Actions

Work Header

You worry my days, yes, you torture my nights.

Summary:

Emoções nunca foram o forte de Antony. Por que seriam?

Mas tudo bem, porque ele tinha acabado de descobrir que só precisava das palavras de Richarlison e o habitual conforto do seu calor em uma cama de hotel para que tudo parecesse fazer sentido.

Notes:

Minha segunda história aqui no site e como uma boa brasileira que se preste (o estereótipo, aiai) saí COMPLETAMENTE da minha zona de conforto com essa oneshot, já que é de jogadores de futebol. Mas como recém passamos pelas emoções à flor da pele causadas pela Copa–principalmente a dor da nossa perda, AAAAA–eu estava em clima de escrever algo relacionado aos nossos amorecos da Seleção Brasileira.

Enfim, sem muito blá-blá-blá desejo uma boa leitura!

 

P.S: Uma versão em inglês dessa história também será postada. Talvez ainda não tenha sido no momento em que essa versão original em PT-BR está publicada, mas irei editar o aviso quando for.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Antony detestava ficar sozinho, não gostava da sensação de estar completamente à deriva dos seus pensamentos barulhentos. Mas depois... 𝘥𝘢𝘲𝘶𝘪𝘭𝘰, não conseguia e nem queria olhar na cara de ninguém.

O seu quarto de hotel estava tão silencioso que parecia deslocado da cidade grande e turbulenta que ganhava vida naquela noite. Da sua janela, conseguia ver as luzes psicodélicas dos outdoors e ouvir os carros que passavam. Quando se concentrava o suficiente, podia escutar pessoas vagando pelas ruas que talvez, assim como ele, careciam de algo para preencher o seu vazio às altas horas da madrugada.

Antony se revirava de um lado para o outro na cama, sem sono nenhum. Por mais estúpido que parecesse, ele tinha medo de fechar os olhos e ver todas as cenas da sua derrota se repetindo, como uma espécie de tratamento Ludovico, uma terrível tortura psicológica.

𝘈 𝘨𝘦𝘯𝘵𝘦 '𝘵𝘢𝘷𝘢 𝘲𝘶𝘢𝘴𝘦 𝘤𝘰𝘯𝘴𝘦𝘨𝘶𝘪𝘯𝘥𝘰. 𝘘𝘶𝘢𝘴𝘦...

Não conseguia nem pensar sem sentir lágrimas se formando nos seus olhos já vermelhos e inchados, ameaçando escorrerem sob seu rosto a qualquer momento. Ele podia sentir sua cara enrubescida e quente, graças ao estado apoplético em que se encontrava.

Uma, ou melhor, três batidas desordenadas na porta o tiraram de seus pensamentos de miséria. O camisa 19 saltou de sua cama, gritando um "Peraí!" enquanto tentava achar na pilha de roupas no chão alguma bermuda para colocar e ficar decente, já que estava apenas de cueca; Isso o lembrou de quando Thiago o chamou atenção por esse hábito, e o mais novo respondeu com indignação que no seu quarto poderia andar como bem entendesse.

Agora já mais bem vestido, o homem abriu a porta e se deparou com um dos seus colegas de time.

—Opa, Rich. Tudo bem?–lhe ofereceu um sorriso amigável, mas acabou saindo uma expressão amuada, já que não era bom em esconder o que realmente sentia.

—Oi, Antony. Desculpa o horário, eu pensei em dar uma passada aqui pra gente, sei lá, bater um papo ou ver um filme. Que nem a gente fazia durante os treinos das olimpíadas, lembra?

Disse Richarlison, com toda a sua graça e um bom humor invejável aos olhos do mais baixo.

—Claro que só se você quiser, se preferir descansar eu entendo. É que eu não consegui dormir por nada no mundo, então sabe como é...

Antony genuinamente considerou dispensar a oferta do amigo e dar a desculpa de que estava muito cansado, mas não era verdade. O cansaço dele era mental e não físico. E o do seu amigo também, aparentemente. Seria de mau gosto da sua parte negar uma oportunidade de esvaziar a mente e talvez melhorar não só o seu ânimo mas o de Richarlison também.

—Uh, claro. Entra aí.

O mais alto pediu licença e adentrou a suíte padrão em que todos os jogadores ficavam. Automaticamente Antony ficou extremamente consciente do estado do cômodo, que de certa forma, refletia o estado frágil de si mesmo. As luzes estavam apagadas, suas roupas fora da mala espalhadas pelo chão de carpete—o qual ele detestava pois sentia que caminhava em enchimento de travesseiro—e lançou um olhar constrangido ao amigo.

