Chapter Text
Grande Prêmio da Espanha,
Montmeló,
Sábado de classificação.
Enquanto encaro minhas mãos pressionadas contra o volante, percebo que quero entregar uma performance impecável hoje.
O ímpeto nasce de um estranho sentimento em meu peito. Diferente das outras vezes, eu não me sinto movido pelo meu espírito de competição nato, nem acredito que devo fazer o melhor para os meus fãs e investidores. E, incrivelmente, também não estou a fim de impressionar Hinata.
Hoje, Sasuke Uchiha está aqui. E eu quero ter certeza de que ele saía desse autódromo com uma certeza hoje: a de que perdeu.
Veja bem, eu não fui apelidado de vilão atoa.
Sasuke e eu começamos a competir no instante em que nos vimos pela primeira vez. Nosso primeiro aperto de mão soltou faíscas. Ele, com receio, desconfiado de alguém que poderia roubar o lugar dele. E eu, que queria roubar o lugar dele. Foi uma combinação fadada ao desastre.
Entre vitórias e derrotas, eu buscava superar ele a qualquer custo. Nas pistas, éramos quase iguais, e só quem podia arrancá-lo do pódio era eu, e vice-versa. Entretanto, embora Sasuke fosse um bom piloto, ele não era nada competente como pessoa, e deixou com que a irresponsabilidade formasse um bolo de problemas grande o suficiente para desestabilizar ele e, enfim, acabar com sua carreira.
Nesse ínterim, tivemos muitas discussões. Ele dava entrevistas me criticando, eu dava entrevistas rebatendo, o clima atrás das câmeras conseguia ser ainda pior, a tensão crescia exponencialmente, cada derrota dele parecia levar a temperatura dos desentendimentos a picos cada vez maiores, e eu estava sempre por cima, eu sempre jogava a última carta, eu sempre tinha a vitória no final do dia.
Ou, quase isso.
Eu conhecia Hinata. Todos conheciam Hinata. Ela estava sempre na área marcando presença em diversas categorias. Ao refletir um pouco, fiquei frustrado ao pensar que ela havia namorado tantos pilotos, exceto eu. E quando eu me vi próximo dela, quando supostamente eu teria uma chance de tomar uma iniciativa, bem…
Lá estava ela, abraçada a Sasuke, com um bebê nos braços, e nada interessada em mim. Sorrisos educados, toques respeitosos, conversas polidas e nada mais. Ela nunca deu espaço para quaisquer dúvidas: era fiel ao namorado. Claro que o desinteresse dela por mim não diminuía meu interesse por ela: eu suava frio quando ela se aproximava, tropeçava nas palavras mais simples, esquecia como ser eu. E ela nem percebia.
De algum modo, isso calhou para aumentar a tensão. E quando li que ela e Sasuke não estavam mais juntos…foi mais satisfatório do que todos os meus triunfos anteriores sobre ele.
Ganhar é viciante. Estar no topo é eletrizante. Ser o centro de tudo, conquistar um lugar de prestígio, ser respeitado por suas vitórias…isso tudo é insanamente prazeroso.
Entretanto, Hinata Hyuuga supera tudo isso. E Sasuke sabe disso, e eu sei que ele sabe disso.
Então espero que hoje, novamente, ele se lembre de tudo que perdeu para mim.
"Radio check. Radio check. Está escutando?"
"Em alto e bom som. Tem previsão de chuva nos próximos minutos?"
"Não. Apenas o bom e velho calor europeu pelas próximas horas"
"Perfeito. Eu adoro suar como um porco"
"Ótimo. Uma volta para ver seu tempo e aquecer os pneus"
"Vamos lá"
A lentidão com que saio da pit lane é deliciosa. Tesão é um sentimento bom, e nem sempre sexual. A excitação que sinto momentos antes do motor rugir a toda potência é puro tesão. O instante antes de eu levar o carro ao limite, é puro tesão.
Eu aperto as mãos contra o volante. O comando de tudo está na ponta dos meus dedos. Eu entro na pista, acelerando firmemente na reta. Quero começar fazendo o melhor tempo em todos os setores, e quero fechar a sessão de hoje com o melhor tempo da pista. Parece simples e justo para mim.
Em tese, é só acelerar.
As primeiras curvas são menos fechadas que as posteriores, e por isso eu não deixo a velocidade cair muito. Deslizo sobre a pista, em silêncio, escutando somente o motor. Shikamaru sabe que eu prefiro fazer as coisas dessa maneira: uma volta em silêncio, quase contemplativa.
