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when i saw your blue eyes i felt something i couldn't explain

Summary:

A story that focuses on the development of Enoch and Jacob's relationship.
Two people who meet by chance in a time loop and end up experiencing feelings they never thought they would have.

 

POV Enoch O'Connor
It's my first story, literally, I've never written a story in my life.
and yes i wrote it because i was bored and i had a burst of creativity.
This story it´s in Portuguese, so If you don't speak Portuguese, use the translator, thank you!

Notes:

Olá, é minha primeira vez escrevendo uma história então espero que goste!
IMPORTANTE!!!
Uma breve explicação para quem quer ler...
Está história é baseada nos livros de Ranson Riggs e o filme de 2016, é uma salada mista de conteúdo, eu mesclei coisas tanto de um quanto de outro e mudei muitas outras, então talvez seja um pouco difícil algumas pessoas que não viram os dois entenderem 100% o que estou escrevendo. Mas de uma chance mesmo assim.
Essa história tem foco no desenvolvimento de Jacob e Enoch, então não se preocupe se a história não andar muito.

FATOS CURIOSOS: Enoch no livro tem cabelo loiro e olho azul, OMG!

Chapter 1: The first time we met

Chapter Text

Falta um coração.

Um coração pequeno, talvez de um esquilo ou pássaro serviria exatamente para colocar no homúnculo de porcelana que estava a horas trabalhando para finaliza-lo, em forma de uma boneca pequena um pouco maior que o comprimento de minha mão, um pouco suja por tela usado mais de uma vez com meus experimentos, mas teria que me contentar com o que tenho já que faz muito tempo que não arranjo bonecos novos.

Levantando de minha cadeira sinto a dor nas costas de ficar muito tempo sentado em uma única posição, lentamente estico os músculos cansados sentindo toda dor e desconforto me atingir de uma só vez. Quantas horas tinham se passado desde que comecei a trabalhar?

Sigo em direção as prateleiras para pegar um coração em um dos recipientes de órgãos que decoravam a parede do cômodo, entreolhando os potes de diferentes tamanhos a procura de um exatamente do jeito que precisava. Cérebro, pulmão, fígado, olhos... nada de coração, suspiro irritado por não achar o pote que deveria estar aqui. Lembro que deixei no andar de cima no quarto de Victor, não que o coração coubesse nele já que era pequeno demais, só que tinha levado por engano no dia anterior por estar muito afobado para falar com Victor o mais rápido o possível, que acabei pegando alguns órgão desnecessários para usar na hora e esquecendo de desce-los novamente para o porão.

Suspiro novamente pensando que vou ter que subir mais de uma vez para fora do porão, que geralmente só saia para o jantar, para pegar os órgãos.

Saio do cômodo a caminho da escada subindo os degraus, evitando os mais barulhentos com habilidade de uma pessoa que já fez muito isso por muitos anos sendo até automático para si mesmo sobre os quais pisar, não queria ser incomodado para conversas desnecessárias das outras crianças se soubessem que eu estava fora do porão.

Chegando no andar de cima noto que as crianças não estão dentro da casa, espio pela janela da sala e noto que todos estão fazendo suas atividades cotidianas no lado de fora. Hugh e Browyn jogavam bola, os gêmeos e a Claire brincando no balanço, Horace estava sentado no chão lendo um livro, Fiona cuidando das plantas e sem sinal de Emma no lado de fora. Ignorando tudo isso começo a andar em direção ao quarto de Victor.

Chegando lá abro lentamente a porta, espiando do lado de dentro encontrando com os olhos os potes em cima de uma mesa ao lado da cama. Entro no quatro e fecho a porta atrás de mim indo em direção a mesa, mas acabo parando em frente a cama de Victor inspecionando sua figura pálida e desnutrida, tão sem vida como costumava tentar não lembrar, não superando sua morte e armazenando seu corpo eternamente em um quarto vazio e empoeirado.

Com uma estranha necessidade de contato, chegou perto do corpo já sem vida e toco com as pontas dos dedos a pele fria e fina de Victor, a temperatura da pele e sua coloração lembravam a ele o quão longe estava de parecer vivo. Estremeço com o contato e retiro rapidamente meus dedos de sua pele, suspirando mais uma vez aquele dia, não de irritação, mas sim de tristeza. Acabo ficando mais sentimental do que gostaria e resolvo me afastar rapidamente e cessar o contato tanto físico quanto emocional.

