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BEACH BAR

Summary:

Onde Porsche tem um bar na praia e Kinn se encanta assim que o vê.

Oneshot dividida em duas partes. Pode ter capítulos especiais. Disponível no Wattpad, usuário: dudaex.

 

© Todos os Direitos Reservados

Notes:

Presente pra minha bestie que no meio da minha aula de latim veio com esse plot cru e jogou pra que eu escrevesse. Amiga te amo mas saiba que naquele dia fiquei sem aprender nada porque tudo o que eu pensava era em como desenvolver essa oneshot.

 

História também disponível no Wattpad (com imagens em cada cap) meu usuário lá é: dudaex
Vamo amigar
Meu twitter: @deusdocreu

Chapter 1: PARTE I

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

 está ele, Kinn pensa enquanto suspira. Alguma força gravitacional o faz caminhar na direção do homem dourado que sorri e ilumina tudo atrás daquele balcão. Ele parece tão fluído ali, tão pertencente que Kinn poderia admirar em silêncio por horas.

"Oh, aí está você!" ele diz, espelhando o pensamento que pertencia a Kinn segundos atrás.

Ele sempre lê sua mente. Coisa de almas gêmeas, talvez?

Não, não vá tão longe, Anakinn.

"Você parece aéreo hoje" continua a falar então se aproxima como se fosse contar um segredo: "Quer água numa taça chique para fingir que é álcool? Assim você não vai parecer tão deslocado."

"Pareço deslocado?" pergunta ele, estranhando. Sempre foi bom em se encaixar, ser cortês e encaminhar as coisas. Diplomata por livre e espontânea pressão, sempre soube gerir e tranquilizar. 

Como posso parecer deslocado com a minha cara de descanso?

"Não, mas não acho que está aqui para beber" simplesmente deu de ombros "Você sempre vem todo arrumado e demora horrores pra terminar um copo. Você não quer beber, você quer estar aqui e o único jeito de não parecer solitário no balcão ou qualquer outra coisa que sua cabecinha imagine, é com um copo na mão."

"Uau." Kinn está realmente sem palavras dessa vez. Sempre acreditou que não fosse um homem fácil de ler "Você tem muitos clientes assim?"

"Não, honestamente. Mas eu tenho um que vem a maioria dos fins de semanas e só sai quando estou fechando. Eu sou Porsche, de todo jeito. Você não precisa me dizer seu nome, é melhor de conversar quando se é um estranho, como você já faz."

"Não quero ser um estranho pra você." a resposta vem rápido demais. Ver Porsche levantar imediatamente a sobrancelha esquerda, faz com que ele se arrependa de não conseguir segurar a língua "Tipo, amigos."

"Você tem certeza?" questiona perdido.

Homens e mulheres sempre tratam quem está atrás do balcão com dois extremos: desprezo ou interesse sexual. A situação de ser ouvinte também está inserida nesses paralelos, já que sempre que as pessoas conseguem afogar suas mágoas, ele se torna descartável ou alvo de flertes. Não tem meio termo.

"Você sabe muito sobre mim agora" Kinn diz "É justo que eu saiba algo sobre você também."

Calmamente Porsche estende uma taça de martini para Kinn, apertando os olhos, sem conseguir se decidir. Isso é estranho. Diferente.

"Um momento" pede ao se afastar. Rapidamente voa para o outro lado do balcão servindo pessoas sem nem precisar olhar para os ingredientes que pega. Mais uma vez, Kinn está hipnotizado. Ele repete o nome, testando em sua língua. 

Porsche. Soa tão bem. 

"Por quê?" é o que Porsche pergunta ao voltar. Automaticamente Kinn franze o cenho "Por que quer ser meu amigo?" explica e não se importa com o quão infantil isso pode soar nos ouvidos daquele homem  "Por que um cara tão boa pinta e obviamente de posses quer ser amigo do barman?"

A mera ideia de que Porsche pense assim choca Kinn e é refletido no seu rosto. Ao ver isso Porsche realmente relaxa. Ele estava esperando por malícia ali. Não receber isso de um cara que está sempre aqui conversando com ele é estranho. E de alguma forma, bom.

"Você é extremamente atencioso e bom ouvinte. Não estou me referindo a ouvinte de bar, você presta atenção em cada coisa que falo, pontua coisas importantes sem interromper e ainda me estimula a pensar e falar mais sobre isso. Você se importa, Porsche, mesmo sem saber o meu nome. Eu observei você dividir sua atenção entre mim e os clientes para atender toda vez e você nem parece perceber isso" Kinn termina ficando sem folego. Porsche murcha um pouco. Nem ele sabe porque gosta de conversar com esse estranho sem nome "Eu realmente quero perguntar se você estuda psicologia ou algo assim"

E isso realmente o pega desprevenido.

"As pessoas dizem que sou muito grosso, estabanado e esquisito. É impossível que eu faça coisas assim."

"Você não é esquisito, Porsche."

"Não digo em aparência física" tenta explicar "Todo mundo sempre diz o quanto sou bonito; me refiro a jeito, mania e afins."

"Porsche?" Kinn o chama e prende o olhar no seu "Não tem absolutamente nada de errado com você."

"Mmm, obrigado, eu acho" estranhamente Porsche se vê desviando "Tudo bem, seremos amigos. Pode me dizer seu nome agora."

"Kinn."

"Kinn? Como em Anakinn?" a pergunta deixa Kinn em alerta com a possibilidade de ser reconhecido. Lentamente ele acena em concordância querendo observar a reação do outro "Você parece tenso, não gosta do seu nome, é isso? Bem, desculpe, mas eu realmente adoro seu nome" Porsche pega um pedido mas então franze o cenho e vem preparar na sua frente "Não me entenda mal. Anakinn é um dragão chinês, vi em algum lugar uma vez. O fato é, gosto de dragões e quero tatuar um do lado da minha fênix."