—Não repara a bagunça, não.–disse, indo em direção ao interruptor para ligar a luz do quarto.

—Huh, nem esquenta. Você devia ver como tá o meu.

O camisa 9 sorriu um daqueles sorrisos genuínos, que transparecia o seu estado de espírito que era sempre tão puro.

𝘖𝘩, 𝘋𝘦𝘶𝘴. 𝘈𝘯𝘵𝘰𝘯𝘺 𝘨𝘰𝘴𝘵𝘢𝘳𝘪𝘢 𝘥𝘦 𝘴𝘢𝘣𝘦𝘳 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘰 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘰 𝘤𝘰𝘯𝘴𝘦𝘨𝘶𝘪𝘢 𝘴𝘦𝘳 𝘢𝘴𝘴𝘪𝘮 𝘯𝘰 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘥𝘰 𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘦𝘯𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳𝘢𝘷𝘢𝘮.

Era admirável, de certo modo. Como o mais velho sempre preferia ver o lado bom das coisas, e não se afundar em inseguranças e melancolia como ele, 𝙥𝙤𝙧𝙧𝙖 𝘼𝙣𝙩𝙤𝙣𝙮, 𝙥𝙤𝙧 𝙦𝙪𝙚 𝙩𝙪 𝙩𝙚𝙢 𝙦𝙪𝙚 𝙨𝙚𝙧 𝙖𝙨𝙨𝙞𝙢?

—Deixa a luz apagada mesmo, é mais legal pra assistir filme.

Só quando o platinado falou isso que Antony percebeu que sua mão ainda estava sob o interruptor, imóvel. Mais uma vez seus pensamentos prevaleceram em sua mente.

—A-ah, tá. Já sabe o que vamos assistir?

—Pensei em alguma comédia bem lixo. Só pra dar risada mesmo.–Richarlison disse enquanto se jogava na cama de casal no centro do quarto, e Antony não pôde reprimir um sorrisinho de se formar em seus lábios com a maneira em que o outro se fez em casa.

—Pode ser...

O mais novo sentou ao lado do platinado na cama, e observou com um olhar preguiçoso enquanto o mesmo procurava no catálogo da Netflix algum filme que lhe chamasse a atenção. Nesse meio-tempo, Antony lembrou que tinha pipoca de micro-ondas na cozinha acoplada da suíte e resolveu ir preparar para os dois.

Pouco tempo depois, quando voltou ao cômodo, agora com um grande saco de pipocas quentinho em mãos, Richarlison já estava recostado na cama, com o filme pausado à espera do menor.

O menor não quis comentar, mas a cena causou um sentimento bom em seu coração que ele não saberia explicar o que era.

 

______

 

Algum tempo depois, ambos se encontravam atirados na cama, a comédia que haviam escolhido para assistir já esquecida na TV. Conversavam entre meio à risos sobre qualquer paspalhice que viesse à cabeça. Relembrando memórias do passado e comentando sobre os planos pro futuro.

Antony estava contente. A presença do amigo o animou drasticamente, e pela primeira vez no dia ele se sentiu como si mesmo novamente. Sua mente estava leve como uma pluma ouvindo as risadas escandalosas do platinado, e as suas piadas sem graça já até o tinham feito esquecer da–!

𝘈𝘩, 𝘥𝘳𝘰𝘨𝘢...

—Aí eu–uma risada atrapalhou sua frase–Eu disse pro Paquetá: "Paquê'tá desse jeito, cara?"

Richarlison explodiu em risos mais uma vez com sua própria piada, mas ao notar que o amigo não o acompanhou, aos poucos suas risadas cessaram e uma expressão preocupada se fez presente em sua face.

—Hum... Antony? Tá tudo bem?

E isso era tudo que o mais novo não queria que ele perguntasse, porque simplesmente não tinha forças para fingir que estava tudo bem. Porque Deus sabe que não estava 𝙣𝙖𝙙𝙖 𝙗𝙚𝙢 para Antony.

As traiçoeiras lágrimas que ele tanto lutou para segurar começaram a escorrer pelo seu rosto feito uma cachoeira. Toda a sua frustração, toda a sua dor e desespero presentes em cada uma das gotas amargas do seu choro.

