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heaven and back

Summary:

Em apenas uma noite Hoseok foi ao céu e voltou.

Work Text:

      A noite comum cobria a cidade, as vias movimentadas espalhadas pela cidade como veias pulsantes, raios rápidos cortavam o céu enquanto vento mudava sutilmente. Haveria uma tempestade.  

 

      A música soava abafada dentro do banheiro graças a porta e as janelas fechadas. Então Hoseok poderia prosseguir em paz, poderia dar um fim a tudo que o perturbava, poderia ficar alto e leve naquela merda de banheiro sujo enquanto seus ‘amigos’ se divertiam e chapavam pouco se fodendo para onde quer o comportamento destrutivo de Hoseok fosse o levar. 

 

      Ele sabia que estava sozinho, mas ainda assim se sentia mal por seus amigos não verem o obvio. Não verem todos os sinais que Hoseok dava porque ele simplesmente não conseguia falar. 

 

      Ele queria, mas as palavras simplesmente não saiam. 

 

      Hoseok estava farto. Não haviam mais motivos para continuar. Então ele abriu o frasco amarelo e despejou um punhado de pílulas em sua mão, deixando que algumas fossem ao chão no processo. O moreno às encarou por poucos segundos, a hesitação piscando em sua mente como um raio, ele levou a mão a boca e a encheu com pílulas, encheu a mão com água e a levando a boca novamente para engolir com mais facilidade. 

 

      O moreno apoiou ambas as mãos sobre a pia, encarando o seu próprio reflexo, esperando

 

      Então veio. Tão forte que ele não aguentou. 

 

      Tudo ficou completamente preto enquanto seu corpo caiu até se contorcer no chão e a espuma saindo por sua boca. 

 

      Entretanto lá estava Hoseok, observando seu corpo agora imóvel ainda espumando pelo chão.

 

      “Não. Não. Não. Não.”, ele repetia, descrente. 

 

      Por que aquilo estava acontecendo daquele jeito? Hoseok esperava morrer e não… Não aquilo. 

 

      Ajoelhou ao lado do próprio corpo caído aos seus pés. Suas mãos tremiam, ele não conseguia, não sabia como reagir aquilo. Hoseok aproximou as mãos trêmulas do próprio corpo e o sacudiu de leve. Nada. 

 

      Na realidade ele percebeu. Hoseok percebeu que não queria realmente morrer.  

 

      Por que ele havia feito algo assim mesmo sabendo que era inútil? Tinha que encontrar ajuda.

 

      “Merda, merda, merda.”, levantou, se afastando do corpo. 

 

      Hoseok abriu a porta do banheiro e saiu às pressas à procura de alguém que pudesse ajudá-lo, mas não importava com quantas pessoas ele tentasse falar, nenhuma delas o via, não importava quantas pessoas ele tentasse tocar ou sacudir elas simplesmente pareciam não sentir. 

 

      “Céus não, não.”, ele levou as mãos ao cabelo castanho, esmagando-o entre os dedos enquanto puxava. 

 

      Pânico. Era tudo que Hoseok era naquele momento, ele não sabia o que fazer, mas sabia que precisava de ajuda então ele rodou pela festa por um pouco mais de tempo procurando alguém que pudesse vê-lo e ajudá-lo. 

 

      “Eii, ei Namjoon!”, Hoseok sacudiu o amigo que estava recostado á parede fumando um beck enquanto mexia no celular. Nada, de novo. 

 

      Quando percebeu que não conseguiria nada ali o moreno procurou pela saída mais próxima que conseguiu encontrar, sendo ela a porta de entrada da sala e saiu. 

 

      Esperou ser recebido pela brisa fria da noite, mas embora o vento mexesse seu cabelo ele não sentia nada, nenhuma sensação em sua pele apenas um desconfortável nada. Hoseok apertou o passo tentando falar com qualquer pessoa que aparecesse em sua frente, mas era inútil. 

 

      O moreno até chegou a ver Jimin, um de seus amigos, recostado a uma parede de pedra esperando alguém, volta e meia olhando para o celular para verificar algo. Hoseok balançou a mão frente ao celular de Jimin, puxou sua jaqueta de couro e gritou, mas ele continuou como estava. 

 

      Hoseok se abraçou e seguiu em frente, procurando. As mãos apertavam os próprios ombros enquanto ele andava em qualquer direção, uma dor leve se estendendo por seu peito… 

 

      O que era aquilo agora? 

 

      Hoseok levou as mãos ao peito, isso sem nunca parar de andar, apalpando por toda parte procurando uma região mais sensível, mas toda a extensão doía igual. Ele não conseguia sentir tanta coisa… Por que logo a dor estava presente? 

 

      “Mas o que?...”, a atenção do moreno foi atraída por uma entrada de garagem. 

