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Após o Caos

Summary:

Pac está de volta após o Purgatório 2, para a felicidade de Fit, Ramon e Richarlyson.

Há apenas um problema: Ele não voltou sozinho.

OU: Universo alternativo onde Pac volta do Purgatório 2 com Guaxinim, que torna-se um dos novos residentes da Ilha Quesadilla. (PS: Nessa fic, todos os residentes voltam no mesmo dia do Purgatório, não por eliminação e não possuem "passagem livre" entre os dois servers)

Notes:

Observação: falas completamente em itálico são em português ou espanhol na cena (o segundo no caso do Ramon).

OII VIVS PARA VOCÊ COMO MINHA MAIOR APOIADORA E BETA-READER <3

(This story is in Portuguese-BR, FOR ENGLISH READ HERE)

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Pac estava de volta. 

Fit não podia estar mais aliviado de ver seu colega de quarto de volta pela a Ilha, mais do que pela preocupação com seu bem-estar após o sequestro, mas suas noites não tinham sido as mesmas em sua ausência com o choramingar de seu filho exigindo seu "futuro pai" de volta. 

 

(Para agravar o estado repentino de dependência de seu filho com o seu possível futuro namorado e atual nomeado colega de quarto , antes de seu sumiço oficial, ele foi chamado para uma conversa “íntima”. Fit não escutou a conversa, e não compreendeu com totalidade já que estava distante e cuidando de Sunny, mas Pac e Ramon tiveram um diálogo profundo.

Começando pela parte que Fit ouviu, e lhe faz demorar para dormir todas as vezes que lembra, com calafrios por todo o corpo. Em que Ramon cumprimentou-o com um dos seus aprendizados em português: Bom dia futuro Pai! Ao qual levou o brasileiro a rir de nervoso, ainda que o sorriso tomasse cada canto de sua face. E virando-se a direção do careca, e apontando para seu filho, ele vocalizava em alto tom: 

ㅡ Fit?! O que você têm dito- O que você têm dito para ele?!

E tão vermelho quanto um tomate, o outro gaguejou em sua resposta  ㅡ Eu não tenho dito nada! Ele apenas- E-ele só gosta de fazer piadas! De vez em quando... Faz piadas, apenas- apenas fazendo piadas! 

Ramon negava com a cabeça, e Pac aproximava-se. A criança logo atrás, colada a ele.

ㅡ Ooou talvez ele está falando da realidade, quem sabe! 

Fit não soube dizer se Pac utilizou de um tom de voz mais sedutor, ou se estava tão fundo em sua armadilha que seus sussurros lhe eram por si só seduzentes, mas como um canto de sereia era aquela frase que ocupava sua mente todas as noites.

Foi logo em seguida a isso, que Ramon puxou o “futuro Pai” brasileiro, e o calvo não foi mais capaz de acompanhar a conversa (ainda assim dizendo em alto tom "Se comporte Ramon!" para o filho), mas ela seguiu assim: 

A criança perguntou-lhe sobre Fit. Pac perguntou o que ele queria saber, e se era sobre “o que eles tinham”, ao qual o pequeno imediatamente meneava em concordância. 

ㅡ Ah sim! Então, sobre o Fit... Você quer que eu diga tudo sobre o Fit?! Ok... Eu não sem nem o-onde começar... Ahmmm deixa eu pensar... Ok, você sabe, eu e o F-Fit começamos a sermos amigos... Bons amigos... Ahm... E-Eu não tenho certeza se nós já demos um passo a mais, sabe? Você sabe o que eu quero dizer? Nós estamos... Estamos... Se aproximando mais, e mais, sabe? Eu não sei falar sobre isso Ramon... Ahmm... Eu sou meio tímido. Porém, nada é 100%, eu diria, entende? Nesse meio tempo eu diria que nós provavelmente... Estamos sendo... Bons amigos... eu acho.

ㅡ Tome seu tempo! - A criança sorria largo.

ㅡ E-E... E... MAS! Eu tenho sua benção? Sabe? Isso é importante para mim. Porque... Você é tipo... Muito apegado ao Fit e... Fit ama muito você. Ter a sua benção, r-realmente seria o mundo para mim.

ㅡ Se você não machucar ele... - Ramon desviava o olhar, mas suas sílabas saíam com força e sinceridade. Pac respondia com um rápido "Não, claro que não!" ㅡ E prometer amar ele de todo coração, e cuidar dele… - Agora o rapaz sussurrava um "Ok" ㅡ Você tem minha benção. - Ele terminava, abrindo seu grande sorriso mais uma vez.

ㅡ Oooh então eu! Uau, i-isso é muito fofo, Ramon. Quer saber? Eu irei fazer tudo conforme você disse. Na verdade essa vai ser minha- Ahm, como eu posso dizer- Eu não sei como dizer mas tipo, meu propósito, do meu coração... Eu irei seguir seus direcionamentos e fazer exatamente como você decidir. E-e! Obrigado Ramon! Significa muito para mim, sabevindo de você... E eu espero que tudo... Que tudo dê certo... Eu, você, Fit... E o Richas! Nós podemos todos conviver juntos e ser uma família.

Pac via mais maturidade na criança do que em muitos outros residentes da ilha, e seu coração pulava com emoção pela forma carinhosa que referia-se ao seu pai, mas ainda assim confiava em si para estar ao lado dele (pois com essa mesma dócil voz ele chamava-o de futuro Pai). 

Obviamente o brasileiro confirmou que claro que sim, e que ficou muito feliz pela benção dele. O suficiente para a criança mexicana entender que ele seria de fato capaz de oferecer todas as ditas seguranças ao americano.

A única outra coisa que Fit ouviu da conversa entre os dois foi segundos antes de Pac abraçá-los pela última vez desde então, um “volte e se case com o Fit” dos lábios de Ramon, que deixou-lhe envergonhado até os dias atuais. Pac não negou o pedido, apenas sorriu em sua direção.)

 

Foi uma mensagem em seu comunicador que alertou-o da chegada alheia, Philza digitou-lhe no momento que viu o brasileiro pisar pelo Spawn , com um: seu marido está de volta. Mau havia terminado de ler, e as partículas roxas já lhe envolviam, com rumo a onde pareciam estar presente.

Muitas vozes tornavam-se dispersas pelo local. Philza estava, como de costume, acompanhado de suas duas crianças. Forever também estava presente, chacoalhando uma silhueta que Fit ousaria dizer ser daquele quem mais sentia saudades. Tubbo estava de volta também, aparentemente exausto, jogado contra uma das paredes do spawn enquanto Chayanne cutucava-lhe. 

Haviam mais pessoas dispersas ali. Nenhuma realmente lhe era importante, ou digna de sua atenção. Fit muito menos se deu o trabalho de observad o suficiente para saber se Etoiles, BadBoyHalo e Bagi já estavam, também, de volta. Seus olhos fixaram-se em uma silhueta específica desde que a encontrou. 

Pac?

A voz do americano falhava. O tom escapou mais alto do que planejado, já que sua intenção sequer era falar algo. 

Seus fios estavam mais longos que antes, um pequeno rabo de cavalo preso ao alto. Dessa vez não estava de regata, e sim uma camiseta branca que esbanjava rasgos nos mais diversos lugares. As mangas curtas, de qualquer maneira, davam espaço para as cicatrizes aparentes em seus braços - que ousaria dizer terem aumentado de músculos mais uma vez (e seria justificável, pelos conflitos que deve ter enfrentado mais uma vez no Purgatório 2). Sua calça era preta, e Fit sabia exatamente qual era: A peça do terno que trajava, a última vez que se viram.

Os olhos brilhantes direcionaram-se para a face do americano, sua cicatriz entrando no campo de visão acompanhada de mais alguns novos cortes (bem menos profundos) pela sua bela face . (O americano jurava, mentalmente, que se descobrisse quem ousou tocar o rosto belo de Pac, trataria de fazê-los se arrependerem). O sorriso tomava conta, tal como o corar de suas bochechas.

O moreno aproximou-se, passos largos e animados, parando em frente a Fit, corpo quase colado ao seu. Sua cabeça erguendo-se sutilmente, para fitar o fundo das orbes claras deste que era um pouco mais alto.

Fit não sabia dizer se era o conforto e pacificidade que Pac lhe passava, mas o Spawn - mesmo lotado - repentinamente parecia silencioso. Eles encaravam-se, contemplando a presença um do outro novamente (principalmente após a maneira inconveniente que foram separados, justamente quando as coisas pareciam avançar entre eles; Após um presente de coração da parte do careca, algo que ambos não falariam entre eles mas chamariam de ‘encontro’ para os outros, e sobretudo uma conversa calorosa do brasileiro e a criança mexicana). 

O americano suspirou, entregando-se a presença do mais novo, e envolvendo seu corpo em um abraço. Os olhos de Pac arregalaram-se com surpresa, sendo sempre o primeiro a sugerir um contato mais físico, ainda que sempre com receio ou anúncios de que abraçaria-o para evitar qualquer incômodo.

Envolvia-o com força, braços firmes em suas costas, apreciando o calor do corpo tão próximo a si. E o brasileiro, com um sorriso tímido no rosto, a rosácea aumentando por sua pele, levava suas mãos a timidamente repousarem nas costas fartas alheias.

O clique de câmera ecoou no silêncio , despertando Fit do conforto. Seus braços rapidamente se afastaram do amigo , e seu olhar - quase como de águia - voltou-se para a direção que o flash soou mais alto. Obviamente Philza, com o sorriso descarado e sua câmera favorita em mãos. 

Praticamente voou na direção do melhor amigo, com um ar de ameaça a qual imediatamente fez o britânico gargalhar alto. Cobriu o campo de visão do mesmo, de costas para os dois colegas que haviam voltado, e com a face corada sussurrou ㅡ Me dá uma cópia… - Philza voltava a rir alto, balançando a cabeça em concordância, e preparando uma cópia em sua polaroid digital .

O loiro estendia-lhe a imagem, cujas cores surgiam aos poucos, e Fit rapidamente escondia no bolso de sua calça para evitar expor ter solicitado cópias de um momento íntimo. ㅡ Mas ele não está sozinho.

As sobrancelhas de FitMC uniam-se, intrigado com o sussurro ㅡ Pac? - O amigo meneava em concordância.

