Work Text:
Mark entrou no quarto nas pontas dos dedos, o chão de linóleo gelado demais pros pés mornos suportarem, corpo coberto apenas por uma camiseta larga do namorado e um par de calcinhas largas.
Gostava de como a luz alaranjada irradiava por sua janela nos fins de tarde veranis, mas amava muito mais vê-la beijar a pele das costas de Byun Baekhyun que, deitado de bruços na cama, parecia sereno e lindo.
Ficou a fita-lo por alguns segundos, pés tocando de todo o chão porque precisava de apoio. Baekhyun era lindo de um jeito ímpar, olhos e lábios pequenos — quase tudo nele era pequeno, mas, para Mark, ele sempre seria enorme.
Acabou sendo pego observando, porém, sentindo o momento exato em que as orelhas começaram a esquentar: ainda ficava nervoso ao ser olhado de volta com tanta intensidade, mesmo que já fizesse tantos meses desde a primeira vez.
Baekhyun soltava barulhos incompreensíveis, de satisfação, se movendo na cama até estar sentado no centro dela, pálpebras pesadas de preguiça e lábios esticados num sorriso terno, carinhoso como só ele conseguia ser.
— Sabe que tu fica uma graça vestindo roupa minha, né? — Baekhyun falou, a voz rouca pelo recente e longo desuso. — Eu dava qualquer coisa pra tu ficar assim o dia todo, passeando pela minha casa com uma blusa minha e só.
— Oxe, deixe disso — Mark retornou, voltando a andar em ponta de dedo até alcançar a beirada da cama, mãos então sendo espalmadas nos lençóis florais, seguidas dos joelhos desnudos do garoto que pôs-se a engatinhar. Quando alcançou as pernas do namorado, adiantou-se em sentar no colo dele, de frente, montando nele. — Tenho uma surpresa pra tu.
Enquanto falava já foi segurando o pulso de Baekhyun, puxando-o na direção da própria peça íntima; lábios presos entre os dentes pra esconder o sorrisinho tímido, mesmo que as bochechas afogueadas já o tivessem entregado.
Mas estava, acima de tudo, ansioso pra saber o que o namorado diria, como reagiria, por isso segurou a barra da calcinha que vestia com a mão livre e, com a outra, fez Baekhyun tocar seu monte de vênus com as pontas dos dedos.
Então ele sentiu a pele áspera como que com pêlos recém aparados contra os próprios dedos, por cima dos de Baekhyun. E foi delicioso ver os olhos dele ficando presos no exato lugar em que suas mãos se tocavam, por baixo da roupa.
— Tu sabe que eu não me importo, né? — Perguntou só pra checar o que já sabia, agora olhando nos olhos cor de bala de café de Mark.
— É porque tu não se importa que me dá vontade de fazer, de facilitar pra tu…
Mark gostava de agradar e Baekhyun sabia como mais ninguém no mundo, por isso nunca o repreendia quando percebia que o namorado podia estar se esforçando demais, as vezes levando-o à exaustão. Ele só recebia tudo o que Mark oferecesse de bom grado, feliz e satisfeito.
— Deixa eu ver — pediu baixo, um sussurro.
Mark sentiu os dedos alheios se movendo sobre a pele, dentro da calcinha, assim que tirou a própria mão para segurar a barra da camisa larga que ainda vestia, levando-a aos próprios dentes.
Baekhyun não tinha pressa porque queria apreciar a visão, queria saborear cada ínfimo instante olhando aquele garoto bonito em seu colo, montando-o de um jeito gostoso e adorável . Mas queria sentir, queria ver e cheirar e saborear na ponta da língua, tudo que tinha direito.
Desceu a fronte da calcinha de Mark apenas o suficiente pra tocar-lhe o clitóris com o polegar, arrancando um suspiro trêmulo da boca seca do namorado.
Queria beija-lo, mas nem por isso se apressou ao olha-lo tão de perto. Mark realmente tinha se depilado, pele dourada a mostra, livre de pelos; boa de sentir na ponta dos dedos; boa de sentir na superfície da língua.
Retirou o polegar só pra substitui-lo por dois dedos da mesma mão, a outra se ocupando em tirar a barra já babada da camisa da boca de Mark, também a substituindo, mas pela própria boca.
Beijar Baekhyun era como o primeiro gole de água fria num dia quente como inferno, e beijar Mark era como saborear dos mais frescos dias de outono. Os lábios se encaixavam; línguas se tocando dentro e fora das bocas; estalos molhados e suspiros, respirações pesadas, sendo a trilha sonora dos dois.
— Quero que tu sente na minha cara hoje — Baekhyun instituiu e Mark sentiu as coxas enrijecendo, nervosas.
E ele sentou. Teve a boca de Byun Baekhyun por todo pedaço de pele exposta, dos seios roliços, pequenos, à buceta recém depilada só pra ele — inferno , Mark delirava de vontades de fazer tudo por ele.
E fazia: quando gemia o nome do namorado naquele tom desesperado, puxando os cabelos escuros com dedos espertos; quando sentava e quicava nele até que os dois se transformassem numa bagunça de gozo e prazer; quando deitava no peito largo de Baekhyun ao cair da noite e o ouvia falar sobre o dia, sobre o tempo e sobre como a Bahia tava quente como a porra.
Era bom amar, mas era melhor ainda gostar um do outro como gostavam. Queriam e podiam e faziam tudo ao alcance pra chegarem juntos ao final do dia.
E valia a pena.