Quando finalizo o terceiro setor, o rádio chia para mim.
"1:40:021"
"Mal 'pra caralho, puta que pariu"
"Eu te imploro que pense bem antes de falar. Eu acho que você está prestes a passar das multas financeiras para as mais sérias, sabia?"
"É, é, relaxa. Eu uso meus palavrões com sabedoria. Onde eu preciso melhorar?"
"Setor 3, a reta está lenta. Nas curvas está segurando bem. Mais uma volta focando no último setor e vamos ver o que mais precisa melhorar"
Eu concordo com a cabeça, com uma penca de palavras sujas na ponta da língua, e bastante autocontrole para não soltá-las.
Não me resta outra opção além de acelerar. Minhas mãos estão suando debaixo das luvas. Minhas articulações estão ardendo. Conforme me concentro em segurar a pressão das curvas, a troca de marchas, a aceleração e as frenagens, suor escorre do meu cabelo para meu rosto. Eu sugo um pouco de água para dentro da boca, para suportar o calor e a tensão, e as curvas parecem cada vez mais difíceis; o uso da força, ironicamente, nos enfraquece, e fica cada vez mais excruciante controlar os movimentos do carro.
Quando cruzo o terceiro setor, é como se eu tivesse corrido uma maratona. Ofegante como um cão com sede, eu pergunto:
"Tempo?"
"1:19:027. Ainda não é o melhor tempo. Melhor terceiro setor entre os pilotos, mas você perdeu velocidade nas curvas do setor 2"
"...que notícia boa"
"Olha pelo lado bom: mais uma volta, você bate o melhor tempo da pista e pode retirar o carro e descansar"
Eu não respondo. Já estou conformado de que vou precisar repetir tudo de novo. O Sol parece estar quente o suficiente para derreter meu capacete, e isso é meu maior incômodo. Outro gole de água. O motor ruge conforme eu aumento a velocidade. Meus dedos tremem ao trocar de marcha. Uma curva se aproxima. Eu seguro, seguro, seguro, e então diminuo as marchas e deslizo pelo limite da curva. Meus pulsos quase gritam de raiva de mim. Posso escutar Shikamaru sibilando no rádio, mas eu ignoro com toda a minha força. As curvas do setor dois surgem no meu horizonte, e eu repito o ritual: seguro a aceleração o máximo possível antes de descansar o motor para fazer o trecho em segurança. Quando a reta do último setor entra na minha vista, eu acelero como nunca.
Meu coração está acelerado, e minha pressão provavelmente está alta. Sinto minha artéria latejar no pescoço, e o som dos meus batimentos ecoa na minha cabeça. Estou um pouco tonto, o que é esperado para quem está sendo pressionado pela gravidade, queimado pelo Sol e enfraquecido pelos próprios esforços. Sugo um pouco de água para a boca mais uma vez, e o líquido outrora agradavelmente gelado está morno, o que me nauseia.
Finalizo o terceiro setor. Diminuo a velocidade. A pit lane está na minha frente, e eu sinto que independente do resultado, eu preciso respirar um pouco.
O chiado do rádio me desperta da letargia.
"1:18:127. Parabéns, vilão"
[...]
Depois de recuperar uma temperatura corporal compatível com a vida, eu decidi enfrentar as entrevistas.
Essa foi a minha pior decisão que eu poderia ter tomado. Tem poucas coisas piores que uma sala cheia de jornalistas; as vozes se sobrepondo desesperadamente, os microfones, gravadores, celulares e câmeras voltados para a minha direção, os flashes que surgem do nada, os olhares julgadores e debochados. É como uma presa contra mil predadores. De um lado, eu, com minha mania de não pensar antes de falar, e do outro, pessoas especializadas em transformar todas as minhas falas em manchetes tendenciosas.
O inútil se unindo ao desagradável.
"Você considerou o risco de não pegar a pole position quando retirou o carro precocemente?"
"Não tinha risco de outra pessoa ir mais rápido que eu hoje."
"E isso não é uma coisa prepotente para se dizer?"
Eu levanto as sobrancelhas. Tenho vontade de responder que eu sou prepotente, e que todo mundo já sabe disso. Mas esse é o tipo de resposta que pode me render uma manchete tendenciosa (e uma surra de Ino).
