Chapter Text
Um coração quebrado em inúmeros pedaços. Uma dor como se este mesmo coração tivesse sido arrancado de seu peito, pisoteado e cortado em milhões de pedacinhos. O gosto amargo de mais uma humilhação, de mais uma traição. A dor de mais uma vez ter sido tão machucado por aquele que um dia jurou lhe amar. Esse era o perfeito resumo de como Tay se encontrava naquele momento.
Mais uma traição da parte de Time, o homem que um dia teve a coragem de olhar em seus olhos e lhe jurar amor. Tay sabia que ele o traía, mas ele sempre acabava perdoando, pois tinha esperanças de que o namorado mudasse, tinha esperanças de que aquilo tivesse sido apenas um deslize da parte dele.
Tay se sentia um completo idiota. Ele sempre acreditava nas lágrimas de crocodilo do homem que se ajoelhava aos seus pés e lhe pedia perdão, sempre lhe dava mais uma chance e o que Time fazia com isso? O total oposto e continuava o traindo sempre que tinha alguma oportunidade.
Porém daquela vez havia sido diferente. Tay sempre sabia das traições pela boca de outras pessoas, mas foi em um evento que ele esteve acompanhado de seu então namorado e também de Kinn e Porsche que ele flagrou Time se agarrando com outro homem dentro de um banheiro.
Ele havia reconhecido o outro cara. Era um herdeiro multimilionário de uma família muito rica e sinceramente ele não estava nem aí para quem era o homem com quem Time estava o traindo. Tudo que ele podia sentir era raiva, tristeza e decepção com ele e consigo mesmo por ter se deixado levar pelas palavras de Time.
Sua dor fora ainda maior porque após o ocorrido, Time ainda teve a cara de pau de fazer mais uma de suas ceninhas para tentar convencer Tay a não terminar o relacionamento com ele, porém daquela vez Tay estava mais que decidido a não o perdoar mais e foi ali que Time deixou sua máscara cair. Rindo e debochando de Tay, ele despejou em cima dele as palavras mais duras e frias que uma pessoa poderia dizer para outra.
Disse com todas as letras que nunca o amou, que só estava com ele por puro status e para usá-lo como escada para que pudesse encontrar alguém ainda mais rico e influente e que como agora havia encontrado essa pessoa, ele não precisava mais de Tay para absolutamente nada. Deixando o luxuoso apartamento que dividiam, Time saiu sem nem olhar para trás deixando um Tay desolado e decepcionado com tamanha frieza.
Aquilo havia ocorrido há um mês e a dor em seu peito continuava o torturando todo o tempo. Tay tentava fingir que estava tudo bem, tentava engolir o choro, tentava seguir em frente, mas naquela noite ele simplesmente desabou. Jogado no sofá da sala de sua casa, ele já nem podia mais contar a quantidade de taças de vinho que havia ingerido naquela noite. E ele nem mesmo queria saber quantas foram. Tudo que queria era descontar em algo a dor, a tristeza, a frustração e a humilhação que não lhe deixavam em paz.
Pegou seu carro e dirigiu até a casa de Kinn, pois não aguentava mais guardar para si tudo o que sentia. Quem o recebeu foi Porsche que ficou completamente assustado e se perguntando como Tay não causou nenhum acidente de trânsito no estado em que se encontrava. Ele mal conseguia ficar de pé.
Sua aparência em nada lembrava o glamuroso Tay que todos conheciam. Ele estava com os cabelos totalmente desgrenhados, com o rosto inchado e vermelho de tanto chorar, usava um simples conjunto de moletom e absolutamente nada nos pés, sequer havia calçado sapatos antes de sair de casa.
Porsche o carregou para dentro de casa e Kinn praticamente deu um pulo do sofá ficando completamente atordoado e preocupado com o estado do amigo, que nem parecia o mesmo que ele conhecia há tanto tempo.
- Tay, pelo amor de Deus, o que está acontecendo? – Kinn perguntou enquanto levava um copo de água aos lábios se Tay, que estava tão embriagado que mal conseguia manter a cabeça erguida para beber da água.
- O Time. Ele aconteceu. – Tay respondeu com uma voz embolada.
- Ele foi atrás de você, é isso? Ele está te perseguindo? Eu juro que se ele fizer alguma coisa, eu vou... – Porsche disse com raiva e Tay o interrompeu.