Kinn observa Porsche divagar enquanto faz a bebida e sorri para o cliente da vez enquanto entrega. Rapidamente o balcão é limpo e os materiais usados postos na lava louças.

"Por que você ainda não fez a sua tatuagem de dragão já que quer tanto?"

Porsche dá de ombros.

"Tempo, eu acho. Várias coisas para focar então isso acaba ficando para depois."

E em hipótese nenhuma Porsche mencionaria que o dinheiro gasto nesse capricho poderia estar sendo mais útil nas despesas. Não preciso da esmola de ninguém, e esse cara rico muito provavelmente deixaria uma gorjeta enorme só por gostar do papo.

"Você está bem?" Kinn pergunta dubiamente. No mesmo instante aquele sorriso de holofote está estampado em todo lugar.

"Eu quem te pergunto. O que seu irmão mais velho aprontou essa semana? Seu irmão mais novo ainda te responde com mensagens curtas?"

Kinn geme e afunda na cadeira alta. Porsche sorri, em solidariedade. Sem precisar perguntar, tira a taça de martini com a pouca água mineral e enche outra para Kinn. Água com gás e limão dessa vez.

"Tudo na mesma. O mais novo agora é cantor de internet, eu acho, não sei como funciona."

"EI! Será que é algo da moda agora? Meu irmãozinho também gosta de cantar, ele vive pra cima e pra baixo com um violão."

"Você nunca me disse que tinha irmão" Kinn pensa alto "Honestamente você nunca me disse nada. O que você estuda na faculdade?"

"Como sabe que faço faculdade?"

"Você parece jovem, simples assim."

Com isso Porsche gargalha e Kinn paralisa, encantado.

"E você é o que? Idoso? Devo te chamar de phi? P'Kinn? Qual sua idade, P'kinn?"

Bem, e isso fez absolutamente tudo abaixo do umbigo de Kinn se revirar. Sem ao menos perceber ele estava sorrindo e concordando com a cabeça. Sim, me chame de P'Kinn, por favor. Mas ele não disse, claro que não diria.

"Tenho 26, formado em gestão de negócios."

"Talvez devêssemos apresentar nossos irmãos, eles poderiam ser uma dupla musical" Porsche ri com a própria piada "Ou talvez o Chay possa dizer ao seu irmão como é ter um sonho mas ainda assim ajudar nos negócios."

Kinn não entende, mas Porsche aponta para depois das portas do bar, onde ele percebe pela primeira vez um menino extremamente parecido com Porsche, obviamente mais novo, ocupando-se de um caderno, caneta e ruga entre as sobrancelhas. O olhar de Porsche se enche de alegria quando vira para vê-lo também.

"Esse é meu irmão mais novo. Ele está sempre me ajudando no bar, mas não permito que venha nos fins de semana. O movimento é alto e aqui vem todo tipo de gente pelo fato da praia ser turística. Exceto por hoje, ele veio fazer apenas o inventário e já vai embora. Vou pedir para os meus amigos o levarem em casa."

"Você mora perto?" Kinn se vê perguntando repentinamente. Porsche acena "Deve ser incrível. Viver na praia, trabalhar perto de casa..."

"Você está com um sorriso muito sonhador. Talvez deva considerar mudar-se para cá."

"Bem, então você pode considerar esse o meu sonho. Não acho que um dia eu daria essa sorte. Quando eu me aposentar, talvez?"

"Tão pessimista, Anakinn." Porsche comenta em desaprovação. Dessa vez Kinn não consegue disfarçar "Você realmente detesta seu nome assim? Não falarei mais, desculpe. Não vale a pena te ver tenso."

"Não, não é esse o caso" Kinn rebate, pensando em como explicar isso. "Posso ter algum álcool, por favor?"

Porsche sorri, amigavelmente, como se soubesse da sua luta interna.

"É pra já."

Enquanto ele sai para preparar sua bebida, Kinn pondera. Estar a duas horas de casa todo fim de semana há meses apenas para ver, depois desabafar e agora se tornar amigo desse homem já é mais do que ele fez por e para qualquer um. Porsche não precisa saber da sua ligeira queda por ele, e contar tudo o que sempre quis confessar sobre si, talvez não deixe obvia a sua atração. Talvez o faça parecer extremamente solitário? Sim, mas não caído. Contanto que ele não saiba disso, Kinn pode lidar com o resto. E mais, ele quer que Porsche o conheça, cada pedacinho de si.

"Aqui, Kinn."

Um copo de whisky é posto na sua frente, mas ele não tem tempo para pensar na casca de laranja que paira na beirada. Seus olhos estão arregalados e em alerta. De alguma forma ele simplesmente não gosta de ouvir seu nome assim na boca de Porsche, parece errado.

"Anakinn." diz, então o barman está franzindo o cenho "Me chame de Anakinn, por favor. Eu gosto de ouvir."

"Anakinn." Porsche repete. Então magicamente Kinn pode respirar de novo. 

Ele bebe, sentindo o toque de laranja e saboreia o whisky que acaba cedo demais. Apenas com um olhar Porsche está preparando outra bebida para ele. Quando finalmente acaba, ele encontra coragem no fundo do segundo copo: 

"Minha mãe escolheu meu nome, depois que ela morreu ninguém mais me chamou assim. Sou só Kinn" 

A confissão parecia amarga e só então ergue os olhos novamente para um Porsche paciente, percebendo que ele não tinha se movido um centímetro desde que o entregou o segundo copo. É como se ele soubesse que, mais cedo ou mais tarde, Kinn iria confessar. Estranhamente não há pena naquele olhar. É outra coisa.

"Eu entendo e sinto muito por isso. Ela tocava piano, certo?"

"Certo. Como você sabe?"