Ao virar-se, deparou-se não com Pac parado no mesmo lugar, e sim Forever, que logo aproximava-se apoiando a mão em seu ombro com sutis tapas. Em busca de Pactw, o americano logo visualizava-o entre abraços e muito contato físico com um moreno de bigode - suas sobrancelhas uniam-se ainda mais (se possível), mas acompanhados de uma pitada amarga em seu estômago diante da imagem.

ㅡ Aquele ali é o Xinim'. - O presidente explicava, grande sorriso no rosto como sempre ㅡ É um brasileiro, tem passado com o Pac e tals.

ㅡ Passado?

Forever crescia um sorriso lateral ㅡ É big boy , fica ligado. Ele e o Pac se conhecem há muitos anos, tanto quanto o Cellbit sabe? Há boatos que o Xinim' é apaixonado no Pac, ou algo assim. 

Fit não julgaria-o se isso fosse verdade. Ele era culpado do mesmo. Seu punho ainda assim se fechava, e sua garganta trancava com a ideia. Porque ele estava aqui, junto com ele, existindo tal histórico? - Se questionava, um tanto frustrado. Porque agora? Quando sequer pode estabelecer uma posição de superioridade, apresentando-se como o namorado do brasileiro de fios compridos, ou algo assim. (Era um pensamento um tanto arcaico, mas um dos romances mais modernos que conheceria. Das terras de onde vinha, namoros eram selados com palmas das mãos cortadas e sangue compartilhado, e alianças eram adagas feitas a mão).

ㅡ E porque ele está aqui? - Tentava não soar tão agressivo e enciumado quanto gostaria, mas provavelmente falhava, já que o rapaz de terno gargalhava, dando-lhe tapas mais fortes.

Balançou os ombros, antes de afastar-se ㅡ Ótima pergunta, big boy . - Posicionava-se um pouco a frente de Fit, e assobiava, vindo a acenar para Pac e o novo rapaz ㅡ Ou, moço! Vem aqui explicar para o seu namorado o porque você trouxe seu outro namorado ! - Dessa vez pronunciava em seu idioma nativo, e o americano apenas compreendia algumas palavras, mas pela expressão facial do outro brasileiro, havia incriminações na frase. 

Pac aproximava-se acenando ao ar, antes de desferir tapas no amigo loiro ㅡ Não fala isso! Ele não é meu namorado! - Fit só entendia os não , mas ele corroía-se para entender o que era namorado e porque a palavra havia sido repetida tantas vezes.

Forever riu, completamente dedicado em provocar a dupla ㅡ É então explica pro grandão ali! Porque ele tá se corroendo em querer saber porque você foi sozinho e voltou com um homem brasileiro. Pior ainda se ele souber as outras coisas que aconteceram lá, vixe moço você perde seu romance. - Seu português escapava com dupla velocidade, para evitar que Fit compreendesse suas sílabas.

O rapaz de vestimentas estraçalhadas aproximava-se, desferindo tapas no loiro, e com suas bochechas infladas deixando apenas resmungares escaparem. Pigarreou, e fitou o americano (que obviamente já mantinha a concentração nele). Gesticulou em direção ao amigo que trouxe das terras de céus amarelos-esverdeados , com seu sorriso tão amarelo quanto, antes de justificar-se ㅡ Ahm, Fitch ! - Pelo sotaque, Pac facilmente entregava estar nervoso quanto ao tópico ㅡ Deixa, hm, deixa eu te apresentar… Meu amigo…

Quase colados, a dupla de bons amigos aproximou-se do novo possível residente. Pac estava nervoso, quase trêmulo, enquanto o novo brasileiro olhava o careca de cima a baixo. 

ㅡ Fit, esse é o Guaxinim, meu amigo do… Passado … Guagua, esse é o Fit - Ele apontava entre os dois, para suas devidas apresentações.

Nenhum dos dois (Pac e Fit) notaram a aproximação de um terceiro. Apenas Guaxinim, já que ele estava em seu campo de visão. O loiro que aproximou-se, de qualquer maneira, ergueu a face próximo ao ombro do americano e encarando o novato, questionou ㅡ Da prisão?

Os olhos de Pac se arregalaram, e ele virou-se para Philza. Meneou a cabeça lentamente, surpreso pela rápida associação. Com a única curiosidade da sua parte sendo saciada, afastou-se para voltar a atenção ao seu pseudo-filho e padrinho de suas crianças, que estava sob cuidados (ou incômodos) de Chayanne e Tallulah. Fit precisaria perguntar o que houve com Tubbo e porque estava tão abalado, provavelmente perderá novamente nos últimos minutos. Isso definitivamente não era o mais importante agora.

Guaxinim estendeu a mão para o americano, sorriso ladino no rosto. Seu aperto era firme nos dedos calejados alheios, e Fit evitava sorrisos com a aproximação (mesmo que cumprimentasse-o por educação).

ㅡ Pode me chamar de amor , se preferir.

Veja bem … Fit não está acostumado com flertes. Ele só conhece dois tipos deles: os que são claramente platônicos e brincadeiras (o que normalmente divide com Philza e Forever), e os que Pac aparenta fazer com ele, ou os que ele tenta fazer com Pac. Então o flerte inesperado pegou-o de surpresa. Suas orelhas ardiam, e sua fala falhava numa bagunça de sílabas que não passam de "Ahm"s e "Uhm"s. 

Pac direcionou para o amigo um olhar intenso, do tipo que o americano pessoalmente estava tendo a oportunidade de ver pela primeira vez. Fit sentia coisas novas no estômago com a reação alheia, um sorriso curto inevitavelmente tomando conta da sua face.

Ele aproximou-se de Guaxinim, com os dentes cerrados e um sorriso forçado, que deixava escapar algo que, para ajudar, o americano não entendia novamente, mas os demais brasileiros compreendi com facilidade ㅡ Eu falei para você que eu ia te matar lá no Purgatório. Eu vou fazer de novo aqui.

Ih carai, Xinim’ atacante! - Forever se aproximava, ignorando os sussurros que pegou pelo final ㅡ Selouco' o Guaxi era o terceiro perfeito para gente né Pac? Piranhatrio. Eu curto.

O de fios compridos afundou a mão no rosto do loiro, empurrando-o para longe, e direcionou uma expressão emburrada para Guaxinim, pigarreando ao revirar os olhos.

ㅡ Ei, Fit! - Essa voz familiar, agora, arrepiava os pelos do corpo do americano. Não escutava-a há um bom tempo.

Seus olhos arregalaram-se de surpresa, quando Mike aproximou-se deles. Fit acreditava que ele ainda estava em coma, e descobrir que ele não só estava acordado como carregava - tal como os demais - cicatrizes de batalha, fazia sentido algum. 

Sua energia, de qualquer forma, parecia diferente. Suas falas voltavam a ser um pouco mais dóceis e humoradas, e por mais malucos que ainda estivessem seus olhos, ele claramente não fitava-o com a mesma sede de morte que tinha antes. (E, bom, felizmente Ramon não estava acordado para testar os limites de Mike).

ㅡ Mike?! 

O de fios coloridos lhe ofereceu um sorriso, dando um abraço lateral e seguindo com tapas suaves em seu ombro. Parecia o mesmo Mike , não o que havia surgido alterado após um sequestro. O careca acabou sorrindo de volta.

ㅡ Fiquei sabendo que você e o Pac deram certo . Finalmente ein?

Os dois citados imediatamente coravam, e esbanjam nervosismo. O brasileiro colorido sorria de canto a canto. Fit gaguejava uma tentativa de resposta - sequer sabia o que deveria dizer para a afirmação.

Utilizando da sua força, Pac afastou os amigos para trás, e colocou-se entre eles e Fit. Com as orbes encontrando as do mais velho, ele imediatamente voltava para algo mais angelical, e cativante, do tipo que sempre reservava essencialmente para o tal.

ㅡ E-eu vou mostrar a Ilha para ele, Fitch . Eu e o Mike. É! Ahm, é… Podemos… Podemos nos ver depois? 

O careca pigarreou, ajeitando a postura e saindo dos devaneios que a cena lhe ocasionou ㅡ Hm , claro. Quando você quiser. Só me chamar. - E ofereceu-lhe um sorriso.

ㅡ Te vejo, então - Praticamente sussurrou, sua mão indo ao encontro da alheia, num toque suave e passageiro, que fazia o outro arrepiar da mesma maneira.

Os brasileiros sussurravam em português, e cutucavam um ao outro, antes de darem seus "adeus" e sumirem em meio a partículas roxas. FitMC finalmente respirava normalmente.

 

 

A primeira coisa que Ramon disse ao acordar, completamente emburrado, foi: Cadê meu futuro pai? E pela primeira vez em quase duas semanas, Fit pode responder (ainda que vermelho como se fosse a primeira vez, também, que a criança referia-se ao brasileiro assim) com um sorriso no rosto.

Seus dedos arrumam os fios compridos da criança ㅡ Ele voltou, ontem de manhã.

Os olhos do pequeno brilharam, e ele saltava da cama com toda a energia que não esbanjava há dias. ㅡ Onde? Onde?! - Repetia, olhos vagando pelo ambiente, pulando no acolchoado.

ㅡ Ele está mostrando a Ilha para um amigo, desde que chegou. Não consegui falar muito com ele ainda. - Fit tentava não mostrar amargura com a explicação. Seria egoísta de sua parte ter Pac apenas para si desde sua volta, mas que era sua vontade, era .

ㅡ Amigo? - O pai meneava em concordância, e a criança unia as sobrancelhas com certo julgamento ㅡ Amigo? Fit, que amigo? 

O americano acariciava a própria nuca, nervoso, e soprava um riso ㅡ Um… Amigo do passado.

ㅡ Você não pode deixar o Pai Pac ir para outro.

ㅡ Não é seu pai…

ㅡ Meu pai Pac! Meu futuro pai! - Batia as pernas na cama, como se fosse birra, um grande bico formando nos lábios devido ao seu incômodo com a notícia.

ㅡ Não é nada que você está pensando, Ramon… - Fit torcia para estar certo. ㅡ E… E é claro! Eu e o Pac não temos nada, haha… Somos apenas… Colegas de quarto…

ㅡ Vocês não dormem no mesmo quarto.

ㅡ É forma de falar.