- Não, ele não veio mais atrás de mim. Ele nunca mais me procurou. – Ele disse e deu um longo suspiro jogando a cabeça para trás e sentindo as lágrimas voltarem a rolar com força por seu rosto. – É só que... é que... eu não aguento mais, sabe, já tem um mês e eu simplesmente não consigo esquecer dele, eu sou um idiota. – Tay fala e chora ainda mais.
- Ei, ei, ei, para com isso, você não é um idiota. Se tem alguém aqui que não merece ser chamado de idiota, esse alguém é você. O único imbecil em toda essa história é ele e somente ele que nunca mereceu ter alguém como você ao lado dele. – Kinn diz segurando suavemente o rosto de Tay entre suas mãos.
- É claro que eu sou um idiota. Sou um idiota e sou um burro. Como eu pude ter deixado ele me enganar tanto assim? – Tay falou e se agarrou ao braço de Porsche chorando ainda mais.
- A culpa é somente dele, foi ele quem usou os seus sentimentos, foi ele quem te machucou. Você o perdoava não porque era idiota, porque você definitivamente não é idiota, mas você o amava, você tinha esperanças de que vocês dois juntos pudessem funcionar. Ele quem se aproveitou do seu amor pra te machucar e te enganar. – Porsche disse e Tay não conseguiu falar mais nada. Ele apenas deitou a cabeça no ombro de Porsche, que o abraçou fortemente e Kinn fez o mesmo.
Tay ficou por longas horas na casa de Kinn naquela noite desabafando tudo o que estava preso em seu peito e os dois ficaram ao seu lado o tempo todo o ouvindo, tentando consolá-lo e tentando fazer ele se sentir um pouco melhor, mas parecia que nada e nem ninguém parecia capaz de o acalmar. Ele tentava o tempo todo levantar para beber ainda mais, mas isso nem Kinn e nem Porsche permitiram, pois ele já havia bebido muito naquela noite. Tay começou a ficar inquieto e queria voltar para sua própria casa.
Kinn e Porsche tentaram o convencer a ficar na mansão, tomar um bom banho e dormir para que pudesse descansar, porém Tay estava irredutível e queria voltar para sua casa, mas Kinn não iria permiti-lo entrar em um carro naquele estado de embriaguez pois sabia que a chance de ele causar um acidente na estrada era gigantesca e como ninguém conseguia convencê-lo a dormir na mansão, ele então optou por pedir para um de seus guarda costas o levassem em casa.
Ele havia chamado Arm e Pol, porém Tay se debatia no sofá sem permitir que ninguém o ajudasse a levantar. Ele não tinha absolutamente nada contra os dois, até já haviam se divertido e bebido muito no Yok’s Bar, onde Porsche costumava levá-los junto com Tankhun, irmão mais velho de Kinn, porém naquela noite em específico Tay não estava em seu estado normal.
Kinn então ligou para Big, seu guarda costas de maior confiança e que naquela noite estava de plantão, e logo ele estava de prontidão na sala. Big fez uma breve reverência e não conseguiu desviar o olhar de Tay. Ele nunca havia visto o amigo de seu chefe naquele estado.
- Mandou me chamar, Khun Kinn? – Big questionou.
- Sim, Big, vou precisar que me faça um favor essa noite. – Kinn falou e ele assentiu. – Como pode ver, Tay não está em seu melhor estado. Porsche e eu tentamos de tudo para convencê-lo a dormir aqui, porém ele está irredutível e quer voltar para casa. Então, eu quero pedir que o leve no carro dele, pois ele não tem a menor condição de dirigir sozinho.
- Tudo bem. – Big assentiu e aproximou-se de Tay para ajudá-lo a levantar e surpreendeu-se quando o homem um pouco mais baixo que ele o olhou nos olhos e jogou-se em seus braços o abraçando pelo pescoço. Kinn e Porsche se entreolharam confusos, pois Tay nunca antes havia se aproximado de Big. O próprio Big também estava completamente confuso com aquela atitude.
- Big? É você quem Kinn vai mandar me levar em casa? – Tay perguntou com a voz totalmente embolada ainda agarrado ao pescoço de Big.
- Sim, senhor. – Big disse e Tay sorriu para ele segurando seu rosto entre as mãos, fazendo com que Big ficasse ainda mais confuso e se sentindo estranho com aquele toque tão delicado em sua face.