"Bem, acho que foi na sua quinta vinda aqui. Você se animou demais em experimentar as bebidas que eu estava fazendo aquela noite e acabou com a cara nesse balcão balbuciando coisas inaudíveis. Uma delas envolvia pedir a sua mãe para tocar para você."

De repente Kinn se sente envergonhado. Ele só ultrapassou os limites porque Vegas veio com ele na viagem, então teve carona de volta para o hotel e alguém de confiança para o guiar ao quarto. Aquela noite não era tão nítida, mas ele claramente se lembra de algo semelhante a uma competição para saber qual melhor bebida e ele estava animado ao ver um Porsche também animado.

"Não precisa se envergonhar, Anakinn. As pessoas vem ao bar para beber."

"Ainda vou matar Vegas por deixar que eu me envergonhe enquanto corria atrás de uma conquista."

"Justo. Mas por que você não estava correndo atrás de uma conquista também?"

Porque eu quero você. Kinn grita em sua mente, mas apenas aperta os lábios para se impedir de dizer.

"Sou velho, chato e ocupado. Não é justo arrastar ninguém para viver entorno da minha vida sendo que não poderei me dedicar a essa pessoa inteiramente. Quer dizer, quem iria querer alguém que está sempre trabalhando?"

Porsche não soube como responder a isso. Faz sentido, claro, mas não deveria ser desse jeito e vira um grande problema quando você faz assim. Até ele mesmo que precisa constantemente de dinheiro por vários meios, arranja tempo para se divertir e estar com Chay.

"A vida não é só trabalho, cara" fala por fim, depois de bastante ponderar. Kinn sorri, amigável "Talvez eu mesmo deva ter uma conversinha com seus irmãos, eles não podem abrir mão das responsabilidades, usufruir das vantagens e deixar você com o peso de tudo. É injusto, Anakinn, você não pode carregar o mundo nas costas."

"Obrigado por dizer essas coisas" as palavras saem não tão baixas mas é incerto se foram ouvidas pelo barman. Kinn se sente cuidado e é um caminho perigoso que suas emoções estão tomando.

Mais uma vez o dever o chama e Porsche se afasta para servir e sorrir, entreter e agradar. Quando o mesmo volta, depois de mais tempo do que o comum, Kinn ainda está com o último copo na mesma posição. Isso faz Porsche rir e o servir novamente com uma água numa taça.

"O quão escorregadio você é, Porsche? Quero dizer, você não disse nada sobre si mesmo exceto que tem um irmão. Mas isso não é válido, visto que é extremamente perceptível a semelhanças entre vocês."

"Você precisa ser safo para sobreviver" Porsche pisca e Kinn sente-se derreter.

"Meu sobrinho querido!" de repente a voz próxima faz Kinn pular e Porsche tensionar. Pela primeira vez ele não estava solto, sorridente, leve. Com um olhar arrastado o homem observa Kinn e olha para Porsche em seguida com um sorriso malicioso. Porsche parece... Magoado.

"Yok." é tudo o que ele diz, gritando por cima dos ombros até que a mulher aparece imediatamente captando a situação.

"Anda, vamos, Arthee." chama dando a volta pelo balcão e segurando o braço do homem praticamente o arrastando para o que Kinn ser acredita ser os fundos do bar.

Porsche visivelmente muda depois disso. Murmurando desculpas, ele sai para atender clientes na ponta mais distante do balcão onde tudo o que Kinn pode fazer é observar os sorrisos que não chegam até os olhos e os momentos contemplativos de Porsche.

"É minha mãe também" é a próxima coisa que Kinn escuta o tirando do seu torpor. Ele não tem certeza de quanto tempo se passou, mas franze o cenho para um Porsche claramente desconfortável e irritado "A fênix, quero dizer. Ela adorava a ideia da existência desse pássaro. Talvez soubesse do futuro onde eu teria que renascer mais forte toda maldita vez que era derrubado, porque ninguém o faria por mim. Meu pai costumava brincar dizendo que se ela era uma fênix, ele era o dragão. Eles estão mortos, os dois estão, por isso quero a tatuagem."

Lentamente Porsche desfaz os botões da camisa satisfeito ao ver um Kinn assustado olhando para seu corpo, nada a ver com desejos físicos. Virando de costas, mostra o desenho da fênix deixando Kinn maravilhado com o animal e em como ele parece divino no corpo de Porsche. Tomando consciência do local, Kinn olha para os lados, preocupado.

"É melhor você se cobrir, Porsche, sua chefe pode reclamar."

E isso o faz rir. Amargamente.

"Isso é meu. O bar é meu. Construí com sangue e suor, literalmente em vários sentidos e paguei cada centavo que esse desgraçado emprestou da minha herança para o investimento. Mas agora que perdeu tudo em jogos de azar, se acha no direito de vir aqui para me roubar" a dor e o desprezo na sua voz fizeram a garganta de Kinn fechar "Justo quem? O irmão do meu pai, alguém que deveria nos proteger, não dar um prato de comida seguido de um tapa."

As mãos de Porsche seguravam o balcão firmemente e Kinn sentiu seu estômago revirar, o deixando doente com a imagem de um pequeno Porsche sofrendo dessa maneira.

"Porsche..." Kinn tentou falar algo significativo, mas nada saía.

"Bem, não pode me acusar de ser escorregadio agora. Você não queria me conhecer? Aí está: Porsche Pachara Kittisawat e toda sua merda" ele rosna, uma pessoa completamente diferente da que era antes do tio aparecer.

"Porsche...." Kinn tenta novamente "Deixe-me apenas..."

Te abraçar, por favor.

"Nem pense" a negativa é imediata e mesmo que Kinn não tenha dito as palavras em voz alta, ele sente como se lhe fosse negado isso "Eu não preciso de um riquinho querendo fazer caridade. Procure outra pessoa para dar esmolas, Anakinn" o tom de voz faz Kinn temer "E não precisa acertar nada, hoje é por conta da casa."