ㅡ Tá' falando errado - O menino rolou os olhos ㅡ, você realmente vai deixar ele ficar só como seu colega de quarto, Fit? Nós falamos sobre isso… 

Ouvindo das reclamações do pequeno de oito anos, que falava com propriedade de uma criança de minimamente seus quinze anos, o calvo veio a ser interrompido por uma mensagem em seu comunicador, que lia: bom dia :D o que você planeja fazer hoje? 

O começo da mensagem em português logo fazia-o sorrir. Umedecendo os lábios, antes de deixar um suspiro escapar, direcionou os olhos para o filho ㅡ Quer ver o Pac? - A criança voltava a brilhar, sorriso de canto a canto, enquanto balançava a cabeça em concordância.

Fit digitava como resposta: o/ Estou com o Ramon, não temos nada planejado. Quer se encontrar no spawn? E o brasileiro, sem muitas delongas, responde: vamos!

 

Ramon arrumou-se sem hesitações para encontrar Pac. Ele ansiosamente tinha esperado por esse momento.

A última vez que viu o brasileiro teve as afirmações que precisava da parte dele, o ponto final que selaria o romance que acreditava já estar ocorrendo. Ramon sabia dos sentimentos de seu pai, e só precisava saber que Pac sentia as mesmas coisas - e não se decepcionou quando a resposta foi que sim.

Se ele estava de volta tudo o que precisava fazer era cumprir com sua promessa: Voltar vivo, bem, e casar-se com Fit. E assim, Ramon poderia ter mais momentos em família com sua, finalmente, família; Com todas as letras, e tal como propaganda de margarina. Ele, Fit, Pac e Richarlyson.

Ao chegar no Spawn, o brasileiro já estava lá; Seus braços não estavam mais expostos, e ele trajava um novo moletom azul com seu típico pacman. Suas mãos escondidas novamente em luvas, e os ferimentos de seu rosto com alguns curativos. Fit inevitavelmente observava cada detalhe de sua face, enfurecido novamente com a ideia de que qualquer um poderia ter tido a audácia de ferí-lo assim. Enfurecido que não estava lá para protegê-lo, dessa vez.

Bom dia Fit! Bom dia Ramon! - Acenava, sorridente.

A criança imediatamente corria até o brasileiro, agarrando sua perna em um abraço. Pac gargalhava, agachando-se para abraçá-lo apropriadamente.

ㅡ Senti saudades Ramon, como você está? 

Fit sorria com a interação dos dois. As duas pessoas que mais amava. 

Amar . Sua face ruborizava. Pensar em Pac, hoje em dia, vinculava-se imediatamente com sentimentos grandes , daqueles que experimentava pela primeira vez na vida

ㅡ Bem, e você, futuro pai?

Pac imediatamente corava, soprando um riso constrangido, e dedos bagunçando suas madeixas. Antes que pudesse ousar responder, o careca aproximou-se, puxando o filho pela gola da camiseta.

A ㅡhem, Ramon! Ramon… Eu já te falei… Ugh… - A mão vaga esfregava contra a própria testa ㅡ Desculpe Pac, você sabe…

O moreno levantou-se, balançando as mãos no ar num acenar de que a palavra não lhe incomodava. Constrangido, o calvo soltou a blusa do filho, e a criança rapidamente grudava-se na calça jeans do outro novamente.

Ei Pac, toma - A voz familiar, mas ainda não facilmente reconhecida, tomava conta do ambiente, e em português. A mão com um doce batia contra o peito do brasileiro, fazendo-o estremecer com o susto. Fit já segurava a arma, preparado para atacar o visitante não anunciado.

As orbes de Pactw arregalaram, antes de expor um sorriso e guardar o biscoito (era o biscoito de Cucurucho, Fit notou) em sua mochila ㅡ Valeu. Funcionou?

É, parece que sim. Isso quer dizer que eu sou pai do Richas também ou? 

Não é não . - Ramon respondia, olhando enfadado para o outro brasileiro, compreendendo as falas pela semelhança com seu idioma nativo.

Orras que moleque chave, tem um bigode que nem eu - Guaxinim soprava um riso, apontando para Ramon.

Fit observava as interações, confuso. Algo parecia estar errado na interação, mas obviamente eram poucas as palavras que realmente compreendia, e tentava compreender o que seu filho havia negado.

Xinim', inglês. - Pac arqueou a sobrancelha na direção de Fit. ㅡ Esse é Ramon, filho do Fit.

ㅡ E do Pac.

ㅡ Ramon - Fit repreendeu, olhos semicerrados em sua direção.

ㅡ Futuramente do Pac. - A criança corrigia.

Frustrado, o careca esfregava as palmas das mãos em seu rosto, quente e provavelmente vermelho do constrangimento. 

Richas vai ficar putinho… - Guaxinim soprava um riso. Pac rolava os olhos.

Não vai não! Ele gosta do Ramon, e do Fit!

Então realmente vai casar com o gostosão é?

O americano poderia não ser fluente em português, mas ele poderia se dizer fluente em Pac . E aquele mesmo olhar enfurecido do dia anterior voltava em sua face, direcionado ao outro brasileiro. Agachou-se, ficando da altura do filho, e sussurrando em seu ouvido: ㅡ O que eles estão falando?

ㅡ De você. - Sussurrou de volta.

O pai arregalou os olhos, seu coração batia imediatamente acelerado. Voltando seu olhar para Pac, viu-o chutando o amigo e bufando, antes de apontar para o além e ver Guaxinim se afastando entre risos.

De mim?! 

ㅡ Eu não gosto desse cara… - Ramon tinha um bico nos lábios, e seus braços se cruzavam.

Ah Ramon, não pensei assim. Você não conhece ele ainda direito. - Fit sempre tentava ser positivo, mas pelo bem da educação de seu filho. Pessoalmente? Ele também não gostava. ㅡ Olha o bigode dele, que legal? Eu diria que é tão bonito quanto o seu, deve ser o mais bonito do Brasil, tal como o seu é daqui.

Pac voltava sua atenção para a dupla, ouvidos atentos na conversa. Seu peito saltou ao ouvir tamanho elogio dos lábios americanos. Nervoso, repetia em mente: Por favor Fit não pode gostar de homens barbudos, isso é justamente o que eu não posso ter. 

O brasileiro de fios amarrados pigarreou, tentando se recompor e igualmente chamar a atenção de todos; O segundo definitivamente funcionava, porque os três pares de olhos repousavam em si.

ㅡ Eu estava, hm, pensando em mostrar a arena Murder Mystery para o Guaxinim… Já que… Estava fazendo ela, né, antes de eu sumir… Vocês podem ir com a gente, se quiserem. Se não tiverem nada para fazer, claro. Mas vocês devem estar ocupados, o que é totalmente compreensível.

O calvo ousaria respondê-lo, mas a criança foi mais rápida em silenciá-lo com gestos. Aproximou-se, segurando sua mão, e balançando em concordância. 

 

 

Era tarde, quase noite. Um grupo dos residentes presentes estavam acordados, sentados pelo Spawn conversando sobre os últimos ocorridos da Ilha (no caso, as coisas que Fit e Philza enfrentaram na ausência daqueles que frequentavam o Purgatório), e o que decorreu nos eventos na "Ilha vizinha", agora que Etoiles e BadBoyHalo estavam eufóricos para contar todos os detalhes.

ㅡ Porque só o Guaxinim veio para cá?

ㅡ Você está doido Forever?! - A voz de Etoiles oscilava, sempre eufórico, gesticulando na direção do presidente ㅡ Eram umas quarenta pessoas, imagina quarenta pessoas nessa Ilha? Você daria conta, nosso Presidente?!

Philza gargalhava alto da tonalidade agressiva do francês, e Fit, ao seu lado, não segurava também o riso, ainda que no seu caso fosse em uma intensidade menor. 

Os olhos de Forever encontravam os de Bad, e pareciam trocar imediatamente uma mensagem silenciosa entre eles. A qual levou o americano a se pronunciar ㅡ Ele veio com o Pac, porque eles pareciam ter algo. O Pac entrava toda hora nas nossas ligações privadas porque ele descobria a senha…

Típico Pac - O brasileiro soprou um riso, interrompendo-o rapidamente.

ㅡ E ai, não sei português direito né? Mas pelo o que eu entendi, e que eles me falaram, o Guaxinim vivia chamando ele de amor. 

Fit estremeceu, tal como era o objetivo do demônio . Tentou manter sua expressão facial o mais neutra possível, já que sabia que a intenção da dupla era provocá-lo. Obviamente funcionava, porque a ideia de ser verdade lhe arrepiava até os fios da nuca em nervosismo.

ㅡ Quem, Pac? - Dessa vez era Etoiles. ㅡ Tinha um mexicano que estava no meu time que perguntou algumas vezes dele. Ele disse que ele era muito bonito e que estava solteiro.

Todos presentes não hesitavam em repousar olhares na silhueta do careca, esperando maiores reações por sua parte. Todo o autocontrole que ele não tinha surgiu nesse momento, focando em não escorregar - e provar que prosseguir iria funcionar em lhe abalar. Acontece que Etoiles parecia mais genuíno do que as tentativas de provocações de Bad, mas Pac era de fato bonito, e solteiro , e não tinha espaço para reclamar disso.

ㅡ Eu fiquei sabendo que teve várias pessoas dando em cima dele. O Guaxinim deve saber melhor, porque o Guaxinim também dava em cima das pessoas. Não sei. - BBH acariciava o próprio queixo, tentando reviver memórias mais precisas dos ocorridos anteriores 

ㅡ E eu fiquei sabendo que umas pessoas do passado lá do Pac estavam lá, além do Guaxinim. Uns namorados e ficantes, coisas parecidas - Forever provocava mais, sorriso lateral na face ㅡ, mas o que acontece no Purgatório fica no Purgatório, ou algo assim, né?

ㅡ Mas que coisa né Forever - O britânico interrompia-os, uma das sobrancelhas arqueadas ㅡ, me falaram que o seu ex-namorado estava lá também. E que BadBoyHalo inclusive quem ficou com ele todos os dias.

Os dois citados engoliram seco, e trocaram olhares. Philza sorria vitorioso, e Fit soprava um riso sarcástico ao seu lado. Ergueu-se, com um grunhido, e deu suaves tapas no ombro do melhor amigo.