- Oh Big, você é tão bonito. – Tay falou e sorriu enquanto passava o dedo na bochecha de Big se concentrando em uma pintinha que ele possuía no rosto e que ele nunca havia reparado que estava ali e começou a pressionar o dedo suavemente sob ela. – Muito, muito bonito. – Tay falou novamente e cercou os braços ao redor de Big o abraçando e encostando a cabeça em seu peito fechando os olhos. Big ficou paralisado sem saber o que fazer, enquanto Kinn e Porsche oscilavam o olhar entre si e entre os dois também sem saber o que fazer.
- É... Khun Tay, acho que é melhor irmos para que o senhor possa descansar em sua casa. – Big falou e Tay olhou para cima para que pudesse novamente ver seu rosto.
- Não precisa me chamar de Khun, baby. – Tay falou e Big sentiu suas bochechas ficarem mais quentes. Ele sabia que estava vermelho e torcia para que Tay não percebesse isso. – Mas vamos, quero ir para casa. Você vai me ajudar, não vai? – Tay perguntou o abraçando novamente.
- Sim, irei ajudar o senhor a chegar em segurança. – Big disse e com cuidado tirou os braços de Tay de si e colocou um deles em seu ombro para que pudesse ajudá-lo a caminhar.
- Tão educado, tão cuidadoso. – Tay disse em meio a um sorriso e começou a caminhar permitindo que Big o conduzisse pelo caminho. Kinn e Porsche se entreolharam completamente confusos com as atitudes de Tay em relação a Big.
Os quatro caminhavam em silêncio pelo caminho até o carro de Tay. Big cuidadosamente retirou o braço dele de seu ombro e abriu a porta do carro segurando sua mão delicadamente. Tay não conseguiu não prestar atenção no cuidado com que Big o tocava.
- Por favor, entre no carro Khun Tay. – Big pediu educadamente e Tay sorriu sentando-se no banco ao lado do banco do motorista. O guarda costas aproximou-se dele e colocou o cinto de segurança em seu corpo certificando-se de que ele estava confortável.
- Você é tão fofo, Big. – Tay disse sorrindo para ele e Big tinha certeza de que seu rosto estava mais vermelho que um tomate de tanta vergonha. Ele tentava não pensar nesses elogios, pois tinha certeza que era somente da boca para fora, ainda mais se ele fosse considerar o quão bêbado Tay estava. Ele então fechou a porta do carro.
- Por favor, leve-o em segurança e assim que chegarem na casa dele me avise. – Kinn pediu e Big assentiu indo em direção ao banco do motorista para levar Tay para seu apartamento.
Big então sentou-se no banco verificando como Tay estava e ele começou a se questionar o que havia acontecido que deixou o homem naquele estado. Ele parecia tão triste, tão perdido e tão desolado que por um instante tudo que Big queria era confortá-lo um pouco, mas ele empurrou esses pensamentos para o fundo de sua mente e se sentiu um idiota por pensar algo assim. Colocou o cinto de segurança em seu redor e começou a dirigir rumo à casa de Tay.
Kinn e Porsche ficaram para trás observando o carro sumir de suas vistas e obviamente a cabeça dos dois não parava de pensar sobre tudo o que havia ocorrido, principalmente sobre a forma como Tay parecia ter gostado tanto de Big daquela maneira repentina.
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Durante o caminho até o apartamento de Tay, sempre que paravam em algum sinal vermelho, Big aproveitava para conferir como ele estava. Ele percebeu que o homem chorava baixinho e ele sentiu seu coração apertar ao vê-lo tão triste, mas tinha medo de tentar iniciar alguma conversa pois não queria machucá-lo ainda mais.
Os dois seguiram pelo caminho em silêncio até que Tay virou-se um pouco de lado e começou a observar Big. Ele sempre havia achado o guarda costas um homem muito bonito, mas nunca se aproximou muito dele pois Big sempre lhe pareceu alguém mais distante e reservado do que Arm e Pol, que já pareciam mais expansivos e mais permissivos com aproximações de terceiros.
Ele observava cada detalhe do rosto de Big e em como ele estava bonito dirigindo todo concentrado na estrada. Reparou que ele tinha pintinhas espalhadas pelo rosto e pelo pescoço e focou sua atenção em uma pintinha que ele possuía bem no final do lábio inferior. Era muito pequena e discreta e Tay sentiu seus dedos formigarem para tocarem os lábios de Big, mas decidiu não fazer isso para não assustar o homem.