Ele pôde notar, através da visão embaçada, que Richarlison não sabia exatamente o que fazer. O homem era do tipo brincalhão, não falava e nem demonstrava seus sentimentos com frequência e preferia lidar com eles de uma forma bem humorada, e Antony não esperava que o maior de repente se tornasse um terapeuta para ouvir as suas lamentações naquele momento.

Por isso foi um choque para ele quando o platinado, hesitante e um tanto nervoso, o abraçou.

Um abraço tímido, como se o próprio Richarlison não soubesse se limites estavam sendo quebrados ou se ele podia prosseguir. Mas Antony lhe deu uma afirmação silenciosa de que não tinha nenhum problema quando retribuiu o abraço, escondendo seu rosto no pescoço do outro homem.
Soltou um longo suspiro, se permitindo desabar na frente de seu amigo. As lágrimas agora eram ainda mais abundantes e escorriam pela camiseta de Richarlison, a manchando. Felizmente ele não pareceu se importar com isso e apenas envolveu o mais novo em seus braços.

Após alguns segundos, Antony sentiu movimentos circulares serem feitos em suas costas, o que foi recebido de bom grado pelo mesmo. Cada ação do camisa 9 ainda era um pouco restringida, tomando o cuidado de proceder sem pressa e tranquilizar o amigo da melhor maneira que conseguia.

—Tudo bem, Antony. A gente deu o nosso melhor...

E Antony sabia que aquelas eram palavras de conforto, mas só serviram para aumentar o aperto que ele sentia em seu coração. Logo, soluços eram audíveis entre meio ao choro. Era demais para ele aguentar. A dor 𝘦𝘹𝘤𝘳𝘶𝘤𝘪𝘢𝘯𝘵𝘦 da perda, não só da Copa, mas também dos seus sonhos que ele tanto lutou para que se realizassem.

—N-não... era a nossa chance, Rich! Por que teve que acabar assim?–sua voz embargada ressoou quase como um sussurro no quarto taciturno em que apenas os dois se encontravam.

—Porque vai ver que não era pra ser... eu não sei. Mas não é o fim do mundo, e muito menos o fim dos nossos sonhos, cara.

Richarlison moveu uma de suas mãos das costas do outro e levantou seu rosto com um toque delicado, o forçando a encará-lo nos seus olhos.

—A gente sempre vai ter a próxima. E, tá, eu sei que são quatro anos, mas só quer dizer que nós temos mais tempo pra evoluir e se preparar melhor. 'Cê entende?

Antony queria absorver aquelas palavras pra si, realmente queria. Mas não conseguia. Aquela tristeza profunda que sentia vinha se remexendo e virando em seu interior desde quando chegou ao hotel e se trancou no quarto até aquele exato momento, se dispersando até transformar-se em um sentimento ainda pior: raiva.

Raiva de si mesmo. Por criar expectativas altas para si que sabia que só iam servir para o machucar caso não acontecessem, e foi assim que ocorreu. A perda o lançou brutalmente numa teia de insegurança e dúvida, e ele já não via em sua pessoa todo o potencial de antes, já começava a desacreditar que aquilo realmente era pra ele.

Mas como não poderia ser? Futebol era a sua paixão. É disso que ele vivia e respirava...

—Ei, não me deixa no vácuo assim que eu me preocupo real...

O camisa 19 lentamente se separou dos braços acolhedores de Richarlison, fungando e com a respiração ainda descompassada.

—Desculpa, eu só... sei lá. Eu tinha tanta certeza, tanta fé de que dessa vez ia...

Ele mantinha sua cabeça baixa enquanto falava, sem coragem de encarar o outro homem. À essa altura não deveria importar porque o platinado já tinha o presenciado em um momento tão íntimo e, de certa forma, secreto. Mas era difícil reconhecer que esse Antony tão assustado e perdido, estados dele reservados somente à sua família e amigos próximos de longa data, estava se projetando bem na frente de um colega de time.

—Desde que eu fui convocado,–ele fungou mais uma vez–eu senti que toda a minha vida tinha feito um círculo completo e finalmente tudo fez sentido. Era por 𝘪𝘴𝘴𝘰 que eu esperei a minha vida toda... E-eu sonhava com o dia em que a minha família ia me ver jogando na final da Copa pela TV, levantando aquela taça! Era pra ser nós!

Aquelas eram palavras que estavam presas em sua garganta por sabe-se lá quanto tempo. E por maior que fosse o alívio que ele sentiu ao finalmente deixá-las sair, o ódio que elas carregavam era um peso que ele definitivamente não queria que recaísse sobre o seu amigo.