ㅡ Tubbo me mandou mensagem falando que dormiria hoje a tarde, e pediu para tomarmos conta da Sunny. Me ajuda? Duas crianças eu aguento, mas não sou a babá ali para aguentar mais que isso. 

 

Sunny não havia acordado ainda. Como um mecanismo de defesa, Fit atacava todos os mobs que nasciam em volta das grandes fábricas do Tubbo. Philza seguia-o pacificamente em cada um dos ataques, mãos unidas em suas costas.

ㅡ Você sabe que eles só estão te enchendo o saco, porque sabem que você tem ciúmes do Pac, né?

Fit grunhiu. Ele não era bom em falar sobre, e preferia evitar se fosse possível.

ㅡ Quer dizer, eu não dúvido que tenham elogiado ele, e flertado com ele - O americano fitou-o enfurecido, e jogou uma das batatas de seu canhão no seu peito. O britânico resmungou, mãos voando para onde foi atingido, antes de gargalhar ㅡ. Ei! Eu tenho olhos, não quer dizer nada, eu sou casado, Fit. Eu estou te falando isso porque os outros terem tido interesse nele não quer dizer nada quanto ao que ele fez sobre isso.

ㅡ Eu sei.

ㅡ Mas você ainda está irritado.

ㅡ Claro que estou! - Resmungou, guardando sua arma novamente no inventário. ㅡ As coisas pareciam, não sei, estar indo para um rumo diferente, e ai ele se enfiou no barco e foi para o Purgatório.

ㅡ Mas você disse que ele te chamou para ir com ele.

ㅡ E eu não tinha como, Phil. Quem iria cuidar do Ramon? - O amigo loiro ergueu a mão, e o americano rolou os olhos ㅡ Olha, eu agradeço e sei que posso confiar em você, mas eu não conseguiria passar por isso de novo.

ㅡ Quem diria, você falando isso, com o seu passado. Chega a ser cômico. - Gargalhou ao fim.

Suspirou, esfregando sua face como se fosse o suficiente para fazer fugir sua frustração ㅡ O ponto é que eu sempre vivi nessa adrenalina, caos e matança, Philza. Mas desde que eu tive o Ramon e… Conheci… Hm… Amigos! É, amigos. Que se importam comigo. Uma casa tranquila, um lugar estável… Tudo mudou desde então. Eu sei que esse lugar não é perfeito, muito pelo contrário, mas para o meu histórico está mais para Paraíso do que Inferno e…

ㅡ Respira.

Cessou as sílabas corridas e nervosas para fazer como solicitou-lhe. Respirou fundo, e expirou. O amigo ofereceu-lhe um sorriso, e apertou seu ombro.

ㅡ Eu sei que esse tipo de relação é coisa nova para você - Fit desviava os olhos, o ruborizar tomando conta de sua face ㅡ, mas isso não quer dizer que tudo vai dar errado. Claro, sobretudo você não deve se decepcionar se algo sim tiver acontecido. 

Eu sei - Ele sussurrava, quase que tentando segurar as palavras ㅡ Mas…

Philza jogou uma torrada de abacate na cabeça do amigo, que logo dramaticamente reclamava. Ele sempre tinha uma porção absurda de torradas de abacate no seu inventário.

ㅡ Tá. Mas eu sei , até porque eu e o Pac não temos nada.

O loiro arqueou uma das sobrancelhas ㅡ Nós dois sabemos que isso não é verdade. - O careca resmungava. ㅡ Conversa com ele quando ele acordar e pronto. Se você chegou até aqui, consegue ter uma conversa de adulto com ele… Ou Ramon vai ter que ter por você?

Fit jogava a torrada de volta no amigo, dessa vez no centro de sua face.

 

 

Para evitar maiores inconveniências, Fit tratou de aproximar-se (o suficiente) de Guaxinim. Afinal, ele passava boa parte com Pac e Mike (agora que ambos estavam de volta e progredindo em seus projetos que haviam ficado parados até então), já que entrava no mesmo horário, e para conseguir passar mais tempo com Pac, durante a primeira semana de sua volta, adaptou-se com a presença alheia. (Ramon, apesar de gostar do bigode dele, não gostava da intimidade com seu futuro pai , independente de quantas vezes o seu pai lhe garantisse que fossem apenas amigos de longa data. Cumprimentava-o, e tentava ser gentil, mas muitas vezes acabava batendo-o ou atingindo-o com seus armamentos, e se desculpando se fosse chamado atenção dizendo que foi "sem querer". E Mike, felizmente, não prosseguiu com ameaças com Ramon, e na verdade passou a fazer projetos mecânicos com ele).

Acontece que, apesar do brasileiro apreciar a aproximação de seu interesse romântico com seu amigo, ele não gostava das nuances da aproximação. Afinal, Guaxinim era um grande flertador, o que já estava acostumado e não lhe era um problema; até ser direcionado a alguém que era de seu interesse, e fazê-lo um poço de insegurança e frustração.

E se Guaxinim, mais uma vez, falasse na frente de Fit flertes como o que fizera no primeiro dia, ou como aqueles que insinuou para si que faria quando estavam juntos no Purgatório, matá-lo tornaria-se parte de sua rotina. A nova favela seven não duraria muito tempo dessa maneira. 

No momento que o careca se deitou para dormir, durante mais um dia nessa dinâmica em que Pac distribuía olhares de ódio e porradas em seu amigo brasileiro com seus flertes exagerados com Fit, correu para a casa de Bagi (uma das corujas noturnas do local) entre choramingos e resmungares. Jogou-se no sofá da cozinha (metade rosa, metade branco, onde Tina e Bagi dividiam como se fosse uma cama, temporariamente), forjando lágrimas para chamar atenção da amiga.

Você não estava fazendo esse drama no Purgatório, então porque está chorando agora? - A garota se aproximava, seguida pelos passos animados de Empanada.

Bagi - Um bico forma em seus lábios ㅡ, o Guaxinim está afim do Fit.

Ela riu alto, jogando sua cabeça para trás ㅡ E de quem o Guaxi não gosta?

Não, Bagi - Os olhos brilhantes e pidões fitavam-a ㅡ, tipo gosta gosta sabe? - Resmungou ㅡ E eu não sei o que fazer, porque ele é tipo, meio que o tipo ideal do Fitch! 

Mais um riso alto da garota, até que ela visualizou Pac com a expressão nervosa e triste, como se segurasse seu coração e oferecesse-o para ela. Piscou, algumas vezes, encarando-o.

Mamãe, ele tá' falando sério… - Empanada comentou, esforçando-se para sentar-se no espaço vago dos sofás, e o rapaz inclinou-se para ajudá-la a encontrar um conforto ali. 

A de fios brancos agora notava que, realmente , era sério. Aproximou-se, inclinando-se até que seus cotovelos apoiassem-se no sofá contrário ao que o amigo se deitava. Seu olhar era mais receptivo agora, seu coração mais aberto para os desabafos.

Pac, você tá pensando demais ai na sua cabecinha, amigo. O Fitch, desde que eu pisei aqui, só tem olhos para você.

Mas! Tudo parecia estar indo bem antes de irmos para o Purgatório, a gente saiu… Mais ou menos… Um encontro… Mais ou menos… Mas o Ramon me deu a benção dele, e falou que quer a gente junto, o Fitch me deu um presente, mas… Você sabe o que eu passei, quer dizer não sei se sabe, mas eu encontrei com tantas pessoas do passado, eu tive que reviver tantas coisas, eu não sei se devo encher o Fitch com isso, mas eu… Queria… Não queria, encher ele com isso queria estar com ele? Não sei!

Mas, mas, mas? - Ela esticou a mão, para dar um peteleco em sua testa ㅡ Escuta o que você está falando, Pac. Olha tudo que vocês alcançaram antes mesmo do Purgatório, e o tanto de história que vocês tem juntos… Você tá sendo bobo. Isso ainda, para mim, é efeito do Purgatório no seu sistema. E não que não haja razão para ser, houveram momentos traumáticos, e acho que mais ainda tudo o que você precisa é se abrir com ele.

ㅡ Chama tio Fit para sair! - A criança dizia com um sorriso grande na face, batendo palmas. A mãe apontou para a criança, meneando em concordância.

Todos sabem que ele é perdidamente apaixonado por você, até a Em. Chame ele para sair, não custa nada!

 

 

Pac tinha unido todas suas forças naquela quinta-feira para chamar Fit para sair com ele na sexta-feira. Seus cabelos estavam mais arrumados do que as outras vezes, e ele até mesmo carregava uma rosa em mãos (afinal, lembrava bem de como o careca apreciou a última vez que presenteou-o com uma). 

Obviamente escondeu-a, chegando perto do Tubbo Chunk , onde Fit estava como de costume, junto de Sunny, Tubbo e, surpreendentemente (ou não), Mike e Guaxinim . Como um membro honorário do Morning Crew , não negaria que vê-los todos juntos, sem um convite lhe dava uma sensação estranha no peito - independente que tivesse acordado um pouco mais tarde que eles, ou não.

Talvez fosse a exaustão das noites em que revive as cenas de Cellbit tomado por sangue em seu corpo, perseguindo-o novamente. A maneira torturante que chamava-o de Queridinho com o mesmo desejo sanguinário que a primeira vez que ouviu o apelido, e agora repetia em sua mente como se fosse uma maldição. Ou o trauma de todas as mortes em um geral do Purgatório. Mas Pac rapidamente sentia-se desanimado quanto aos seus planos iniciais - pretender que tudo estava normal , que nada havia mudado desde que voltaram não estava lhe fazendo bem a longo prazo.

Pac queria ter encontrado naquele momento aquele conforto que Tubbo, mas sobretudo Fit, eram capazes de lhe dar pelas manhãs. Mas encontrou Guaxinim escorando-se a Fit, com carícias em seu braço, e toda a montanha de sensações que vinha acumulando explodem para fora de si.

A imagem lhe passava uma estranha sensação, que ponderou por sua mente durante muito tempo no Purgatório; Que sua bagagem era muito grande, e Fit merecia algo melhor.

Sunny tinha visto-o, e gritava ㅡ Tio Pac?! - Contente, pulando em sua direção para um reencontro.