Mais alguns minutos se passaram até que eles chegaram ao luxuoso condomínio onde Tay morava. Ficava em um dos bairros mais nobres da cidade e Big pensou que realmente o lugar combinava com ele.
- Khun Tay, nós chegamos. Vou te ajudar a descer do carro. – Big disse e abriu a porta do carro, dando a volta por ele e indo em direção a porta do passageiro. Ele abriu, desafivelou o cinto de segurança que prendia Tay e o ajudou a sair do carro colocando os braços dele ao redor de seus ombros para que pudesse ajudá-lo a caminhar. Seguiu por um caminho indicado por Tay e assim que chegaram à porta de sua casa, Big esperou que Tay lhe entregasse as chaves para abrir a porta, mas o homem estava praticamente dormindo em pé.
- Khun Tay, onde estão as chaves para abrir a porta? – Big questionou.
- No bolso direito da frente. – Tay respondeu.
- Poderia me entregá-las, por favor? – Big perguntou.
- Você pode tirá-las do meu bolso. – Tay disse e Big respirou fundo, pois colocar a mão no bolso dele para tirar as chaves significava tocá-lo além do que Big considerava necessário, mas ele não queria prolongar demais aquela conversa. Ele levou a mão até o bolso da calça de Tay procurando pelas chaves e não pôde evitar sentir as coxas dele pelo tecido fino da roupa.
- Me perdoe, Khun Tay, não estou encontrando as chaves. – Big disse e Tay sorriu.
- Eu estava brincando com você. As chaves estão no bolso esquerdo. – Tay falou e começou a rir se segurando no pescoço de Big e acariciando os cabelos dele. O guarda costas respirou fundo e levou a mão ao bolso esquerdo da calça de Tay e gritou internamente de felicidade ao encontrar as chaves. Ele abriu a porta do apartamento e foi guiando Tay para dentro.
Ele colocou o homem sentado no sofá da sala e foi até a cozinha buscar um copo de água para ele. Encheu o copo e abaixou-se ficando na mesma altura de Tay, segurou com nuca com cuidado para apoiar sua cabeça e Tay sentiu um arrepio pelo contato dos dedos de Big com sua pele.
- Beba um pouco, vai ajudá-lo a ficar hidratado. – Big pediu e Tay bebeu a água lentamente. Assim que terminou, Big levou o copo até a cozinha novamente e voltou para a sala. – Onde fica o seu quarto?
- Hmm, você quer conhecer o meu quarto, é? – Tay disse rindo e Big se viu quase morrer de vergonha.
- É melhor que eu o leve para o seu quarto para que possa descansar, Khun Tay. – Big disse e Tay sorriu para ele assentindo.
- Eu gosto da forma como o meu nome sai pela sua boca. A sua voz é tão linda. – Tay disse e Big mais uma vez se sentiu envergonhado. – Meu quarto é o primeiro indo pelo corredor a direita. – Ele disse e Big assentiu. Em silêncio o ajudou a levantar-se e foi o guiando em direção a seu quarto.
Assim que abriu a porta, Big não deixou de se surpreender com a beleza da decoração. As paredes em um tom bege clarinho, a cama king size impecavelmente arrumada com travesseiros e lençóis que pareciam muito macios e aconchegantes, a janela enorme na parede esquerda em relação a cama decorada com uma cortina branca e delicada, haviam dois abajures, um em cada escrivaninha dos lados da cama, um lindo lustre no teto e alguns quadros ornamentando as paredes. Cada cantinho daquele cômodo imprimia a personalidade forte do dono daquele quarto. Big colocou Tay sob a cama e o mesmo ficou deitado encarando o teto.
- O senhor gostaria de tomar um banho antes de dormir? – Big o questionou e ele assentiu. O guarda costas então foi em direção à suíte e começou a preparar um banho relaxante para Tay. Encheu a banheira com alguns sais de banho que ali estavam e checou a temperatura da água percebendo que a mesma estava morna, o que era ótimo. Nem muito quente, nem muito frio, o ideal para que o homem pudesse relaxar e dormir tranquilo.
Depois que o banho estava pronto, Big voltou ao quarto e observou Tay na cama, ele parecia ter adormecido e naquele momento ele se questionou o que deveria fazer, mas resolveu acordá-lo. Se aproximou com cuidado do homem deitado na cama.