Pego rapidamente os potes na mesa empilhando-os um em cima do outro apoiando eles em meus braços e saio o mais rapidamente o possível do quarto fechando a porta a trás de mim, começo a andar em direção ao porão novamente mas escuto Emma falando no corredor e mais algumas outras vozes cochichando, mas uma em especifico chamou minha atenção, uma voz que eu nunca tinha ouvido antes que se diferenciava das outras. Sem conseguir vencer minha curiosidade espio o corredor para ver o que está acontecendo, e vejo Emma e Millard conversando com uma outra pessoa que estava de costas para mim. Era um menino que parecia ter saído da guerra de tão bagunçado, sujo e molhado que suas roupas estavam, com cabelos castanhos bagunçados, parecia que tinha um ninho de passarinhos se formando ali e suas roupas estavam com a aparência terrível, as calças sujas de lama e com folhas penduradas nela, seu casaco sujo de poeira e terra além de ele não usar sapatos nos pés.

Se a Senhorita Peregrine descobrisse isso eles iam ficar enrascados, trazendo uma pessoa totalmente estranha para dentro de casa e ainda suja desse jeito, decido intervir na conversinha que estavam tendo e faço um barulho com a boca para chamar a atenção deles.

“O que vocês estão fazendo?” Pergunto rispidamente para eles, mudando meu olhar de Emma para Millard e o estranho que estava em nossa casa.

Quando faço a pergunta o menino estranho se vira para me encarar, e a primeira coisa que vejo é como suas mãos estão amarradas por uma corda que está sendo segurada por Emma, subo meu olhar para seu rosto para finalmente saber quem era aquela pessoa e vejo um menino que parecia ser um adolescente um pouco mais alto que eu, mas o que mais me chama a atenção são seus olhos, duas piscinas com um azul tão claro e penetrante que nunca vi em minha vida, seus olhos eram redondos e grandes quase imitando olhos de bonecas de porcelana e por um momento parecia que ele estava olhando minha alma. Balancei minha cabeça desviando o olhar quando percebi que estava parado encarando-o estranhamente.

“Ele é ...” Emma começou a falar, mas o menino a interrompeu antes que ela conseguisse terminar a frase. “Meu nome é Jacob Portman, sou o neto de Abe Portman, ele me mandou aqui para conhecer vocês”. O estranho falou enquanto me encarava em busca de minha resposta a sua declaração.

Senti minha respiração travar quando ele falou isso, suas palavras ecoando em minha mente, neto de Abe Portman. Abe tinha filhos? Tinha netos? Porque ele nunca retornou as cartas? Porque ele não veio e ao invés disso mandou seu neto? Será que ele ainda estava vivo? Tantas emoções passaram em minha mente quando o nome de Abe foi anunciado. Seu nome era quase um tabu na casa, por causa de tudo que aconteceu ninguém realmente queria lembrar que um dia ele foi embora. Mas aí estava um estranho que se dizia ser neto de Abe Portman, era muita informação para assimilar de uma vez.

“Eu achei ele do outro lado do túnel e ele acabou atravessando também, e acabando aqui, vou falar com a senhorita Peregrine sobre ele e o que devemos fazer”. Disse Emma olhando para mim. “E isso aqui é para ter certeza de que ele não vai fugir ou fazer alguma coisa”. Complementou mostrando a corda que amarrava as mãos do outro menino.

Emma acabou entrando no escritório da senhorita Peregrine para falar com a mesma, enquanto isso deixou Jacob sobre nossa supervisão, quando Emma fechou a porta atrás dela Millard rapidamente desamara as mãos do menino se desculpando no processo.

“Desculpe-me por Emma, ela está um pouco nervosa com sua presença”. Disse isso enquanto terminava de desfazer os nós, levantando a mão rapidamente em frente ao corpo para dar um comprimento amigável a Jacob. “Prazer em conhece-lo Jacob Portman, eu sou Millard Nullings”. Falou agarrando a mão do outro e sacudindo alegremente, parecia que ele estava feliz em conhecer uma pessoa nova.

Jacob sem jeito sorriu e apertou a mão invisível de Millard. “Sim, meu avô já me contou sobre você, o menino invisível, prazer em conhece-lo. E eu entendo que Emma esteja assim por me ver, isso tudo foi muito repentino para ela”. Disse quase se desculpando por sua repentina chegada sem avisos.

Olhava aquela cena um pouco desconcertado, não acreditando ainda no que estava vendo, precisava desesperadamente ir ao porão para pensar melhor e os potes estavam começando a pesar em seus braços já doloridos, mas como ironia do destino o menino se virou para mim focando seus olhos azuis nos meus, e uma pequena faísca desceu em minha espinha, me irritei com tal sensação pensando em como eu queria descer e me trancar em meu quarto agora.