Com um sorriso de escárnio que o deixa extremamente desconfortável, Porsche se afasta, ficando na outra ponta do bar e de costas para Kinn, que agora sente vertigem.

"Criança teimosa" há uma reclamação atrás dele. De repente a mulher que Kinn acreditava ser a chefe está do seu lado, suspirando "Não é nada pessoal, gatinho, mas agora o Che ativou o modo defesa por culpa do desgraçado do Arthee. Ele cresceu ouvindo o filho da puta insinuar que ele deveria se aproveitar de como é bonito para conseguir um sugar Mommy ou Daddy e facilitar as coisas em casa" processar as informações só deixa Kinn mais e mais doente "Você vai querer mais alguma bebida?"

Sem confiar na própria voz, ele nega, faz uma reverência respeitosa e levanta do banco, caminhando até a saída. Antes de ir, seus olhos procuram Porsche, que distribui sorriso falsos e prepara bebidas automaticamente. Kinn suspira, sentindo-se devastado, pensando em como ficaria melhor se ao menos pudesse enrolar seus braços nos ombros de Porsche para os dois descansarem ali. 

Sem escolhas, Anakinn sai.

*

"Você realmente não foi atrás dele, não é?"

A voz surge atrás de si, fazendo com que ele suspire, culpado, mas sem dar o braço a torcer. Ele não iria atrás do carinha rico, não importa o quê.

"São duas da manhã, Yok, eu só quero fechar o bar e ir dormir. Do que diabos você está falando?"

Em questão de segundos o tapa na sua cabeça é sentido. Ele revira os olhos.

"Eu não ligo se você é o patrão, eu sou mais velha então deveria estar me ouvindo. Aquele cara gosta de você, Porsche, dá pra perceber pelo olhar." com um barulho Porsche zomba, descrente, então outro tapa vem. Dessa vez ele se vira, irritado.

"Você me odeia por acaso, gae?"

"Não me chame assim, ou as pessoas vão achar que sou velha!" ela brada fazendo Porsche rir.

"Mas você não acabou de dizer que é mais velha e por isso eu deveria te ouvir?" ele rebate insolente e Yok quase rosna em resposta.

"Anda, me passa essas chaves e dá o fora daqui. Eu fecho o bar para você."

"Obrigado, gae!" agradece ao sair correndo antes que a mão pesada voe novamente na sua cabeça.

Pegando uma garrafa no bar, Porsche caminha em direção a praia, pensando nos acontecimentos de hoje. Quer dizer, ele sabe que Kinn não tem culpa de nada e não deveria ter falado daquele jeito. Ele sabe que Kinn é amigável demais e nunca tira os olhos dele, toda vez que está no bar. Jom e Tem o avisaram algumas vezes antes, o homem parece ter um interesse genuíno em Porsche de um jeito que ele jamais viu nas outras pessoas que tentaram o abordar. "Vai lá cara, o que você tem a perder?" Tem sempre dizia. Jom, por outro lado, desaprovava. "Se você gostar dele, tudo bem, mas você sabe como gente rica é." E ele sabia. Porsche sabia.

Não que ele fosse um adolescente ingênuo fantasiando um conto de fadas com Kinn. Definitivamente não. Porsche teve sua cota de fodas casuais com vários homens e mulheres clientes do bar. Tudo se resumia ao quartinho dos fundos depois da dispensa. Tinha uma cama e um chuveiro, mais do que suficiente. Eram todos passageiros. Eles iam e vinham, nunca precisou ver seus rostos novamente. Mas Kinn não. Todo fim de semana o homem estava lá, apenas o observando, pedindo bebidas, conversando casualmente. E as vezes não tão casualmente assim, mas nunca com o maldito tom de flerte. Ele quer conhecê-lo. E isso o assusta em tantos níveis impossíveis de serem descritos. Se envolver com gente rica não dá certo. Nunca. Tudo isso sem pensar em Arthee, ansioso para que ele dê o golpe do baú em qualquer rico que aparece e, de acordo com ele, melhor ser algum estrangeiro ou estrangeira, já que Porsche poderia se safar das situações dizendo que não entende as palavras pronunciadas. 

Nesse momento ele decide abrir a garrafa que levava para casa e tomar um gole generoso. Cansado. É assim que se sente. Pai do irmão, provedor da casa, estudante e ainda assim nada é suficiente. O bar começou a dar lucro em pouco tempo, antes disso Porsche precisava participar de lutas ilegais para ter uma renda extra. Se não fosse pelo apoio da Yok....

De repente tudo isso se esvai. Todo pensamento doloroso e alerta se vai quando ele percebe Kinn deitado na areia com o braço nos olhos. Quer dizer, alguém parecido com Kinn, talvez não seja ele. Inseguro, Porsche morde o lábio. Você sabe que é ele, Pachara, você sabe o que fazer, pare de enrolar. Com um suspiro determinado, decide em passos largos se aproximar.

"O que você está fazendo aqui?" pergunta ao deitar-se ao lado do homem, fazendo-se percebido. Kinn parece assustado com a presença dele ali. Mais do que isso, parece magoado "Desculpe por mais cedo, meu QE é extremamente baixo."

"Ambos sabemos que isso é mentira. Das duas uma: ou você estava descontando em mim ou estava se defendendo de mim. Para por em pratos limpos, eu nunca te ataquei."

Isso faz com que Porsche sente ereto.

"Claro que o fez, você ia me oferecer dinheiro."

"O quê?" Kinn grita ao se sentar também "Quando isso?"

Instantaneamente ele recua.

"Você não ia?"

"Oh meu Deus, claro que não! O que você estava pensando que..." nesse instante Kinn parou, os olhos abrindo em percepção "Deixe-me apenas te abraçar, era isso que eu ia falar. Você sempre diz coisas legais para mim, mas eu não sou bom em falar assim então pensei que te abraçando eu poderia expressar melhor o que não conseguia."