"Eu apenas fiz o meu melhor e acreditei que ninguém conseguiria dobrar a aposta. Tive um resultado positivo, e estou feliz por isso."
"E se fosse um resultado negativo? E se você tivesse perdido a posição? E se alguém tivesse dobrado a aposta?"
"E se, e se…" Me seguro para não revirar os olhos. "Se minha mãe tivesse duas rodas e um guidão, ela seria uma bicicleta."
"…sem mais perguntas." O jornalista murmura, se afastando para trás, enquanto os outros se amontoam, gritando e pedindo atenção. Eu respiro fundo, me concentrando para entender pelo menos uma das vozes.
"…o recorde antigo da pista era de Sasuke Uchiha!"
Eu encaro a moça que estende o celular na minha direção. Eu conheço ela de algum lugar, mas é difícil pensar nisso agora, com tantos flashes e barulho. Apenas cruzo os braços, concordando.
"Agora é meu."
"Isso é algum tipo de ataque pessoal ao Uchiha?"
"Não. Eu queria quebrar o recorde, e coincidentemente, o recorde era dele."
"Atualmente você assumiu um relacionamento com a ex-namorada do Uchiha, Hinata Hyuuga. Isso também foi uma coincidência?" Ela estreitou os olhos, emendando rapidamente: "E também subiu ao cargo dele dentro da equipe depois que ele saiu. Quantas coincidências como essa ocorreram desde que vocês se conheceram?"
"Pelas suas contas, três."
Ela fecha a expressão. Eu não levo esse tipo de pergunta a sério, e ela deveria estar ciente disso. Estou aqui para responder perguntas técnicas, e não um questionário de tabloide de quinta categoria. Aliás, eu acho que já sirvo de insumo para fofocas o suficiente; ninguém precisa saber mais do já sabem sobre mim.
"E qual será a próxima?"
"Felizmente acredito que acabou. Não tenho mais nada para "roubar" dele." Faço aspas no ar, e sorrio de canto.
"Então você poderia categorizar que roubou essas coisas dele?"
"Você quem disse isso."
"Eu insinuei. Você falou. Confirmou, na verdade."
Eu bufo.
"Eu não quero responder mais nenhuma pergunta se as próximas forem minimamente parecidas com as suas."
"Se eu te incomodei c-..."
"Incomodou. Esse é um momento de entrevistas técnicas. Eu estou aqui para falar sobre a pista, sobre o carro, sobre as minhas expectativas do final de semana, e não sobre a minha vida amorosa e sobre rivalidades que nem existem mais. Uchiha nem é piloto mais." Eu me afasto do microfone e aceno rapidamente, já virando de costas.
[...]
A única coisa que realmente me interessa agora é ver Hinata. Segundo informações obtidas por mim, logo após eu retornar para o box, ela foi para a área de alimentação buscar um refresco (justo, eu também queria a porra de um refresco ao invés de perguntas inconvenientes). Feliz em ter uma desculpa para beber e para fugir de todo mundo, cá estou eu, adentrando o bar.
Meu corpo relaxa um tanto ao vê-la encostada no balcão, conversando gentilmente com o barman. O cara parece abduzido enquanto prepara a bebida dela. Eu me aproximo, para saber o que ela está dizendo para enfeitiçar ele, e como esperado, não é nada demais. A magia é inerente a ela, e não precisa de palavras para ser evocada.
"…e por isso eu odeio Bloody Mary!"
Eu rio, e Hinata finalmente me nota. Em um movimento rápido e natural, ela retira meu boné e me beija, sussurrando:
"Parabéns pelo novo recorde, méchant."
Eu concordo de maneira tola.
"O que você pediu para tomar?"
"Um cosmopolitan." O sorriso brilhante dela quase me faz pedir um drink igual (lê-se: quase me faz esquecer que prefiro algo mais forte, menos doce e menos enfeitado).
"Uma dose de uísque com gelo para mim." Peço, o que faz o barman despertar e concordar rapidamente. Hinata desliza o boné de volta para a minha cabeça, e me encara.
"Me disseram que isso tudo foi para tentar ofender Sasuke."
"Tentar?"
Ela ri.
"Méchant! Como você é cruel…então é verdade!?"
"Não vou admitir em voz alta." Me inclino na direção dela, e me afogo no aroma de perfume caro antes de sussurrar baixo: "Eu já me comprometi demais hoje."