- Khun Tay, o seu banho está pronto. – Ele disse e Tay virou o rosto para encará-lo e sorriu levando as mãos ao rosto de Big.
- Você é tão gentil, Big. Acho que vou roubar você de Kinn. – Tay falou rindo e Big não falou nada o ajudando a ficar de pé. – Me ajuda a tirar a roupa. – Ele pediu e o guarda costas congelou no lugar.
- Não é melhor que o senhor faça isso sozinho? Não quero que se sinta constrangido. – Big questionou e Tay negou com a cabeça.
- Por que eu me sentiria constrangido diante de alguém tão bonito? – Tay falou e sorriu e Big então começou a ajudá-lo a tirar sua roupa. Ele colocou os braços dele em seus ombros e removeu primeiro a blusa de moletom que ele usava e tentou não olhar muito para o corpo do homem, mas não resistiu em olhar um pouco. Tay percebeu que Big tentava disfarçar o olhar e sorriu. Logo em seguida ele o ajudou a tirar a calça e ficou somente com uma boxer preta.
Big não podia deixar de notar o quanto Tay era bonito. Sua pele era clara e parecia muito macia, ele tinha lábios carnudos e rosados, um olhar doce e fatal ao mesmo tempo, seus cabelos em um corte mullet com duas mechas loiras na frente davam a ele um ar de modernidade que combinado com a forma que ele se vestia, o faziam ter um estilo único e muito marcante.
Ele o guiou até a suíte e o ajudou a entrar na banheira com cuidado para que não escorregasse. Tay sentou-se, encostou as costas na banheira e removeu a boxer que usava a deixando jogada no chão e Big tentou não pensar muito no fato de que o homem estava agora completamente nu embaixo de toda aquela espuma.
O guarda costas começou a sair da suíte para deixar Tay a vontade em seu banho, porém sentiu a mão dele segurando a sua o impedindo de sair.
- Espere, Big. Me ajude a lavar o cabelo, por favor. – Ele pediu com um olhar suplicante e Big assentiu. Ele procurou pelo shampoo que ele usava e quando o encontrou, sentou-se no chão ficando atrás de Tay e com o chuveirinho que havia ali do lado, ele começou a molhar os cabelos do rapaz.
Big colocou um pouco do shampoo em suas mãos e esfregou as palmas fazendo uma espuma se formar e levou os dedos aos cabelos de Tay os esfregando e fazendo uma massagem suave em seu couro cabeludo com as pontas de seus dedos. O rapaz suspirou com a leveza e o cuidado com que Big fazia aquilo, era tão delicado que Tay sentia como se estivesse flutuando pelas nuvens.
- Eu definitivamente vou te roubar do Kinn e vou te contratar para lavar meus cabelos todos os dias. – Tay falou e Big deu uma risadinha pensando no quão bêbado ele estava para falar tudo aquilo. Em silêncio ele continuou o que fazia deslizando os dedos pelo couro cabeludo de Tay fazendo aquela massagem tão relaxante e se sentiu feliz por, pelo menos um momento, fazê-lo esquecer do que estava machucando seu coração.
Big enxaguava os cabelos de Tay com cuidado evitando que a água entrasse em seus ouvidos e o rapaz dentro da banheira gostaria que aquele momento durasse para sempre. Era tão bom sentir os dedos habilidosos de Big passeando por seu couro cabeludo, aquilo enviava arrepios por toda a sua pele e por um momento ele desejou que o guarda costas de seu amigo estivesse tocando mais que apenas os seus cabelos.
Eles não sabiam por quanto tempo mais ficaram ali e naquela altura, Big não ligava que sua roupa estivesse toda molhada e grudada em seu corpo. Ele estava feliz em saber que estava o ajudando a relaxar. Apesar de nunca ter trocado muitas palavras com Tay, o homem sempre fora gentil com ele e nunca o tratou mal, então ajudá-lo naquele momento não era nenhum incômodo para ele.
Depois de um tempo e de alguns protestos de Tay, que queria ficar mais tempo naquele banho, Big o ajudou a levantar e sair da banheira. Ele tentava não olhar para baixo, pois o homem estava totalmente nu diante dele. Rapidamente Big alcançou um roupão que ali estava, ajudou Tay a vesti-lo e em seguida o guiou para o quarto o colocando sentado na cama.
