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Temptation

Summary:

Sexo. Gojo Satoru ama isso, e desde que percebeu seu apelo sexual cru em uma jovem idade, ele não tinha problema em usá-lo a seu favor. Homens e mulheres dividem sua cama - afinal, Satoru não é de discriminar. Ele vive por um lema - se algo lhe interessa, por que não dar uma chance e experimentar?

E ele queria experimentar Geto Suguru.
Saindo de um casamento de quatro anos com uma ex-mulher infernal, um relacionamento é a última coisa que Suguru quer. Ele está começando do zero e tentando se recuperar novamente com um novo emprego em um bar de luxo no centro da cidade.

O único problema é que Suguru chamou a atenção inabalável e indesejável de Gojo Satoru - um cliente regular no bar e um homem que sempre consegue o que quer.

Noite após noite, Suguru afasta todos os avanços persistentes do homem inegavelmente carismático, mas depois de um momento explosivo no bar, tudo muda quando ele percebe seu corpo reagindo com um desejo diferente da sua mente.

Enquanto a arrogância, teimosia e tensão sexual chia entre os dois, isso ameaça mudar o próprio curso de suas vidas.

Satoru não tem relacionamentos. Suguru não se relaciona com homens. Mas o que aconteceria se ambos apenas cedessem e... tentassem?

Notes:

achei importante avisar que:

- a história se passa em Chicago (EUA)
- o nanami e o gojo são meio-irmãos e ambos são donos de um escritório de advocacia

e é isso, por enquanto

Chapter Text

Segunda-feira, nove e quinze e, previsivelmente, eu ainda estou no trabalho.

Sentado em sua cadeira, Satoru empurrou para cima os óculos e esfregou a ponta do seu nariz. O escritório estava tranquilo agora, e ele sabia que era o único que restava no andar.

Esta era a melhor parte do dia. Esta era a sua parte do dia. Era o momento em que ele poderia relaxar, deixar cair todos os títulos, propriedades e aparências, e apenas ser ele mesmo.

De pé, ele estralou o pescoço de um lado para outro enquanto afrouxava o nó perfeito de sua gravata azul na base de sua garganta. Era hora de dar uma passada em seu lugar de sempre para tomar uma bebida rápida antes de ir para casa.

Pegando sua maleta, ele caminhou até a porta de seu escritório, apagou a luz e se encaminhou até o elevador. Esperando pelo elevador até seu andar na Gojo & Kento, ele olhou em volta para seu local de trabalho.

Hm, quem teria pensado?

Ele e Nanami tinham um ótimo negócio. Era algo chocante, considerando-se o que aprontavam em seus dias de faculdade, mas, no que lhe dizia respeito, era para isso que servia a faculdade - tentar um pouco de tudo e de todos - e depois... bem, Satoru se certificou de tentar de tudo.

Nanami estava sempre no seu pé para que pensasse em se estabelecer com alguém. Isso provavelmente seria uma ideia estelar, mas ele não era como Nanami, que estava feliz em seu terceiro ano de casamento.

Satoru não tinha vontade de se ligar a ninguém, homem ou mulher, especialmente quando era muito mais emocionante apenas pegar o que era oferecido. E esta cidade grande oferecia muitas opções.

Quando as portas do elevador se abriram, Satoru tinha um único objetivo em mente - tomar uma bebida. Um gim-tônica, e então a vida seria uma beleza.

Ele tinha um trabalho bem sucedido, um apartamento no centro da cidade, e um escritório localizado ao lado do seu bar favorito.

Se ele fosse um homem arrogante...

Inferno, quem eu estou tentando enganar? Eu sou um filho da puta sortudo.

***

Empurrando a porta dupla do After Hours, Satoru deixou o ar fresco da noite e entrou no ambiente acolhedor do seu ponto de encontro favorito. Quando o mal iluminado interior familiar o convidou para dentro, ele se lembrou de por que adorava vir aqui. Era o lugar perfeito para sentar, observar e, se ele quisesse, caçar, podendo realizar tudo isso sem o assédio constante tipicamente encontrado nesses lugares de azaração.

Ele ansiava por tranquilidade depois do trabalho, e talvez...

Ah, sim, pensou quando uma morena voluptuosa passou por ele, seus seios pastando em seu braço. Talvez um pouco disso também.

