o bastante - mesmo com o fato que ele teve que ficar levantando e andando o comprimento do ônibus para evitar que suas pernas ficassem dormentes - que ele quase considera dar uma parada em Blackthorn Hall para uma visita. Ainda não é o bastante.
Julian pode dizer o que ele quiser sobre Kit ser parte da família. Apenas uma pessoa se importou o bastante para checar nele através da porta fechada, e ninguém tentou entrar em contato com ele sem segundas intenções depois que ele se foi.
Kit não perdoou, mas ele também não esqueceu.
Suas costas doem o bastante para fazer Kit se arrepender de não aceitar a oferta de Tessa, só um pouquinho. A paz fez os músculos doloridos valerem a pena. Ele se alonga na calçada, evitando passar mais tempo do que o necessário em um lugar de Caçadores de Sombras, e ignora os olhares estranhos que recebe por isso.
Em um mundo ideal, ele nem teria de entrar no Instituto de Londres. Este não é um mundo ideal.
Kit entra.
Jessamine já está esperando no corredor.
“Você está atrasado”, ela diz. “Tem alguém aqui que quer te conhecer.”
Nos poucos anos em que Kit tem vivido em Devon, o restaurante no centro tem se provado sem preço.
Fantasmas sabem muito. Eles não sabem tudo. E realmente, se Kit se limitasse a conversar só com a sua família e os mortos- bem, isso parece um caminho muito curto até a insanidade, e ele não está convencido de que não já está em um mais longo. Ele pode pelo menos fazer o que pode para controlar os danos.
Hoje não está parecendo ser um bom dia para essa resolução. Mari agarra o seu braço assim que ele entra, o sentando à sua mesa com tanta força que isso envia a sensação de agulhas do seu cóccix para os seus dedos do pé. Deus, ele daria qualquer coisa para não estar sentado agora.
Mari lhe poupa um olhar que é cuidadosamente entediado demais para ser real e retorna sua atenção ao gigante de um homem no balcão.
“Puta merda, ainda bem que você tá aqui,” Lizzie sibila no seu ouvido. “Você recebeu minhas mensagens? Por que demorou tanto?”
“É, eu vim assim que ouvi. Eu estava a meio caminho de volta de Londres, idiota, não pude nem pedir um Portal pra minha mãe- deixa pra lá, vocês estão okay?”
Mari sorri, olhos ainda firmemente plantados no alvo, o que é alarmante em todos os níveis.
Elu até deixou Kit roubar a água delu sem um pio de reclamação.O que é uma boa notícia para a boca seca pra caramba de Kit, mas notícia realmente, realmente ruim para sua meta de ir pra cama quinze minutos atrás.
“Ah, estamos joia. Você sabe como é.”
“Eu não sei, na verdade. O que tá rolando?”
Lizzie abre sua boca-
O cara limpa a garganta, instantaneamente silenciando o lugar todo.
“Então,” Zacharias (por que é, Kit agora sabe sem uma sombra de dúvida, Zach Cross- ele pode ver as runas escuras e grossas na parte de trás da sua mão, na lasca de pele descoberta na sua nuca. Elas combinam com as de Kit) sorri, arrogante. “Um bocado de… submundanos… nesta área, mm?”
Debaixo do seu braço, Mari enrijece. Lizzie não move visivelmente, mas Kit sabe a sua mão encontrou a delu debaixo da mesa.
“Por que a pergunta?” Ecoa uma voz quieta e recatada da frente.
Kit vem aqui frequentemente o bastante para saber que Brian não tem muito a coragem necessária para ter um bar que é seguro para submundanos. Mesmo este nível de resistência é honestamente uma surpresa. Ele se encontra inclinando pra frente, pronto para correr. Suas coxas ardem.
“Ah, nada, nada. É só que eu fui mandado pra esta cidade para checar um poltergeist, de todas as criaturas, e eu não esperava que tivesse tantos… animais.”
Agora, isso é duplamente problemático.
Na verdade, triplamente.
Por um lado, poltergeists são- bem, eles são meio que a área de Kit. Ele pode estar mais ao redor de fantasmas mais calmos, mas tem muitas casas muito velhas em Devon, muitas delas abandonadas, e esse é o tipo de lugar onde assombrações tendem a apodrecer. He’s had to deal with his fair share of unfriendly caspers.
(Ele se recusa a falar com o fantasma de Blackthorn. Se eles querem a sua ajuda com isso, eles vão ter que lhe perguntar diretamente. Não aos seus pais, e não através de mensagens. A opção não parece ter lhes ocorrido da última vez que eles visitaram, e Kit está feliz por isso. De verdade. Ele está.)
Então isto significa que Kit deixou um passar despercebido por tanto tempo que eles mandaram um centurião . A idea de que Darla não lhe contou, ou pior, não tinha notado, quando Darla sabe de tudo…
Não é o ideal, pra dizer o mínimo.
Por outro lado, Zach acabou de se referir à matilha de lobisomens como animais. Ele sabe que demorou um segundo para Lizzie notar, porque só agora que ela começou a franzir no que é a sua primeira expressão desde que Kit chegou, mas Mari já está tense, e. Não. Que porra é essa, cara?