Com essa declaração Porsche geme envergonhado e se joga de costas na areia, escondendo o rosto entre as mãos.

"Me desculpe, sou um idiota."

Kinn não se deita, não nega e não concorda. Ele só suspira.

"Você estava se defendendo, isso é normal, visto que sou um estranho e não confia em mim. Em casa também temos um círculo de relações bem fechado e são poucas as pessoas que confiamos, mas o motivo é contrário ao seu. Aqui você já deve ter recebido várias propostas indecentes com a promessa de muito dinheiro em troca, lá ficamos com receio de pessoas porque tudo o que visam são o nosso dinheiro e não importa o que elas tenham que fazer para chegar nele."

"Você não tem noção de quantas propostas" comenta soltando o ar preso "Principalmente quando é o meu tio quem fica tentando gerenciar isso. Ele literalmente me empurra para as pessoas e tenta conseguir dinheiro disso. 'Oh, tá vendo aquele cara lá? É meu sobrinho, veja como é bonito. Chega junto, por alguns baths ele pode ser seu."

Kinn estremece mas Porsche não nota. Com algum esforço ele consegue estabilizar a voz para murmurar:

"Desculpe que você tenha que passar por isso."

"Está tudo bem, não consigo usar força física contra ele, mas a Yok pode. Parece que não sou tão adulto assim, hein?!" uma risada amarga brota "Sempre me sinto uma criança indefesa perto dele."

"Você tem o direito de ser fraco, Porsche, não precisa ser forte o tempo todo."

Isso faz com que Porsche se sente também e com um dedo o cutuque, provocando.

"Falou o cara que carrega o mundo nas costas."

Kinn sorri, meio triste.

"Meu irmão mais velho não é tão louco quanto ele quer que a gente ache, na verdade ele tem TSPT, mas é um adulto bem esperto e funcional. Ele e minha mãe foram sequestrados quando ele era criança, as coisas deram errado e ela acabou morrendo. Tankhun se culpa e o mais novo, Khimhant, teve que crescer sem uma mãe por perto, por isso ele é tão fechado emocionalmente e nos evita a todo custo."

"Então você acha que assumir as responsabilidades com os negócios da família é a melhor solução?"

"Hum... Quero dizer, o Khun estava instável, o Kim era muito novo, parecia a melhor opção por hora assumir os cursos de verão e os estágios na empresa no lugar dele. De repente foi ficando, foi ficando... Até que chegamos ao ponto de escolher o curso na faculdade. Pareceu o certo a se fazer."

Ao dar de ombros, Kinn sente a mão de Porsche no seu joelho, com um olhar que diz "lamento por isso, cara" Ele levanta os ombros mais uma vez, dizendo que não precisa. Suspirando, Kinn percebe algo. Não é que ele ame o Porsche, ele simplesmente ama a facilidade com que as palavras saem da sua boca quando eles estão lado a lado. Não importa se é algo recém descoberto, Kinn simplesmente adora ter alguém para falar, alguém que não vá julgar ou fique a espreita de um erro para pisar nele. É divina a sensação. Eu posso ser eu mesmo. Sua mente está em êxtase.

"E ninguém nunca reconheceu isso, aparentemente" Porsche conclui "É por isso que você está aqui na praia e não no conforto do seu hotel."

"Não, não é isso. No hotel é solitário demais pelo menos aqui tem o mar, a areia e o céu" Kinn explica, mas então Porsche arqueia a sobrancelha e ele entende o que foi dito. Ele só está tentando não se sentir sozinho porque ninguém reconhece todo esforço que tem feito pela família. A constatação faz Kinn gemer em frustração e vergonha "Mude de curso. Agora. O que quer que esteja fazendo é irrelevante, você precisa cursar psicologia urgente."

Com isso Porsche gargalha, divertido e abre a garrafa que trouxe, tomando um gole e repassando.

"Eu sou campeão nacional de Taekwondo, Anakinn, isso me garantiu bolsa integral em ciências do esporte na faculdade, então não, pretendo terminar o curso com honras, é a minha primeira conquista da vida."

"Isso é incrível, Porsche, você é incrível. Não sei se eu conseguiria lutar assim, quero dizer, no máximo vou a academia para sustentar o vício de comer." eles riem.

"Você era uma criança gordinha, certo? Suas bochechas não negam."

Automaticamente Kinn leva as mãos ao rosto.

"Você acha que estou ainda gordinho?"

"Se acalme, Anakinn. Eu criei meu irmão, então convivi bastante com outras crianças e as observei durante o crescimento, é só."

"E eu aposto que você foi ótimo nisso, Porsche, você foi um bom pai e um irmão melhor ainda. Garanto que ainda é" Porsche torce o nariz, em negação "Bem, ele tem o sonho de ser cantor, não é? Então, se você não matou os sonhos daquela criança, significa que fez um bom trabalho ao criá-la."

"Então posso dizer o mesmo de você. Seu irmão também não quer ser cantor?"

"Ainda acho que ele só pode viver tal sonho porque está afastado da gente e eu pessoalmente não o criei, devo a Khun por isso. Mas de todo jeito é bom, ele herdou o DNA artístico da minha mãe. Sempre penso nela quando o vejo tocar."

"Você seria um bom pai, Anakinn, não se preocupe."

"Você quer filhos?" Kinn solta de repente, segurando o ar logo em seguida. 

Droga, droga, droga. Isso não foi nada casual, Kinn. De alguma forma a bebida o deixou mais corajoso e menos sutil. Felizmente Porsche não parece perceber do que isso se trata, ele se perde em pensamentos com um sorriso melancólico.

"Pelo menos uma menina, gostaria de dar o nome da minha mãe a ela."