As cabines isoladas e escuras que revestiam a parede lateral estavam chamando por ele, mas no último minuto, ele mudou de ideia e ignorou-as enquanto se encaminhava até o bar, onde encontrou um banquinho vago no final. Ele colocou o telefone celular vibrando no balcão e ignorou a mensagem de... ah, sim, Akari, que ele conheceu no voo de Los Angeles à Chicago.

Depois de colocar a maleta no chão, sentou-se e a colocou entre seus pés, prendendo-a lá enquanto esperava pelo barman. Olhando em volta para as pessoas que se misturavam, Satoru viu uma mulher atraente parada mais ao longe do bar. Ele supunha que ela devia ter uns trinta e poucos anos. Ela era uma ruiva pequena, vestida com uma jaqueta preta confortável e uma saia que abraçava sua bunda redonda.

Quando ela inclinou a cabeça em sua direção, Satoru espiou a bebida na mão dela e decidiu que iria enviar-lhe uma segunda assim que o maldito barman aparecesse. Depois disso, talvez ele a levasse até seu escritório e apresentasse o rosto dela à sua mesa e sua bunda ao seu...

— O que eu posso oferecer para você beber esta noite?

Finalmente.

Satoru virou a cabeça para a voz suave e sedosa que tinha acabado de se dirigir a ele, e pela maneira como seu corpo reagiu, ele ficou grato por estar sentado. O cara olhando para ele à espera de uma resposta era gostoso.

Limpando a garganta, Satoru lembrou-se de ser amigável.

— Um gim-tônica. Abra um guia para mim? Obrigado.

— Claro que sim. A caminho. — ele disse a Satoru antes de se virar para fazer a
bebida.

Satoru rapidamente avaliou os cabelos escuros soltos, ombros largos, cintura bem delineada, e...

Falando em bunda...

Voltando-se para ele, o barman gostoso deslizou o copo no balcão de madeira e deu-lhe um largo sorriso amigável. Ele então colocou suas mãos grandes na superfície e se inclinou para mais perto, como se estivesse prestes a divulgar um segredo. Satoru sentiu seu corpo reagir às faíscas nos olhos do cara, e ele se viu avançando para um pouco mais perto, decidindo que essa opção era muito mais interessante do que a primeira.

Isso foi até o barman virar a cabeça, olhando para o outro lado do balcão.

— Então, e quanto a ela?

Satoru olhou na direção da ruiva, que ainda estava de frente para ele. Era uma pena, porque até cerca de dois minutos atrás, ela teria sido uma certeza esta noite.

Olhando de volta para o rosto cheio de humor, Satoru já estava pensando em como conseguir esse cara sozinho e de joelhos. Esse colete pomposo e a gravata que faziam parte do uniforme do After Hours ficariam ainda melhores se estivesse olhando para eles de cima, enquanto as pernas naquela calça estivessem ajoelhadas no chão.

— O que tem ela? — Satoru finalmente respondeu, agarrando a bebida e levando o copo aos lábios.

Quando o garçom riu, Satoru focou em seu pomo de Adão balançando em sua garganta bronzeada.

— Jogando com calma, entendo. — ele brincou, quando levantou uma toalha branca e colocou-a sobre o ombro.

— Tenho certeza que você não entende.

Se você entendesse, você mais do que provavelmente se afastaria para longe.

— O que é então?

— Nada. Eu acho que mudei de ideia.

— Porra, cara, por que você faria isso? Ela é sexy pra cacete.

Satoru tomou outro gole rápido, drenando o conteúdo do copo enquanto seu corpo ficava tenso, reagindo à palavra sexy vindo daquela voz suave.

Normalmente, os funcionários do After Hours não eram exatamente tagarelas, e se fossem, as conversas eram sempre educadas. Este lugar era de alta classe, não um pub local, e o fato de que esse cara estava parado aqui, descaradamente checando a clientela, fez Satoru dar outra olhada na mulher.

— Concordo. Ela é linda.

— Quer outro? — ele fez um gesto em direção ao copo vazio.

— Claro. Então... você é novo aqui.

O barman balançou a cabeça, seu cabelo escuro se mexendo com o movimento, enquanto ele olhava para Satoru.

— Você obviamente não, já que sabe disso. Comecei ontem.

— Bem, eu acho que você pode dizer que eu sou um cliente regular. Eu trabalho ao lado.

A nova bebida foi empurrada em sua direção e Satoru pegou-a sem tirar os olhos do homem. Ele estava recebendo alguns sinais dele, mas ele tinha certeza que não era o que estava esperando.

Provavelmente é só um novo funcionário apreciando um cliente decente.