Os rapazes esboçaram sorrisos em sua direção, notando pelo anúncio da criança que ele se aproximava. Ele se esforçou para tentar sorrir de volta, mas não conseguia. Apenas acenou para a menina, e num sussurro que fugia quase como choro, recuou dois passos e jogou a rosa na direção da pequena: 

ㅡ Senti sua falta, Sunny! Mas, mas… Eu! Eu… - Seus olhos iam ao encontro de Fit, que tinha os passos mais largos e estava logo ao lado de Sunny. Seu coração batia acelerado, e repentinamente sua visão era turva ㅡ P-Preciso ir! F-falo com você depois! 

O brasileiro de longos fios escuros sumiu em meio às partículas roxas, deixando todos os amigos confusos e imóveis. E o careca, sobretudo, com uma dor angustiante com a imagem que viu se afastar; Conhecia Pac, e sabia que ele estava prestes a desabar nesse afastamento.

ㅡ Que porra?! - Tubbo tinhas as orbes arregaladas ㅡ O que aconteceu?!

Sunny segurava a flor, contente ainda assim pelo presente, e sorria fraco para seu pai ㅡ Tio Pac… Tava chorando…

Fit desapareceu entre as partículas roxas sem demais comentários. Ele tinha certeza que saberia onde Pac estaria.

 

Agora que Mike havia voltado e a ChumeLabs voltava a ter suas máquinas a todo vapor rotineiro, e pessoas com frequência, havia apenas um estranho lugar que Pac fugia quando precisava pensar. Nem mesmo sua casa de fuga na Ilha ChumeLabs funcionava, já que tornou-se o armazém da família (algo que ele, ainda assim, ficava feliz de ter tomado tal proporção).

O ambiente era assustadoramente silencioso, se não fosse pelos sons da maldita gaivota que cuidava da casa como se fosse sua. As madeiras envelhecidas até mesmo soavam a cada passo sob elas. As teias formavam-se nos cantos das paredes, e apenas a luz do pôr-do-sol preenchia o local, invadindo as grandes janelas.

Fit escutou um baixo som de resmungos e lágrimas, quando aproximou-se da escada do porão. Seu coração logo apertava, vindo a descer as escadas de madeira velhas. Pac sentava-se no canto do cômodo escuro, abraçando suas próprias pernas, e fungando contra os joelhos. E ele conteve-se para não ser quem vinha a desabar, pela dor de ver quem amava daquela forma.

Foi imediato, a maneira que o mais velho largou tudo o que tinha em mãos e suas mochilas pela entrada, e caminhou calmamente até o corpo trêmulo. Sentou-se ao lado, com um pouco de distância entre eles.

ㅡ Ei, Pac?

Me desculpa, me desculpa. Me desculpa! 

Fit não conhecia muitas frases em português, mas ele sabia o que isso queria dizer. Logo balançava a cabeça em negação.

ㅡ Pac, você não tem que pedir desculpas por nada. 

E-eu , estraguei tudo! - Sua voz quebrava em cada sílaba ㅡ Eu fiz tudo errado, Fitch. 

ㅡ Wo-wo-wow. Wow. Não? Pac, não. Vamos com calma, respira. Você não fez nada de errado, e eu estou aqui com você. Não precisa falar comigo, nem “tentar se explicar”. Podemos focar em você ficar mais calmo primeiro?

O suspiro, dessa vez, saia como um choro dolorido. Do tipo que faria o brasileiro soar adorável, se não partisse o coração do calvo em novos inúmeros pedaços. Tudo o que gostaria de fazer é envolvê-lo num abraço, dizer que estava tudo bem, e reforçar todas as qualidades que ele possuía. Entretanto, não lhe parecia adequado no momento.

ㅡ Você quer água? Eu vou buscar um pouco pra você, eu devo ter um pouco na minha mochila - Ergueu-se.

A mão de Pac, coberta em partes com a longa manga de seu casaco, alcançou o pulso do mais velho. Segurava-o com força, conquistando total atenção de suas orbes, e meneava a cabeça em negação. 

ㅡ Não vá… - Era uma mescla de um sussurro com um choro, o implorar que lhe dirigiu.

Fit seria incapaz, nessa vida, de negar qualquer coisa para Pac. Por isso, sentou-se ao seu lado novamente, e repousou os dedos de sua prótese sob a mão que lhe agarrava firmemente, numa carícia superficial (algo que não sabia normalmente oferecer para outras pessoas como conforto, mas achava ser o necessário para o mais novo no momento).

As lágrimas e resmungares silenciosos transformavam-se em risos tímidos, e o brasileiro evitava contato visual a todo custo ㅡ Isso é… Vergonhoso… N-não queria estar assim, na sua frente, d-desculpa Fit.

ㅡ Está tudo bem. Isso só mostra o quanto você é forte. Poucos são capazes de ser vulneráveis na frente dos outros, e eu por exemplo realmente não sou. É admirável.

ㅡ Sabe? - Fungou, erguendo a cabeça, mas mantendo o olhar em outra direção ㅡ Eu… Eu juro que não é… Ciúmes, nem nada! - O coração do americano acelerava com a simples ideia, sua mente correndo em cenários que justificariam ciúmes em Pac. Algo no seu corpo, ainda, contente de tê-lo com tal sensação por si  ㅡ Até pensei que fosse, no começo, na verdade… Mas quando eu vi todos vocês juntos hoje foi como se, hm , como se eu tivesse percebido que todos parecem tão felizes , mas sem mim. E que eu perdi o timing das coisas darem certo. E aí, haha , todas as sensações estranhas dos últimos dias tomaram conta do meu corpo… S-sei que é algo meio egoísta, e não… Não tem nada haver com você! 

ㅡ Claro que tem haver comigo, Pac. Eu me importo com você mais do que com qualquer um, com exceção do Ramon que é um pouco mais que você. - O moreno soprou um riso com o comentário, ainda com arfares trêmulos e exaustos ㅡ Pelo o que você passou, mesmo que eu não saiba tudo e você não precisa me dizer, eu entendo você se sentir assim… Mas não diga que somos felizes sem você , Pac. 

ㅡ Eu… Eu não acho que eu faria falta. - Seus dedos permaneciam firmes nos músculos alheios, torcendo para o físico alheio ser capaz de mantê-lo presente e consciente no momento ㅡ E-Eu acho que eu atrapalho muito, desde o começo. Muitas… M-muitas coisas seriam diferentes! Se eu… Se eu não estivesse envolvido…

Fit suspirou, afastando a mão do menor, e puxando aquela que fincava-se em sua pele junto (ainda que com resistência). Colocou os dedos feridos, escondidos majoritariamente em sua luva, entre suas duas mãos, e repousou toda sua atenção em seu rosto.

ㅡ Pac? Olha para mim.

Pac olhou, mas com receio logo retraiu o olhar. Respirou fundo, engoliu seco, antes de voltar uma tentativa mais persistente de fitar no fundo de seus olhos como pedido.

ㅡ Não importa. Não importa se você realmente atrapalhou ou não as coisas no passado. O passado, foda-se, já foi. Vamos falar do presente, em que você não está atrapalhando nada , nem ninguém.

ㅡ E-eu - Sua voz fraquejou ㅡ estraguei tudo… Tendo pisado lá… Eu trouxe tudo de volta…

ㅡ Não foi escolha sua pisar lá! Se for assim, então eu deveria ter tentado mais para impedir que você fosse, Pac.

ㅡ V-você não sabe as coisas que aconteceram, Fitch . Ainda bem que você não foi. 

ㅡ Você pode me contar, se quiser. Você não precisa, se não quiser. Eu estou aqui para você, independente.

O mais novo suspirou fundo. Era fácil se abrir com seus amigos de longa data (apesar que, dependendo da situação, não se aplicava para Cell), e para seu filho. E, ainda assim, havia algo em Fit que deixava-o ainda mais confortável para desabafar. Talvez a imparcialidade, ou o completo oposto disso (já que o americano sempre asseguraria que está tudo bem , e faria de tudo para provar Pac que ele não é tão ruim quanto pensa). Talvez a falta de participação em seu passado, e sua visão externa para tudo que o brasileiro se visualiza como culpado.

ㅡ Guaxinim não era o único… Do meu passado… Que estava lá. Haha, acho mais fácil perguntar quem não estava. - As sobrancelhas de Fit arquearam, surpresos com informação. ㅡ O outro Purgatório foi ruim, sim, péssimo se p-pensar que… Estávamos sendo ameaçados de, ahm , perder nossos filhos… M-mas… Esse parece que, que foi para me torturar em outro nível , sabe? T-tipo! Pior do que quando eu fui preso aqui na Ilha. Sabe… Sabe aquele filme que o Tom Cruise acorda todo dia no mesmo lugar revivendo a mesma coisa? - Fit, atento a cada uma de suas sílabas, meneava em concordância ㅡ Era tipo isso!

ㅡ Eu sinto muito que tenha passado por isso, Pac.

ㅡ B-bom, mas não foi o pior! 

Um riso descrente fugiu os lábios do careca, o olhar indignado repouso em sua face ㅡ E o que pode ter sido pior, Pac?

ㅡ A-ahm… Isso? - Pac puxou sua camiseta e o casaco lateralmente, revelando um corte profundo próximo a sua costela. 

Diversas sensações passavam pelo americano naquele momento. O nervosismo e interesse em ver mais de sua parte exposta, segurando-se para não parecer estranho a forma que sentia-se atraído em diversos níveis pelo brasileiro (físico, inevitavelmente, sendo um deles). A frustração que tornava-se estresse, ou ódio, por terem ferido-o assim, por não ter estado ao lado o defendendo-o e evitando que isso ocorresse. 

Timidamente, ele descia as roupas novamente, e distanciava o olhar mais uma vez ㅡ M-mas tá tudo bem! Não… Não dói t-tanto. Não mais! Você sabe, né? V-você têm várias cicatrizes do 2B2T também… A-acho que o que foi mais difícil foi quem fez a cicatriz…

ㅡ Quem fez isso com você? - O tom de voz do mais velho saía mais agressivo do que o planejado, incapaz de conter os sentimentos alterados.

Pac riu nervoso, e chacoalhou a cabeça ㅡ C-Cell estava lá… Tipo… Igual a como ele era na prisão, sabe?

ㅡ Cellbit te machucou?! 