Kinn não diz nada por um tempo, apenas estende a garrafa e Porsche bebe também em silencio.

"Você está cansado, não está?"

"Exausto."

"Está tudo bem estar cansado, Porsche. Você pode descansar a cabeça no meu ombro e respirar."

"Mas você também está cansado." ele rebate e não é uma pergunta.

"Ainda assim, está tudo bem. Podemos descansar a cabeça um no outro" Kinn suspira e, talvez pelo efeito álcool ou o fato de estar ali há horas sentado na areia da praia mentalmente se autodepreciando, ele deixa sua cabeça cair no ombro de Porsche e fecha os olhos, relaxando como nunca antes. Porsche parece relaxar também, encostando a cabeça em cima da de Kinn "Pelo menos podemos estar cansados juntos."

E assim, Porsche percebe que foi conquistado. Isso vira uma coisa deles. Kinn troca a manhã de segunda pela manhã do sábado no trabalho então sempre chega tarde no bar, mas em compensação ele pode dormir na imensa faixa de areia com Porsche as duas noites do fim de semana, sem preocupar-se em levantar cedo e ir trabalhar na segunda. Porsche por sua vez sai cada vez mais cedo do bar, sempre pedindo a Yok para fechar. Ele começa a ansiar. Todo fim de semana Kinn está lá, as vezes no meio da semana também, apenas para vê-lo, sentar e conversar, acabar a noite deitados na areia contando as estrelas. 

Parece a porra de um sonho e Porsche sente-se como o caralho de um adolescente. Não que ele confesse isso, obviamente. Sempre que seus amigos comentam sobre a "amizade" com Kinn, ele simplesmente dá de ombros, fingindo que não se sente em êxtase cada vez que o mais velho entra pela porta do seu bar, alegando uma reunião de negócios por perto e resolveu passar ali. Eles não trocam número. Não falam sobre trabalho e quem são quando estão distantes um do outro, imersos em uma realidade que não os agrada tanto. Eles conversam sobre como se sentem, como gostariam que as coisas fossem, apenas as coisas mais profundas de suas almas que ninguém mais sabe, memórias boas da infância e as ruins também. Eles ficam tristes as vezes, mas fazem isso juntos.

A relação deles não se torna física. É amizade e é suficiente, honestamente. Porsche não sente falta das noitadas atrás da dispensa do bar. Ele sente que sentar na imensa faixa de areia com Kinn e entrar em conversas aleatórias é muito satisfatório do que bocas estranhas percorrendo seu corpo. É muito mais profundo também. Pensar em tornar isso outra coisa o assusta. E se eles ficarem juntos de outro jeito e não durar? Eles já sabem tanto um do outro que não vai ter mais nada para descobrir. Porsche não se encaixa no mundo de Kinn e Kinn não se encaixa no mundo de Porsche. É muito mais seguro manter isso platônico.

"Cúmplice" de repente Kinn fala o tirando dos devaneios "Sinto como se tivesse ganhado mais do que um amigo, algo semelhante a cúmplice."

"Você está pensando em matar alguém e me colocar para ser preso em seu lugar?" Porsche estreita os olhos fazendo Kinn cair na gargalhada. Ouvir Kinn rir e assistir seu rosto tomar a forma de um sorriso são as novas coisas prediletas de Porsche, ele simplesmente tem a sensação que Kinn não o faz tanto em casa.

"Você é tão criativo, que tal se tornar escritor?"

"Se dependesse de você eu teria sete graduações diferentes, não é?"

"Não é minha culpa se é multitalentoso" Kinn sacode os ombros "O que você gostaria de fazer além de ciência esportiva?"

"Honestamente nunca pensei sobre, apenas agarrei a oportunidade quando vi e foquei nisso. Um dia talvez eu ainda descubra. Mas enfim, do que você estava falando antes, cúmplice?"

E, de fato, o sorriso que Porsche lhe dá é tão cúmplice. O coração de Kinn erra a batida.

"Eu quero falar sobre Vegas. Ele sempre foi meu melhor amigo e embora negue tenho certeza que cursou relações internacionais por minha causa, para me ajudar nos negócios. Ele poderia ser livre, sabe? Mas não, todos os dias, de segunda a sexta cumprindo os mesmos horários, com sala lado a lado, reclamando das pessoas hipócritas e de como sou matinal, ele está lá por mim. Mas você..." Kinn se impede por alguns segundos "O sentimento é diferente, é cumplicidade."

"É o ambiente" Porsche diz, evitando se deixar levar "Aqui você tem paz, e eu estou inserido nessa realidade, nesse mundo mágico onde ninguém exige que você seja perfeito. Você gosta da ideia dessa realidade."

Não, eu gosto de você. Isso só se me faz sentir em casa porque você está aqui.

"Oh, mas o que meus olhos estão vendo?" uma voz irrompe atrás deles e Kinn se vira, assustado "Meu doce e inocente Porsche, o que você está fazendo com um homem ao seu lado a essa hora da noite? O que aconteceu com meu pudico e virtuoso amigo?"

Calmamente Porsche se apoia nos cotovelos e pende a cabeça para trás, dando um sorriso lento e espalhado, totalmente divertido.

"Tem certeza que já teve um amigo assim? Porque eu sempre fui uma vadia."

Dito isso, eles explodem em gargalhadas e o com uma facilidade imensa o estranho vem e se senta no colo de Porsche.

"Você está certo, cocksluty" eles sorriem ao se olhar então Kinn é trazido para equação "Oi, eu sou Pete, melhor amigo dessa vagabunda. Você é o Kinn, certo?"

Atônito, Kinn simplesmente maneja a cabeça.

"Você o assustou, Pete." Porsche ainda ri ao observar Kinn.

"Desculpe por isso, sou espalhafatoso assim mesmo."