"Podemos ir para um lugar mais reservado..." Hinata provoca, me fazendo suspirar. "E aí você me conta todos os detalhes sórdidos dos seus planos maléficos."
"Planos maléficos?" Ecoo, rindo, e ela concorda.
"Não é isso? Você mesmo me disse…"
"Eu não disse nada."
Hinata sacode os ombros em uma gargalhada, e me empurra fracamente.
"Você, méchant, além de muito mau, é muito cínico."
"Assim você me magoa, sabia?" Ela pousa os dedos sobre o meu queixo, e me belisca levemente.
"Sei que preciso de mais do que isso para te magoar."
"Agora está me chamando de insensível?"
"Eu não disse nada."
Ela me beija rapidamente, e então se afasta.
"Nossos drinques estão prontos. Seja rápido."
Por um segundo, me atrevo a pensar por qual motivo eu deveria virar uma dose de uísque de uma vez só; por que eu deveria diminuir o prazeroso e lento momento de apreciação de uma bebida?
[...]
O beijo molhado de Hinata com gosto de álcool e licor é a resposta para a pergunta acima.
Acho que eu não sentia tanto tesão nem na adolescência. Enquanto sou forçado contra a parede, me pego pensando em como "duquesa" é um apelido tão irônico para essa mulher. Sem o vestido caro, com a calcinha presa aos tornozelos e o sutiã pendurado no ombro, ela definitivamente não me faz pensar em uma duquesa.
Mas ela manda tão bem em mim, que com certeza está acima do meu título.
"Odeio isso…" Ela sussurra, com raiva, enquanto puxa o velcro da minha calça. "Por que ninguém muda isso!? É difícil de tirar."
Não estou feliz pelo fato de ela já ter experiência com o velcro do macacão da McLaren. Na verdade, espero que piorem muito esse velcro a ponto dela não abrir nenhum macacão além do meu.
Eu desço as mãos para os cabelos de Hinata ao mesmo instante que ela consegue abaixar o resto do meu uniforme. De repente, penso em impedi-la, porque eu ainda estou no uniforme de trabalho, porque suei nessa roupa, porque talvez eu devesse tomar um banho…
"Hina-..." Eu perco a voz. Meus dedos puxam as madeixas dela firmemente enquanto Hinata engole meu pau. Os olhos claros dela estão vidrados em mim, me obrigando a encará-la de volta, o que me causa o dobro de tesão. Ela é linda. Nua, ajoelhada, e me chupando, ela é gloriosa. "Sí, amore…" É um esforço inacreditável para empurrar as curtas sílabas para fora da garganta; estou rouco, hipnotizado pela visão e pelos movimentos dela. Hinata estreita o olhar, se afasta e ri, parecendo deslumbrada por algo, e sinto que estou mais próximo da minha ruína que nunca.
"Amore?" Ela provoca, com as unhas arranhando lentamente minha virilha.
"Esquece isso." Peço, o que faz ela rir de um jeito tão malvado quanto qualquer vilão.
"Não." A mão dela me massageia lentamente, da base à glande. E então ela me coloca na boca de novo.
Não ligo que alguém possa entrar a qualquer momento, não ligo que a porta da minha sala não esteja trancada, e nem Hinata parece se importar. Talvez por isso somos tão inclinados a ser pegos no flagra. Sei que nós dois concordamos que as coisas são mais excitantes assim.
"Vem aqui." Ordeno, baixo, enquanto puxo Hinata em minha direção. Ela geme suavemente, e eu a pego no colo, encostando-a na parede logo em seguida. Ela se apoia em meu ombro, com a boca encostada na minha pele, enquanto eu encaixo as coxas dela contra o meu quadril. "Caralho, você é tão, tão…" Eu suspiro ao deslizar para dentro da boceta dela. Minhas mãos apertam firmemente as coxas grossas de Hinata, e eu impulsiono o corpo dela para cima e para baixo, contra mim, com toda minha força. Ela emite uma sequência deliciosa de sons de tesão, enquanto me arranha e me morde, e puta que pariu…
"Naruto, Naruto…" Ela entoa, ronronando o cântico, me fazendo fechar os olhos, totalmente levado por mais um dos feitiços dela.
Hinata me espreme contra as pernas dela. Eu deixo um gemido rouco escapar. E nossos corpos se encontram no mesmo orgasmo, um contra o outro.
[...]
Será que eu fico muito sorridente depois de gozar?