“Olá, prazer em conhece-lo...?” Falou Jacob esperando que eu completasse a frase falando meu nome, olhei para ele com uma cara irritada e cansada.

“O que você quer aqui nessa casa?” Perguntei sem paciência, começando a trocar de peso de uma perna para outra cansado com o esforço que estava fazendo para carregar os potes.

“Desculpe pelo mal humor dele, ele é sempre assim”. Disse Millard para Jacob “Jacob esse é Enoch O’Connor, e Enoch esse é Jacob Portman”. Começou com uma apresentação bem irritante no ponto de vista de Enoch que já estava virando os pés para seguir em direção ao porão, mas como hoje não era um dia bom para ele, Millard interveio novamente para atrapalhar seu dia.

“Jacob você poderia ajudar Enoch a carregar seus vidros com seus experimentos para o porão, parece que ele está tendo dificuldades em carregá-los, sim? Seria uma maneira melhor de vocês dois se conhecerem”.

Olhei incrédulo para Millard que esperava pacientemente uma resposta do outro menino, enquanto isso cheguei perto de Millard e sussurrei para o que acho que era seu ouvido.

“Porque você quer que eu conheça um estranho que nem pertence aqui, nos nem sabemos se ele é realmente neto de Abe”. Falei irritado com a confiança que ele já tinha com o menino que acabara de chegar.

Ele me olhou confuso e pareceu não entender minhas perguntas. “Ora, porque ele é igual ao Abe, e ele sabe sobre a Peregrine e tem uma carta que ela mesma enviou para Abe.

Não posso negar que Jacob lembrava Abe, a altura o porte físico, os cabelos castanhos, os olhos azuis, por mais que os olhos de Abe fossem de um azul mais escuro ainda sim tinham semelhanças. Sobre as cartas da Senhorita Peregrine, era realmente um assunto especifico difícil de qualquer pessoa saber.

“É melhor você não quebrar esses potes, porque se isso acontecer vou ter que pegar o seu para enche-lo novamente”. Falei propositalmente mostrando o coração dentro do vidro e sorrindo sarcasticamente esperando assustar o menino para que ele não me seguisse e me deixasse em paz.

“hum... tudo bem”. Falou o menino olhando diretamente para os potes e engolindo em seco com a ameaça feita, não sabendo se deveria ou não leva-la a sério.

Vendo que o menino não desistiu da oferta e com uma dor insuportável em meus braços, realmente considero deixar o menino levar os potes para mim, por mais irritante que ele parecesse ser, ele poderia ser útil para alguma coisa. Assim me inclino para frente para entrega-los nas mãos do outro menino e rapidamente me viro em direção as escadas do porão, sem mesmo esperar que o garoto atrás de mim acompanhasse meu ritmo.

Abro a porta para que ele entrasse no cômodo, mandando-o colocar os potes em cima da mesa fechando a porta atrás de si. Ando lentamente até onde o menino estava, observando ele enquanto olhava os diferentes frascos na estante com um leve interesse em suas feições e uma pontada de curiosidade se perguntado para que fim eles serviriam.

“Porque tantos frascos com órgãos? É por causa da sua peculiaridade?” Perguntou Jacob com um ligeiro interesse olhando para Enoch.

Aquele irritante e persistente arrepio na espinha apareceu novamente quando Jacob olhou com aqueles olhos para si, já irritado com tudo que estava acontecendo caminho até a mesa que costumava trabalhar com meus homúnculos e pego o pote com o coração, sento-me na cadeira em frente a mesa arrumando os últimos preparativos para terminar a boneca. Com muita delicadeza coloco o pequeno coração no ser sem vida que olhava fixamente para mim com suas orbes escuras, assim que termino dou um sorriso para preparar o show que iria fazer ao seu novo convidado.

Jacob ficou em silencio o tempo inteiro, parecendo um pouco deslocado enquanto olhava Enoch trabalhar com maestria no que parecia ser uma boneca junta em uma colcha de retalhos, provavelmente um sobrevivente de vários outros experimentos.

“Deve se sentir um pouco deslocado num ambiente como esse”. Digo um pouco sarcástico, querendo indiretamente que ele perceba que não era para estar aqui, onde só tem pessoas diferentes do lugar de onde ele veio, pessoas peculiares. E Jacob não era como eles, então ele não ia ficar nem se adaptar aquele lugar.  Então a melhor maneira era assustar o garoto para ele saber qual era realmente o seu lugar no mundo, longe deles.