"Não precisa se desculpar, está tudo bem, prazer em conhecê-lo." Kinn acena, finalmente reagindo e Pete sorri, acenando de volta.

"Está indo para casa?" Porsche questiona carinhoso ao ajeitar o cabelo de Pete que o vento bagunça. Kinn os observa, pensando em como gosta da ideia de conhecer pessoas próximas a Porsche.

"Sim, papai. Não quero sentar na areia, minha avó vai saber que saí para a praia e eu ainda estou em regime semiaberto."

"Onde você mentiu que iria?"

"Te ajudar no bar, é claro" ele ri maliciosamente.

"Meu Deus, Pete, eu juro que..." Porsche nem termina a sentença, seu amigo já está pulando do seu colo, dando risadas e saltitando com os calçados na mão. Ele sacode a areia da saia longa que usa e os encara, com um sorriso divertido:

"Tchau tchau, Che. Tchau também, namorado do Che."

E com isso ele corre, mas sua gargalhada pode ser ouvida a medida que se afasta. Ótimo, Kinn pensa, agora que ele nunca vai querer nada comigo mesmo.

"Hum, desculpe por isso, eu acho" Porsche murmura apertando os lábios. 

Ele está chateado? Será que eu deixo tão na cara assim? Querendo fugir da remota ideia dessa possibilidade, Kinn procura distrações:

"Por que vocês se chamam assim?"

"De que? Cocksluty? Porque de fato somos putas de pau, ué" Porsche conta sorrindo mas então arregala os olhos, automaticamente se arrependendo. Eles não falam sobre sexo e coisas assim, apenas temas inocentes e castos "Longa história. E como assim você trata seus amigos pelo nome?"

"Como deveria chamá-los?"

"Sei lá, algum apelido de infância, talvez?" Porsche sugere rindo "Se eu fosse seu amigo desde sempre com certeza te chamaria de samoyed, você me lembra um."

"Oh, meu Deus, sério?" a descrença de Kinn o faz gargalhar "Tudo bem, você é parecido com um gato então."

"Awwwwwnn" Porsche o provoca coçando seu queixo "Olha como ele revida de volta e franze esse rosto de samoyed quando fica chateado."

Eles riem juntos, caem num silencio confortável em seguida, depois conversam mais. Porsche conta sobre os preparativos para sua formatura e em como Chay está animado para sair de casa e morar nos dormitórios já que está a um passo de se formar também. Isso o faz suspirar e Kinn entende. É o ninho que está ficando vazio. Quando Kim decidiu sair para os dormitórios ele sabia que seria para nunca mais voltar. Apesar de Khun ser mais ativo na criação do caçula, isso não o impediu de sentir-se solitário com a ausência. Ora, ao menos ele ainda tinha Khun e seu pai em casa, mas e Porsche? Quando Chay sair ele não vai ter mais ninguém e a qualquer hora do dia aquele tio dele pode aparecer para atormentar.

"Você nunca quis se mudar daqui?" Kinn pergunta, apreensivo, com medo que Porsche o entenda mal "Quer dizer, em breve Chay estará na faculdade, você estará formado e com seu título de campeão nacional" seus ombros levantam tentando soar casual quando sente o olhar de Porsche o estudando "Sair uns tempos, talvez morar em outro lugar... Descobrir o que quer."

"Honestamente?" Porsche pergunta e Kinn apenas o encara "Eu nunca ousei imaginar outra realidade. Achei que o Chay iria morar comigo para sempre na casa dos nossos pais enquanto eu me virara para manter tudo. E não é uma reclamação, eu realmente estou satisfeito por poder fazer isso pelo meu irmão, não importa o quanto ele me peça para deixar a escola e começar a trabalhar para me ajudar. Eu realmente acreditava que só iria ficar sozinho quando ele se formasse e começasse a viajar em turnês" um sorriso cresce no rosto dele ao imaginar o irmão todo feliz com seu violão indo fazer seus shows.

"Você falou com Chay sobre isso?"

"Claro que não, ele já me chama de mãezona, imagina quando descobrir que não o quero fora" Porsche balança a cabeça ainda rindo "Você acredita que aquele pirralho me avisou para não chorar muito em sua formatura do ensino médio?" Kinn gargalha com isso "Não é justo fazê-lo ficar, quero que o Chay tenha todas essas experiências, sabe?"

"Eu entendo, mas contar para ele não é obrigá-lo a ficar, você estará apenas deixando claro como se sente, embora eu acredite que ele já saiba disso" Porsche deita na areia, seguido de Kinn "E não há nada de salubre nas experiencias que se tem nos dormitórios, isso eu garanto."

Há uma risada do mais novo.

"Eu aposto que você não aguentou uma semana no dormitório da faculdade e fugiu de volta para casa."

"O quê? Como voc... Só para você saber eu durei um mês, ok?" se defende orgulhosamente, apenas para arrancar mais risadas de Che.

*

Bem como em alguma história de princesa da disney por aí, a meia noite chega para Porsche e todo encanto se desfaz. A meia noite é um fim de semana sem Kinn vir. Claro, já aconteceu antes, mas algo parece diferente dessa vez. Existia um padrão ali. 

Depois de se tornarem mais próximos Kinn nunca falhou em vê-lo, ele poderia não vir durante a semana, mas nos fins de semanas era certeza que ele estivesse aqui. Até que um fim de semana sem Kinn tornaram-se dois. Então três. E depois quatro. Foi aí que Porsche desistiu de esperar, deixando a autossabotagem tomar conta dos pensamentos, afinal um cara como Kinn poderia simplesmente ter achado um lugar melhor para passar os fins de semana, pessoas melhores para agraciar com seu tempo. Ou pessoa.

Enquanto esse desconhecido faz um ótimo trabalho com a boca nele, Porsche fecha os olhos tentando parar de pensar. O corpo dele reage, mas a cabeça simplesmente...