Devo ficar. E deve ser óbvio o motivo, porque Sasuke Uchiha está me fuzilando com o olhar.
Depois de um banho gelado (acompanhado) e uma troca de roupas, eu pareço alguém decente agora. Meu cabelo me incomoda um pouco, úmido embaixo do boné, mas a sensação refrescante é até boa. Com os braços cruzados, eu observo em silêncio como Hinata, antes tão selvagem, agora parece tristemente domada, como um animal em cativeiro.
Ela passa as mãos pelas costas do filho, que está dormindo no colo de Sasuke, e parece sentir dor ao fazer isso. Mordendo os lábios, ela diz:
"Sei que ele tem tudo que precisa na sua casa, mas eu separei alguns itens. Se ele ficar doente-..."
"Eu te ligo imediatamente."
"E se ele pedir-..."
"Para ver você? Eu te ligo. Imediatamente."
Hinata faz uma expressão difícil de decifrar. Ao mesmo tempo que ela parece aliviada, há uma sombra no olhar dela. Está tensa, mas se controlando para não demonstrar tanto.
"Você quer que eu acorde ele?" Sasuke questiona. "Para você se despedir."
"Ele sempre dorme nesse horário. Se eu acordá-lo, ele não vai dormir bem a noite…" Ela balança a cabeça negativamente e se aproxima dele. Gentilmente, Hinata penteia os cabelos escuros do filho para trás, e o beija na testa, na bochecha, e no ombro. "Prends soin de toi, mon cher." Hinata suspira, ainda próxima dele.
Eu noto como Sasuke olha para ela: como leite derramado. E, acredito que ele sabe que não adianta chorar.
Deve ser realmente doloroso olhar para essa mulher e saber que a perdeu por um erro. Na noite quente do verão Europeu, sem nenhuma maquiagem, ela exibe um rosto brilhante, e um rubor de calor. O cabelo preso em uma trança, o vestido de linho branco, a essência suave do perfume cítrico; eu sorrio de canto, pensando que, no fim dessa noite, vamos suar juntos nos lençóis do hotel.
"Uma semana." Sasuke murmura, preso a ela. "Onde te encontro no próximo final de semana?"
"Áustria." Respondo, automaticamente, o que faz ele despertar do feitiço e me encarar com raiva.
"Hinata." Ele destila as sílabas. "Você vai começar a viajar com ele agora?"
"Qual o problema?"
"Achei que você tivesse coisas mais interessantes para você fazer."
"Na verdade, não. Eu gosto de viajar. Gosto de fazer companhia para o meu namorado." A última palavra parece causar náuseas em Sasuke. Hinata sorri, e se afasta, dando passos para trás até esbarrar em mim. Eu abraço os ombros dela, inspiro a essência deliciosa que emana dos cabelos escuros, e planto um beijo na ponta da orelha dela. Com um risinho, ela me olha, e então volta a dizer para Sasuke: "É ótimo torcer pelo seu companheiro quando ele não está te traindo."
"Ótimo. Hora de ir. Começaram os ataques pessoais." Ele diz, enquanto revira os olhos, e embora tente parecer desinteressado, Sasuke continua nos encarando de canto. Eu encosto o queixo no topo da cabeça de Hinata, e sorrio de canto.
"Boa viagem, Sasuke."
"Vai se foder." Ele sibila, antes de se abaixar. Observo ele pegar a mala que Hinata preparou, e ficamos quietos enquanto ele se vira e vai embora.
"Será que ele pensou que você estava debochando dele?"
Eu solto uma risadinha sacana.
"Será?"
"Foi muito rude da parte dele. E eu não gosto de palavrões perto de Kawaki."
"Relaxa, duchessa. Aliás…" Eu deslizo o dorso da mão pelo braço dela, sentindo os arrepios da pele alva. "Que tal eu te ajudar a relaxar, uh?" Falo, baixinho.
Hinata sorri de canto em resposta.
E, se eu fosse Sasuke, e soubesse que tem alguém fazendo minha ex-namorada gostosa relaxar, eu também estaria distribuindo palavrões por aí.
As crises de ciúmes dele são justas.
[...]