Mas cada pensamento que atravessava a cabeça de Satoru agora, especialmente uma em particular, definitivamente não era decente.

Foi quando o barman deu outro sorriso brilhante e fez sinal com a cabeça para o outro lado do balcão.

— Bem, tenho que voltar para os meus fãs. Deixe-me saber se você quiser comprar para a ruiva sexy uma bebida. Parece que você precisa relaxar, se sabe o que quero dizer.

Antes que Satoru pudesse dizer uma palavra sequer - muito menos: não, eu não sei. O que você quer dizer com isso? - o cara tinha se afastado, e agora ele estava flertando com uma mulher loira. Ela estava lhe dando uma vista exclusiva de seus seios amplos, e Satoru não conseguia parar de observar o mais novo funcionário do After Hours enquanto esvaziava a segunda bebida.
Porra, as coisas tinham ficado um pouco mais complicadas.

Justamente quando ele pensou que a vida ia ser fácil e lhe mostraria uma mulher para curvar sobre sua mesa, ela lhe apresentou algo muito mais agradável.

***

De pé em frente a uma loira curvilínea, Suguru se concentrou em misturar o coquetel. Esta era apenas a sua segunda noite trabalhando no After Hours, mas ele era barman há anos. Apenas uma das muitas coisas que Manami odiava.

Não importa o que ele tinha feito durante o casamento, nada a havia feito feliz. Eles tinham sido inseparáveis quando começaram a namorar. Se ela estivesse em um quarto com ele, ele provavelmente acabava dentro dela. Eles não tinham sido capazes de ficar longe um do outro, e apesar de terem uma cama quente à noite, com certeza não tinha evitado que o ciúme gelado escorregasse por entre as fendas da fundação defeituosa de seu relacionamento.

Sua vida ou o amor ou seja lá o que diabos aquilo foi, tinha sido construído sobre a luxúria, e quando a luxúria se transformou em ciúmes, seu casamento virou lixo tóxico.

Agora, só de vê-la fazia Suguru querer socar alguma coisa.

Depois que terminou de agitar o drinque, ele derramou a bebida vermelha brilhante em um copo alto e acrescentou uma fatia de abacaxi, um canudo e um guarda-chuva de papel minúsculo. Em seguida, ele deslizou ao longo do balcão para a loira.

— Vai ser doze. — ele piscou e deu a ela um sorriso de flerte, sabendo que isso iria lhe render uma gorjeta.

Era a mesma expressão que tinha oferecido a poucos minutos atrás, para o cara no final do bar - o mesmo cara que Suguru podia sentir que ainda olhava para ele.

A moça escorregou uma nota de vinte pela superfície lisa e olhou descaradamente para seu corpo. Quando o olhar dela voltou a encontrar o seu, ela esticou a língua para fora e deslizou-a pelo canudo como se estivesse lambendo a ponta de seu pau.

— Fique com o troco. — ela ofereceu em um tom provocativo.

Suguru pegou o dinheiro e pegou um pequeno guardanapo preto. Quando ela se inclinou para mais perto, ele fez questão de admirar seus seios impressionantes, e então ele colocou o guardanapo na frente dela para seu copo.

— Obrigado. — ele aceitou.

Sem pensar duas vezes, a mulher colocou a mão fria sobre a dele.

— O prazer é meu.

Suguru sabia que isso tudo era parte de seu trabalho. Seja flertar com as mulheres ou ser amigável com os homens e, obviamente, nunca cruzar o limite. Ele também sabia que a maioria dos empresários na área geralmente frequentavam o bar depois do trabalho a caminho de casa... ou talvez eles viessem para evitar ir para casa. Quem sabe, e quem se importava? De qualquer forma, seu trabalho era ser amigável, dar o que eles queriam, e fazê-los querer voltar, então isso é o que ele fazia. Se ele adicionava um pouco de flerte na mistura, era apenas porque ele tinha se aperfeiçoado nessa arte. Além disso, ele sempre conseguia as melhores gorjetas dessa forma.

— É meu também, mas eu preciso voltar para meus outros clientes. — ele gentilmente tirou a mão debaixo da dela e afastou-se um pouco de onde estava encostado no bar.

— Que horas você termina hoje à noite?

Suguru passou a mão sobre seu colete preto.

— Tarde. Que horas você começa a trabalhar amanhã?

— Logo cedo. — a loira falou. Ela chupou a ponta do canudo entre seus brilhantes lábios vermelhos.