 

      Ele olhou ao redor e finalmente percebeu que estava perdido , não fazia ideia de onde estava. Por quanto tempo havia andado? Pelo que lembrava a aquela rua deveria dar em uma área industrial, mas aquilo estava longe de ser uma área industrial. 

 

      O moreno então olhou novamente para a porta de garagem, parecia uma daquelas em que havia em armazéns, mas não deveriam haver armazéns em áreas residenciais? 

 

      Hoseok poderia ficar lá observando embasbacado ou poderia entrar e tentar procurar ajuda. 

 

      Fumaça saia da abertura junto de uma luz violeta. Hoseok se agachou o suficiente para que pudesse entrar entretanto assim entrou as pessoas o olharam. Elas o viam.

 

      Era um alívio, ele poderia pedir ajuda, ele poderia. Mas ele não queria mais. 

 

       Confuso, ele adentrou mais o local, andando entre a multidão. Hoseok conseguiu ouvir relâmpagos ao longe, provavelmente uma tempestade estava pra chegar. 

 

      As pessoas dançavam enquanto algumas desviavam seus olhos para o moreno por poucos segundos, o olhando de cima a baixo, antes de voltarem ao que faziam. 

 

      E então no meio de uma multidão Hoseok o viu indo em sua direção o que ele julgou ser o homem mais lindo que já vira. 

 

      Naquele momento Hoseok só notava o homem belo que caminhava a seu encontro. Os grandes olhos castanhos, junto aos lábios perfeitamente desenhados, as pintinhas sutis e a pálpebra dupla quase imperceptível por conta do pouco cabelo que caía sobre ela. Hoseok reparou em cada detalhe.  

 

      Quando ficou claro que os olhares fixados um no outro não chegariam a um fim Hoseok começou a andar em direção a ele, finalmente frente um ao outro o moreno mais alto levou a mão ao rosto de Hoseok e ele deixou, encostando o rosto contra a mão grande. Hoseok levou as mãos aos braços alheios às subindo aos poucos enquanto o outro levava suas mãos aos ombros de Hoseok. 

 

      Quando Hoseok olhou para os lábios avermelhados e voltou a olhar nos olhos alheios ele soube, ele soube tudo sobre o outro. 

 

      E com Taehyung não foi diferente. Ele viu tudo o que levou Hoseok até aquele momento. 

 

      Foi estranho para ambos, mas naquele momento eles apenas sentiam que deveriam desfrutar da companhia um do outro então Taehyung guiou Hoseok um pouco mais para frente e enquanto a música soava eles dançavam. Sem se soltar, a todo momento Taehyung tinha suas mãos no corpo de Hoseok e vice e versa. 

 

      Aquilo. Aquele momento. Era tudo inacreditável

 

      Talvez tudo não passasse de apenas um delírio de ambos causado por ambos os suicídios fracassados. 

 

      Mas já estavam ali, o que mais poderiam fazer?

 

[...]

 

      No telhado Taehyung e Hoseok observavam a cidade e suas veias luminosas fluindo para todos os lados. 

 

      Hoseok observou Taehyung sutilmente, ambos sentados à borda do telhado. Taehyung estava de olhos fechados, sentindo o vento mexer seu cabelo. Mesmo que ambos não conseguissem sentir o frio da brisa. 

 

      “Ainda consigo te sentir, sei que está olhando pra mim.”, Taehyung falou, sereno, ainda de olhos fechados. 

 

      “Eu… eu…”, Hoseok ficou sem palavras. 

 

      Taehyung riu baixo, abriu os olhos e encarou Hoseok. O sorriso sumiu aos poucos conforme o outro se aproximava. Os olhares indo das bocas alheias para os olhos novamente.

 

     Conforme os lábios se aproximavam ainda mais Hoseok podia sentir. 

 

      “Meu deus, Hobi.”

 

     “O que aconteceu com ele?!” 

 

     “E-eu não sei!”

 

     “Faça alguma coisa, Namjoon!”

 

     Namjoon pressionou as mãos contra o peito de Hoseok fazendo pressão. 

 

    Um. Dois. Três. 

 

    Os lábios se juntaram suavemente… 

 

     E então Hoseok abriu os olhos, respirando fundo, buscando por todo o ar perdido. 

 

     “Meu deus, Hoseok!”, Wheein o abraçou. “Nunca mais faça isso!”

 

     Ela olhou para ele com os olhos cheios de lágrimas enquanto Namjoon o encarava feio. 

 

     “Se fizer isso de novo eu… eu não sei, mas você vai ver. Agora vamos pro hospital, eles precisam ver você melhor.”

 

      Hoseok continuou estático. Os olhos vidrados no nada. Ele apenas não conseguia processar tudo que acontecera. 

 

      Ele só havia entendido que em apenas uma noite ele havia ido ao céu e voltado .