Jogando sujo: Naruto Uzumaki e a jornada sem limites para atingir o antigo rival de equipe
Até quando a vingança é plena? Aparentemente, para Naruto Uzumaki, a plenitude da retaliação é eterna. Depois de ganhar o título de campeão mundial, o lugar como primeiro piloto na equipe e a ex-companheira de Sasuke Uchiha, o piloto colocou o pé em mais um roubo: a volta mais rápida do circuito da Catalunha. Ao ser questionado sobre essa sequência de "coincidências", Uzumaki se negou a responder quaisquer outras perguntas de cunho pessoal, o que nos leva a refletir sobre o quão pouco de "coincidência" havia nessas situações.
Além de pisar em locais sensíveis, Uzumaki não tem pena de levar tudo ao limite: exibindo Hinata Hyuuga em todos os lugares, com toques e beijos apaixonados em público, publicações em redes sociais, uma onda de aparições nada sutil. E o pior: a duquesa de Mônaco parece estar dançando no mesmo ritmo, feliz em ajudar o vilão a causar um pouco mais de estrago.
Será que Hinata Hyuuga é tão dama quanto era a última vez em que esteve no enfoque da mídia? Ou será que agora ela é tão vilã quanto o companheiro dela?
Na opinião dessa humilde jornalista, esse casal está no topo da cadeia alimentar do padoque. Predadores famintos…
"…e impiedosos." Hinata termina de ler a notícia. As sobrancelhas dela estão levantadas, e ela parece muito surpresa, de um jeito ruim. "Quelle salope, c'est absurde…"
"Concordo." Gracejo, o que faz ela me encarar e traduzir, rudemente:
"Ela é uma puta. Isso é um absurdo. As pessoas falam de você assim o tempo todo, sem motivo. Você não disse nada demais na entrevista, ela tirou as próprias conclusões e publicou como uma verdade absoluta e ainda…ela disse…" Ela levanta o celular de novo, e encara a tela, lendo rápido: "Será que Hinata Hyuuga é tão dama quanto era a última vez em que esteve no enfoque da mídia?"
"Você é?"
Hinata estreita o olhar. Infelizmente para ela, isso não me assusta. Ela está usando um conjunto social branco, com óculos de sol repousando no topo da cabeça, um batom vermelho vibrante e vários colares prateados. Nesse instante, tudo que consigo pensar é no quanto ela é estonteante (mesmo estressada).
"Eu sei bem o que ela quis dizer aqui, e eu não gosto de mulheres que ganham dinheiro em cima de críticas ridículas sobre outras mulheres. Esse mundo não é amigável com mulheres, com mães, menos ainda com mães solteiras, então ela deveria pensar melhor antes de escrever esse tipo de coisa que pretende me rebaixar a uma garotinha brincando de vingança com o namorado, como se eu não fosse uma mulher adulta que definitivamente não pode ser reduzida a título de prostituta ou santa. Eu tenho uma personalidade que não se resume a ser boazinha ou levada. Eu…" Ela respira fundo, e se acalma. O sotaque dela estava escalonando a cada palavra, mais e mais intenso a cada "r" que aparecia, o que foi um pouco adorável. "Eu odeio quando as pessoas falam de mim assim. E eu não sei como você suporta ler esse tipo de coisa sobre você."
"Eu não leio. Angioletta lê…" Eu estendo a mão para meu suco de laranja. A mesa em que estamos sentados, no terraço do hotel, permite a vista da cidade iluminada pelo dourado do nascer do Sol. Não há brisa fria nessa manhã típica de verão, e tudo que nos envolve é o aroma do desjejum que está sendo servido. "E é por isso que ela vive estressada. E também é por isso que eu pago ela muito bem."
"Parece que agora vou precisar de uma assessora também." Estalando a língua no céu da boca, a duquesa revira os olhos. "Nessas últimas semanas, eu perdi alguns anos de vida, de tanto desgosto que senti de ler essas coisas. E de ver fotos minha pelada liberadas por aí."
"As fotos foram complicadas." Concordo, rindo. "Sinto muito, duchessa. Acho que namorar comigo é um problema."
"Bônus e ônus."
"Qual o bônus?"
"Ah." Hinata sorri, e o óculos dela desliza para frente, caindo sobre a ponta do nariz empinado. "Todo o resto sobre você é um bônus, méchant."
"Bom saber, duchessa."
Enquanto ela eleva a xícara de espresso fumegante até a boca, me pego pensando se essa será a foto da próxima manchete: a pomposo duquesa, de óculos de sol, apreciando o desjejum, enquanto eu encaro ela como se fosse a primeira e a única maravilha do mundo.