"You ok, bro?" o cara loiro questiona, com a boca fora de seu membro, deixando-o descansar no queixo. 

O inglês de Porsche é consideravelmente bom, apesar de nunca ter tido muito tempo para se concentrar nos estudos, então ele toma isso como distração o suficiente. Encarando os olhos claros do rapaz não tão mais velho e também não tão mais novo ele sorri, o fazendo levantar de seus joelhos e o encaminhando para cama.

"I'm just fine. Lemme make you feel good."

É um trabalho rápido, Porsche se resigna. Antes as coisas eram rápidas e satisfatórias, agora simplesmente parece incompleto. Deixando o cara que ele nem lembra o nome no banho, caminha para fora do quarto, passando pela dispensa e chegando ao balcão do bar. Tem, Pete e Jom estão ali hoje para ajudá-lo. Esse último por sua vez, não tão feliz. Jom é o mais velho do grupo que se juntou no primeiro ano da faculdade. Desde a reunião de calouros, e com toda a questão do trote, Jom sempre esteve ao lado dele, cuidando a sua maneira. Mais tarde quando os outros se juntaram ele se tornou ainda mais paizão. E como bom pai ele é meio impaciente e totalmente direto. Suspirando, Jom para de secar os copos e encara Pete, dizendo:

"Converse com ele."

Isso faz com que Porsche se sinta de várias maneiras diferentes que ele não se sente há tempos. Infantil? Hum... Não parece a palavra certa. Cuidado, talvez? Huh, definitivamente perto. De todo jeito, ele não diz nada quando Pete agarra seu braço e o arrasta para fora do bar, onde eles tem uma faixa enorme de areia e a imensidão do mar para conversar. Então Porsche ri, quando o homem menor o encara, percebendo porque Pete. Jom seria direto demais, Tem seria vago demais e Yok seria engraçadinha demais. Pete é a escolha certa. Pete é carinhoso e preocupado. O que faz Porsche encolher as sobrancelhas. Por que preocupado?

"Por quanto tempo somos amigos?"

Agora Porsche está mais confuso.

"Bem, eu te conheço a vida toda, mas só nos tornamos próximos na faculdade. Qual o ponto, Pete?"

"A gente notou que você anda... Diferente. Meio desligado."

E isso o faz desviar. Encarar a noite como se fosse a coisa mais interessante nesse cenário. Porsche jurou que já estava bem. Depois de um mês ele simplesmente parou de esperar que Kinn viesse. Ele não fez mais coquetéis errados, não fica mais encarando fixamente a cadeira que o homem sentou na última vez que esteve lá, ou a entrada do bar. Ele realmente acredita estar bem o suficiente para dar uma resposta coerente que não fosse levantar os ombros toda vez que seus amigos perguntavam por Kinn. 

Obviamente estava errado.

"Estou bem, Pete."

O que é uma mentira deslavada, mas ele simplesmente nem sabe como explicar a sensação de vazio que a ausência de Kinn o traz. É tão semelhante a ser abandonado que Porsche constantemente se pergunta o que há de errado com ele.

"Então posso te mostrar o que achei dele na internet."

Seus olhos rapidamente encaram Pete. Oh não, definitivamente não. Porsche usou todo seu autocontrole para não fazer isso. Tudo o que tinha nele foi focado em evitar tal ação, aterrorizado demais com o que iria encontrar. Ele não vai buscar Anakinn no google, as chances de decepção são enormes. E se ele não o achar? Pior: se achar Kinn na internet e não gostar do que descobrir? Ele se manteve anônimo ao passo de nem contar seu sobrenome a Porsche e com toda certeza deve ter motivo.

"Pete..."

"Saiu alguma notícia recente dele e tinha uma foto com outro cara. Pode ser qualquer pessoa sim, mas ele estava tocando um homem bonito e claramente rico com roupas estilosas" Pete solta de vez "Eu sei que eles podem ser amigos mas aí eu fiz uma pesquisa de imagem com os rostos deles e... Não tem nenhuma foto deles se beijando ou algo assim."

"Mas?" Porsche questiona olhando fixamente para um ponto atrás de Pete "Não hesite. Começou, termine. É melhor que eu saiba logo, não é? Foi para isso que você me arrastou para cá."

"Você está certo e não quero criar suposições falsas mas, caramba, até o Tem concordou que eles parecem realmente próximos. Kinn está sempre tocando esse cara em várias das fotos. Guiando pelo cotovelo, pegando no ombro, direcionando com a mão nas costas... E poderia sim ser uma coisa de amigos mas porque ele não faz isso com os irmãos ou com os outros caras das fotos?"

"Algo mais?"

"Não. Eu não quis ler as reportagens ou algo assim, fiquei com medo de descobrir algo que te magoasse mais" a voz de Pete se torna baixa, realmente preocupado com os sentimentos do amigo.

"O outro cara parecia majestoso, certo?" a pergunta de Che o pega de surpresa "O próprio luxo com pernas"

"Bem, sim. Ele era muito bonito."

"Cabelos coloridos, nariz pontudo, ar refinado..."

"Che... Como você sabe?"

Nesse momento Porsche eleva a voz, se fazendo ouvir por todos que estavam ali:

"Porque ele está tendo a coragem de trazer o merdinha aqui."

 

 

 

 

 

I got tired of waiting
Wonderin' if you were ever comin' around
My faith in you was fading
When I met you on the outskirts of town, and I said...
Romeo, save me,
I've been feeling so alone
I keep waiting for you,
but you never come
Is this in my head?
I don't know what to think
He knelt to the ground and pulled out a ring and said...
Marry me, Juliet
You'll never have to be alone
I love you and that's all I really know
I talked to your dad, go pick out a white dress
It's a love story, baby, just say: yes

 

Notes:

tt: @deusdocreu