ㅡ C-Cell… Não o Cellbit… - Ele coçava a nuca, nervoso ㅡ M-mas confesso, eu não sei qual deles é o que voltou com a gente. 

O careca bufou, distanciou seu olhar e cruzou os braços. Jurou, mentalmente, que independente de qual deles fosse, mataria-o. Uma vez que fosse, para que pudesse sentir ao menos um terço do estresse, dor e pânico, que colocou uma pessoa tão importante para si.

Havia prometido, antes do sequestro, que se um dia Cell ferisse-o novamente, o inferno cairia sobre ele. Pelas cicatrizes dessa vez, um inferno só não seria suficiente.

Oh , ele está fodido… - Sussurrou, dentes semicerrados.

ㅡ E… E - Pac riu, com dor, afundando o rosto entre suas pernas unidas mais uma vez e fazendo a fala passar despercebida ㅡ Tudo que eu conseguia pensar era ver você de novo… E o Richas… E o Forevin… M-mas, é. Você. - Fit tinha as orbes arregaladas sutilmente, e o coração acelerado quando virou-se para o mais novo. ㅡ M-mas! Não é justo com você, nem com ninguém, mas principalmente com você, eu chegar e jogar tudo isso… Eu só conseguia pensar, também, em como passar por toda tortura de novo provou como você merece algo muito melhor, alguém mais forte, em todos os sentidos possíveis. Eu estava certo, na minha cabeça, que voltando eu iria te chamar para um encontro, e-e até ia tentar! Hoje! E aí tudo desabou de novo, isso de eu perceber que eu tô longe de ser o melhor para você… 

O americano grunhiu, as palmas da mão (a calejada, e a prostética) contra sua face. Chacoalhou a cabeça, antes de fitar Pac, e cutucá-lo para ter seus olhos entrelaçados aos seus ㅡ Espera. Espera Pac. Com calma, volta. E-eu não entendi, aonde você quer chegar? 

Pac sorria. Triste, esbanjando dor, mas sorria. 

ㅡ Quando eu estava lá, C-Cellbit… - Engoliu seco. Ele acredita ter sido a porção consciente dentro de Cell que disse isso ㅡ Falou que era melhor assim, ele daquele jeito e o Roier longe… Porque ele não merecia ver ele dessa maneira, m-merecia algo melhor. Ser feliz, e não seria com ele daquele jeito… E… Eu acho que é o mesmo com você, Fit. N-não que a gente seja casado! M-mas… Você sabe…

O brasileiro não tinha coragem de dizer com todas as letras que algo existia entre eles. Algo mais real, profundo, cru - porém não era necessário, ambos tinham total consciência do que sentiam um pelo o outro, e dos avanços que tomavam em pequenos passos - que eram, ainda assim, a velocidade perfeita para eles.

ㅡ Pac… Nada disso importa.

ㅡ I-Importa!

ㅡ Eu já te disse algumas vezes, e continuo pensando a mesma coisa: Eu te apoio, nos seus acertos e nos seus erros. Eu não ligo para as situações, ou o que você fez, apenas em como você está. Ou como isso afetou você, no mínimo. Se você matou algumas pessoas, roubou outras, e fugiu da prisão? - Seu riso era sarcástico, e ele sorria, balançando os ombros ㅡ Longe de ser um problema para mim! Nada que eu não tenha feito, visto ou compactuado com.

ㅡ Mas!? Eu prometi para o Ramon, Fitch…

O mais velho batia os cílios em sua direção, confuso com a colocação ㅡ Prometeu o que ao Ramon?

ㅡ Q-Que… - O tom vermelho tomava conta da face do mais novo, e seus olhos um pouco mais arregalados voltavam a surgir em meio ao inchaço de suas lágrimas escorridas até então ㅡ Que eu não iria machucar você, e que eu ia amar você, e c-cuidaria de você, mas… - Bufou, numa visível frustração ㅡ E eu não posso ficar com você se eu sou um completo inútil em quase todos esses.

Quase? Fit uniu as sobrancelhas. Ficar com você? O americano realmente não tem ideia de como a conversa entre o filho e o brasileiro decorreu, mas definitivamente não esperava tamanha profundidade nela. Soava como um discurso super-protetor de Ramon, e pela quantia de falas assim que tinha lhe dado dias antes de Pac sumir, provavelmente era; Apenas seu filho único preocupando-se com o bem-estar de seu pai solitário . Sabia, de qualquer maneira, que Ramon amava o outro independente do que fosse capaz de oferecer, e esperava ansiosamente por tê-lo com mais frequência por perto.

Pac… - Seu nome saía de forma doce de seus lábios, seguido por um suspiro, e um sorriso não contendo-se por muito mais tempo ao Fit processar o peso de tais palavras ㅡ Você está me dizendo que uma das suas chateações é achar que não cumpre esses papéis, porque você q-quer ficar comigo?

ㅡ C-claro! - Sua face tornava-se ainda mais vermelha ㅡ E-eu jamais faria Ramon só pensar que eu quero, eu levo vocês dois muito a sério. 

ㅡ Ramon não tinha me dito nada disso, Pac. - Assegurava-o, os olhos novamente úmidos e surpresos fitando os fundos do seu ㅡ Porque ele sabe que independente se você me machucasse, se não me amasse e se não cuidasse de mim eu ainda assim sentiria por você o mesmo que sinto agora. Ainda assim faria de tudo pra te proteger. E claro, isso já fez ele brigar comigo porque Ramon não quer que eu sofra, mas você está longe de ser alguém que me faz sofrer. Muito… Muito pelo contrário! Eu acho que aprendi a ser feliz com o Ramon, mas por conta do, ahm , outro pai dele… Tivemos muitos problemas e estresses e durante muito tempo eu acho que até para ele eu não era o melhor, muito menos o mais feliz. Foi ficar mais próximo de você e do Mike que foi me deixando ficar mais feliz novamente, e foi conhecendo você melhor que eu realmente, realmente consegui me sentir feliz apesar de todo o caos que a gente passou. Eu fui forte pelo Ramon, Pac. Mas eu só consegui ser forte por conta de você, porque você estava do meu lado cuidando de mim.

ㅡ E-eu só estava… Sendo um bom amigo…

ㅡ Exatamente. Você é naturalmente bom com todos, Pac. Você fez de tudo para achar Walter Bob e o Mike, porque eles são seus melhores amigos. Você consumiu uma droga para descobrir a cura dela para o Forever, porque você não aguentava ver ele sofrer assim, e nem os demais sofrendo com ele. Você me protegeu no Purgatório, mesmo que tivessem tentado várias vezes te colocar contra mim. Se isso não mostra o quanto você é forte, e especial, e capaz de tudo o que você imagina, eu realmente não sei o que mais será capaz de te provar.

No fundo dos olhos do brasileiro seu típico brilho começava a surgir. O brilho arrepiante e anestesiante, que levava Fit a fazer qualquer coisa por ele. 

ㅡ V-você… Acha mesmo?

Era automático, a forma desesperada que balançava a cabeça em concordância.

ㅡ Eu admiro muito você, Pac. Você é a pessoa mais forte que eu conheço. 

 

 

Fit fez tudo o que podia por Pac no momento em que tornou-se vulnerável em seus olhos. E esteve ao seu lado, até que o sorriso fosse majoritário em sua silhueta. Acompanhou-o até sua casa (no caso, a da Ilha ChumeLabs) e desejou-lhe uma boa noite.

Pac dormiu de exaustão naquele dia, porque seus olhos imploravam por descanso, e sua fadiga mental era enorme. Fit, por outro lado, não conseguiu pregar os olhos uma vez sequer; Facilmente alerta com a forma que seu coração batia acelerado com o que lhe pareceu ser uma confissão direta do interesse alheio por um relacionamento de longa data. (Ele diria que já sabia , mas a certeza aumentava seus níveis de adrenalina em algo inimaginável. A sensação de um amor recíproco era muito nova, e ele não sabia como lidar).

Obviamente todos estavam preocupados com o brasileiro, pela forma que ele deixou a cena a última vez que foi visto. E na manhã seguinte, enquanto Tubbo mexia com suas máquinas pesadas, Sunny e Ramon conversavam com o americano, querendo compreender a situação.

ㅡ Meu pai tava triste?

Fit estalou a língua. Seu filho não hesitava em chamar o outro de pai , mesmo que consigo ou Spreen seja algo usado apenas para medidas extremas. ㅡ Pac estava triste, sim. - Tentou corrigi-lo.

ㅡ Tio Pac parecia muito triste, Tio Fit. - Sunny esboçava sua tristeza com a situação, lembrando bem da expressão de perto ㅡ Não gosto de ver ele triste! Ele é tão feliz e animado, eu quero ele feliz de novo! - Cruzou os braços, enfadada ㅡ Dinheiro ajuda?!

O mais velho sorriu dócil, dando suaves batidas no topo da cabeça da menina ㅡ Infelizmente acredito que dinheiro não vai ajudar dessa vez, Sunny. - Ela abriu um bico enorme como resposta.

ㅡ Leva ele num encontro.

Fit fitou o filho com as sobrancelhas semicerradas, e o gaguejar na ponta da língua ㅡ Q-que? R-Ramon!

ㅡ Ué, você mesmo disse da última vez! Se ele ficasse triste um encontro provavelmente faria ele feliz.

(Na verdade, Fit havia concordado com a sugestão do filho em levar Pac para um encontro caso o mesmo ficasse chateado de terem pego coisas de seu armazém na sua ausência).

ㅡ Ramon - Dessa vez a fala saía quase que num cerrar de dentes, ele se agachando perto do filho para sussurrar ㅡ, eu nunca tive um encontro, eu não sei como é um encontro, muito menos um que vai deixar ele feliz.

ㅡ Você me disse que teve um encontro com ele, naquele dia, e que deu certo! - O garoto sorria de canto a canto.

Fofoca?! - Sunny se aproximava vendo os dois sussurrar ㅡ Eu também quero saber! 

ㅡ Qual tipo de encontro seria legal para fazer o Pac ficar feliz, hermanita

Os olhos da garota brilhavam, e ela logo pulava no lugar. Fit levou a mão para o rosto, esfregando-o em frustração - não teria como fugir das tramóias dos dois pequenos, então torceria que fosse boa o suficiente para de fato fazer o brasileiro sorrir.