Kit está ficando realmente cansado da idiotice preconceituosa dos Caçadores. Ele está ainda mais cansado da idiotice preconceituosa dos centuriões.
E, é claro, em um terceiro lado triangular- a matilha não gostou muito disso.
Mesmo ignorando seus amigos, Kit pode ver algumas pessoas já se levantando dos seus assentos, olhos amarelos e unhas afiadas demais. Alguém no fundo se inclina contra a cadeira, mão sobre uma protuberância na sua jacket que Kit nem sabe como conseguiram contrabandear para um estabelecimento semi-respeitável.
Tem um grunhido baixo e ressonante no ar. O tipo que é baixo demais para ouvidos humanos captarem propriamente, mas que ateia adrenaline no instinto de presa no cérebro de Kit- um medo vagamente herdado. O tipo que é composto por mais do que uma voz.
E, olha, Kit nunca disse que ele é um cara inteligente. Ele preferiria muito mais estar descansando das dez horas que ele passou em um ônibus hoje. Mas ele ainda realmente preferiria que seus amigos não fossem pegos no meio de uma briga entre uma matilha de lobisomens e um centurião em um ambiente fechado, ainda que ele nem sequer esteja carregando o seu próprio equipamento de Caçador.
(Ele nunca está.)
(Portanto: De forma alguma um cara inteligente.)
Quando Kit se levanta, não é exatamente uma escolha que ele faz.
Algo em seu cérebro só desliga, com pânico demais para pensar, e de repente ele está se apoiando no balcão do lado do filho da mãe sem nenhuma ideia de como ele chegou lá.
“Hey,” Kit deixa escapar.
Em algum lugar atrás dele, Lizzie inala profundamente. Ele não tem como culpar ela.
Tem uma vaga nota mental no fundo da sua cabeça que diz: ah sim, agora é por volta da hora em que seus remédios param de ter efeito, né?, o que teria sido legal de lembrar vinte minutos atrás.
Se o cérebro de Kit tivesse sido legal o bastante para lhe dar um aviso, Kit provavelmente teria suposto que Zach ficaria- irritado na melhor das opções, pronto pra brigar na pior. Ele não tinha considerado a pior opção possível.
Não havia lhe ocorrido que Zach poderia parecer interessado.
O olhar de Zach se arrasta de cima a baixo como metal quente; dolorosamente, exigindo atenção imediata. Ele gruda embaixo das unhas de Kit. Ele vai estar girando para baixo do ralo de seu chuveiro por dias, Kit já sabe, arrepiado.
“Bem, olá,” Zach arrasta a fala, ignorando o olhar de completo nojo que Kit estava surpreso demais para esconder. “Eu vejo que essa fossa de cidade tem algumas surpresas agradáveis. Você é bonito demais para estar passando tempo com gentinha como essa, isso vai te contaminar.”
Por um momento, Kit se arrepende de todas as decisões na sua vida. Só… todas elas.
Se fosse literalmente qualquer outro cara flertando com ele, Kit estaria adorando. Ele não está realmente procurando um envolvimento agora, mas o lembrete de que tem outras pessoas como ele lá fora- que até acham ele atraente- isso é sempre legal, na verdade. Significa que o seu buttonzinho bi está funcionando.
“É?” Diz Kit, só pra comprar mais um pouquinho de tempo. Zacharias sorri.
Não é nem que o cara seja particularmente feio. Apoiando-se mais no balcão e se permitindo dar uma olhada, pelo menos para ganhar mais um momento, lhe diz esse tanto. Ele é alto- uns trinta centímetros a mais que Kit se eles estivessem ambos de pé, e Kit não é tão baixo. Suas mangas estão tendo dificuldade abarcando seus bíceps.
Quando Zach se vira completamente para olhar para ele, pernas se abrindo sobre o assento do banquinho como alguém particularmente arrogante no metrô, Kit tem uma vista melhor de olhos azuis límpidos e um maxilar que deve ter sido desenhado por um instrumento de precisão, no melhor exemplo de um desperdício de uma cara bonita que Kit já viu.
Não é nem porque ele é um Caçador de Sombras.
“Ah, com certeza, querido. Você deve estar cansado de todo o cheiro de cachorro grudando em você. Que tal eu te tirar dessa cidade?”
… Okay, é um pouco porque ele é um Caçador.
Principalmente, no entanto, é porque ele é um filho da mãe de verdade . Um incompetente, se ele está tentando comprar uma briga aqui. Kit não se surpreende que as expectativas para centuriões sejam tão baixas, mas ele se descobre um pouco sentido. Se este é o tipo de pessoa que a Scholomance está produzindo agora, ele se pergunta…
(Tem algo errado na Scholomance.)
(Eles estão indo atrás de submundanos. É por isso que Ollie está morto agora...)
(… não esperava que tivesse tantos… animais.)
(-isso vai te contaminar.)
O Ty tem quantos irmãos fae mesmo?
