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Operação Atlas

Summary:

Doh Kyungsoo era somente um adolescente comum nos corredores barulhentos de Saint Mary's, um prestigiado colégio que mais se parecia uma selva repleta de predadores sociais. Já no último ano do ensino médio, os objetivos dele eram muito bem estabelecidos: formar-se com as melhores notas e permanecer invisível diante daquela selvageria. Tudo estava indo bem, até que os seus segredos passam a correr o risco de serem revelados após ele ser exposto aos sorrisos encantadores daquele que estava no topo da cadeia alimentar: Kim Jongin, o novo aluno e ace do time de vôlei.

Notes:

Agradecimento especial a todos os envolvidos no fest, vocês foram demais!
Tenham uma boa leitura. 💕

Chapter 1: Prólogo

Chapter Text

Prólogo

Busan, janeiro de 1996

Corredores labirínticos adornados por cores primárias que lutavam entre si se tornavam morada para um ecossistema caótico todo início de semestre na Saint Mary’s. A cacofonia que ecoava entre os armários do colégio não era inédita, tampouco se sobrepunha à indiferença total de alguns dos infelizes presos por algumas horas naquele prédio antigo. Doh Kyungsoo era um deles. Sempre muito calado, sempre indiferente. Os olhos vidrados no caminho a seguir e em seu destino, desviando de grupos que se formavam nas margens daquele mar de hormônios adolescentes.

No ecossistema de Saint Mary's, onde havia uma cadeia muito bem definida por linhas tênues entre presas e predadores, Kyungsoo se estabelecia enquanto observador, longe demais dos predadores para ser alvo, longe demais das presas para ser domesticado. Era apático o suficiente para não se encaixar em grupos específicos e para passar despercebido, tendo somente sua própria companhia ao deslizar no espaço com passos comedidos.

Claro, todos eram alheios uns aos outros de alguma forma. O burburinho nos corredores deixava isso evidente, principalmente pelos cartazes presos nas paredes, onde podia-se ler “Desaparecido, Oh Sehun, palavras que eram acompanhadas de uma foto do garoto com sorriso singelo do primeiro ano.

A curiosidade encobriu a indiferença, mas Kyungsoo sabia que, de fato, poucos ali se importavam. Todavia, a centelha da novidade e do mistério abrilhantou os olhos dos predadores juvenis, que haviam encontrado a sua mais nova fonte de entretenimento. Os corredores tinham dentes que mascavam chiclete, as paredes possuíam línguas afiadas, e o piso marcava o passo de perguntas que ecoavam até desaparecerem completamente.

Oh Sehun desapareceu no último dia de aula do ano anterior. Sem deixar vestígios, sem testemunhas. Um dia, ele se levantou para ir à escola e nunca mais voltou para casa. Simples assim. Agora, havia faltas marcadas na linha de seu nome, e seu rosto era estampado por todos os lados, em um lembrete constante de sua existência — a qual só se deu por conhecida quando ele desapareceu.

Felizmente, as especulações se misturaram ao sinal de início das aulas, dispersando todas as interrogações que transpassavam as fissuras das paredes desgastadas.

Kyungsoo, em dado momento, pôs-se a encarar um dos cartazes impressos numa qualidade baixa, a tinta preta manchando as bordas da folha. Ele também nunca havia visto Oh Sehun pelos corredores de Saint Mary's.

Até aquele dia.