Mas não dava, não 𝙖𝙩𝙪𝙧𝙖𝙫𝙖 mais guardar tudo aquilo para si. Se sentia sufocado, como se estivesse afundando no mar das suas emoções e não conseguisse alcançar a superfície. Precisava que alguém o resgatasse, e se tivesse que ser o Richarlison, então que assim fosse.

Embora não estivesse olhando para ele, Antony sentia o olhar do platinado sobre si a todo o instante e torcia para que não fosse de pena, mas de compreensão. Afinal quem além dele e dos outros caras iria entendê-lo melhor nessas circunstâncias?

—... Eu também pensei isso, Tony. E sabe, eu nunca senti tanta raiva, não, tanta 𝘪𝘳𝘢 em toda a minha vida.–Passados longos e arrastados segundos de silêncio após o desabafo de Antony, o camisa 9 declarou.

....

—... E o que você fez pra ira passar?–um sussurro, Antony não ofereceu mais do que isso.

—Nada. Porque ela não passou.

O mais novo, por fim, o encarou nos olhos. A sinceridade dolorosa daquela frase o surpreendeu.

—Ela ainda tá aqui dentro,–bateu em seu peito–tão forte como 'tava no gramado, no vestiário, no nosso ônibus, no corredor enquanto eu 'tava vindo pra cá. Ela não foi embora e talvez não vá tão cedo.

O olhar de Richarlison enquanto ele falava não poderia ser descrito por Antony com qualquer outra palavra que não fosse vingança.

Era tão estranho, tão fora do feitio de Richarlison que causou um arrepio em sua espinha que o camisa 19 preferiu ignorar.

—Antony, a perda dói. A gente, mais do que ninguém, sabe o quanto dói. Mas não é pra vida toda.

O maior levou uma mão até o ombro de Antony, talvez para passar algum consolo. Os olhos de ambos seguiram vidrados um no outro.

—Se a gente viver comparando o nosso potencial com cada derrota na nossa carreira, então 𝘱𝘰𝘳𝘳𝘢, nunca vamos ser bons.

Às vezes–na maioria das vezes, para ser sincero–Antony não dava crédito para a sabedoria de Richarlison. Por mais que a sua fachada de palhaço brincalhão fosse a que prevalecesse, ele tinha experiências de vida extraordinárias que o fizeram ser a pessoa humilde e pé no chão que era.

Isso o fazia admirar o mais velho, mesmo que nunca fosse admitir.

—...É. Acho que 'cê tem razão.–o mais novo deu um sorriso quase imperceptível, mas genuíno.

—Claro que eu tenho, até quando você vai ficar duvidando que eu sou genial?

A descontração com que Richarlison falou isso arrancou uma risada verdadeira de Antony, talvez a primeira desde o início dessa conversa que havia se estendido mais do que ele imaginava.

Agora em um estado mais tranquilo, ponderou quanto tempo havia passado, já que do lado de fora até a cidade parecia serena demais. Limpando algumas poucas lágrimas meio secas que ainda estavam em seu rosto, o homem pegou seu celular no criado-mudo ao lado da cama para ver o horário.

—Uh, nossa. Já são 4:25.–disse cerrando minimamente os olhos pelo brilho alto do aparelho, já que estavam acostumados com o escuro do quarto.

—Sério? E que horas a gente pega o voo pra Brasília mesmo?–o platinado perguntou.

—Às 7...

Ambos se olharam por alguns segundos, e quando tiveram a consciência de que tinham menos de 3 horas para dormir, o arregalar de seus olhos foi quase cômico.

—Vish, mano. Eu vou 'tar só o pó da rabiola nesse voo... Bom, acho que já vou indo.–ele levantou da cama, mas olhou novamente para o menor–Você, uhm, você tá melhor?

—Hum? Ah, tô sim...

Nem o próprio Antony botava fé nessas palavras, mas teria que servir pra satisfazer o amigo. Ainda estava mal, mas consideravelmente melhor do que antes, e isso era graças ao colega de time. Não poderia nem cogitar deixar de o agradecer.

E teria que fazer isso rápido, já que o outro homem já se dirigia à porta, provavelmente para retornar ao seu próprio quarto e procurar ter algum descanso.

—Peraí, Rich!–o seu chamado fez o outro parar antes de abrir a porta, se virando para vê-lo mais uma vez.