ㅡ Sem dungeons, e sem matar, sem coisas do tipo. Sem chá também. Vai traumatizar ele de novo. - Ainda assim opinou, querendo certificar-se que nada serviram-lhe de gatilho naquele dia.

ㅡ Isso não é um encontro! - A garota retrucou. ㅡ Eu vou montar o encontro mais incrível para vocês, e o Ramon vai me ajudar!

 

Talvez não fosse o melhor encontro, mas levando em consideração que, apesar de gaguejar muito, Fit foi capaz de chamar Pac “para sair” e que sobretudo Pac aceitou (mesmo com as poucas conversas, e todas as coisas não ditas desde aquele dia, e todos os dias não dormidos direito), já era um bom encontro.

E Sunny e Ramon, como bons entusiastas do casal desde que a palavra casal não parecia realmente alcançável entre eles, prepararam o melhor para os dois. Mas nisso Fit não poderia opinar, já que suas visões de encontros, segundo Sunny, estavam longe de ser algo realmente válido.

Deram uma lista do que eles deveriam fazer, a qual Sunny disse que deveriam seguir à risca caso contrário ela saberia e ficaria muito decepcionada. Mesmo sendo uma ameaça da boca para fora, nenhum dos dois seria capaz de negar. 

Tubbo ficou cuidando de ambas crianças, convencendo-as que o melhor encontro para o casal seria aquele em que tivessem privacidade. Ramon facilmente cedeu quando foi informado que poderia ajudar em uma nova fábrica que o britânico iria construir.

O primeiro destino da lista “SUNNY’S PERFECT DATE!!!” (com locais perfeitos para o dia da dupla) foi o acampamento próximo ao grande castelo de neve da Baghera. Coincidentemente um que Pac e Fit ajudaram a construir (e montaram especificamente uma barraca juntos, mas não que Fit ainda lembre com frequência da forma em que suas mãos se encostaram por acaso, e que deitaram lado a lado).

Sentados lado a lado, em frente a fogueira, o americano evitava fitar os olhos do amigo. Tomado pelas sensações arrepiantes que ganhava quando perto dele, agora mais do que nunca.

Fitch? - O tom nervoso rapidamente conquistou seu olhar. Pac estava mais corado do que si próprio ㅡ Obrigado, por ontem.

H-hm? A-ah! - Coçou a nuca, um sorriso nos lábios ㅡ Haha, que isso. Eu estou sempre aqui por você, Pac.

Os lábios formavam-se em um bico ㅡ Eu sei.

Ramon preparou um pacote de marshmallows para eles. Fit puxou-o de seu inventário ㅡ Já comeu s’mores?

O brasileiro fitou-o com olhos confusos, balançando a cabeça em negação ㅡ Só vi falarem sobre em filmes.

ㅡ Eu tenho coisas para fazermos uma versão improvisada de S’mores, se quiser. Mas tudo bem se não quiser.

Os olhos escuros brilhavam, gigantes. Meneava em concordância ㅡ Claro! Claro que quero! 

Não tinham chocolates, mas tinham os marshmallows e biscoitos doces. Fit ensinou-o como aproximar o doce espetado com os pedaços de madeira da melhor forma. Sendo sempre rápido em aprender, Pac rapidamente seguia seus passos.

Ramon era um gênio. Fit seria eternamente grato por seu filho, por proporcioná-lo com a expressão de imenso deleite que o moreno esboçou ao provar do doce pela primeira vez.

ㅡ Pac? - Com as bochechas cheias, o brasileiro fitava-o ㅡ Você foi sincero comigo ontem, sinto que eu preciso ser com você também.

Chacoalhava a cabeça, antes de engolir o doce e passar a língua pelos lábios para tentar tirar o açúcar dali ㅡ Você não precisa. Mas eu irei escutar, se quiser. 

ㅡ A-ahm… Ahm… Eu, hm, vou ter que sussurrar, por motivos de… Haha… Federação?

Claramente encontrava-se nervoso, tendo que se aproximar do mais novo (que concordava, ciente de como todos os locais eram ouvidos pela Ilha). Sua mão aproximou-se de seu ouvido, e seus lábios roçavam próximo ao seu lóbulo.

Eu não vim para a Quesadilla para férias. - Seu sussurro era realmente baixo, quase inaudível.

Pac, honestamente, não prestou atenção em uma palavra sequer. Seu coração batia alto, cogitava que o suficiente para o americano ouvir. Seus lábios entreabiam, e suas orbes dilataram.

Fit fitava-o, esperando por uma resposta, após se afastar.

ㅡ Não escutei, fala de novo?

Balançou em concordância, e inclinou-se para sussurrar mãos uma vez ㅡ Eu não vim na Ilha Quesadilla por férias, foram outras razões. - Um pouco mais audível, mas ainda não o suficiente.

O brasileiro suspirou, sorriso lateral antes de fitá-lo ㅡ Desculpa, Fit. Sua voz é m-muito… Bonita, não vou conseguir me concentrar. - Grunhiu, se jogando para o lado e cobrindo o rosto envergonhado ㅡ Uugh ! Desculpa! M-mas é… É… Sabe?

O careca estava vermelho, desviou para o outro lado e gargalhou nervoso ㅡ E-eu te conto outra hora! Naquele lugar. 

ㅡ Ou você pode continuar tentando sussurrar até eu, sei lá, entender… - Com uma das sobrancelhas arqueadas, fitou-o surpreso. Ainda encolhido, Pac soprou um riso antes de acenar com a mão que não cobria seu rosto ㅡ Brincadeira! Não hoje, pelo menos, não tenho um psicológico forte para isso… Haha…

(Fit tomou notas mentais.)

Respirando fundo, o moreno se ajustou, endireitando a coluna e voltando o olhar para a fogueira à frente. Fit inevitavelmente mantinha seus olhos firmes na face do rapaz ao lado.

ㅡ Fit? - O mais velho imediatamente resmungava um “hm?” Como resposta ㅡ O quão devagar você acha que deveríamos continuar indo?

O careca quase engasgava na própria saliva. Olhos piscando nervosos ㅡ P-porque?

ㅡ Normalmente as histórias podem ser slow burn , mas depois de tanto sofrimento eles merecem um momento feliz. Né?

ㅡ Claro, Pac. Você merece não só um momento feliz, um final feliz também.

Pac balançava a cabeça em concordância. Ajustou-se no banco feito de tronco de madeira, aproximando-se mais até que seu braço estivesse roçando o musculoso alheio. Como magia (sempre), os olhos americanos fitam no fundo das orbes pretas. 

A aproximação seguinte levou segundos, que com sua atenção em todos os detalhes da face brasileira pareceram minutos. E repentinamente os lábios quentes iam contra os seus, contrastantes e gélidos como o tempo. 

Fit chegava próximo de um ataque cardíaco. Era a única justificativa plausível para a forma que seu coração batia intensamente com o mero selar.

O moreno recuava, orbes abrindo assustadas, e gaguejou ㅡ A-ah, hm… D-desculpa. Estraguei as coisas de novo. 

O calvo só meneou em negação, antes de apoiar sua mão no canto do rosto brasileiro, e puxá-lo de volta para perto. Seus lábios ao encontro do deles mais intensamente dessa vez, com todo o desejo que consumia-o há tempos, com toda a vontade que ardia em seu corpo e sequer cogitou precisar como uma necessidade vital

O amor nunca havia sido próximo de primordial em sua vida, mas Pac facilmente fazia tornar-se uma prioridade.

 

Foi quase imediato a forma que ambos, constrangidos e sem saber como lidar com as sensações do primeiro beijo que tiveram, "fugiram" para o próximo destino da jornada - Starbobby , a cafeteria mais famosa da Ilha.

Não era nem Ramon, nem Sunny, que atenderam-os (apesar de pessoalmente desejarem muito estar bisbilhotando o momento dos dois). Quem estava por trás de fazer o café para os clientes, hoje, era Chayanne. Felizmente sem Philza, caso contrário o encontro facilmente tornaria-se capa de revista de fofoca da semana seguinte.

Chayanne era a melhor escolha para atendê-los, e como as crianças fizeram questão de pensar nos mínimos detalhes, foi chamado para fazer esse pequeno favor para eles: Ir, pegar os pedidos, entregá-los, e poderia voltar para sua rotina normal. 

ㅡ Você sabe que não fui eu quem preparei tudo isso né? E-eu não tenho a capacidade romântica nesse nível, ainda, pelo menos.

Pac sorria, inclinando sutilmente a face e esquentando seus dedos no copo de café ㅡ Está tudo bem, estou muito feliz de estar aqui mesmo assim.

Fit acenava como se fosse uma negação, afinal seu motivo para trazer o assunto à tona era justamente quem havia programado tudo. Não tinha problema algum em vocalizar o fato de não ser capaz de fazer algumas coisas, e gostava justamente de elogiar e dar créditos a quem fez.

ㅡ Quero dizer que quem planejou tudo isso foi a Sunny e o Ramon.

Os olhos brilhavam ㅡ Sério? - O outro meneava em concordância, e o sorriso crescia no rosto ㅡ Isso acaba de tornar tudo isso mais especial.

ㅡ Ahm, e aproveitando - O calvo fitava a mesa, um pouco mais tímido em trazer isso à tona ㅡ, o que você falou outro dia… Sobre as coisas que você prometeu para o Ramon… Eu fiquei curioso, porque?

ㅡ Porque eu prometi o básico para um relacionamento que eu tenho intenções de ter com o pai dele? - As orbes claras do americano até mesmo se arrepiaram, com a forma rápida e fluente que Pac repentinamente pôs-se para pronunciar palavras tão formais.

ㅡ N–não exatamente. Ahm… Como que vocês chegaram nisso?

ㅡ Ramon me perguntou sobre você, naquele dia. 

"Entããoo, sobre o Fit…" - Copiou o jeito que o filho normalmente falava, e Pac gargalhou alto.

ㅡ Exatamente assim! - Ele ria, dentes todos à mostra. Fit sorria, agraciado com a imagem ㅡ  Eu falei que éramos bons amigos e que tínhamos ficado mais próximos e que não tínhamos dado o próximo passo ainda - Suas bochechas ruborizaram, e seu olhar muda de direção por um instante, fitando as ruas da favela ㅡ, mas que o mais importante para mim era… Hm… A benção dele.