Big agradeceu mentalmente por haver um pijama sob a cama de Tay e ele o pegou desdobrando-o e o entregando nas mãos do homem para que ele pudesse vesti-lo. Tay levantou-se e fazendo contato visual com Big desamarrou o laço do roupão e abriu-o. Big rapidamente virou de costas antes que pudesse vê-lo sem roupa. Tay sorriu e então vestiu o pijama.
- Pode se virar novamente, Big. – Ele disse sorrindo e Big então se virou. Ele olhou ao redor e tudo parecia estar bem. Tay estava em casa com segurança, já havia tomado banho, estava de roupa trocada, então ele pensou que sua missão estava concluída. Lembrou-se que já fazia mais de uma hora que estava na casa de Tay e ainda não havia entrado em contato com Kinn para avisá-lo que que o amigo dele estava em casa com segurança.
Big então discou o número de telefone de Kinn e depois de três toques, seu chefe o atendeu. Tay ouviu a conversa e ouviu quando Big disse que já estava pronto para voltar para a mansão e então ele correu e cambaleou um pouco até o guarda costas tomando o telefone de sua mão e o fazendo olhar confuso.
- Alô, Kinn? Sou eu, Tay. Big não vai voltar para casa hoje, eu não vou deixar. – Tay disse e Big arregalou os olhos se aproximando para pegar o celular de volta.
- Khun Tay, eu preciso retornar. – Big disse e Tay negou com a cabeça.
- Não quero saber, Kinn. Ele vai ficar aqui comigo hoje, preciso de alguém que cuide de mim essa noite e Big é tão cuidadoso, tão fofo, ele é simplesmente perfeito e eu vou roubar ele de você. – Tay falou para Kinn e Big quis cavar um buraco no chão e enfiar seu rosto dentro de tanta vergonha que estava sentindo.
- Khun Tay. – Big disse, mas Tay se afastou dele jogando-se na própria cama ainda com o celular de Big em mãos.
- Por favor, Kinn, para de ser chato. Big vai ficar aqui comigo e só vai voltar para a sua casa feiosa amanhã na hora que eu quiser. – Tay falou e Big tentou segurar a risada com a voz dele que estava ainda embolada devido a quantidade de álcool que ele ingeriu mais cedo. – E daí? Eu não ligo, ele vai ficar. Ou ele fica aqui comigo essa noite ou eu nunca mais falo com você. Vai querer perder o seu amigo para sempre por ser teimoso e não querer me emprestar seu guarda costas por um dia?
Big sorriu com o jeito mandão que Tay dava ordens para Kinn.
- Ótimo, então essa noite Big vai ser todinho meu. Eu já disse que Big é muito fofo? Ele é muito fofo, muito lindo e muito perfeito. Você sabia que ele tem dentes de coelho? É simplesmente a coisa mais fofa que eu já vi quando ele está sorrindo. E eu vou roubar ele só pra mim, fique você avisado. Eu te amo, Kinn, você é o melhor amigo desse mundo. – Tay gritou e desligou o telefone. Do outro lado da linha, Kinn estava incrédulo com as coisas que seu amigo disse e ria da forma como ele reivindicava Big só para ele naquela noite.
- Pronto, está resolvido. Você vai dormir comigo essa noite, Big. – Tay levantou da cama e abraçou Big. – Acho que é melhor você tomar um banho para poder dormir. Suas roupas estão todas molhadas e você vai acabar ficando doente assim. – Tay disse e Big assentiu indo até o banheiro da suíte onde esteve instantes atrás com o dono daquela casa.
Big parou para respirar direito pela primeira vez naquela noite caótica. Como ele foi de um dia normal de trabalho que tinha tudo para terminar da mesma forma que todos os outros para estar no apartamento luxuoso de Tay, amigo de seu chefe, cuidando dele após uma noite regada a álcool?
Ele achou melhor nem tentar responder a essas perguntas naquele momento e resolveu tomar um banho rápido temendo que Tay voltasse a beber ou mesmo que saísse do apartamento. Demorou alguns minutos em baixo do chuveiro e assim que finalizou o banho, Big lembrou-se que não havia trazido nenhuma roupa extra, afinal ele não achou que iria dormir na casa de Tay naquela noite.
Enrolou uma toalha na cintura, saiu do banheiro e assim que Tay o viu, Big não pôde deixar de perceber que o homem percorreu todo o corpo dele com os olhos e lambeu os lábios. Tay estava maravilhado com o corpo de Big. Ele sentiu uma vontade absurda de poder tocá-lo, de sentir a pele dele, imaginou-se sendo tocado por aquelas mãos.