— Ah, isso é uma pena, não é? — Suguru lamentou e descobriu que ele realmente quis dizer isso quando seu corpo mostrou sinais de interesse pela primeira vez em muito tempo. — Acho que nós somos apenas dois navios na noite.

Corajosamente, ela passou o olhar por seu corpo mais uma vez.

— Você estará aqui amanhã à noite?

Suguru balançou a cabeça quando puxou a toalha do bar de seu ombro.

— Estou aqui de terça a sábado à noite. Você não ouviu? Eu sou o novo entretenimento. — afirmou, se encaminhando em direção ao cara do outro lado.

Encostado no bar, Suguru olhou para o Sr. Gim-tônica e notou que o copo estava vazio mais uma vez.

— Quer outro?

— Não.

Os olhos de Suguru se moveram do copo alto para as íris azuis olhando para ele por trás dos estreitos óculos pretos modernos. Esse cara gritava sofisticação, do seu estiloso cabelo branco como a neve, até o terno feito sob medida. Ele claramente levava a sua imagem a sério.

Suguru uma vez tinha ouvido Manami se referir a um homem como geek chic. Esse cara devia ser desse tipo, exceto pelos olhos. Suguru não conseguia identificar qual era a diferença, mas conforme o silêncio se estendeu entre eles, e o olhar continuou intenso, ele ficou um pouco desconfortável. Ele também observou que a semi-ereção que teve pela loira não estava cedendo, mas ele rapidamente deixou esse pensamento de lado.

— Qualquer outra coisa que eu possa fazer por você? — perguntou Suguru.

— Por que você não pegou o número dela?

Pego de surpresa pela repentina mudança de assunto, tudo o que Suguru conseguiu dizer foi:

— Hã?

— O número dela? — O Sr. Gim-Tônica repetiu, olhando através do bar na direção da loira. — Você não entendeu? Ela estava obviamente interessada em você.

Ainda segurando a toalhinha na mão esquerda, Suguru começou a limpar a superfície do bar. Já estava bastante limpo, mas ele precisava da distração.

— Não confraternizo com os clientes. — levantando seu olhar, Suguru deu um encolher de ombros acompanhado por aquilo que ele esperava que fosse um sorriso descontraído, enquanto continuava limpando o bar.

O homem olhando para ele não retribuiu.

— Isso é uma pena.

Suguru parou de mover a toalha e segurou-a entre as mãos. O que diabos isso significa?

Olhando ao redor, ele notou que Yuki e Mai, suas colegas de trabalho, não estavam à vista, então ele estava confuso sobre exatamente a quem o homem estava se referindo. Quando Suguru se virou, o olhar firme por trás dos óculos estava agora vincado nas laterais com o que ele jurou ser diversão direcionada a ele.

— É uma pena, porque ela é... como é que você descreveu a ruiva mais cedo? Sexy pra caralho?

Em estado de choque, Suguru ficou ali, em silêncio. Ele não conseguia pensar em uma única coisa a dizer. Por um breve momento, ele tinha chegado à conclusão errada, e havia pensado que o homem queria dizer que era uma pena que não pudesse confraternizar com ele. Em vez de responder, Suguru permaneceu mudo com a toalha em suas mãos, contemplando o homem do outro lado do bar.

O Sr. Gim-tônica levantou-se e pegou sua maleta do chão. Ele pegou o telefone vibrando em cima do balcão e olhou para ele. Obviamente decidindo que não era importante, ele olhou para Suguru enquanto puxava a carteira do bolso da calça. Ele tirou uma nota e a deslizou ao longo do bar.

Por alguma razão desconhecida, Suguru sentiu que era importante marcar seu território, por isso ele não olhou para baixo, para o dinheiro. Em vez disso, ele ofereceu o seu sorriso descontraído que normalmente o fazia se safar de todos os seus problemas.

— Você deveria pegar o número dela. Você parece um pouco tenso e precisa relaxar, se sabe o que quero dizer.

Com suas palavras sendo devolvidas para ele, Suguru viu o homem fazer uma chamada em seu telefone antes de se virar e sair do bar.

Não foi até que Mai veio e disse seu nome que ele percebeu que ainda estava parado onde tinha estado durante os últimos minutos, e sua ereção ainda não tinha amolecido.

Olhando para o bar, ele viu uma nota de cinquenta sobre a superfície, e ele balançou a cabeça.

Porra, essa é uma excelente gorjeta. Eu não ligo para o quanto essa interação foi estranha. Se ele é um cliente regular, eu vou torná-lo meu.