ㅡ E-espera - Fit piscava abismado em sua direção ㅡ, f-foi você que sugeriu primeiro e não Ramon? 

O sorriso e o menear de Pac, dessa vez, eram tomados por orgulho. Era bom vê-lo em outro espírito, comparado com como se encontrava no dia anterior. O calvo ousaria (e gostaria) de pensar que um pouco disso era efeito seu. 

ㅡ M-minha intenção de qualquer maneira era ir em um encontro com você, né? E aí tudo deu meio errado… Eu… Olha- Eu não sou o melhor com essas coisas, todas as pessoas que eu gostei no passado deu muito errado por um jeito ou por outro, e eu… Eu só queria que tudo desse certo dessa vez, e principalmente com o Ramon. 

Fit sorria curto, orelhas ardendo no tom vermelho, e coração batendo acelerado ㅡ Pac… Ramon gosta muito de você. Eu arrisco dizer que ele te ama como família, talvez há mais tempo do que eu. Eu… Eu nunca vi o Ramon ousar chamar alguém de pai, é difícil ele fazer isso até comigo e para mim não tem problemas, mas ele sempre chama você de pai. Se existe alguém que quer que as coisas deem certo entre nós, esse alguém é o Ramon.

O moreno ergueu uma das mãos, sorriso grande e emocionado na face ㅡ E o Pac!

O calvo gargalhou ㅡ E-e… E o Fit…  

 

 

Em algumas semanas, Fit e Pac estavam namorando. Era óbvio. Todos, honestamente, já achavam isso antes (a forma que estavam sempre juntos, grudados. A maneira que trocavam olhares, e defendiam um ao outro com dentes e unhas), mas agora não havia ressalvas, nem tremores em falas; Fit orgulhosamente referia-se a Pac como seu namorado, e Pac não ousava em responder com grandes sorrisos qualquer pergunta que fizessem sobre seu "namorado", ou até mesmo quando brincavam que era "seu marido".

As coisas, ainda assim, eram mais ou menos as mesmas. Talvez eles realmente já tivessem uma rotina de namorados, mesmo antes de se confessarem um para o outro. A diferença é que agora Fit realmente não tolerava qualquer um dando em cima de Pac, e Pac propositalmente fazia situações de ciúmes acontecerem porque adorava ver a imagem do namorado emburrado perseguindo qualquer um que ousasse flertar com ele. (Mas o inverso também ocorria, Pac ficava imensamente possesso se alguém se insinuasse para Fit, mas Fit reagia de outras maneiras, seguindo ele com olhos brilhantes e bico nos lábios falando que não tinha o porque ficar assim - o que era adorável e sempre funcionava com o brasileiro).

Pac, para variar, era o único pai de Richarlyson acordado no dia, e por isso estava com ele pelas ruas da favela. Ramon estava junto, tendo acordado mais cedo que seu pai milagrosamente, e juntou-se a ele. Os três sentaram-se próximo a praia, as duas crianças brincando nas mesas mais longes do mar.

Sorridente, o de longos fios se aproximou, dando leves batidas sob ambas cabeças cobertas com gorros. O olhar curioso fitando a mesa, onde algumas flores e pedaços delas se espalhavam.

ㅡ O que vocês estão aprontando? 

ㅡ Bonito né pai? - Richas estendeu um envolto de rosas vermelhas, as sobrancelhas de Pac arquearam-se.

ㅡ Oh, fofo. O que é isso? 

Ramon cutucou o braço do mais velho, sorridente, e logo depois sua mão. Pac acreditou que os gestos implicavam que ele esticasse a mão, e assim fez. O sorriso apenas aumentou na face do pequeno ao ter sido compreendido, e ele levou outro envolto de flores até o anelar estendido.

O típico brilho estonteante ocupava as orbes negras, e o adulto erguia a mão contra o sol, para observar melhor o anel feito de flores. Esse do seu dedo eram rosas azuis.

ㅡ Uau, vocês dois são mini gênios! Que lindo! Vocês vão usar?

Ambas crianças imediatamente meneavam em negação. Pac alternativa a atenção entre eles completamente confuso.

ㅡ Esse é seu, Pai . - Ramon apontava para Pac. ㅡ O outro é do Fit! - Richas orgulhosamente mostrava-o finalizado.

O brasileiro era tomado por uma mescla de emoções pela adorável cena. Seus olhos ainda mais brilhantes , agora pelo seu desejo em chorar. Gargalhou, apertando carinhosamente os ombros da criança mexicana.

ㅡ Você precisa parar de me chamar de Pai até minimamente o casamento, ou seu Pai vai ficar magoado.

O pequeno imediatamente negava ㅡ Isso não é verdade. O pai Fit sempre fica feliz quando eu te chamo de pai. E casamento é uma invenção da sociedade, vocês são casados de alma.

Os dois brasileiros agora encaravam-o com orbes arregaladas, fascinados com a forma madura que ele falava. Logo intercalavam com olhares entre os dois.

Ele fala bonito né pai? - Richarlyson comentou, repousando o anel delicadamente na mesa para bater palmas. Ramon curvava-se em agradecimento, fazendo-o gargalhar alto.

Como que ele pode falar coisas assim? A inteligência dele é maior que a minha e a sua juntos.

Ei? - O filho fitava-o ofendido.

Quié'?! Você tem oito anos, isso não é nada, e eu que tenho vinte oito? 

Mas aí é você que tá se xingando - Gargalhou. Pac deu-lhe um cascudo.

Partículas roxas surgiam perto dali, bem ao campo de visão dos três. Pac e Richarlyson, na típica dinâmica deles, trocam tapas e mata-leões superficialmente, quando a grave voz soou ao fundo: ㅡ Ei, cadê o meu garotão?

Ramon pulava, e logo abraçou a perna do pai. Os brasileiros cessaram suas intrigas, mas não há tempo de deixarem de serem pegos no flagra; O moreno segurava a orelha da criança.

Bom dia .

Fit sorria para os dois, antes de se aproximar de Pac e deixar um selar em sua bochecha, que imediatamente desmanchava-o entre risos dóceis e o tom vermelho. Richarlyson aproveitou a deixa para fugir, e buscar o outro anel.

O casal conversava em tom baixo sobre o que tinham planejado para o dia, mais na intenção de saber se teriam que fazer muito pelos biscoitos de hoje, ou se havia previsão de precisarem voltar a visitar a Rebelião. O pequeno brasileiro aproximou-se novamente, puxando a mão de seu futuro pai e ousando colocar sem avisos a aliança improvisada.

O americano ergueu a mão, semelhante a como Pac fez antes de sua chegada, e fitou fascinado ㅡ Oh uau! Isso é para mim, Richarlyson? - A criança meneava animadamente ㅡ Que bonito. Muito obrigado. Você viu? - E estendeu a mão para o namorado.

Pac apenas sorria de canto a canto quando virou sua mão para o outro também, fazendo-o corar imediato ㅡ O meu foi o Ramon quem fez.

 

Como de costume nas segundas-feiras, o brasileiro sugeriu que fossem ao museu. Juntos, a família observava e comentava cada obra - Ramon especialmente animado, em pulos e grandes sorrisos, quando viu três artes que envolviam Pac e Fit, algumas com ele, Sunny ou Richarlyson juntos. Como de costume, a criança brasileira gargalhava fascinada com a maioria das obras, boa porção inevitavelmente sendo de seus pais (já que era mais fácil encontrar alguém na ilha que não fosse uma figura paterna - ou materna - para ele). 

E aproximando-se da saída, Ramon e Richarlyson bloquearam a passagem de seus pais, deixando-os lado a lado, com olhares confusos, fitando-os. Os pequenos ergueram suas faces, fitando a entrada do Museu. 

(Ao fundo, Mike, Guaxinim e Forever se aproximavam sorridentes e brincando entre eles. Provavelmente procuraram o rumo da criança compartilhada, e foram atrás de encontrá-lo. O casal não percebeu, tentando decifrar o que seus filhos buscavam dizer). 

Pac cutucou o namorado, uma vez que suas orbes encontraram o que tanto fascinava os menores. Fit seguiu o olhar, encarando as plantinhas que decoravam o topo.

ㅡ Eu disse para você tomar cuidado, que podíamos acabar juntos… Em algo assim… - O brasileiro provocava, com um sorriso lateral no rosto.

A dupla distribuiu os viscos por diversos locais da Ilha, pensando em casais específicos para caírem na armadilha. Pac, todas as vezes, brincou para ambos tomarem cuidado para não serem as vítimas - e acabaram, por fim, sendo os alvos de um outro alguém (e não surpreenderia nenhum dos dois se descobrissem que o culpado era a criança brasileira).

O careca deu de ombros, antes de se inclinar e dar um rápido selar nos lábios do moreno. Ramon soltava um "Ahh!" dócil e fascinado, e Richarlyson gargalhava animado, pulando e batendo palmas. Pac corava-se inteiro, surpreso com a tomada de iniciativa alheia sem hesitações em um ambiente público. 

O barulho de passos apressados na grama interrompeu o entrelaçar de olhos de ambos. Até que o dono dos passos colocou-se entre eles, sorriso de canto a canto, olhar alternando entre os mais altos.

ㅡ Ok, agora eu! - Guaxinim caçoava.

Eu vou te matar - Pac sorria sádico.

ㅡ Nem fodendo, Guaxinim. Nem fodendo. - Fit fitava-o sério, meneando a cabeça em negação.

As crianças, num uníssono repreensivo de "Tio!" deram batidas suaves em seu corpo, até que ele estivesse afastado do visco, e consecutivamente do casal. Seguravam o brasileiro intrometido, que continuava provocando com sussurros de "Eu também quero! Me deixa ficar no meio!"

ㅡ Eu irei matar ele. - O moreno sorria nervoso, e pronunciava num sussurro, piscando seus longos cílios na direção do mais alto.

Fit ria nervoso, sua mão indo até a nuca do mais novo numa carícia ㅡ Tá- Tá tudo bem Pac, vamos. Vamos.

 

Notes:

se vocês gostam de fanarts tb sintam-se a vontade para seguir e interagir cmg no meu tt principal! É nonobarks :) e eu amo receber plots e ideias!! Se tiver hehe

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