Big era realmente um homem muito bonito. Ele tinha um corpo muito bem trabalhado, abdômen bem definido, braços fortes, costas largas e tudo isso somado a um rosto lindo, tornavam ele um pacote completo. Tay sempre achou que Big era atraente, mas vendo-o assim de perto daquela forma o faziam pensar que ele era ainda mais bonito do que imaginava,
- Se não for nenhum incômodo, o senhor poderia me emprestar uma roupa para que eu possa dormir? Minhas roupas ficaram molhadas. – Big pediu e Tay sorriu com a forma tímida que ele falava. Ele levantou-se sem desviar o olhar de todo o corpo dele e foi buscar algo para que ele vestisse.
Encontrou um pijama que era composto por uma camisa de botões e uma calça, ambos na cor vermelha e entregou para Big. Entregou também para ele uma cueca boxer branca que nunca havia usado, pois errou o tamanho da mesma que ficou muito folgada em seu corpo, mas tinha certeza que em Big ficaria com o tamanho correto. O guarda costas agradeceu e foi ao banheiro se trocar.
Assim que ele saiu, Tay suspirou o vendo vestido em suas roupas. Aquele pijama em Tay ficava oversized, mas no corpo de Big parecia algo feito sob medida para ele. Havia ficado simplesmente perfeito e a cor da roupa em contraste com a pele clara dele tornava Big absurdamente atraente.
- O senhor poderia me mostrar onde fica o quarto de hóspedes? – Big questionou e Tay o olhou.
- Quarto de hóspedes? De forma alguma. Eu quero que você durma aqui comigo na minha cama. – Tay disse e Big negou.
- Não, senhor Tay, isso seria inadequado. – Big olhou para baixo e Tay levantou-se da cama e foi em sua direção segurando suas duas mãos.
- Por qual razão seria inadequado? – Tay questionou.
- É que este é o seu quarto, o seu espaço pessoal, não quero invadir um lugar que é seu. – Big responde e o outro riu. Tay então o puxou pelas mãos e foi o levando até sua cama colocando-o sentado nela.
- Não é nenhuma invasão e eu quero que você durma aqui comigo. – Tay disse e empurrou Big gentilmente pelo peito o fazendo deitar na cama. Ele deitou-se ao lado dele ficando frente a frente com o guarda costas e acariciou o rosto de Big de uma forma tão delicada que o fez fechar os olhos por um segundo ao sentir aquele carinho em suas bochechas. – Big, essa noite você é tudo que eu tenho. Por favor, não me deixa sozinho. Fica aqui comigo, é tudo que eu te peço.
Tay olhou para Big com um olhar tão suplicante, que transmitia tanta angústia, tanta dor que ele apenas sorriu e assentiu se acomodando ao lado dele na cama. Minutos se passaram ali naquele silêncio e Big sentia sua cabeça girar com tantos pensamentos sobre tudo que aconteceu naquela noite. Ele tentava não se mexer muito, pois achava que Tay já estava dormindo e não queria incomodá-lo.
Lentamente Big apagou a luz do abajur que estava do seu lado da cama e também do abajur que estava ao lado de Tay e o quarto ficou escuro. Ele fechou os olhos e se passou mais algum tempo. Quando Big estava quase dormindo, ele sentiu um braço ao redor de seu corpo e uma perna se enroscar entre as dele. Tay o abraçou e encaixou seu rosto na curva do pescoço de Big sentindo seu cheiro. A forma como os dois estavam abraçados fazia seus corpos se encaixarem de maneira perfeita.
Big sentiu os dedos de Tay puxarem o elástico de seu cabelo soltando os fios e sentiu quando ele começou a acariciar seus cabelos de uma forma tão delicada que o fez querer ficar ali para sempre.
- Alguém já te disse que você é muito bonito? E nem falo só por fora, mas também por dentro. Você é tão gentil, tão bom, eu queria alguém como você na minha vida. – Tay sussurrou para Big antes de adormecer em seus braços.
- Eu queria alguém como você na minha vida também. – Big sussurrou sabendo que Tay não o ouviria e o aconchegou em seus braços sentindo-o totalmente relaxado. – Somente alguém muito idiota para não te dar o valor que você merece.