Antony sentiu que deveria se pôr de pé também, afinal, agradecer Richarlison por algo era uma situação rara e monumental por si só.

—Eu, uhm... só queria te agradecer. Obrigado, de verdade. O que você falou era tudo o que eu precisava ouvir.–disse, sem saber o que fazer consigo mesmo agora que estava de pé e com Richarlison o encarando.

Não sabia se o agradecimento havia sido muito simples e por isso o outro achou que Antony não colocou nenhum esforço em suas palavras, mas qualquer receio que ele tinha se dissipou quando viu o sorriso do platinado surgir, tão brilhante e exultante que Antony nem se irritou com o quão quentinho se sentiu por dentro.

—Pô, cara! Não precisa agradecer, sempre que você precisar eu tô aqui.

E o camisa 19 sabia o quão sincera era aquela frase. No fim das contas, era o Rich que estava falando, então é claro que só podia ser verdade.

De certa forma, Antony não se achava merecedor dessa amizade, nem das coisas que o mais velho fazia por ele. Porque Richarlison o ajudava sem nenhum tipo de interesse pessoal, sem esperar nada em troca. Ele só gostava de ajudar os outros, essa era a sua "recompensa". E para Antony, que aprendeu a ver somente o pior das pessoas, isso tornava o mais velho especial. Diferente.

𝘊𝘰𝘮𝘰 𝘤𝘢𝘳𝘢𝘭𝘩𝘰𝘴 𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘪𝘴 𝘴𝘦𝘳 𝘮𝘦𝘶 𝘢𝘮𝘪𝘨𝘰?

O som da porta sendo aberta pelo outro homem o livrou de seus pensamentos pelo que parecia ser a quadragésima vez naquele dia. Algum canto remoto e não muito usado do cérebro de Antony teve uma ideia, que não deveria ser processada pela sua consciência e muito menos falada pela sua boca, mas já era tarde:

—Ei! Uh, quer dormir aqui? Quer dizer... a gente já tem que estar de pé daqui a pouco mesmo, e eu tenho um pijama extra se você quiser, sei lá...

A expressão do platinado passou de surpresa, para dúvida e finalmente contentamento em questão de segundos. Richarlison assentiu, fechando a porta novamente e voltando à cama. Tirou os seus tênis, os colocando ao lado das pantufas de Antony.

Os dois se deitaram, encarando o teto. O quarto ainda estava escuro, mas a claridade do quase nascer do sol proporcionava alguma luz pelas grandes janelas de vidro, mesmo que muito escassa.

Longos minutos passaram onde somente os sons do mundo lá fora eram ouvidos. Antony não queria–ou não tinha coragem–de se virar para ver se o seu amigo já estava dormindo.

—Antony?

Aquela voz estridente que ele conhecia bem até demais o chamou, como se lesse seus pensamentos, dando fim as suas dúvidas se ele tinha ou não pegado no sono. Ele respondeu com um simples "Hum".

—... Boa noite. Amanhã é um novo dia pra gente.

...

—𝘏𝘰𝘫𝘦 é um novo dia, né. Já passou muito de meia-noite.

—Ah, Antony. Se mata, cara.

O silêncio do quarto foi quebrado com uma risada escandalosa do mais novo.

—Eu tentando ser sábio aqui, te dar esperança, e o cara só abre a boca pra falar merda. Aí não, né.

Não havia seriedade nenhuma na voz de Richarlison e logo ele se juntou ao outro homem em seus risos.

Eles esperavam que ninguém batesse à porta reclamando do barulho, afinal, por mais que 𝙟𝙖𝙢𝙖𝙞𝙨 fossem admitir, não queriam que a magia desse momento só deles fosse quebrada.

Em um momento de reflexão, reconhecendo como ele lidava com os seus sentimentos, emoções nunca foram o forte de Antony. Por que seriam?

Mas tudo bem, porque ele tinha acabado de descobrir que só precisava das palavras de Richarlison e o habitual conforto do seu calor em uma cama de hotel para que tudo parecesse fazer sentido.

A dor? Mesmo que ela preocupasse os dias de Antony e torturasse as suas noites, não era pra sempre.

Não era...

Notes:

E aí, xuxus? Gostaram? Espero muito que sim. ♡

Sei que a comunidade brasileira aqui no AO3 ainda não é muito vasta, mas quero muito conhecer alguns escritores BR nesse site! Bora expandir nosso espaço aqui, mané!

Obrigada se leu até aqui, xoxo. :)