“Não se preocupe, estou acostumado com esse sentimento”. Com isso olho fixamente para ele, desafiando-o para ver se realmente estava falando a verdade, seus olhos não fraquejaram na insistência dos meus em manter contato visual, suspiro desviando meu olhar para a boneca em minha frente sentindo minhas orelhas esquentarem com os olhares recebidos.

“Eu não estava preocupado, mas vou dar-lhe um conselho, esse lugar não é para você então é bom que você vá embora o mais rápido o possível” Cuspi as palavras de forma arrogante em sua direção.

“Eu não queria atrapalhar nada, eu nem sabia que viria parar aqui”. Ele fala se encolhendo sobre minhas palavras duras. “O que você está fazendo?”. Ele diz com interesse se inclinado em minha direção olhando minhas mãos trabalharem para fechar os últimos pontos da boneca.

Não levanto meus olhos para vê-lo, em vez disso pego outro boneco e coloco na mesa um de frente ao outro. “Quer ver uma coisa legal, Portman”. Falo evitando seu nome para me distanciar de qualquer tipo de proximidade.

Termino de organizar a mesa, nem mesmo esperando uma resposta do menino, coloco minha mão em cima de onde o coração do boneco estava e rapidamente sinto o começo de uma pulsação, sorrio quando o boneco começou a se mover timidamente, primeiro os olhos se movimentando e a cabeça olhando ao redor, a seguir os membros ganharam vida e o fantoche começou a se levantar atrapalhadamente se acostumando com a minúscula centelha de vida que foi dada a ele repentinamente.

“Oque é isso?”. Jacob solta enquanto olhava a criatura ganhando vida, sua cara estava mais pálida e seus olhos arregalados com o que estava vendo.

“Isso? Portman essa nem é a parte mais divertida...quer ver a parte mais divertida!”. Chego perto dos bonecos e sussurro algumas palavras fora de alcance do outro menino.

Os bonecos ganham uma posição de ataque se entreolhando e mostrando suas garras afiadas, de repente eles avançam um no outro começando uma dança mórbida e desgovernada entre membros, rasgando alguns pontos e braços no percurso de tentar avidamente matar um ao outro, quando um dos bonecos acabou achando uma brecha na luta e enfiou uma faca acoplada em seu braço no coração do outro boneco e assim arrancando ele de seu adversário mostrando aos espectadores como se fosse um premio e celebrando sua vitória.

Enoch viu o menino se afastar da cena e olhar surpreso para tudo aquilo, finalmente eu teria conseguido amedronta-lo para fazer ir embora daquele lugar, com isso estava esperando que ele corresse pelas escadas gritando de horror ou xingando alguma coisa sobre sua peculiaridade ser demoníaca e estranha, mas isso teria sido mais fácil de lidar do que a resposta que recebeu do menino a sua frente.

“Uau, você consegue dar vida as coisas, nunca vi algo assim, isso é legal”. Jacob falou analisando os bonecos agora caídos na mesa já sem vida depois de uma árdua luta, ainda em choque da cena que acabara de ver.

Sem entender sua reação, subo meu olhar para o menino que agora me analisava, sentindo um calor no meu peito se espalhando sobre minhas orelhas e ameaçando a chegar no meu rosto. Enfio as unhas nas palmas das mãos sentindo um borbulhar de raiva em meu estomago. Porque esse garoto só não conseguia ir embora dali de uma vez por todas e me deixar em paz? Odiando as novas sensações que o menino estava causando em si, uso meu último recurso para apavora-lo.

“Sabia Portman, que é muito mais divertido em cadáveres de humanos, eu gostava de brincar quando estava na funerária do meu pai, lá tivemos muitas batalhas bem melhores e mais sangrentas do que essa!”.

Quando ele ia me responder, escuto batidas apresadas na porta e a voz de Emma ecoa do outro lado da mesma. “Enoch está tudo bem aí, posso entrar?”.

Respondo que ela poderia entrar e vejo-a abrindo a porta direcionando sua carranca a Jacob. “A senhorita Peregrine quer ter uma conversa com o Jacob”. Fala encarando o menino como se pudesse matar só com o olhar. Ela assim como Enoch não parecia gostar da nova visita, tratando-o amargamente.

Assim Jacob em passos hesitantes caminha em direção a porta onde se localizava Emma que já estava sem paciência e batucava incessantemente a ponta do pé no chão. Quando Jacob estava quase saindo do cômodo, abruptamente se virou em minha direção e olhou uma última vez em meus olhos.

“Prazer em conhece-lo, Enoch.” Assim saindo do quarto e fechando a porta atrás de si em um estalo oco, sobrando somente a companhia nk silêncio do ambiente para Enoch se confortar.