Actions

Work Header

Rating:
Archive Warning:
Category:
Fandom:
Relationship:
Characters:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2021-12-05
Words:
861
Chapters:
1/1
Comments:
4
Kudos:
30
Bookmarks:
2
Hits:
254

Closer

Summary:

Yae conhecia bem o velho ditado popular de que todos os caminhos levam a Roma e concordava em partes com ele, exceto pelo fato óbvio de que todos os seus caminhos lhe conduziam de volta aos braços de Ei.

Work Text:

Levando a taça de vinho em direção aos seus lábios, enquanto apreciava as ondas do mar molhando a ponta dos seus pés numa dança graciosa que a intrigava tanto quanto os infinitos segredos ocultos na escuridão profunda daquelas águas de outono, Yae soltou um longo suspiro totalmente hipnotizada pela incógnita celestial refletida nas marés altas e a metafísica romântica que acompanhava tudo isso.

Claro que esse ar místico poderia muito bem ser atribuído à lua cheia que pairava no céu com sua resplandecência cósmica inundando o olhar dos turistas distraídos através de seu brilho celestial, assim como a presença silenciosa da garota mal-humorada que tomava mais e mais goles do bordô suave sem ficar com o rosto vermelho ou a língua enrolada entre seus próprios dentes, o que era um bônus considerando a verdade irrefutável de que era fraca para bebidas e detestava qualquer tipo de drink que não fosse tão doce quanto mel.

Elas aguardavam o nascer do sol em uma proximidade embalada por bocejos preguiçosos e o sorriso satisfeito do espectro lunar dono de fios púrpuras que tinha sua atenção totalmente voltada para a Miko, essa que mesmo estando acostumada a ter sua alma despida pelos olhares de Ei, não conseguia evitar o rubor envergonhado que só tomava suas feições perto daquela que a fazia voltar a agir como uma adolescente experienciando um "conto de fadas" ao lado do seu primeiro amor.

Talvez isso se devesse ao fato daquele romance ter se iniciado muito cedo, de terem voltado e terminado inúmeras vezes, — já não era segredo nenhum ela ser tão impulsiva quanto a Raiden era orgulhosa —, e de que no momento atual pairava na atmosfera o mistério acerca do caráter daqueles beijos molhados com gosto de uma nostalgia que reverenciava os velhos tempos, quando ainda roubava o cardigã largo de sua amada, esse que possuía um aroma forte devido à mistura exótica de uma lavanda cítrica impregnada em Ei, e decorava seus cadernos com as iniciais dos nomes das duas dentro de corações pomposamente desenhados junto ao sol e a lua que costumavam representar o relacionamento de idas e vindas das duas.

Por mais que Yae sentisse falta dessa época, nada superava a tranquilidade viciante de repousar sua alma nas mãos da Raiden, de trocar farpas sem gerar uma distância exagerada que as separou por quase quatro anos e o alívio estarrecedor que foi reencontrá-la após tantos meses sem sentir os dedos da mulher que amava entrelaçando-se aos seus conforme sussurrava "Miko…" antes de dormir ou quando esboçava uma expressão adorável todas as vezes que a Guuji trazia palitos de Dango da barraquinha ao lado do seu trabalho. 

Essa era uma das poucas coisas que não mudavam, coisinhas pequenas, praticamente imperceptíveis como o curioso fato de que ambas pareciam ler a mente uma da outra, figurando um exemplo engraçado e um tanto otimista da minoridade kantiana.

— É sono o que eu vejo em seus lindos olhos violeta? — a mais nova, com a cabeça apoiada no peito de sua ouvinte, ouviu seu coração bater em uma linda sinfonia que poderia escutar pelo resto daquele instante infinito.

— Para ser sincera, só estou meio cansada já que um certo alguém resolveu me atazanar no meio do lobby do hotel. — A provocação em sua voz era óbvia e, por mais infantil que fosse, nenhuma das duas queria perder a confusão premeditada  que isso iria gerar.

— Eu só fiquei um pouco curiosa com as tais tatuagens novas que você tinha feito e pensei que seria legal deixar uma mordida… ou duas.

— Yae, você marcou o meu braço inteiro!

— Não se esqueça de que quando chegamos na sua suíte você destruiu o meu vestido com a desculpa idiota de que queria ver meus piercings mais perto e o decote estava atrapalhando a sua visão — disse sem saber se ria da irritação alheia ou se prosseguia com sua lista infindável de afrontas feitas especialmente para tirar sorrisos sinceros de sua amada.

Digamos que a Miko não teve que pensar muito, já que logo em seguida Ei selou seus lábios nos dela em uma sede intensa pela afeição da que ao seu ver se assemelhava a uma Afrodite moderna, além de outras expressões que não eram capazes de contemplar seu fascínio pelo espetacular enigma de semblante ladino e lábia irresistível que jazia deitado na areia banhada pelos primeiros raios do amanhecer carmesim.

— Ok, eu acho que mereci as marcas de mordidas nos meus ombros. Satisfeita?

— Muito… Está tentando me seduzir, Raiden? — Estreitando o olhar, Yae lia as entrelinhas da admiração incontida que transparecia do cuidadoso toque de Ei no rosto da garota com madeixas macias e rosadas como nuvens feitas de algodão doce. 

— Apenas deixando claro o meu interesse em não te perder de novo — murmurou baixinho, sem um pingo de hesitação em meio àquele momento sublime e, por mais efêmeras que tais palavras fossem, tudo ao redor de Miko retomava a irreprimível felicidade estampada no abraço cheio de nuances bobas e apaixonadas.

Porque de Roma a Moscou, nenhum desses deslumbrantes pontos turísticos se comparava à beleza etérea de se voltar para os braços da garota que amava sabendo que acordaria ao seu lado no dia seguinte.